A dica de sábado é do amigo Túlio nos versos de Neruda: “Tira-me o pão, se quiseres, tira-me o ar, mas não me tires o teu riso.”
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
10 dezembro 2011
Tucanos à deriva
FHC diz que “o PSDB perdeu o rumo”. Sim, quem nele procura proposta nova “busca água numa fonte esgotada”, como escrevi no Blog de Jamildo.
Elias Gomes, 60 anos
Em São Paulo, perdi a festa o prefeito Elias Gomes – grande amigo e exemplo de gestor competente, que cultua a amplitude e a pluralidade.
09 dezembro 2011
Células-tronco disputam velocidade
Ciência Hoje Online:
Corrida maluca
Células naturais e modificadas disputaram o pódio na menor e mais lenta competição de velocidade do mundo.
. Uma linhagem de células-tronco embrionárias de Cingapura venceu a primeira corrida mundial de células e ganhou o título de mais veloz do mundo. É isso mesmo, você não entendeu errado.
. A World cell race (corrida mundial de células, em português), cujo resultado final foi divulgado durante a 51ª Reunião Anual da Sociedade Americana de Biologia Celular, na semana passada, é literalmente uma corrida em que variados tipos de células disputam para ver quem atravessa mais rápido uma placa de Petri, aqueles recipientes de vidro redondos que os cientistas usam para cultivar pequenos organismos em laboratório.
. As células-tronco vencedoras deixaram para trás 50 outras competidoras – entre células cancerosas, mutantes e modificadas artificialmente – ao atingir a incrivelmente lenta velocidade de 5,2 micrômetros por segundo, o equivalente a 0,000000312 quilômetros por hora.
. Pela dificuldade de reunir as amostras de células enviadas por pesquisadores de todo o mundo em um só lugar, a corrida se deu simultaneamente em laboratórios nos Estados Unidos, Inglaterra, França e Cingapura. . Sob a vigilância de câmeras superpotentes, as competidoras tiveram 24 horas para completar o percurso de 0,4 mm. Para garantir que as células permanecessem no trajeto, as minipistas foram besuntadas com a proteína adesiva fibronectina.
. Leia a matéria e veja vídeo http://migre.me/756FM
Corrida maluca
Células naturais e modificadas disputaram o pódio na menor e mais lenta competição de velocidade do mundo.
. Uma linhagem de células-tronco embrionárias de Cingapura venceu a primeira corrida mundial de células e ganhou o título de mais veloz do mundo. É isso mesmo, você não entendeu errado.
. A World cell race (corrida mundial de células, em português), cujo resultado final foi divulgado durante a 51ª Reunião Anual da Sociedade Americana de Biologia Celular, na semana passada, é literalmente uma corrida em que variados tipos de células disputam para ver quem atravessa mais rápido uma placa de Petri, aqueles recipientes de vidro redondos que os cientistas usam para cultivar pequenos organismos em laboratório.
. As células-tronco vencedoras deixaram para trás 50 outras competidoras – entre células cancerosas, mutantes e modificadas artificialmente – ao atingir a incrivelmente lenta velocidade de 5,2 micrômetros por segundo, o equivalente a 0,000000312 quilômetros por hora.
. Pela dificuldade de reunir as amostras de células enviadas por pesquisadores de todo o mundo em um só lugar, a corrida se deu simultaneamente em laboratórios nos Estados Unidos, Inglaterra, França e Cingapura. . Sob a vigilância de câmeras superpotentes, as competidoras tiveram 24 horas para completar o percurso de 0,4 mm. Para garantir que as células permanecessem no trajeto, as minipistas foram besuntadas com a proteína adesiva fibronectina.
. Leia a matéria e veja vídeo http://migre.me/756FM
08 dezembro 2011
Um bloco de sentido estratégico
De braços abertos e mãos dadas
Luciano Siqueira
Publicado no portal Vermelho www.vermelho.org.br
Cá em terras pernambucanas, a gente costuma dizer que para não ser engolido tem que abrir os braços. No cenário mundial em evolução – marcado pela crise que atinge principalmente os EUA e a Europa e pela transição a uma nova ordem multipolar – abrir os braços é necessário. Não apenas para se defender de ameaças externas às economias nacionais; mais do que isso, erguer a cabeça e passar à ofensiva.
