Que os ricos paguem pelo fim da CPMF
Wagner Gomes*
No momento em que o governo federal adota e anuncia medidas para compensar o fim da CPMF, que deve retirar cerca de R$ 40 bilhões do orçamento da União para 2008, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vem a público manifestar as seguintes opiniões:
1- Os ricos e não os pobres devem pagar a conta da CPMF
2- São inaceitáveis medidas que venham a comprometer o reajuste do funcionalismo e as novas contratações indispensáveis para reaparelhar e fortalecer o Estado nacional.
3- Os investimentos associados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), bem como as despesas sociais, devem ser preservados e ampliados.
4- As medidas anunciadas pelo governo que elevam a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos e instituem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as remessas de lucros e dividendos das transnacionais merecem todo apoio da classe trabalhadora e do movimento sindical.
5- É hora de reduzir substancialmente o superávit primário, que em 2007 consumiu mais de 100 bilhões de reais, usando os recursos poupados para financiar o déficit provocado pelo fim do CPMF e aumentar gastos e investimentos públicos.
6- Chegou também a hora de regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas, aumentar a taxação sobre heranças, assim como sobre remessas de lucros e dividendos.
7- É preciso unir e mobilizar a classe trabalhadora e o conjunto do sindicalismo nacional na luta contra o corte nos gastos e investimentos públicos, pelo fim do superávit primário e por uma reforma tributária progressiva e socialmente justa.
Não podemos esquecer que quem lutou com unhas e dentes contra o tributo sobre transações financeiras foram os banqueiros e grandes capitalistas, representados por entidades como a Fiesp (Federação da Indústria de São Paulo) e a Febraban (Federação Nacional dos Bancos). Promoveram panfletagens, atos públicos e até um show bilionário sem público na capital paulista contra a CPMF. Contaram com a cumplicidade e os votos do PSDB e DEM no Senado.
As entidades filiadas à CTB devem realizar campanhas de mobilização e conscientização nos Estados, junto às suas bases e ao povo, denunciando e desmascarando os senadores que subtraíram R$ 40 bilhões da saúde e dos gastos e investimentos públicos, defendendo o fortalecimento do Estado e do Sistema Único de Saúde (SUS), a ampliação dos gastos e investimentos públicos e mudanças na política econômica.
A CTB, através do seu presidente, subscreve o abaixo assinado intitulado "Por uma reforma tributária justa", lançado por personalidades democráticas e lideranças dos movimentos sociais, e apóia ativamente a mobilização do funcionalismo público federal em defesa dos seus direitos e do cumprimento de acordos já negociados.
* Presidente Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
11 janeiro 2008
História: 11 de janeiro de 1849
Revolucionários praieiros, na fase da Guerra das Matas no sul de PE, sob comando de Pedro Ivo, tomam o engenho de Camorim, cujo senhor planeja atacá-los. A guerrilha continua por 2 anos. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).
10 janeiro 2008
Opiniões sensatas
No Jornal do Commercio de hoje, na matéria relativa ao encontro do prefeito João Paulo com a direção do PCdoB, registro de duas opiniões sensatas.
De João Paulo sobre a tese das múltiplas candidaturas sustentada pelo PCdoB: “O PCdoB tem uma avaliação política e acha que é fundamental, para o contexto, termos mais de uma candidatura. Mas me reconhece como coordenador do processo sucessório e concorda que, independente de termos candidaturas separadas, essas candidaturas deverão representar mais ou menos um mesmo projeto de esquerda”.
De Alanir Cardoso, presidente estadual do PCdoB: “João Paulo defende um nome único, mas tem abertura para examinarmos essa questão. Entendemos que ele terá papel importante de conduzir a sucessão, com uma ou mais candidaturas, pela liderança que tem no Recife e sobre nossas forças. Liderança que não é caída do céu. Temos grande afinidade de pensamento e o que buscamos é manter o Recife governado pelas forças do nosso campo”, justificou.
Diálogo do prefeito com um partido aliado que lhe é leal, mas conserva a independência política.
Compreensão de que a unidade no plano estratégico comporta discrepâncias táticas, que devem ser respeitadas mutuamente de maneira madura e conseqüente.
