25 fevereiro 2022

Federação PT-PSB-PCdoB-PV

Luciana Santos: Temos 80% de chances da federação sair

www.pcdob.org.br

 

Em entrevista à revista CartaCapital, concedida ao jornalista Alisson Matos nesta quarta-feira (23), a presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, falou sobre o atual estágio das negociações em torno da formação da federação de esquerda.

Confira a íntegra: 

Ao contrário do PSB, que tem divergências com o PT para a formação de uma federação partidária, a presidente do PCdoB, Luciana Santos, considera que as chances da união se concretizar são de 80%.

A dirigente partidária acredita que, no fim, além do seu partido, o PT, PSB e o PV estarão reunidos em um só bloco, mas aponta dificuldades que, até o momento, impedem o fechamento do acordo.

De acordo com Luciana, o aumento do prazo – até o fim de maio – para se concretizar as federações “facilitará a construção” de consensos.

O PCdoB acabou de aprovar essa federação com PT, PV e PSB e é nisso que vamos buscar esgotar até as últimas consequências.

Os impasses, além das indicações para as disputas dos governos nos estados, estão na composição da assembleia que substituiria os diretórios nacionais das legendas.

“A gente fechou praticamente em quase todos os aspectos da governança. Ainda falta um ou outro aspecto que é das decisões que não forem unanimes”, disse a comunista em conversa com CartaCapital na quarta-feira (23). “A lógica que nos move é a seguinte: queremos uma equação que nem o PT sozinho decida e nem os outros partidos juntos decidam sobre o PT. Há uma concordância na tese e agora precisa ver no que isso se traduz”.

A presidente do PCdoB ressalta, no entanto, que o tamanho e o peso político dos partidos devem ser respeitados na negociação da assembleia.

Ao contrário do PV, que já cogita a federação sem o PSB, Luciana aposta que os socialistas não vão desistir da união. “No que pese haver resistências, avançou [a negociação com o PT] em Pernambuco e em outros estados, mas precisa de mais tempo político para isso”, afirma. “Já fizemos três reuniões de governança e aposto e acredito nessa saída”.

Se concluída, a federação será obrigada a lançar chapas conjuntas em todos os estados e a atuarem unidas por quatro anos no Congresso e nas Assembleias.

Pesquisas eleitorais: muito cedo para comemorar https://t.co/EceGpdIMDJ

Guerra Rússia x Ucrânia: o que a grande mídia não conta

Elias Jabbour repercute o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, seu contexto, a participação da OTAN nesse conflito e outros aspectos que você não vê sendo comentados na grande mídia.
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Guerra e paz

Ucrânia: a natureza da guerra e a necessidade de paz!
Portal Vermelho

 


A Rússia deflagrou nesta quinta-feira (24) uma “operação militar especial” em Donbass, no leste da Ucrânia. Segundo o presidente russo, Vladimir Putin, o objetivo da missão é “desmilitarizar” a nação vizinha, que há oito anos – desde o golpe de 2014 que levou ao poder forças de extrema-direita e hostis à Rússia – tem imposto “abusos e genocídio” à população ucraniana. Em cadeia nacional de TV, Putin também deixou claro que não vai tolerar qualquer ingerência externa no conflito. “Ninguém deveria ter nenhuma dúvida de que um ataque direto ao nosso país levará à derrota e a consequências terríveis para qualquer agressor potencial.”

Embora Putin não tenha detalhado todo o contexto da ação, é público e notório que as repúblicas que compunham a ex-União Soviética, extinta em 1991, são alvos prioritários da ação imperialista norte-americana numa tentativa de ampliar sua influência no mundo e conter o protagonismo russo. A Guerra Fria acabou há 30 anos, mas os Estados Unidos tentaram estender ainda mais sua hegemonia militar, em busca de um mundo unipolar, sob sua absoluta e nefasta influência. Estima-se que, de cada cinco bases militares ativas e espalhadas pelo Planeta, quatro são estadunidenses. Além disso, os EUA continuaram à frente de seu braço militar, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), um entulho da Guerra Fria que não cessou suas agressões.

“Depois que os norte-americanos fizeram de tudo para destruir nossa pátria soviética comum, a Ucrânia acabou em suas patas tenazes como um fusível que eles queriam incendiar a todo custo em solo russo nativo”, comparou Guennadi Zyuganov, presidente do Partido Comunista da Federação Russa. Segundo ele, o propósito da ofensiva dos Estados Unidos na região é “tirar seu principal concorrente (a Rússia) da arena geopolítica”.

