Lula consolida hegemonia em Pernambuco; rejeição a Flávio Bolsonaro vai a 67%
Pesquisa Genial/Quaest mostra ampla vantagem de Lula sobre adversários na disputa presidencial, com destaque para candidatos ao Senado que apoiam o presidente
Cezar Xavier/Vermelho
A primeira pesquisa Genial/Quaest realizada em Pernambuco após a oficialização das candidaturas de 2026 confirma uma tendência histórica da política brasileira: o estado permanece como um dos mais sólidos bastiões eleitorais de Luiz Inácio Lula da Silva. Com 55% das intenções de voto no primeiro turno, o presidente aparece isolado na liderança e supera, sozinho, a soma de todos os demais concorrentes testados pelo levantamento.
O principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), registra 21%, uma distância de 34 pontos percentuais que evidencia a dificuldade do campo bolsonarista em penetrar num eleitorado tradicionalmente alinhado ao lulismo desde os anos 2000. O dado ganha ainda mais relevância porque a campanha presidencial entra em uma fase de cristalização das preferências: 69% dos entrevistados afirmam que sua decisão de voto já está tomada.
Os números refletem não apenas a força da imagem pessoal de Lula em Pernambuco, mas também a associação do presidente a políticas sociais, investimentos federais e à memória política do Nordeste como principal base de sustentação eleitoral da esquerda nas últimas décadas.
Rejeição ao bolsonarismo limita crescimento da oposição
Se a liderança de Lula impressiona, a rejeição ao principal adversário ajuda a explicar a dimensão da vantagem. Flávio Bolsonaro alcança 67% de rejeição no estado, índice que cresceu em relação ao levantamento anterior e que se mostra um obstáculo difícil de superar.
O cenário foi agravado nos últimos meses pela repercussão negativa da aproximação entre setores bolsonaristas e o presidente norte-americano Donald Trump durante a crise provocada pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Em Pernambuco, onde o sentimento regionalista e a defesa da produção local costumam ter forte peso político, a narrativa associando o bolsonarismo ao trumpismo encontrou resistência significativa.
A própria dificuldade de articulação do PL pernambucano ilustra esse momento. O partido ainda busca estruturar seu palanque estadual e enfrenta divisões internas, agravadas pela saída de lideranças importantes e pela indefinição sobre candidaturas majoritárias.
Nos cenários de segundo turno, a fragilidade da oposição fica ainda mais evidente. Lula venceria Flávio Bolsonaro por 58% a 24%, além de derrotar com ampla margem todos os demais adversários testados pela pesquisa. Trata-se de um desempenho compatível com a aprovação de 61% que seu governo mantém no estado.
Senado favorece aliança pró-Lula
A disputa pelas duas vagas ao Senado também apresenta um cenário favorável ao campo governista. A ex-deputada Marília Arraes (PDT), com 19% e 21% das intenções de voto, e o senador Humberto Costa (PT), de 12% a 14%, a depender dos adversários testados em cada cenário, são integrantes da aliança apoiada por Lula e aparecem à frente dos concorrentes. O deputado federal Mendonça Filho (PL) aparece numericamente em terceiro, com 8%.
A vantagem da dupla sugere que a popularidade presidencial tende a irradiar efeitos para outras disputas, fortalecendo candidaturas associadas ao governo federal. Embora o percentual de indecisos ainda seja elevado, os números iniciais indicam uma correlação entre a aprovação de Lula e o desempenho de seus aliados.
Raquel Lyra cresce e assume dianteira na disputa estadual
Se a corrida presidencial apresenta um favorito consolidado, a eleição para o governo de Pernambuco mostra um cenário muito mais competitivo. A governadora Raquel Lyra (PSD) aparece com 43% das intenções de voto, contra 37% do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), invertendo o quadro observado em abril (34% e 42%).
Apesar dos números atuais, a eleição estadual permanece aberta. Campos continua sendo uma das principais lideranças políticas do estado, apoiado pela herança política construída por Miguel Arraes e Eduardo Campos e pela elevada popularidade que manteve ao deixar a Prefeitura do Recife.
A pesquisa revela que ambos possuem níveis semelhantes de conhecimento e potencial de voto, indicando uma disputa entre dois projetos políticos amplamente consolidados. Enquanto Raquel busca transformar a aprovação administrativa em votos, João aposta na força de sua trajetória familiar, no apoio formal do PT, partido de Lula, e na capacidade de mobilização da Região Metropolitana do Recife.
O resultado da Genial/Quaest mostra, portanto, duas dinâmicas simultâneas em Pernambuco: a consolidação da liderança de Lula na corrida presidencial e uma disputa estadual cada vez mais polarizada entre Raquel Lyra e João Campos. O estado caminha para uma campanha marcada por alianças cruzadas, forte influência do governo federal e uma das batalhas regionais mais relevantes das eleições de 2026.
A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas presenciais entre os dias 22 a 26 de julho. Foram ouvidos 900 eleitores de Pernambuco de 16 anos ou mais no estado. O levantamento está registrado sob os números BR-03810/2026 e PE-09649/2026, possui nível de confiança de 95% e margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
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