De João Paulo sobre a tese das múltiplas candidaturas sustentada pelo PCdoB: “O PCdoB tem uma avaliação política e acha que é fundamental, para o contexto, termos mais de uma candidatura. Mas me reconhece como coordenador do processo sucessório e concorda que, independente de termos candidaturas separadas, essas candidaturas deverão representar mais ou menos um mesmo projeto de esquerda”.
De Alanir Cardoso, presidente estadual do PCdoB: “João Paulo defende um nome único, mas tem abertura para examinarmos essa questão. Entendemos que ele terá papel importante de conduzir a sucessão, com uma ou mais candidaturas, pela liderança que tem no Recife e sobre nossas forças. Liderança que não é caída do céu. Temos grande afinidade de pensamento e o que buscamos é manter o Recife governado pelas forças do nosso campo”, justificou.
Diálogo do prefeito com um partido aliado que lhe é leal, mas conserva a independência política.
Compreensão de que a unidade no plano estratégico comporta discrepâncias táticas, que devem ser respeitadas mutuamente de maneira madura e conseqüente.
O complexo jogo da política
Coluna semanal no portal Vermelho:
O 18 Brumário e as eleições municipais
Luciano Siqueira
Seria muito útil a todos os que de modo direto ou indireto tomam parte nas gestões preparatórias do pleito de outubro a leitura do 18 Brumário de Luis Bonaparte, a primeira análise de uma situação política determinada (a da França) escrita à luz do materialismo histórico, justamente pelo seu fundador teórico, Karl Marx, entre dezembro de 1851 a março de 1852.
Passados 156 anos, a obra continua atual e útil a marxistas e a não-marxistas. Para que compreendam que o processo político não se dá tão somente a base da vontade subjetiva dos atores envolvidos. Há variáveis outras, de ordem objetiva, em certa medida determinantes do comportamento subjetivo deste ou daquele líder, e mesmo dos partidos políticos, relacionadas com os interesses de classe ou de segmentos de classe em presença.
Por isso a política não é um simples jogo de damas; é de xadrez, mais complexo. Via de regra não basta a uma determinada corrente política ter força acumulada, é preciso que tenha também juízo para exercer essa força – e exercê-la pelo convencimento, pela conquista de adesões conscientes; para que adiante, uma vez instalada a luta aberta, possa reunir descortino, vontade e emoção, ingredientes indispensáveis à conquista da vitória.
Por aí se entende os muitos exemplos em que uma corrente menos robusta logra êxito na aglutinação de aliados partidários e sociais o suficiente para virar o jogo. Daí se dizer, após o desenlace da peleja, que o resultado final foi surpreendente. É que o inesperado brota dessa coisa fascinante que conjuga a um só tempo ciência e arte, que é a tática política.
O comentário é oportuno, agora que se iniciam praticamente em todo o país conversações entre lideranças e partidos tendo em vista a batalha eleitoral que se avizinha. Vale particularmente para os partidos à esquerda, chamados a intervir no cenário mediante postura ampla e flexível, ousada e hábil.
A estes partidos – e de resto a todas as forças que tenham um mínimo de maturidade – não se dispensa, em cada município, a análise concreta da correlação de forças atual e de fatores que poderão alterá-la adiante; a fixação de objetivos claros e viáveis; e a definição de um roteiro político e eleitoral realista.
Mera digressão teórica? Nada disso. Basta olhar em torno e examinar os acontecimentos para perceber que o dito acima casa com a realidade em movimento.
O 18 Brumário e as eleições municipais
Luciano Siqueira
Seria muito útil a todos os que de modo direto ou indireto tomam parte nas gestões preparatórias do pleito de outubro a leitura do 18 Brumário de Luis Bonaparte, a primeira análise de uma situação política determinada (a da França) escrita à luz do materialismo histórico, justamente pelo seu fundador teórico, Karl Marx, entre dezembro de 1851 a março de 1852.
Passados 156 anos, a obra continua atual e útil a marxistas e a não-marxistas. Para que compreendam que o processo político não se dá tão somente a base da vontade subjetiva dos atores envolvidos. Há variáveis outras, de ordem objetiva, em certa medida determinantes do comportamento subjetivo deste ou daquele líder, e mesmo dos partidos políticos, relacionadas com os interesses de classe ou de segmentos de classe em presença.