Não é convincente, portanto, a narrativa unilateral que o presidente Joe Biden, dos EUA, avesso a estabelecer a paz por vias diplomáticas, tenta propagar sobre o conflito agora iniciado. Biden falou em “ataque injustificado e sem provocação prévia” na Ucrânia, acusando a Rússia de ser a única responsável por “mortes e destruição que esse ataque vai trazer”. O titular em descrédito da Casa Branca, como que insinuando um contra-ataque iminente na região, antecipou a diretriz do discurso do Ocidente: “O mundo vai responsabilizar a Rússia”.

Porém, conforme denuncia o PCdoB, por meio de sua Secretaria de Relações Internacionais, a versão de Biden não se sustenta. “Nos últimos 30 anos, desde o fim da União Soviética, EUA e Otan têm realizado uma política expansionista rumo ao Leste Europeu. O objetivo é instigar conflitos e contradições entre os países vizinhos, especialmente ex-repúblicas soviéticas, para cercar militarmente a Rússia”, afirma o PCdoB, em nota. “Isso ocorre de forma mais aguda no momento em que os EUA vivem um declínio relativo de sua hegemonia e se sentem ameaçados pela aliança entre Rússia e China.”

A viabilidade da paz na Ucrânia passa, antes de tudo, pela contenção da sanha imperialista dos Estados Unidos, apoiada por seus aliados ocidentais e pelo governo “quinta-coluna” da Ucrânia. É da tradicional diplomacia – e não da agressão – que se precisa neste momento de impasse, “Isto requer que as legítimas preocupações da Rússia com sua segurança sejam consideradas, e que seja revertido o cerco da Otan às suas fronteiras”, lembra o PCdoB.

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Hipocrisia norte-americana

Bernie Sanders considera hipócrita a posição dos EUA sobre a crise na Ucrânia

O senador norte-americano afirmou que os EUA estão condenando uma política externa que eles mesmo praticam através da Doutrina Monroe.
Portal Vermelho

O senador norte-americano Bernie Sanders, parlamentar independente do estado de Vermont, advertiu que o mundo poderá  enfrentar “a pior guerra europeia em mais de 75 anos”, e conclamou os EUA a “fazerem todo o possível para tentar encontrar uma solução diplomática para o que poderia ser um conflito enormemente destrutivo”.

Sanders não isenta Putin de responsabilidade pela crise, mas também disse que Moscou tinha “preocupações legítimas” com a expansão da OTAN para o leste em direção à Rússia e que a rejeição das preocupações russas por parte dos EUA era “hipócrita”. Sanders expressou preocupação com “as batidas familiares dos tambores em Washington” e advertiu contra a “retórica belicosa que se amplifica antes de cada guerra”.

O senador por Vermont, uma liderança progressista no Capitólio, disse que o reconhecimento das “raízes complexas das tensões” na região é fundamental para promover uma resolução pacífica da crise. “É bom conhecer alguma história… A invasão pela Rússia não é uma resposta; nem a intransigência da OTAN”, disse Sanders. “Também é importante reconhecer que a Finlândia, um dos países mais desenvolvidos e democráticos do mundo, faz fronteira com a Rússia e escolheu não ser membro da OTAN.

“Putin pode ser um mentiroso e um demagogo, mas é hipócrita para os Estados Unidos insistir que não aceitamos o princípio de ‘esferas de influência'”, disse Sanders. Ele apontou a  longa tradição da política externa dos EUA ser baseada na Doutrina Monroe, que diz que os EUA podem essencialmente fazer o que quiserem, especialmente no continente americano. Sanders observou que ela tem sido usada para derrubar “pelo menos uma dúzia de governos”.

Ele disse que mesmo que a Rússia não fosse governada por “um líder autoritário corrupto” como Putin, o governo russo “ainda teria interesse nas políticas de segurança de seus vizinhos”. “Alguém realmente acredita que os Estados Unidos não teriam algo a dizer se, por exemplo, o México fosse formar uma aliança militar com um adversário norte-americano?” perguntou Sanders.