Foi o que aconteceu em Caracas, dias atrás, quando 33 presidentes dos países da região deram um passo adiante para viabilizar a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Não apenas abriram os braços; deram-se as mãos no intuito de caminhar juntos, inspirados na solidariedade e no progresso comum.
Um fato relevante sob todos os títulos, especialmente porque congrega nações que entrelaçam situações muito diversificadas, interesses até contraditórios em certa medida, mas convergentes na busca do desenvolvimento econômico e social soberano e democrático.
A constituição da Celac coroa um vitorioso movimento de resistência (no qual o Brasil, então liderado pelo presidente Lula, teve desempenho destacado) que derrotou o intento norte-americano de criar a Alca (Organização de Livre Comércio das Américas) proposta pelo governo Bush com a anuência subserviente do Brasil de Fernando Henrique Cardoso. Com a Celac dá-se o inverso: o subcontinente sul-americano e o Caribe recusam-se ao papel de quintal da grande potência e firmam a disposição comum de trilhar caminho próprio.
Iniciativa de tão relevante significado certamente contraria os interesses de elites conservadoras dos países associados, que ainda se apegam à orientação neoliberal, apesar do desastre eloquente da atual crise global. No Brasil mesmo, os arautos da subserviência torcem o nariz, como sempre fizeram em relação ao Mercosul - dispostos permanentemente a apontar naturais dificuldades e conflitos comerciais entre o Brasil e Argentina como sinal de inviabilidade (sic) da integração sul-americana.
Da mesma forma, sentem-se incomodados com gestos políticos como o adotado ao final da reunião de Caracas, pela rejeição mútua ao bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, através de documento em que acentuam que o embargo comercial e financeiro firmado pelo governo norte-americano desde 1962 causa muitos prejuízos ao povo cubano, além de afetar a paz e convivência entre as nações do continente.
O Departamento de Estado norte-americano, outrora arrogante numa situação dessas, como que refletindo os sinais dos novos tempos, emitiu nota cautelosa em que afirma que "os grupos sub-regionais são potencialmente importantes representantes do hemisfério e podem ser parceiros úteis para os Estados Unidos”.
Agora é acompanhar a agenda da Celac e torcer para que se consolide como instrumento da unidade dos povos dessa parte do Globo, tão sonhada desde Bolívar e Guevara a Lula.
Luciano Siqueira
Publicado no portal Vermelho www.vermelho.org.br
Cá em terras pernambucanas, a gente costuma dizer que para não ser engolido tem que abrir os braços. No cenário mundial em evolução – marcado pela crise que atinge principalmente os EUA e a Europa e pela transição a uma nova ordem multipolar – abrir os braços é necessário. Não apenas para se defender de ameaças externas às economias nacionais; mais do que isso, erguer a cabeça e passar à ofensiva.
Foi o que aconteceu em Caracas, dias atrás, quando 33 presidentes dos países da região deram um passo adiante para viabilizar a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Não apenas abriram os braços; deram-se as mãos no intuito de caminhar juntos, inspirados na solidariedade e no progresso comum.
Um fato relevante sob todos os títulos, especialmente porque congrega nações que entrelaçam situações muito diversificadas, interesses até contraditórios em certa medida, mas convergentes na busca do desenvolvimento econômico e social soberano e democrático.
A constituição da Celac coroa um vitorioso movimento de resistência (no qual o Brasil, então liderado pelo presidente Lula, teve desempenho destacado) que derrotou o intento norte-americano de criar a Alca (Organização de Livre Comércio das Américas) proposta pelo governo Bush com a anuência subserviente do Brasil de Fernando Henrique Cardoso. Com a Celac dá-se o inverso: o subcontinente sul-americano e o Caribe recusam-se ao papel de quintal da grande potência e firmam a disposição comum de trilhar caminho próprio.
