13 agosto 2026

Minha opinião

Qual é a da Faria Lima?*
Luciano Siqueira     

O complexo midiático neoliberal dominante, autofalante da elite financeira hegemônica, segue criticando duramente o principal candidato da extrema direita, senador Flávio Bolsonaro (PL), trazendo a nu suas contradições e fragilidades.

Também não consegue se ancorar nas candidaturas de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu ema (Novo), ambos absolutamente desprovidos de ideário o mais rasteiro que seja.

Há que se perguntar: qual é a da Faria Lima?

Será que os senhores do mercado têm a percepção de que um quarto governo Lula é inevitável e, tal como as grandes legendas do Centrão, depositam suas expectavas eleitorais na manutenção de maioria conservadora e de direita no Senado e na Câmara dos Deputados?

Essa gente proclamou enfaticamente, até quando se esgotaram as possibilidades, a necessidade de uma dita “terceira via”, candidatura à presidência da República supostamente distanciada da polarização Lula versus bolsonarismo, com aparência centrista, mas de essência ultrarreacionária.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) era o nome preferencial (embora nada tenha de centrismo).
Não deu.

O fato é que, em mais alguns dias, com o início da propaganda oficial na TV e rádio, se iniciará a campanha propriamente dita. E a chamada Faria Lima com um pé dentro e o outro fora. Algo impensado meses atrás.

Isto posto, cá do outro extremo – a ampla coalização reunida em torno do presidente Lula -, que fazer?

Nada é simples. Especialmente no imenso país que somos, marcado por complexa e multifacetada diversidade econômica, social, cultural e política e convivente com legislação eleitoral porosa e contraditória, que conspira em favor de incoerências e dispersões.

Toda flexibilidade tática é necessária para construir acordos, na disputa por governos estaduais e cadeiras no Senado e na Câmara, no intuito de, a um só tempo, consolidar as possibilidades de vitória de Lula, ampliar sua base entre governadores eleitos e pelo menos amainar a adversa correlação de forças no parlamento.

Dentre os candidatos oposicionistas à presidência, o dito filho Zero Um do ex-presidente encarcerado segue como alvo principal.

Com Caiado e Zema, impossível qualquer entendimento, melhor deixar que sigam falando sozinhos.

Sustentar discurso propositivo, acentuando as conquistas alcançadas e indicando objetivos essenciais constantes da plataforma para o provável próximo governo. A defesa da soberania nacional sobretudo.

Demais, ir além da TV, rádio e redes digitais; ganhar os salões e as ruas para despertar a consciência, o entusiasmo e a disposição de luta do povo.


Ilustração: imagem produida por IA

*Texto da minha coluna semanal no portal ‘Vermelho’

Leia também: Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html

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