“Os países deveriam ser livres para fazer suas próprias escolhas de política externa, mas fazer essas escolhas sabiamente requer uma séria consideração dos custos e benefícios”, acrescentou Sanders. “O fato é que os EUA e a Ucrânia entrando em uma relação de segurança mais profunda provavelmente terá alguns custos muito sérios para ambos os países”.Com informações do People’s World

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Conflito Rússia x Ucrânia

“Putin mostra que está falando sério ao dizer que não quer a OTAN cercando a Rússia”

A analista internacional Ana Prestes explicou as motivações por trás do reconhecimento da Rússia à independência de províncias rebeldes da Ucrânia e os bombardeios em Lugansk e Donetsk, que não são disputas dos últimos meses, mas remetem ao fim da Guerra Fria.
Cézar Xavier, portal Vermelho

 

Ana Prestes, cientista política e analista internacional, secretária de Relações Internacionais do PCdoB, concedeu entrevista ao canal da União da Juventude Socialista (UJS), que aproveitou para fazer um plantão e responder as perguntas mais prementes da juventude sobre os bombardeios russos iniciados, nesta madrugada, em território da Ucrânia.

A aproximação da Ucrânia com a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), incluindo presença de equipamentos bélicos e forças armadas do ocidente em seu território, deu inicio à um conflito de grandes proporções com a Rússia. As tensões na região remetem à anos anteriores, entre 2013 e 2014 quando movimentações na Ucrânia derrubaram governos e implementaram regimes de ultra-direita que se aproximaram cada vez mais dos Estados Unidos e da OTAN. Agora a Rússia efetivou ataques. Haverá guerra? Quais motivos e desdobramentos? 

Iago Montalvão, da UJS, falou das dificuldades de receber informação qualificada e completa sobre aquele conflito na mídia brasileira, alinhada com as narrativas interessadas dos EUA. Com isso, Ana foi voltando no tempo para explicar a importância da região para os russos e os interesses europeus e americanos por trás da tentativa de ocupação pela OTAN, o tratado militar do Atlântico Norte. Ela também explicou os interesses americanos em outras ocupações militares que cercam a China e chegam até à Colômbia, na América do Sul. 

Ana Prestes, cientista política e analista internacional, secretária de Relações Internacionais do PCdoB, concedeu entrevista ao canal da União da Juventude Socialista (UJS), que aproveitou para fazer um plantão e responder as perguntas mais prementes da juventude sobre os bombardeios russos iniciados, nesta madrugada, em território da Ucrânia.

A aproximação da Ucrânia com a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), incluindo presença de equipamentos bélicos e forças armadas do ocidente em seu território, deu inicio à um conflito de grandes proporções com a Rússia. As tensões na região remetem à anos anteriores, entre 2013 e 2014 quando movimentações na Ucrânia derrubaram governos e implementaram regimes de ultra-direita que se aproximaram cada vez mais dos Estados Unidos e da OTAN. Agora a Rússia efetivou ataques. Haverá guerra? Quais motivos e desdobramentos? 

Iago Montalvão, da UJS, falou das dificuldades de receber informação qualificada e completa sobre aquele conflito na mídia brasileira, alinhada com as narrativas interessadas dos EUA. Com isso, Ana foi voltando no tempo para explicar a importância da região para os russos e os interesses europeus e americanos por trás da tentativa de ocupação pela OTAN, o tratado militar do Atlântico Norte. Ela também explicou os interesses americanos em outras ocupações militares que cercam a China e chegam até à Colômbia, na América do Sul. 

Esse conflito já pode ser considerado uma guerra?

O problema das guerras é sua imprevisibilidade e as vítimas são principalmente os inocentes. Não se sabe onde vai acabar, nem como. E entram em ação atores multilaterais. A guerra é a declaração de falência do diálogo, da incapacidade da negociação e das conversas. Essa situação não vem do nada. A gente vem falando da situação da Ucrânia há pelo menos uns dez anos. Uma situação que se tornou central para a Europa e a região. E por uma deliberada ação do imperialismo.

Nunca Lênin foi tão atual sobre o imperialismo e suas formas de ação. O que é fundamental que está na tese é que o imperialismo precisa de guerra para sobreviver, lucra financeiramente, se impõe via medo através das guerras.

E o que estamos vendo, hoje, é algo que é fruto do fim da guerra fria. Em dezembro passado, lembramos os 30 anos do fim da União Soviética, que, desde que terminou, a região vem sofrendo um cerco pelos EUA e a OTAN, no sentido de explorar as contradições daquelas antigas repúblicas soviéticas, para conter e desestabilizar a Rússia. Isso ocorreu na Ucrânia e na Geórgia, em janeiro deste ano, no Cazaquistão, há pouco mais de um ano na Bielorrússia. Trazem outras, como a Lituânia para a OTAN, tentaram em 2013 e 2014, trazer a Ucrânia para a União Europeia e agora para a OTAN.

