“Homem da mala”, Rocha Loures, diz em depoimento que relação com Temer era profissional, não de amizade. [Pelo visto, altamente “profissional”!].
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
08 janeiro 2018
04 janeiro 2018
Poesia sempre
Renovação
Marcelo
Mário de Melo
[A Claudio Ferreira - advogado, sindicalista
e militante de esquerda em Pernambuco]
e militante de esquerda em Pernambuco]
Rasguei todos os mapas insensatos
equilibrei os pratos na balança
rodei o filme de sonhos e fatos
e pus uma lanterna na esperança.
equilibrei os pratos na balança
rodei o filme de sonhos e fatos
e pus uma lanterna na esperança.
Refiz os fios de tratos e distratos
filtrei as linhas de teia e trança
agulha linha todos artefatos
tecendo as roupas de uma nova dança.
filtrei as linhas de teia e trança
agulha linha todos artefatos
tecendo as roupas de uma nova dança.
Depois encarei trancos e barrancos
juntando minha voz à voz geral
deixando para trás os desenganos.
juntando minha voz à voz geral
deixando para trás os desenganos.
Assim retomo a trilha inicial
banhando nas águas dos verdes anos
as folhas destes meus cabelos brancos.
banhando nas águas dos verdes anos
as folhas destes meus cabelos brancos.
Leia mais sobre poesia
e temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD
03 janeiro 2018
Notícia antes do fato?
Dois erros de enfoque
Luciano Siqueira
Com todo respeito, cabem reparos a dois pontos de pauta da grande imprensa neste início do ano novo: a lista de promessas dos prefeitos empossados há um ano, sob o crivo do que efetivamente foi realizado, ou não; e a afirmação de que a "corrida" eleitoral já começou.
Não é bem assim.
O simples cotejamento entre o que consta na plataforma dos então candidatos a prefeito, inclusive dos que se reelegeram, e as realizações efetivadas até agora traz em si um abissal equívoco.
Vejamos.
Primeiro, um programa de governo se realiza no curso dos quatro anos de mandato, muitas realizações se dão tão somente entre o terceiro e quatro ano porque pressupõem medidas preparatórias de diversas ordens, inclusive orçamentárias.
Segundo, ninguém governa numa redoma, ou numa ilha dotada de plena autonomia, infensa a variáveis advindas de outras esferas de poder ou da própria conjuntura econômica e financeira.
No Brasil, como se sabe, o sistema federativo inclui estados e a União federal, além do poder local. Recursos essenciais se concentram nas mãos do governo central, assim como políticas públicas e linhas de financiamento - que implicam em certo grau de dependência do município em relação à União.
Terceiro, tanto o estado de saúde financeira, e os fluxos das transferências aos municípios, e arrecadação de tributos têm atravessado situação penosa, afetando diretamente o poder de fogo das prefeituras.
Desconhecer esse contexto e quedar no simplismo quase meramente aritmético da avaliação do primeiro ano de governo significa erro crasso.
De outra parte, até as águas que circulam pelo Capibaribe sabem que a "corrida" eleitoral inevitavelmente é antecedida por uma fase de maturação dos diversos fatores que influenciam as escolhas dos partidos e as possibilidades de concretização de candidaturas majoritárias.
No quadro geral brasileiro de tremenda instabilidade (e imprevisibilidade), imaginar agora que o cenário eleitoral ganhe contornos mais nítidos é viajar a anos luz de distância da realidade concreta.
No âmbito nacional, o julgamento do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional Federal sediado em Porto Alegre - para citar apenas um dentre muitos fatores relevantes -, a depender do resultado, pode interferir fortemente na disputa presidencial.
Cá na província, basta uma rápida vista d'olhos sobre as hostes oposicionistas para verificar a gama de contradições e interesses conflitantes a serem superadas, o que demanda tempo. Além do que, no campo governista, também não são poucos os entendimentos a serem concretizados.
Assim, a "corrida" propriamente dita, tendo em vista o pleito de outubro, tomará corpo de verdade, e conquistará espaço nas manchetes, pelo menos após abril, quando inclusive termina o prazo para novas filiações partidárias dos interessados em se candidatar.
Enfim, como dizia um velho amigo jornalista de saudosa memória, referindo-se aos exageros e as precipitações midiáticas, "em tempo de vacas magras, papel aceita tudo".
