A variável tempo nas decisões políticas
Luciano
Siqueira*
instagram.com/lucianosiqueira65
Há tempo para tudo, mas é preciso agir no tempo certo. Essa obviedade, comprovada ao longo da História, nem sempre é levada na devida conta nas pelejas cotidianas. Daí se cometer equívocos que terminam modificando o cenário político, complicando-o.
Ora, se na
primeira revolução socialista da História – a conquista do poder pelos
bolcheviques na Rússia – a escolha do momento certo para a tomada do Palácio do
Inverno implicou acirrada polêmica, vencida pela genialidade de Lenin, nada
mais lícito imaginar que nas batalhas locais, conforme as travamos neste ano
que se inicia em todo o País, mirando a presidência da República, cadeiras no
Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas e governos estaduais,
igual discernimento se impõe.
Estamos
a cerca de pouco mais de cinco meses para a realização das convenções partidárias.
Muito tempo? Sim e não, depende da situação concreta. Quando as coisas caminham
sob céu de brigadeiro, não há razão para açodamento. Mas quando há risco de
tempestade, não é tanto tempo assim.
Além
da disputado presidencial, há lugares onde numa determinada conjugação de
forças um partido se sobressai como hegemônico. Os demais respeitam essa
condição e aguardam a apresentação de propostas destinadas ao imprescindível
consenso em torno de plataforma programática e composição de chapas majoritária
e proporcionais. Mas não por tempo indeterminado, pois aí já não seria
razoável.
Cada
partido tem o seu próprio modo de ser e de agir, conforme o artigo 8 da
Constituição. Quando envolto em discrepâncias e disputas internas, lança mão do
instrumental que lhe conferem os Estatutos. Aos demais cabe assimilar essa
contingência. Isto não quer dizer, entretanto, submissão às conveniências do
aliado. Todos têm interesses próprios – naturais, legítimos – e se guiam por um
roteiro próprio, dimensionado no tempo e no espaço.
Em
síntese, quanto mais ampla se deseja a coligação partidária, mais necessário se
faz evitar constrangimentos de última hora. Sob pena de dissenções irrevogáveis
que podem afetar, adiante, as possibilidades de vitória.
Entre
o início das conversações e a conformação dos acordos a serem referendados
pelas convenções, no meio do ano, há todo um debate acerca de projeto de
governo e dos arranjos sobre a disputa proporcional que exigem clareza, bom
senso, paciência e espírito público.
Vale,
inclusive, para os estados onde as alianças locais não assumem a mesma
conformação da convergência de forças em plano nacional.
Paciência
e trabalho duro: desde que se queimarem os fogos do réveillon até a boca da
urna.
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PCdoB: um projeto em movimento pelo Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/walter-sorrentino-opina.html

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