São fatos que nossa mídia omite e que ajudariam a gente a julgar o que está acontecendo, hoje. 

Então, existem muitos elementos de instabilidade e desestabilização que podem jogar para um conflito mais amplo. Esperamos que o Conselho de Segurança da ONU e os organismos multilaterais funcionem para valer, no sentido de conter o que já é uma guerra. Não tem outra palavra para definir ruptura de relações diplomáticas e troca de tiros, armas envolvidas. 

Como se deu esse processo? Desde a queda do presidente ucraniano em 2014, a ascensão de governos de extrema-direta aproximaram a Ucrânia da OTAN e depois o Acordo de Minsk?

Desde 2010 que a Ucrânia vem sofrendo com instabilidades políticas envolvendo a velha e conhecida narrativa da corrupção. Houve então um alerta nos EUA e Europa de que havia uma janela de oportunidade para reduzir a influência russa sobre a Ucrânia. Tanto que os americanos foram flagrados em maus lençóis apoiando fascistas para aproveitar a oportunidade de ascender um governo antirrusso, oferecendo entrada na União Europeia, oferta de financiamento, apoio militar.

Então, essas contradições internas permitiram a ascensão de grupos fascistas e nazistas, com a omissão ocidental. Parlamentares comunistas e militantes de esquerda foram perseguidos e viraram alvo, jogaram bomba na sede do Partido Comunista, tudo com apoio dos americanos e do ocidente.

O Brasil sabe o que acontece quando o gênio sai da lâmpada, porque estamos no meio de um genocídio, desde que passamos a ser governados por este tipo de força.

Para além de instigar essas forças e tirar a Ucrânia da área de influência russa, aquela região é historicamente conflituosa. Um dos capítulos mais interessantes da história russa é que a Catarina, a Grande, consegue conquistar a região da Crimeia dos tártaros. Essa região é importante, porque a Rússia é esse território gigantesco cercado por mares gelados. Por isso, até o século XVIII, a Rússia não tinha um barquinho no mar, enquanto outras potências europeias dominavam o transporte marítimo. Quando conquistam a Crimeia e fazem o famoso porto de Sebastopol, eles passam a ter acesso aos mares quentes. 

Você veja que, hoje, uma das primeiras coisas que o Zelensky pediu foi para os turcos fecharem o porto de Bósforo a passagem dos navios russos. Para os russos, o acesso a essas águas quentes é fundamental. 

Por outro lado, é uma região com muita população russa. Kiev é considerada a mãe dos povos eslavos, que surgiram todos naquela região. Imagina a confusão que é isso!

Quando o Putin fala em descomunização, é uma ironia em direção aos americanos em relação as fronteiras artificiais que definiam a República da Ucrânia durante o período soviético. Assim, descomunizar seria transformar cada uma daquelas regiões ucranianas de Lugansk, Donetsk e Crimeia, na Bacia do Dohnbass, em nações soberanas e independentes. 

Tudo isso fez parte de 2013 e 2014. A imprensa sempre omite que a população da Crimeia foi consultada por meio de um referendo para ser reintegrada à Rússia, mas isso é tratado na mídia como uma tomada russa.

Além disso, em Lugansk e Donetsk existem forças separatistas que não querem fazer parte da Ucrânia. Os acordos de Minsk previam, no primeiro, o cessar fogo imediato, e no segundo, consulta, referendo, plebiscito, conversa, negociação. Quando o ocidente fez alguma coisa para implementar os acordos de Minsk?

Então, isso vem de uma escalada em que Zelensky chegou a dizer que um dos seus objetivos centrais era recuperar a Crimeia e entrar para a OTAN. Isso foi uma declaração de guerra com a Rússia que está sendo materializada agora. 

Assim, há um passivo histórico dentro de uma cena de expansão da OTAN, em que os EUA ficam do outro lado do Atlântico, comodamente, só instigando os ucranianos a se afastar das forças do mal da Rússia. Há esse cenário de russofobia criado na Europa nos últimos anos. 