Leia
mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD
Luciano Siqueira
Com todo respeito, cabem reparos a dois pontos de pauta da grande imprensa neste início do ano novo: a lista de promessas dos prefeitos empossados há um ano, sob o crivo do que efetivamente foi realizado, ou não; e a afirmação de que a "corrida" eleitoral já começou.
Não é bem assim.
O simples cotejamento entre o que consta na plataforma dos então candidatos a prefeito, inclusive dos que se reelegeram, e as realizações efetivadas até agora traz em si um abissal equívoco.
Vejamos.
Primeiro, um programa de governo se realiza no curso dos quatro anos de mandato, muitas realizações se dão tão somente entre o terceiro e quatro ano porque pressupõem medidas preparatórias de diversas ordens, inclusive orçamentárias.
Segundo, ninguém governa numa redoma, ou numa ilha dotada de plena autonomia, infensa a variáveis advindas de outras esferas de poder ou da própria conjuntura econômica e financeira.
No Brasil, como se sabe, o sistema federativo inclui estados e a União federal, além do poder local. Recursos essenciais se concentram nas mãos do governo central, assim como políticas públicas e linhas de financiamento - que implicam em certo grau de dependência do município em relação à União.
Terceiro, tanto o estado de saúde financeira, e os fluxos das transferências aos municípios, e arrecadação de tributos têm atravessado situação penosa, afetando diretamente o poder de fogo das prefeituras.
Desconhecer esse contexto e quedar no simplismo quase meramente aritmético da avaliação do primeiro ano de governo significa erro crasso.
De outra parte, até as águas que circulam pelo Capibaribe sabem que a "corrida" eleitoral inevitavelmente é antecedida por uma fase de maturação dos diversos fatores que influenciam as escolhas dos partidos e as possibilidades de concretização de candidaturas majoritárias.
No quadro geral brasileiro de tremenda instabilidade (e imprevisibilidade), imaginar agora que o cenário eleitoral ganhe contornos mais nítidos é viajar a anos luz de distância da realidade concreta.
No âmbito nacional, o julgamento do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional Federal sediado em Porto Alegre - para citar apenas um dentre muitos fatores relevantes -, a depender do resultado, pode interferir fortemente na disputa presidencial.
Cá na província, basta uma rápida vista d'olhos sobre as hostes oposicionistas para verificar a gama de contradições e interesses conflitantes a serem superadas, o que demanda tempo. Além do que, no campo governista, também não são poucos os entendimentos a serem concretizados.
Assim, a "corrida" propriamente dita, tendo em vista o pleito de outubro, tomará corpo de verdade, e conquistará espaço nas manchetes, pelo menos após abril, quando inclusive termina o prazo para novas filiações partidárias dos interessados em se candidatar.
Enfim, como dizia um velho amigo jornalista de saudosa memória, referindo-se aos exageros e as precipitações midiáticas, "em tempo de vacas magras, papel aceita tudo".
02 janeiro 2018
Desafios táticos
Uma peleja essencialmente política
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/ne10
Referir-se nesses termos ao pleito de 2018 em Pernambuco parece dispensável, mas faz sentido. Pois se é óbvio que se trata de uma disputa política, vale sublinhar que a competência e a habilidade — as refinadas ciência e arte da política, digamos assim — terão franca primazia.
Começa pelo ambiente social em que o pleito ocorrerá, contido no “novo ciclo” resultante do impeachment da presidenta Dilma.
Nacionalmente, se interrompeu o ciclo de transformações que se iniciara no governo Lula e entrara no seu décimo terceiro ano com o segundo governo Dilma.
Em Pernambuco, idem, com o desaparecimento prematuro de Eduardo Campos. A vitória de Paulo Câmara, a despeito dos inegáveis méritos do então candidato, em 2014, foi fortemente influenciada pela emoção que então envolveu os pernambucanos.
A tradução local do novo ciclo nacionalmente marcado pela assunção de Michel Temer, via golpe institucional, tem no realinhamento de forças um traço preponderante. Os candidatos de quatro anos atrás, Paulo Câmara (PSB) e Armando Monteiro (PTB), já não contam com o mesmo leque de aliados.
Paulo, pretendente à reeleição, desta vez é chamado a manter parte dos apoiadores que, em princípio, permanecem ao seu lado e a agregar outros que, pelo menos parcialmente, substituam os que se desgarraram, incluindo dissidentes do PSB.
