09 setembro 2019

Uma crônica do cotidiano


Por um maço de dólares
Luciano Siqueira

Desses encontros inesperados com alguém que você já não vê há muito tempo.

Caminhávamos, Luci eu, à beira-mar de São José da Coroa Grande, litoral sul de Pernambuco, nas primeiras horas da manhã.

Despreocupados. Desatentos até.

Olhares fixos apenas na beleza do encontro das águas com a areia e, aqui e acolá, apanhando conchas para o nosso neto Miguel, então pequenino.

Eis que em sentido contrário, de bermuda impecavelmente alva, camisa pólo e boné estiloso, a passos apressados, o professor que há anos não víamos.

— Bom dia deputado! Olá, Luci! Que fazem por aqui?

— É nosso breve descanso de fim ano, Estamos com a família na casa de um amigo aqui perto.

— Estou apenas de passagem…

— Nessa elegância toda, rapaz! Quase não o reconheço com esse boné de gente fina!

— Que nada!...

Aí cometi o ato do qual me arrependo até hoje. Levantei a aba do boné do amigo e, para nossa surpresa, o dito cujo conduzia sobre a cabeça um maço de dólares!

Constrangimento mútuo. Ainda improvisei um comentário jocoso:

— Cuidado pra não ser roubado, homem!

— Aqui não tem perigo. Prefiro não deixar dinheiro no hotel, respondeu visivelmente embaraçado.

Depois de um “até breve” mútuo, seguimos nossos caminhos.

Nunca mais nos vimos. Certamente o constrangimento perdurou anos a fio. Por aquele maço de dólares.

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