Nós somos defensores da paz e do diálogo e do princípio da não-intervenção, portanto, a Rússia também tem suas responsabilidades, mas não podemos fechar os olhos para o contexto e a participação do ocidente na intencional ação desestabilizadora frente a esta situação. Em vez disso, eles dobram as apostas, com sanções tirando as operações financeiras (swift) que tornam o mundo inteiro refém, e isolando os russos.

Com os bombardeios que começam a circular o mundo, a OTAN vai dar uma resposta militar ou a resposta serão as sanções comerciais?

As forças separatistas em Luganski e Donetsk também se aproveitaram do caos para reforçar seus interesses ao declarar independência. Logo o parlamento russo, que respalda Putin, aprovou. Alguns partidos já defendiam essa independência desde 2013. É diferente da Crimeia. Não há uma ocupação dessas áreas, com integração à Rússia, mas o famoso separatismo. Além disso, só os russos reconhecem a independência.

O exército ucraniano reforça suas tropas ali para combater os separatistas, pois é um território importante economicamente. Tem uma das maiores produções de carvão e a questão energética na Europa é um drama. 

Quando Putin fala, nesta madrugada, em desmilitarizar esta região, quem vai dar o primeiro passo para trás? Por isso, as guerras são tão complexas, com cada um defendendo seus interesses que considera legítimos. É uma situação muito complicada de desfazer. 

Eu estava ouvindo um pronunciamento do Ministério da Defesa da Rússia que dizia que já tem ucranianos largando as armas e fugindo. Começa uma guerra de narrativas que temos que observar, pois faz parte da guerra essas imprevisibilidades. E não sabemos se a OTAN vai entrar com seus soldados.

A OTAN já vem cercando a Rússia. Taiwan declarou apoio à Ucrânia. Isso pode acontecer com a China? 

Desde o fim da URSS como estado, os EUA, via OTAN, vêm adotando deliberadamente essa estratégia de avançar rumo ao leste. Todas as Repúblicas do leste europeu já estão ocupadas, restando apenas a Bielorrússia e a Ucrânia como última fronteira até a Rússia. Quando o chanceler russo Sergey Lavrov disse que tinha montado as bases na fronteira para proteger o território russo contra a OTAN, os americanos e europeus resolveram pagar para ver. Saíram das negociações, tergiversaram, enquanto o francês Emmanuel Macron tentava uma cúpula com Joe Biden, pois já tinha informação suficiente sobre o fogo separatista na bacia do Donbass para saber do risco. Enquanto isso, Putin fazia um longo discurso em que falava em “descomunizar” a região do Donbass. Então, não é brincadeira quando se fala que a OTAN e a União Europeia tem muita responsabilidade sobre o que está acontecendo. E a Rússia falou para valer que não vai deixar a OTAN chegar lá, como estamos vendo.

Uma das porta-vozes do Ministério das Relações Exteriores da China fez um pronunciamento indagando ao Ocidente se vai continuar acuando uma grande potência como essa. Desde o começo, a China reforçou a tese do multilateralismo, das conversações e das negociações. 

No início de fevereiro houve uma cúpula Putin-Xi Jinping que incomodou muito os EUA. O ex-chanceler brasileiro Celso Amorim escreveu que os acordos firmados por Putin e Xi Jinping formam o documento mais importante do século XXI e, quiçá, o mais importante desde o fim da guerra fria. E os americanos se sentem ameaçados, obviamente, por essa aliança.

Sobre o cerco a outras regiões é só observar como vai se reforçando o cerco ao mar do sul da China, uma região conflituosa, e como eles vão escalando em relação a Taiwan, com aumento de relações e visitas de grandes autoridades ocidentais. Já analisávamos, no fim do ano, que uma das regiões de maior potencial de conflito bélico é Taiwan. Os chineses não admitem que seja reconhecida como algo que não seja a China continental.

Aqui na América Latina, esta semana houve bastante debate sobre a Colômbia participar da OTAN, embora não se fale nesse nome, mas em “parceria estratégica”, até porque a Colômbia não está territorialmente no Atlântico Norte. A Colômbia sempre foi esse preposto dos EUA na região, com presença militar americana, por onde operam. Foi via Colômbia que tentaram invadir, em 2019, a Venezuela, com apoio do governo Bolsonaro. 

É como um prolongamento do pós-Segunda Guerra, com a guerra fria e o conflito que se estabeleceu entre os EUA e a URSS.