Armando, por outro lado, que votou contra o impeachment, se associa a forças que se afastaram do atual campo governista local e expressam nitidamente o conluio com Temer. Além disso, passa a conviver com outros pré-candidatos ao governo estadual.
À esquerda, firmemente anti-Temer, PCdoB (atualmente aliado local do PSB) e PT (sob risco de isolamento) são desafiados a encontrarem solução tática que lhes permita se fortalecerem, apesar da correlação de forças em geral adversa.
O quadro, assim desenhado em poucas pinceladas, implica duas leituras concomitantes: uma dos atores políticos, a outra do eleitorado.
Partidos e lideranças proeminentes, sobretudo os mais calejados, são capazes de transitar nesse jogo furta cor de alianças com relativa facilidade. O desafio maior é construir coalizões potencialmente fortes e, ao mesmo tempo, sensibilizar a maioria do eleitorado com proposições consistentes, compreensíveis e convincentes.
A leitura por parte do eleitorado — envolto na maior crise de credibilidade face à política e aos políticos — ainda é uma grande incógnita, que as prematuras pesquisas eleitorais ainda não são capazes de elucidar.
Em síntese, muito mais do que ajuntar forças em torno de candidatos ao Executivo estadual, impõem-se competência política (discernimento tático, sobretudo), sensibilidade para com a voz das ruas e firmeza de comando. Ou seja, ousadia e habilidade sobre terreno movediço e minado — suprassumo da grande política.
Passado o Réveillon, o jogo começa. Pra valer.
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/ne10
Referir-se nesses termos ao pleito de 2018 em Pernambuco parece dispensável, mas faz sentido. Pois se é óbvio que se trata de uma disputa política, vale sublinhar que a competência e a habilidade — as refinadas ciência e arte da política, digamos assim — terão franca primazia.
Começa pelo ambiente social em que o pleito ocorrerá, contido no “novo ciclo” resultante do impeachment da presidenta Dilma.
Nacionalmente, se interrompeu o ciclo de transformações que se iniciara no governo Lula e entrara no seu décimo terceiro ano com o segundo governo Dilma.
Em Pernambuco, idem, com o desaparecimento prematuro de Eduardo Campos. A vitória de Paulo Câmara, a despeito dos inegáveis méritos do então candidato, em 2014, foi fortemente influenciada pela emoção que então envolveu os pernambucanos.
A tradução local do novo ciclo nacionalmente marcado pela assunção de Michel Temer, via golpe institucional, tem no realinhamento de forças um traço preponderante. Os candidatos de quatro anos atrás, Paulo Câmara (PSB) e Armando Monteiro (PTB), já não contam com o mesmo leque de aliados.
Paulo, pretendente à reeleição, desta vez é chamado a manter parte dos apoiadores que, em princípio, permanecem ao seu lado e a agregar outros que, pelo menos parcialmente, substituam os que se desgarraram, incluindo dissidentes do PSB.
Armando, por outro lado, que votou contra o impeachment, se associa a forças que se afastaram do atual campo governista local e expressam nitidamente o conluio com Temer. Além disso, passa a conviver com outros pré-candidatos ao governo estadual.
À esquerda, firmemente anti-Temer, PCdoB (atualmente aliado local do PSB) e PT (sob risco de isolamento) são desafiados a encontrarem solução tática que lhes permita se fortalecerem, apesar da correlação de forças em geral adversa.
O quadro, assim desenhado em poucas pinceladas, implica duas leituras concomitantes: uma dos atores políticos, a outra do eleitorado.
Partidos e lideranças proeminentes, sobretudo os mais calejados, são capazes de transitar nesse jogo furta cor de alianças com relativa facilidade. O desafio maior é construir coalizões potencialmente fortes e, ao mesmo tempo, sensibilizar a maioria do eleitorado com proposições consistentes, compreensíveis e convincentes.
A leitura por parte do eleitorado — envolto na maior crise de credibilidade face à política e aos políticos — ainda é uma grande incógnita, que as prematuras pesquisas eleitorais ainda não são capazes de elucidar.
Em síntese, muito mais do que ajuntar forças em torno de candidatos ao Executivo estadual, impõem-se competência política (discernimento tático, sobretudo), sensibilidade para com a voz das ruas e firmeza de comando. Ou seja, ousadia e habilidade sobre terreno movediço e minado — suprassumo da grande política.
Passado o Réveillon, o jogo começa. Pra valer.