Iniciativa de tão relevante significado certamente contraria os interesses de elites conservadoras dos países associados, que ainda se apegam à orientação neoliberal, apesar do desastre eloquente da atual crise global. No Brasil mesmo, os arautos da subserviência torcem o nariz, como sempre fizeram em relação ao Mercosul - dispostos permanentemente a apontar naturais dificuldades e conflitos comerciais entre o Brasil e Argentina como sinal de inviabilidade (sic) da integração sul-americana.
Da mesma forma, sentem-se incomodados com gestos políticos como o adotado ao final da reunião de Caracas, pela rejeição mútua ao bloqueio dos Estados Unidos a Cuba, através de documento em que acentuam que o embargo comercial e financeiro firmado pelo governo norte-americano desde 1962 causa muitos prejuízos ao povo cubano, além de afetar a paz e convivência entre as nações do continente.
O Departamento de Estado norte-americano, outrora arrogante numa situação dessas, como que refletindo os sinais dos novos tempos, emitiu nota cautelosa em que afirma que "os grupos sub-regionais são potencialmente importantes representantes do hemisfério e podem ser parceiros úteis para os Estados Unidos”.
Agora é acompanhar a agenda da Celac e torcer para que se consolide como instrumento da unidade dos povos dessa parte do Globo, tão sonhada desde Bolívar e Guevara a Lula.
Bom dia, Vinícius de Morais
Ademir Martins
A um passarinho Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
Se é para uma prosa
Não sou Anchieta
Nem venho de Assis.
Deixa-te de histórias
Some-te daqui!
07 dezembro 2011
Buscando água em fonte esgotada
Luciano Siqueira
Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)
Anoto comentários impacientes de colunistas das diversas mídias em relação à dificuldade que encontra o PSDB de enfim efetuar o que vem prometendo há tempo: atualizar o seu discurso.
A impaciência denota óbvio comprometimento, pois expressa em termos que em nada sugere o distanciamento desejável de quem apenas analisa os fatos, sem tomar partido. É como se a oposição efetivamente empreendida através de jornais, revistas, rádio, TV e sites e blogs na web estivesse órfã de uma representação partidária propriamente dita. E está.
Reflete também um equívoco – o de imaginar que os tucanos apenas estivessem falhos na tarefa de verbalizar o que pensam, e não propriamente na escassez de um pensamento articulado. Ou seja: o buraco é mais embaixo e a torcida ainda não percebeu isso.
A cada derrota eleitoral surgem juras de que o principal partido da oposição atualizará seu programa, buscará uma maior aproximação com a chamada classe média e, mais recentemente, até com os trabalhadores sindicalizados. E a crítica à esquerda, que não teria a capacidade de refletir o Brasil real (sic). Sem consequência prática, entretanto.
Na verdade, em qualquer país do mundo cabe à oposição, quando programática e consistente, formular propostas alternativas às políticas vigentes, sob pena de cair no vazio e se afastar mais ainda do eleitorado e colher sucessivas derrotas. O que ocorre no Brasil é que tanto o PSDB, como seus aliados mais próximos DEM e PPS, não construíram nada além do ideário imperante na era FHC, de alinhamento com a orientação neoliberal supostamente vitoriosa mundo afora. Desde 2002, com a primeira eleição de Lula, o País experimenta novos rumos, com resultados significativos a ponto de sustentarmos em 9 anos um padrão de crescimento e de redução de desigualdades sociais e regionais sem precedentes. E isso acontece justamente pelo abandono a da orientação anterior sustentada pelo tucanato e seus coadjuvantes.
Além disso, desde final de 2007 e início de 2008, a crise global atola os EUA e a Europa em dificuldades e dá margem à ascensão de grandes países emergentes, entre os quais o Brasil se inclui, apesar dos entraves que perduram.