Por isso a política não é um simples jogo de damas; é de xadrez, mais complexo. Via de regra não basta a uma determinada corrente política ter força acumulada, é preciso que tenha também juízo para exercer essa força – e exercê-la pelo convencimento, pela conquista de adesões conscientes; para que adiante, uma vez instalada a luta aberta, possa reunir descortino, vontade e emoção, ingredientes indispensáveis à conquista da vitória.
Por aí se entende os muitos exemplos em que uma corrente menos robusta logra êxito na aglutinação de aliados partidários e sociais o suficiente para virar o jogo. Daí se dizer, após o desenlace da peleja, que o resultado final foi surpreendente. É que o inesperado brota dessa coisa fascinante que conjuga a um só tempo ciência e arte, que é a tática política.
O comentário é oportuno, agora que se iniciam praticamente em todo o país conversações entre lideranças e partidos tendo em vista a batalha eleitoral que se avizinha. Vale particularmente para os partidos à esquerda, chamados a intervir no cenário mediante postura ampla e flexível, ousada e hábil.
A estes partidos – e de resto a todas as forças que tenham um mínimo de maturidade – não se dispensa, em cada município, a análise concreta da correlação de forças atual e de fatores que poderão alterá-la adiante; a fixação de objetivos claros e viáveis; e a definição de um roteiro político e eleitoral realista.
Mera digressão teórica? Nada disso. Basta olhar em torno e examinar os acontecimentos para perceber que o dito acima casa com a realidade em movimento.
A face do amanhã
De Sueli Santos sobre o meu artigo Nada pessoal (ver abaixo postagens anteriores): Gosto muito de duas frases de Fernando Pessoa que dizem: "DEUS QUER, O HOMEM SONHA E A OBRA NASCE" e "TUDO VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA".
Essa primeira frase demonstra a força que o homem tem quando ele sonha e sonho que se sonha só é apenas um sonho, porém sonho que se sonha junto é que se torna realidade, mas é preciso que alguém sonhe e divida esse sonhar com mais pessoas que tenham o mesmo ideal para que a obra aconteça de fato, uma vez que "uma andorinha só não faz verão".
Sabemos que desde que o mundo é mundo, as grandes conquistas e os grandes feitos, só ocorreram porque alguém ou alguns tiveram que se sacrificar, pois tinham um objetivo e coragem para no momento de sacrifício poder em seu íntimo dizer: "Derrotado porra nenhuma! Quem disse que estou aqui sozinho...". Porque guardar magoa ou rancor, quando se é visto, não a curto prazo, visto que alguns nem viram, só seus familiares, mas os que sobreviveram hoje podem dizer com orgulho, "eu estava lá fiz parte dessa luta e agora estou colhendo os frutos, ao ver uma sociedade mais justa"!
O que mudam apenas são as armas utilizadas nessa batalha, porém o que percebo nessa geração atual é a falta de vontade de lutar pelo todo, pelo o coletivo, pois, como já dizia Gregório de Matos, "O TODO SEM A PARTE NÃO É TODO, A PARTE SEM O TODO NÃO É PARTE, MAS SE A PARTE O FAZ TODO SENDO PARTE NÃO SE DIGA QUE É PARTE, POIS QUE É TODO".
Precisamos combater no mundo atual é a ditadura da mesmice e da falta de atitude das pessoas na luta por um mundo melhor!
*
Sueli amiga: A formação de uma consciência social avançada é um processo longo e sinuoso na história de um povo. A juventude atual faz o seu aprendizado, pelo caminho que lhe é possível. Vale, nesse caso, a frase de Gorki: “A juventude tem a face do amanhã.” (LS).
Essa primeira frase demonstra a força que o homem tem quando ele sonha e sonho que se sonha só é apenas um sonho, porém sonho que se sonha junto é que se torna realidade, mas é preciso que alguém sonhe e divida esse sonhar com mais pessoas que tenham o mesmo ideal para que a obra aconteça de fato, uma vez que "uma andorinha só não faz verão".
Sabemos que desde que o mundo é mundo, as grandes conquistas e os grandes feitos, só ocorreram porque alguém ou alguns tiveram que se sacrificar, pois tinham um objetivo e coragem para no momento de sacrifício poder em seu íntimo dizer: "Derrotado porra nenhuma! Quem disse que estou aqui sozinho...". Porque guardar magoa ou rancor, quando se é visto, não a curto prazo, visto que alguns nem viram, só seus familiares, mas os que sobreviveram hoje podem dizer com orgulho, "eu estava lá fiz parte dessa luta e agora estou colhendo os frutos, ao ver uma sociedade mais justa"!
