09 janeiro 2026

Brasil+Colômbia+México+Canadá

Lula articula reação regional a ameaças de Trump e ofensiva na Venezuela
Presidente conversa com líderes da Colômbia, México e Canadá, condena uso da força, reage a ameaças militares dos EUA e defende soberania, multilateralismo e solução pacífica
Lucas Toth/Vermelho   

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou nesta quinta-feira (8) a articulação com líderes da América Latina em reação à ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela e às novas ameaças de Washington à região, reafirmando a defesa da soberania, do multilateralismo e da solução pacífica de conflitos.

Ao longo do dia, o presidente brasileiro realizou ligações telefônicas com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, e com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney.

A articulação ocorre em meio à escalada de declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a ameaçar países da região com ações militares no México e na Colômbia, a defender a ampliação da presença e do controle norte-americano sobre a Groenlândia e a anunciar a imposição de uma tutela política sobre a Venezuela.

Na conversa com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, Lula criticou o uso da força contra um país sul-americano, apontado pelos dois governos como violação do direito internacional, da Carta da ONU e da soberania da Venezuela, e defendeu que a crise seja resolvida por meios pacíficos, com diálogo e respeito à vontade do povo venezuelano.

O presidente brasileiro também informou que o Brasil iniciou o envio de 40 toneladas de insumos e medicamentos para a Venezuela, parte de um total de 300 toneladas arrecadadas para recompor estoques de produtos e soluções para diálise atingidos pelos bombardeios.

Com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, Lula reiterou o repúdio aos ataques contra a soberania venezuelana e à retomada de uma lógica de divisão do mundo em zonas de influência.

Os dois líderes reafirmaram a defesa do multilateralismo, do direito internacional e do livre-comércio, além do compromisso com a cooperação em favor da paz, do diálogo e da estabilidade regional.

Na ligação com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, os dois líderes condenaram o uso da força sem respaldo na Carta da ONU e defenderam que o futuro da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo.

Lula e Carney também concordaram sobre a necessidade de reformar as instituições de governança global e manifestaram interesse em avançar nas negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e o Canadá.

As conversas ocorrem após Trump intensificar a retórica de confronto com países da América Latina e do Atlântico Norte, dias depois de os Estados Unidos executarem seu primeiro bombardeio na América do Sul.

Nesta quinta-feira (8), em entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que as Forças Armadas dos EUA vão “começar agora a atacar em terra” o território do México, sob o argumento de combater cartéis de drogas.

Trump disse que apenas “sua própria moral” constitui um limite para as ações do governo norte-americano no exterior. Questionado sobre o respeito ao direito internacional, Trump declarou que “não precisa” dessas normas e que a única coisa capaz de freá-lo é “sua própria mente”.O presidente norte-americano afirmou ainda que o controle dos Estados Unidos sobre a Groenlândia seria “psicologicamente necessário para o sucesso” e admitiu que a escolha entre a estabilidade da Otan e a incorporação do território poderia se tornar um dilema para seu governo.

Paz e soberania na Venezuela! Sangue por petróleo, não! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/editorial-do-vermelho_5.html 

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