Duas coisas da campanha de agora*
Luciano
Siqueira
Uma coisa acontece não apenas comigo, que vivo a sexta década de militância
ativa, mas com muita gente envolvida de corpo e alma na batalha deste segundo
turno: entre a intenção e o gesto, o aprendizado das formas de luta no tempo
presente.
Primeiro, a consciência de que nunca estamos sozinhos. A todo instante,
o celular ligado nos incomoda, mas ao mesmo tempo também funciona como uma
janela para mundo.
Como assim?
Ora, sem sair da minha pequenina biblioteca, enquanto trabalho "falo"
com muita gente e "ouço" outras tantas, sem prejuízo do que estou
fazendo.
Ontem à noite, quantas pessoas participaram do evento pela reeleição de
Lula na Praça de Casa Forte, no Recife? Quinhentas, 1 mil ou 2 mil?
Dezenas de milhares!
Pois muita gente ligou o celular e difundiu vídeos em self, ao vivo,
direto no Instagram ou WhatsApp. Centenas ou mais.
"Ah, bem que poderíamos estar agora na periferia!", alguns
disseram.
Respondi de pronto: "Estamos, ora!"
Sim, também estávamos em contato com pessoas de áreas populares da
cidade e até do interior, em tempo real, desde que integrantes de nossas
listas.
Por exemplo: dos meus dezesseis anos de vice-prefeito no Recife, meu
número no celular (que tornei público e jamais mudou) funcionou como acesso
direto de muita gente que me ligou ou encaminhou mensagens a propósito de
problemas da cidade ou da sua rua.
Passados quase oito anos, prosseguimos em contato.
Nada substitui o diálogo olhos nos olhos, é verdade; mas também por via
digital vivemos emoções mútuas e compartilhamos angústias e esperanças e solidariamente
nos fazemos parte da mesma luta.
Agora há uma espécie de explosão de vídeos nas redes, factuais ou opinativos.
Predominam peças improvisadas, tecnicamente sofríveis, mas plenas de convicção
e sinceridade. Convincentes.
Bem ao espírito de Glauber Rocha: “uma
câmera à mão e uma ideia na cabeça”.
A outra coisa tem a ver com pesquisas de intenção de
voto. Além dos institutos DataFolha e Quest, que por serem contratados pela
Rede Globo são muito mais conhecidos do que os demais cinco ou seis.
Talvez nunca os números tenham estado
na mente das pessoas, alimentando ansiedade e esperança.
Da mesma forma que futebol se ganha
dentro do campo, cabe entender que os índices divulgados são um retrato do momento; importa identificar tendências.
Nestes de dias que nos restam, além do
empate técnico, considerando todas as pesquisas, com ascensão gradual das
intenções de voto em Lula, fatos de enorme repercussão - como a aprovação no
Senado da alteração da jornada de trabalho 6 x 1 - jogam água para o nosso moinho.
Agora, é ver para crer; lutar para
vencer.
*Texto da minha coluna semanal no
portal ‘Vermelho’ www.vermelho.org.br
Leia também: Agiganta-se a campanha de Lula nas redes e nas ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0368111707.html

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