Qual é a da Faria Lima?*
Luciano Siqueira
O complexo midiático neoliberal dominante, autofalante da elite financeira hegemônica, segue criticando duramente o principal candidato da extrema direita, senador Flávio Bolsonaro (PL), trazendo a nu suas contradições e fragilidades.
Também não consegue se ancorar nas candidaturas de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu ema (Novo), ambos absolutamente desprovidos de ideário o mais rasteiro que seja.
Há que se perguntar: qual é a da Faria Lima?
Será que os senhores do mercado têm a percepção de que um quarto governo Lula é inevitável e, tal como as grandes legendas do Centrão, depositam suas expectavas eleitorais na manutenção de maioria conservadora e de direita no Senado e na Câmara dos Deputados?
Essa gente proclamou enfaticamente, até quando se esgotaram as possibilidades, a necessidade de uma dita “terceira via”, candidatura à presidência da República supostamente distanciada da polarização Lula versus bolsonarismo, com aparência centrista, mas de essência ultrarreacionária.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) era o nome preferencial (embora nada tenha de centrismo).
Não deu.
O fato é que, em mais alguns dias, com o início da propaganda oficial na TV e rádio, se iniciará a campanha propriamente dita. E a chamada Faria Lima com um pé dentro e o outro fora. Algo impensado meses atrás.
Isto posto, cá do outro extremo – a ampla coalização reunida em torno do presidente Lula -, que fazer?
Nada é simples. Especialmente no imenso país que somos, marcado por complexa e multifacetada diversidade econômica, social, cultural e política e convivente com legislação eleitoral porosa e contraditória, que conspira em favor de incoerências e dispersões.
Toda flexibilidade tática é necessária para construir acordos, na disputa por governos estaduais e cadeiras no Senado e na Câmara, no intuito de, a um só tempo, consolidar as possibilidades de vitória de Lula, ampliar sua base entre governadores eleitos e pelo menos amainar a adversa correlação de forças no parlamento.
Dentre os candidatos oposicionistas à presidência, o dito filho Zero Um do ex-presidente encarcerado segue como alvo principal.
Com Caiado e Zema, impossível qualquer entendimento, melhor deixar que sigam falando sozinhos.
Sustentar discurso propositivo, acentuando as conquistas alcançadas e indicando objetivos essenciais constantes da plataforma para o provável próximo governo. A defesa da soberania nacional sobretudo.
Demais, ir além da TV, rádio e redes digitais; ganhar os salões e as ruas para despertar a consciência, o entusiasmo e a disposição de luta do povo.
Ilustração: imagem produida por IA
*Texto da minha
coluna semanal no portal ‘Vermelho’

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