29 junho 2023

Razões técnicas

 


Minha opinião

O julgamento de Bolsonaro no TSE deve terminar amanhã, sob imensa apatia dos seus outrora ensandecidos seguidores. O "mito" está indo para o brejo.

No balanço das horas https://bit.ly/3Ye45TD

Minha opinião

INELEGIBILIDADE DE BOLSONARO DÁ EM QUÊ?
Luciano Siqueira*


Tudo leva a crer que o TSE decidirá pela inelegibilidade do ex-presidente Bolsonaro por 8 anos, tamanha a exuberância das provas dos crimes eleitorais que cometeu no exercício do cargo e pelo andar do julgamento.

Demais, ainda há alentado volume de processos a que responde, que no conjunto conformam uma espécie de nocaute político do líder ultradireitista.

Como se move essa pedra no tabuleiro político?

A História é rica em registros de líderes temporariamente impedidos de disputar eleições, aqui e em outras terras, que assim mesmo seguiram exercendo papel destacado na cena política.

Não parece que venha a ser o caso de Jair Bolsonaro. Falta-lhe estofo para tanto e pesadas placas tectônicas se movem tornando o ambiente político mais complexo do que ele é capaz de alcançar.

Nada parecido com a polarização de certo modo "primária", com poderoso estímulo midiático, que se instalou na esteira sobretudo da Operação Lava Jato, na qual o discurso anti sistema desprovido de proposições programáticas vicejou.

O jogo agora é outro.

Há um conflito de projetos de nação mais complexo. Agora, o governo liderado por Lula empenha-se num programa de reconstrução nacional, pedra de toque de desejada transição a um modelo de desenvolvimento soberano e democrático; e as forças de direita e da própria extrema direita são chamadas a se contraporem com alternativa minimamente fundamentada e propositiva.

Desaforos e diatribes característicos de Bolsonaro já não são suficientes. 

Daí as especulações acerca de hipotéticos novos líderes que venham a ocupar o seu lugar e darem conta de uma necessária renovação do discurso.

Mesmo na suposição de que assim mesmo o capitão — agora posando de vítima — possa ser um bom cabo eleitoral e percorra o país, como uma espécie de El Cid tupiniquim, animando os mais alienados.

Uma empreitada de fôlego curto, certamente.

E na medida em que o governo Lula acumule realizações consistentes e de apelo popular, como já vem acontecendo; e siga atraindo parte do centro e do centro-direita mediante compromissos curcunstanciais, uma nova correlação de forças, mais favorável, se instalará.

Em perspectiva, portanto, Jair Messias Bolsonaro retornará ao seu devido lugar, próprio dos energúmenos.

*Texto da minha coluna semanal no portal Vermelho

As pedras se tocam, tudo se relaciona https://bit.ly/3Ye45TD

Enio Lins opina

ERAM UMA VEZ OS ARRAIAIS, AS FOGUEIRAS E O FORRÓ 
Enio Lins


Encerra-se hoje o Ciclo Junino, período de comemorações pelo Solstício de Inverno, com cada vez mais gente na pândega e cada vez mais gente sem saber o que está festejando, o porquê e o “para que” disso. Virou simplesmente um negócio milionário para alguns.

Ciclo é uma série de fenômenos que se repetem de forma constante. Junino vem de Juno, deusa romana (consorte de Júpiter), solstício é o ponto do movimento cíclico celeste onde a terra está mais distante do sol, pândega é uma festa pagã. Oquei.

Mais arraigado no Nordeste brasileiro, esse ciclo festivo é produto das velhas tradições populares europeias trazidas pelo colonizador pobre, que aqui se juntou com as excluídas culturas nativas e as importadas d’África – e daí saiu esse forrobodó.

Certamente já chegou como festa absorvida e apadrinhada pela igreja católica que, assim como no Natal, cristianizou um evento pagão, substituindo Juno pela tríade Santo Antônio, São João e São Pedro. Mas não foi possível mudar o nome, nem certos rituais.

Das antigas raízes, ficaram por longo tempo os sortilégios típicos do período, como os rituais pró-casamento, normalmente praticados pelas mulheres solteiras, e que, por pressão católica-romana, trocaram Juno (deusa casamenteira pagã) por Santo Antônio.

São João, ali no meio do calendário da festa, assumiu a denominação do ciclo, ou melhor – dividindo com Juno, pois “Festas Joaninas”, se foi tentado vernaculamente, não pegou. No Nordeste ancestral essa festividade foi ficando, mas está se transformando.

As fogueiras lembravam as referências pagãs das festas solsticiais europeias e aqui, no hemisfério Sul, eram acesas cerimonialmente e corretamente no solstício de inverno. Só que na calota Norte, isso acontecia no final do ano, pela inversão das estações.

Quase desapareceram as fogueiras juninas, pressionadas pela urbanidade (colocar fogo no asfalto não dá, né?) e pelas justas preocupações ecológicas – cuidados com os incêndios, né? Residualmente, apenas resistem, até nas urbes, típicas como as chuvas do período.

Estão desaparecendo também as características culturais miscigenadas que marcaram o ciclo junino forrozeiro até o começo do século XXI, e que no cadinho ancestral de raças e ritos se mantiveram fortes, por séculos, nesse Nordeste que já foi profundo.

Nos dias em curso o Ciclo Junino se transforma em um período raso de celebração de grandes negócios da indústria de entretenimento. Abandonadas as raízes, vale apenas um casamento: circulação de milhões de reais (para poucos) + ajuntamento de multidões.

Onde cabe quase tudo - sem preconceito nem sectarismo https://tinyurl.com/3y677r7f

Vantagens perdidas

Na medida em que são denunciadas as participações de militares na tentativa de golpe, que teve seu clímax nos atos terroristas de 8 de Janeiro, é importante demonstrar as verdadeiras razões que as inspiraram. Durante o governo Bolsonaro, segundo o TCU, o número de militares ocupando cargos civis saltou de 2.765 para 6.157. Além disso, tiveram tratamento diferenciado e especial na reforma previdenciária e aumentos salariais elevados. A eleição e posse do novo governo significava a perda dessas vantagens e benefícios corporativos auferidos no período do ex capitão, em detrimento da maioria do povo. 

Sylvio Belém 

Minha opinião

O julgamento de Bolsonaro no TSE deve terminar amanhã, sob imensa apatia dos seus outrora ensandecidos seguidores. O "mito" está indo para o brejo.

Fatos imediatos são um convite à essência da vida https://bit.ly/3Ye45TD

Palavra de poeta: José Paulo Paes

Poema circense

José Paulo Paes



Atirei meu coração às areias do circo como se atira ao
mar uma âncora aflita. Ninguém bateu palmas.
O trapezista sorriu, o leão farejou-me desdenhosamente,
o palhaço zombou de minha sombra fatídica.

Só a pequena bailarina compreendeu. Em sua mãos
de opala, meu coração refletia as nuvens de outono,
os jogos de infância, as vozes populares.

Depois de muitas quedas, aprendi. Sei agora vestir,
com razoável destreza, os risos da hiena, a frágil polidez
dos elefantes, a elegância marinha dos corcéis.

Todavia, quando as luzes se apagam, readquiro antigos
poderes e voo. Voo para um mundo sem espelhos falsos,
onde o sol devolve a cada coisa a sombra natural
e onde não há aplausos, porque tudo é justo, porque
tudo é bom.

[Ilustração: Willem De Kooning]

Cida Pedrosa conta sobre a arte de Lia de Itamaracá https://tinyurl.com/bddu74ku