Onde reside o perigo?
Luciano
Siqueira
O tema é permanente em todas as
mídias: IA, benesses e ameaças; progresso e risco.
Há boas abordagens e há abordagens alarmantes
apenas, carentes de fundamentação científica e de perspectiva política.
Vale conferir o bom ensaio "IA: Onde está a ameaça à humanidade?",
publicado no portal Outras Palavras.
https://outraspalavras.net/tecnologiaemdisputa/ia-onde-esta-a-ameaca-a-humanidade/
de autoria de Reynaldo Aragon.
Uma
abordagem do avanço da
Inteligência Artificial a partir de uma perspectiva crítica e sociopolítica,
deslocando o foco dos alarmes ficcionais para os impactos reais e imediatos da
tecnologia na sociedade.
A verdadeira ameaça reside no uso da
IA como ferramenta de controle econômico e corporativo. A tecnologia está controlada
por poucas grandes empresas de tecnologia (Big Techs), reforçando o monopólio
digital, a limpeza massiva de dados pessoais e a vigilância constante.
Concomitantemente, no que se refere ao ambiente da
produção e dos serviços, a automação
via IA não ameaça apenas substituir postos de trabalho, mas também aprofunda a
precarização das relações trabalhistas (a "uberização"), reduz a
desvantagem e amplia o abismo de desigualdade social entre quem possui a
tecnologia e quem depende dela para sobreviver.
Outra dimensão reside numa esfera geralmente
apontada apenas como beneficiária do aporte em IA: decisões automatizadas (no judiciário,
na concessão de crédito, no policiamento e na seleção de empregos) perpetuam e
ampliam preconceitos de raça, gênero e classe contidos nos dados de
treinamento, sem a dívida transparência ou prestação de contas.
Demais, como se tem denunciado exaustivamente, a capacidade da IA generativa de
criar deepfakes,
manipular conteúdos e otimizar a transmissão de notícias falsas em massa coloca
em risco os processos democráticos, moldando a opinião pública de forma
invisível e automatizada – a guerra cultural.
Importa destacar que a
ameaça da IA à humanidade não vem da tecnologia em si ou de uma
"consciência autônoma das máquinas", mas sim da lógica capitalista e mercantil sob a
qual ela é desenvolvida e praticada. O que põe em destaque a luta pela
soberania digital, a regulação pública, a transparência algorítmica e a democratização
do uso da tecnologia.
Item obrigatório na agenda das
transformações estruturais que emerge no cenário global e em cada país de
domínio e ao mesmo tempo decadência do imperialismo.
Celso Pinto de Melo: "Quando a vida ganhou um terceiro domínio" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/celso-pinto-de-melo-evolucao-da-ciencia.html

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