O que mudam apenas são as armas utilizadas nessa batalha, porém o que percebo nessa geração atual é a falta de vontade de lutar pelo todo, pelo o coletivo, pois, como já dizia Gregório de Matos, "O TODO SEM A PARTE NÃO É TODO, A PARTE SEM O TODO NÃO É PARTE, MAS SE A PARTE O FAZ TODO SENDO PARTE NÃO SE DIGA QUE É PARTE, POIS QUE É TODO".
Precisamos combater no mundo atual é a ditadura da mesmice e da falta de atitude das pessoas na luta por um mundo melhor!
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Sueli amiga: A formação de uma consciência social avançada é um processo longo e sinuoso na história de um povo. A juventude atual faz o seu aprendizado, pelo caminho que lhe é possível. Vale, nesse caso, a frase de Gorki: “A juventude tem a face do amanhã.” (LS).
Consciência da juventude
De Audísio Costa sobre o meu artigo Nada pessoal (ver abaixo postagem anterior): É importante entender a pergunta do jovem estudante. Hoje a juventude avança no repensar o futuro. Começa a debater questões até pouco tempo proibidas. É a retomada da consciência do povo da sua responsabilidade na construção da sociedade.
A pergunta tem razão, pois durante muito tempo fomos proibidos de debater as concepções ideológicas de sociedade. Defender a democracia é fácil, para muitos hoje. Mas é fundamental entender que foram suporte na sustentação do regime militar. Eis uma questão que cada dia deve ficar mais clara.
Como pensar em liberdade se concordamos em atacar, usando armas de ultima geração, países que mal conseguem sobreviver com dignidade? Como respeitar os direitos humanos se determinarmos o modo de vida de povos que têm culturas diferentes? É isto camarada, a consciência ideológicas nos leva e ter a visão de sociedade em que todos somos co-responsáveis pelo bem estar coletivo. Não ha lugar para pensarmos em promoção pessoal, mas na evolução coletiva pela construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. A luta não é fácil. O sistema dominante tem força e usa de todos os meios para manter seus privilégios. Não pensam no bem estar social, mas no lucro das grandes empresas.
Com certeza conversas como a que você teve com os jovens contribui para a evolução do debates das diferentes concepções ideológicas de sociedade. Cabe ao povo determinar qual a sua preferência e a nós contribuirmos na construção do debate.
Portanto é justo dizer nada pessoal, pois se pensamos na nova sociedade em construção temos que dizer que o pessoal tem que estar atrelado ao coletivo. Não existe o eu, mas o nós.
A pergunta tem razão, pois durante muito tempo fomos proibidos de debater as concepções ideológicas de sociedade. Defender a democracia é fácil, para muitos hoje. Mas é fundamental entender que foram suporte na sustentação do regime militar. Eis uma questão que cada dia deve ficar mais clara.
Como pensar em liberdade se concordamos em atacar, usando armas de ultima geração, países que mal conseguem sobreviver com dignidade? Como respeitar os direitos humanos se determinarmos o modo de vida de povos que têm culturas diferentes? É isto camarada, a consciência ideológicas nos leva e ter a visão de sociedade em que todos somos co-responsáveis pelo bem estar coletivo. Não ha lugar para pensarmos em promoção pessoal, mas na evolução coletiva pela construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária. A luta não é fácil. O sistema dominante tem força e usa de todos os meios para manter seus privilégios. Não pensam no bem estar social, mas no lucro das grandes empresas.
Com certeza conversas como a que você teve com os jovens contribui para a evolução do debates das diferentes concepções ideológicas de sociedade. Cabe ao povo determinar qual a sua preferência e a nós contribuirmos na construção do debate.
Portanto é justo dizer nada pessoal, pois se pensamos na nova sociedade em construção temos que dizer que o pessoal tem que estar atrelado ao coletivo. Não existe o eu, mas o nós.
História: 10 de janeiro de 1973

Soledad Viedma
Massacre da Chácara São Bento: a equipe do delegado Fleury destrói a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) em Paulista, PE, graças ao agente infiltrado cabo Anselmo. Entre os 6 mortos sob torturas está Soledad Viedma, paraguaia, 28 anos, grávida de 7 meses, do delator. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).
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