Acesse e assine meu canal no YouTube goo.gl/dLCci7
Leia mais sobre temas da
atualidade: http://migre.me/kMGFD
Vida real
Alice, 4 anos:
— Tome, vovô, eu apanhei pra você. Quatro conchas.
— Que legal!
— Tem duas pedras...
— [Eu sei. São as pedras em nosso caminho, a gente não vive sem elas.]
#diálogospertinentes
Que tal acessar e assinar? YouTube goo.gl/dLCci7
— Tome, vovô, eu apanhei pra você. Quatro conchas.
— Que legal!
— Tem duas pedras...
— [Eu sei. São as pedras em nosso caminho, a gente não vive sem elas.]
#diálogospertinentes
Que tal acessar e assinar? YouTube goo.gl/dLCci7
Uma crônica para descontrair
Meu indispensável e injustiçado smartphone
Luciano Siqueira, no Vermelho e no Blog da Folha
Isso mesmo, minha gente. Sem receio da crítica dos "politicamente corretos", eis que me empenho agora na defesa do smartphone, essa genial geringonça, subproduto do extraordinário avanço tecnológico dos dias que correm.
Reincindentemente recorro à crônica de Machado de Assis, no início do século passado, a propósito de um acidente com o bonde elétrico no Rio de Janeiro, que quase mata um cidadão. - É nisso que dá ter substituído os animais pela eletricidade!, protestava o grande Machado.
Um exemplo marcante de resistência à inovação, presente na alma até de gente como o genial Machado.
Uma tremenda bobagem, convenhamos. Pois desde a descoberta do fogo ou da pólvora, a relação criativa do homem com a natureza vem produzindo conquistas as mais diversas que, bem utilizadas, facilitam em muito nossa labuta cotidiana.
É certo que a valorização desta ou daquela descoberta depende do ângulo preferencial de cada um.
Recordo-me de colegas da velha Faculdade de Medicina da UFPE que às sextas feiras, no final da tarde, com alguma frequência se reuniam num bar ali por trás do Cine São Luís para uma boa rodada de chope, acompanhada de ovos cozidos.
Travamos polêmicas homéricas sobre temas absolutamente secundários, pelo puro prazer de pelejar sem nenhuma consequência.
O querido e inesquecível Zé Carlos Souto, que viria a se formar competente e requisitado psiquiatra, com verve muito própria, certa vez provocou o debate: qual invenção a mais benéfica e prazerosa para os seres humanos, o avião ou a cerveja?
Imaginem quanta tese, conforme o ângulo de análise de cada um e os efeitos das oxidrilas na cuca!
Pois bem. Todos sabemos que hoje quase tudo é possível fazer com um smartphone à mão - do simples telefonema às operações bancárias, incluindo acesso às mídias, canais de TV e tudo mais.
São verdadeiros computadores de bolso que, via internet, nos põem em contato com o mundo.
Resisti ao smartphone tanto quanto pude, igual relutei trocar a máquina de escrever pelo computador. Mas ao me render aos benefícios dessa maravilha do século 21, confesso, tornei-me usuário entusiasta.
Ora, tenho uma agenda muito intensa, mesclada de compromissos profissionais e políticos e das boas coisas da vida como as amizades, a fotografia, o cinema, a literatura e o futebol. Por que não me valer do aparelhinho que conduzo no bolso direito da calça e que me mantém conectado para o que der vier?
Mais: meu número é amplamente conhecido, tornado público faz tempo, e muita gente se vale do WhatsApp para me enviar mensagens cobrando providências do vice-prefeito para resolver problemas da cidade ou pessoais.
Atento às mensagens, mais de uma centena ao dia, as repasso imediatamente à minha equipe para que nada fique sem resposta.
A mensagem de fim de ano que gravei em vídeo, além de postá-la no Instagram, Twitter e Facebook, em poucos minutos a enviei pelo WhatsApp para muitas centenas de amigos. (Já não uso os tradicionais cartões impressos, nem os cards via e-mail e redes sociais).
Mas frequentemente ouço críticas e a queixa: - Puxa, você não solta esse celular!
E quem critica - suprema contradição! - cobra minha desatenção para com... suas mensagens pelo WhatsApp!
Ou, num instante de lazer e descontração, ouço: - Cadê as fotos, você não tirou fotos?
Em resumo, sou criticado por usar o celular e, ao mesmo tempo, por não tê-lo usado neste ou naquele momento.