Quais os interesses dos EUA em entrar nessa disputa nessas regiões?

Os EUA só existem como essa superpotência se continuarem tendo esse domínio e controle de transações comerciais, de instalações de corporações americanas… Só no ano passado, 1/5 do PIB dos EUA teve origem na indústria armamentista, com algo na casa dos US$ 220 bilhões. Então, para os EUA sobreviverem nesse lugar de tanto poder e concentração de riqueza, precisam de recursos, de guerras para ter esses recursos, precisam de domínio e controle. 

Por que, diabos, incomodou tanto os EUA a construção do gasoduto Nordstream 2, que leva gás da Rússia para a Alemanha? Se a Alemanha está comercializando com a Rússia, não está com os EUA e seus parceiros comerciais.

É uma disputa de poder que inclui disputa territorial, como ocorreu com a Líbia, se tentou com a Síria, impedida justamente pelos russos. O que fizeram no Afeganistão depois de 20 anos, no Iraque, uma guerra feita à base de fake news de que havia bombas lá. Se voltarmos mais pra trás, tem o Kwait, os Balcãs, com a questão da Iugoslávia. 

A Rússia tem uma história milenar de preservação de seu enorme território e conquistar espaço. E ela foi muito clara em insistir que a OTAN não entre na Georgia, na Bielorrússia, na Ucrânia e não foi feito nada no sentido de tentar pactuar sobre isso.

Agora o vice-presidente do Brasil, o general Mourão, fala em mandar tropas para a Ucrânia. Como o Brasil deve se posicionar sobre isso?

Engraçado ele falar isso, quando o Bolsonaro estava na semana passada se solidarizando com o Putin. Inclusive, a porta-voz da Casa Branca chegou a falar que o Brasil estava do lado errado. Ou seja, aquele rolê aleatório do Bolsonaro na Rússia num momento completamente de tensão. 

Temos que observar nos próximos dias. Nós como sociedade civil, movimentos, juventude, estudantes, historicamente nos posicionamos pela paz e temos que nos conectar com os movimentos  ao redor do mundo. Neste momento, os movimentos sociais da Europa, partidos, vai ser muito importante que se engajem nessa luta pela paz para pressionar seus governos a que cheguem a uma solução. Ali tem populações que estão sofrendo, ucranianos, em Lugansk e Donetsk, o povo russo, que estão na zona de guerra e são os primeiros a serem atingidos. 

Temos que reforçar isso, mas sem omitir fatos e sem passar pano para os EUA e a OTAN e para as responsabilidade que o Ocidente tem com o que está acontecendo, hoje. 

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Leia  mais https://bit.ly/2YAK3IJ

24 fevereiro 2022

Rússia x Otan

Por que as “sanções do Ocidente” não intimidam a Rússia
Reservas internacionais do governo russo, em moeda estrangeira e ouro, chegaram a níveis recordes, e apenas 16% das divisas da Rússia são mantidas hoje em dólares
Portal Vermelho

 

Os Estados Unidos e a Alemanha estão entre os países que, no afã de emparedar a Rússia, começam a anunciar sanções econômicas em razão do conflito na Ucrânia. Uma reportagem da BBC mostra, porém, que essas tentativas de intimidar os russos podem são cada vez mais ineficazes.

O governo do presidente Vladimir Putin parece avisar que vai suportar sanções por mais tempo do que o Ocidente supõe – e o país, de fato, está mais preparado a essa realidade. Há um precedente para isso.

Em 2014, quando tropas russas entraram na Crimeia, anexando parte da Ucrânia, houve uma primeira rodada de sanções internacionais. Esse período ensinou a Moscou uma importante lição: estar preparado para esse tipo de retaliação. Desde então, a Rússia vem reforçando sua defesa, reduzindo a dependência do dólar e tentando tornar sua economia à prova de sanções.

Em janeiro deste ano, as reservas internacionais do governo russo, em moeda estrangeira e ouro, chegaram a níveis recordes, valendo mais de US$ 630 bilhões. É a quarta maior reserva do mundo e poderia ser usada para ajudar a sustentar a moeda da Rússia, o rublo, por um tempo considerável.

Além do mais, apenas 16% das divisas da Rússia são mantidas hoje em dólares, abaixo dos 40% de cinco anos atrás. Cerca de 13% é composto por renminbi chinês. Tudo isso foi projetado para proteger a Rússia o máximo possível das sanções lideradas pelos Estados Unidos, numa iniciativa – até aqui – inócua do governo Joe Biden.