Ser contra isso só se tiver uma proposta melhor. A oposição não tem, o PSDB não pode ter por uma questão lhe é intrínseca: a base ideológica e política que o inspira, decorrente de sua ligação umbilical com a grande capital financeiro. Daí centrar o seu discurso num suposto combate à corrupção, ao modo da velha UDN.
Mais: quando o Ministério da Fazenda e o Banco Central enfim se entrosam, por orientação da presidenta Dilma, e adotam a queda gradativa da taxa Selic como forma de destravar a produção e ampliar as oportunidades de trabalho – no reverso do que fazem os países da Zona do Euro, que tentam sair da crise mediante cortes drásticos em investimentos, regressão de direitos sociais e desemprego -, que fazem os tucanos? Criticam o que chamam de “mudança incoerente”, numa forma acanhada de defenderem os interesses do setor rentista.
Por essa e outras é que os impacientes analistas deveriam reconhecer que procuram água numa fonte que já secou.
Luciano Siqueira
Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)
Anoto comentários impacientes de colunistas das diversas mídias em relação à dificuldade que encontra o PSDB de enfim efetuar o que vem prometendo há tempo: atualizar o seu discurso.
A impaciência denota óbvio comprometimento, pois expressa em termos que em nada sugere o distanciamento desejável de quem apenas analisa os fatos, sem tomar partido. É como se a oposição efetivamente empreendida através de jornais, revistas, rádio, TV e sites e blogs na web estivesse órfã de uma representação partidária propriamente dita. E está.
Reflete também um equívoco – o de imaginar que os tucanos apenas estivessem falhos na tarefa de verbalizar o que pensam, e não propriamente na escassez de um pensamento articulado. Ou seja: o buraco é mais embaixo e a torcida ainda não percebeu isso.
A cada derrota eleitoral surgem juras de que o principal partido da oposição atualizará seu programa, buscará uma maior aproximação com a chamada classe média e, mais recentemente, até com os trabalhadores sindicalizados. E a crítica à esquerda, que não teria a capacidade de refletir o Brasil real (sic). Sem consequência prática, entretanto.
Na verdade, em qualquer país do mundo cabe à oposição, quando programática e consistente, formular propostas alternativas às políticas vigentes, sob pena de cair no vazio e se afastar mais ainda do eleitorado e colher sucessivas derrotas. O que ocorre no Brasil é que tanto o PSDB, como seus aliados mais próximos DEM e PPS, não construíram nada além do ideário imperante na era FHC, de alinhamento com a orientação neoliberal supostamente vitoriosa mundo afora. Desde 2002, com a primeira eleição de Lula, o País experimenta novos rumos, com resultados significativos a ponto de sustentarmos em 9 anos um padrão de crescimento e de redução de desigualdades sociais e regionais sem precedentes. E isso acontece justamente pelo abandono a da orientação anterior sustentada pelo tucanato e seus coadjuvantes.
Além disso, desde final de 2007 e início de 2008, a crise global atola os EUA e a Europa em dificuldades e dá margem à ascensão de grandes países emergentes, entre os quais o Brasil se inclui, apesar dos entraves que perduram.
Ser contra isso só se tiver uma proposta melhor. A oposição não tem, o PSDB não pode ter por uma questão lhe é intrínseca: a base ideológica e política que o inspira, decorrente de sua ligação umbilical com a grande capital financeiro. Daí centrar o seu discurso num suposto combate à corrupção, ao modo da velha UDN.
Mais: quando o Ministério da Fazenda e o Banco Central enfim se entrosam, por orientação da presidenta Dilma, e adotam a queda gradativa da taxa Selic como forma de destravar a produção e ampliar as oportunidades de trabalho – no reverso do que fazem os países da Zona do Euro, que tentam sair da crise mediante cortes drásticos em investimentos, regressão de direitos sociais e desemprego -, que fazem os tucanos? Criticam o que chamam de “mudança incoerente”, numa forma acanhada de defenderem os interesses do setor rentista.
Por essa e outras é que os impacientes analistas deveriam reconhecer que procuram água numa fonte que já secou.
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