No fim e ao cabo, cai tudo na definitiva e irrecusável conclusão: se com o smartphone a vida continua complicada, sem ele mais complicada ficaria.
• Aqui a gente aborda temas políticos e outros temas. Acesse e assine YouTube goo.gl/dLCci7
Luciano Siqueira, no Vermelho e no Blog da Folha
Isso mesmo, minha gente. Sem receio da crítica dos "politicamente corretos", eis que me empenho agora na defesa do smartphone, essa genial geringonça, subproduto do extraordinário avanço tecnológico dos dias que correm.
Reincindentemente recorro à crônica de Machado de Assis, no início do século passado, a propósito de um acidente com o bonde elétrico no Rio de Janeiro, que quase mata um cidadão. - É nisso que dá ter substituído os animais pela eletricidade!, protestava o grande Machado.
Um exemplo marcante de resistência à inovação, presente na alma até de gente como o genial Machado.
Uma tremenda bobagem, convenhamos. Pois desde a descoberta do fogo ou da pólvora, a relação criativa do homem com a natureza vem produzindo conquistas as mais diversas que, bem utilizadas, facilitam em muito nossa labuta cotidiana.
É certo que a valorização desta ou daquela descoberta depende do ângulo preferencial de cada um.
Recordo-me de colegas da velha Faculdade de Medicina da UFPE que às sextas feiras, no final da tarde, com alguma frequência se reuniam num bar ali por trás do Cine São Luís para uma boa rodada de chope, acompanhada de ovos cozidos.
Travamos polêmicas homéricas sobre temas absolutamente secundários, pelo puro prazer de pelejar sem nenhuma consequência.
O querido e inesquecível Zé Carlos Souto, que viria a se formar competente e requisitado psiquiatra, com verve muito própria, certa vez provocou o debate: qual invenção a mais benéfica e prazerosa para os seres humanos, o avião ou a cerveja?
Imaginem quanta tese, conforme o ângulo de análise de cada um e os efeitos das oxidrilas na cuca!
Pois bem. Todos sabemos que hoje quase tudo é possível fazer com um smartphone à mão - do simples telefonema às operações bancárias, incluindo acesso às mídias, canais de TV e tudo mais.
São verdadeiros computadores de bolso que, via internet, nos põem em contato com o mundo.
Resisti ao smartphone tanto quanto pude, igual relutei trocar a máquina de escrever pelo computador. Mas ao me render aos benefícios dessa maravilha do século 21, confesso, tornei-me usuário entusiasta.
Ora, tenho uma agenda muito intensa, mesclada de compromissos profissionais e políticos e das boas coisas da vida como as amizades, a fotografia, o cinema, a literatura e o futebol. Por que não me valer do aparelhinho que conduzo no bolso direito da calça e que me mantém conectado para o que der vier?
Mais: meu número é amplamente conhecido, tornado público faz tempo, e muita gente se vale do WhatsApp para me enviar mensagens cobrando providências do vice-prefeito para resolver problemas da cidade ou pessoais.
Atento às mensagens, mais de uma centena ao dia, as repasso imediatamente à minha equipe para que nada fique sem resposta.
A mensagem de fim de ano que gravei em vídeo, além de postá-la no Instagram, Twitter e Facebook, em poucos minutos a enviei pelo WhatsApp para muitas centenas de amigos. (Já não uso os tradicionais cartões impressos, nem os cards via e-mail e redes sociais).
Mas frequentemente ouço críticas e a queixa: - Puxa, você não solta esse celular!
E quem critica - suprema contradição! - cobra minha desatenção para com... suas mensagens pelo WhatsApp!
Ou, num instante de lazer e descontração, ouço: - Cadê as fotos, você não tirou fotos?
Em resumo, sou criticado por usar o celular e, ao mesmo tempo, por não tê-lo usado neste ou naquele momento.
No fim e ao cabo, cai tudo na definitiva e irrecusável conclusão: se com o smartphone a vida continua complicada, sem ele mais complicada ficaria.
• Aqui a gente aborda temas políticos e outros temas. Acesse e assine YouTube goo.gl/dLCci7
Leia mais sobre temas da
atualidade: http://migre.me/kMGFD
01 janeiro 2018
Como assim?
Especialista diz que, nas próximas eleições, o candidato que compreender melhor como usar mídia social terá mais chance de vencer. [Desde que tenha consistência e credibilidade].
Assinar:
Postagens (Atom)