Também foram desenvolvidas outras mudanças na estrutura da economia russa. Com o tempo, o país reduziu sua dependência de empréstimos e investimentos estrangeiros e tem buscado ativamente novas oportunidades comerciais fora dos mercados ocidentais. A China é uma grande parte dessa estratégia.

Moscou também deu os primeiros passos para criar seu próprio sistema de pagamentos internacionais, caso seja cortado do Swift – um serviço global de informações financeiras que é supervisionado pelos principais bancos centrais ocidentais. “O que a Rússia está fazendo, na verdade, é construir quase um sistema financeiro alternativo para que consiga resistir a alguns dos choques de sanções que o Ocidente pode impor”, diz Rebecca Harding, presidente-executiva da consultoria Coriolis Technologies.

A Rússia também vem reduzindo o tamanho de seu orçamento, priorizando a estabilidade sobre o crescimento. Isso significa que a economia do país cresceu em média menos de 1% ao ano na última década, mas pode ter se tornado mais autossuficiente no processo.

As sanções aos principais bancos russos – sobretudo os estatais – podem ser prejudiciais à Rússia. Mas os países ocidentais têm interesses estratégicos ligeiramente diferentes a serem considerados.

Para algumas nações, é obviamente mais fácil, por exemplo, impor sanções à indústria russa de petróleo e gás do que a outros. A União Europeia obtém 40% do gás natural da Rússia; o Reino Unido recebe cerca de 3%. A decisão da Alemanha de suspender a certificação do gasoduto Nord Stream 2, portanto, é prejudicial para a Rússia, mas também terá um impacto direto nos preços da energia na Europa Ocidental. Com informações da BBC Brasil

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Atenção aos fatos e tendências https://bit.ly/3n47CDe

23 fevereiro 2022

Em defesa de Manuela

PCdoB repudia nova onda de ataques a Manuela d’Ávila

Além de Manuela, as deputadas federais do PSOL Sâmia Bonfim (SP) e Talíria Petrone (RJ) são alvos da violência

A Comissão Política Nacional do PCdoB emitiu nota, nesta terça-feira (22), na qual repudia os novos ataques promovidos pelas redes de ódio da extrema-direita contra a vice-presidenta do partido, Manuela d’Ávila, e as deputadas do PSOL Sâmia Bonfim e Talíria Petrone.

“Reiteramos que combater a disseminação do ódio e da desinformação é um compromisso inalienável dos comunistas e que vamos envidar todos os nossos esforços para construir medidas legislativas, jurídicas e políticas para que tenhamos um país no qual não haja espaço para esse tipo de ataques”, diz a nota.

Leia a íntegra:

Força Manu: PCdoB repudia nova onda de ataques a Manuela d’Ávila

Uma nova onda de ataques que tem como alvo Manuela d’Ávila, vice-presidenta nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), começou nesta terça-feira, 22 de fevereiro de 2022. Além de Manuela, as deputadas federais do PSOL Sâmia Bonfim e Talíria Petrone são alvo da rede de ódio. A extrema-direita, sem escrúpulos, inclui em seus ataques as filhas de Manu e Talíria, Laura e Moana, e o filho de Sâmia, Hugo.

A luta das mulheres em defesa de seus direitos econômicos, políticos, sociais, sexuais e reprodutivos sempre foi motivo de reação virulenta por parte dos grupos conservadores e de extrema direita.

No Brasil, atualmente organizados em torno da base de sustentação política de Jair Bolsonaro, esses grupos usam as plataformas de redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram) e serviços de mensageria privada (WhatsApp, Telegram) para atacar mulheres de expressão política e social, disseminando ódio e desinformação.

O Partido Comunista do Brasil repudia esses ataques e manifesta sua mais irrestrita solidariedade à sua vice-presidenta, Manuela d’Ávila, e às duas parlamentares do PSOL.

Reiteramos que combater a disseminação do ódio e da desinformação é um compromisso inalienável dos comunistas e que vamos envidar todos os nossos esforços para construir medidas legislativas, jurídicas e políticas para que tenhamos um país no qual não haja espaço para esse tipo de ataques.

O Brasil não pode mais conviver com o fascismo, com o ódio e com a intolerância.

#ForçaManu

Comissão Política Nacional do PCdoB

Fonte: PCdoB

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