15 setembro 2026

Dica de leitura

Onde reside o perigo?
Luciano Siqueira    
 

O tema é permanente em todas as mídias: IA, benesses e ameaças; progresso e risco.

Há boas abordagens e há abordagens alarmantes apenas, carentes de fundamentação científica e de perspectiva política.

Vale conferir o bom ensaio "IA: Onde está a ameaça à humanidade?", publicado no portal Outras Palavras. https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/ia-onde-esta-a-ameaca-a-humanidade/ de autoria de Reynaldo Aragon.

Uma abordagem do avanço da Inteligência Artificial a partir de uma perspectiva crítica e sociopolítica, deslocando o foco dos alarmes ficcionais para os impactos reais e imediatos da tecnologia na sociedade.

A verdadeira ameaça reside no uso da IA ​​como ferramenta de controle econômico e corporativo. A tecnologia está controlada por poucas grandes empresas de tecnologia (Big Techs), reforçando o monopólio digital, a limpeza massiva de dados pessoais e a vigilância constante.

Concomitantemente, no que se refere ao ambiente da produção e dos serviços, a automação via IA não ameaça apenas substituir postos de trabalho, mas também aprofunda a precarização das relações trabalhistas (a "uberização"), reduz a desvantagem e amplia o abismo de desigualdade social entre quem possui a tecnologia e quem depende dela para sobreviver.

Outra dimensão reside numa esfera geralmente apontada apenas como beneficiária do aporte em IA: decisões automatizadas (no judiciário, na concessão de crédito, no policiamento e na seleção de empregos) perpetuam e ampliam preconceitos de raça, gênero e classe contidos nos dados de treinamento, sem a dívida transparência ou prestação de contas.

Demais, como se tem denunciado exaustivamente, a capacidade da IA ​​generativa de criar deepfakes, manipular conteúdos e otimizar a transmissão de notícias falsas em massa coloca em risco os processos democráticos, moldando a opinião pública de forma invisível e automatizada – a guerra cultural.

Importa destacar que a ameaça da IA ​​à humanidade não vem da tecnologia em si ou de uma "consciência autônoma das máquinas", mas sim da lógica capitalista e mercantil sob a qual ela é desenvolvida e praticada. O que põe em destaque a luta pela soberania digital, a regulação pública, a transparência algorítmica e a democratização do uso da tecnologia.

Item obrigatório na agenda das transformações estruturais que emerge no cenário global e em cada país de domínio e ao mesmo tempo decadência do imperialismo.

Celso Pinto de Melo: "Quando a vida ganhou um terceiro domínio" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/celso-pinto-de-melo-evolucao-da-ciencia.html 

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