02 janeiro 2026

Minha opinião

A variável tempo nas decisões políticas
Luciano Siqueira* 
instagram.com/lucianosiqueira65 

Há tempo para tudo, mas é preciso agir no tempo certo. Essa obviedade, comprovada ao longo da História, nem sempre é levada na devida conta nas pelejas cotidianas. Daí se cometer equívocos que terminam modificando o cenário político, complicando-o.

Ora, se na primeira revolução socialista da História – a conquista do poder pelos bolcheviques na Rússia – a escolha do momento certo para a tomada do Palácio do Inverno implicou acirrada polêmica, vencida pela genialidade de Lenin, nada mais lícito imaginar que nas batalhas locais, conforme as travamos neste ano que se inicia em todo o País, mirando a presidência da República, cadeiras no Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas e governos estaduais, igual discernimento se impõe.

Estamos a cerca de pouco mais de cinco meses para a realização das convenções partidárias. Muito tempo? Sim e não, depende da situação concreta. Quando as coisas caminham sob céu de brigadeiro, não há razão para açodamento. Mas quando há risco de tempestade, não é tanto tempo assim.

Além da disputado presidencial, há lugares onde numa determinada conjugação de forças um partido se sobressai como hegemônico. Os demais respeitam essa condição e aguardam a apresentação de propostas destinadas ao imprescindível consenso em torno de plataforma programática e composição de chapas majoritária e proporcionais. Mas não por tempo indeterminado, pois aí já não seria razoável.

Cada partido tem o seu próprio modo de ser e de agir, conforme o artigo 8 da Constituição. Quando envolto em discrepâncias e disputas internas, lança mão do instrumental que lhe conferem os Estatutos. Aos demais cabe assimilar essa contingência. Isto não quer dizer, entretanto, submissão às conveniências do aliado. Todos têm interesses próprios – naturais, legítimos – e se guiam por um roteiro próprio, dimensionado no tempo e no espaço.

Em síntese, quanto mais ampla se deseja a coligação partidária, mais necessário se faz evitar constrangimentos de última hora. Sob pena de dissenções irrevogáveis que podem afetar, adiante, as possibilidades de vitória.

Entre o início das conversações e a conformação dos acordos a serem referendados pelas convenções, no meio do ano, há todo um debate acerca de projeto de governo e dos arranjos sobre a disputa proporcional que exigem clareza, bom senso, paciência e espírito público.

Vale, inclusive, para os estados onde as alianças locais não assumem a mesma conformação da convergência de forças em plano nacional.

Paciência e trabalho duro: desde que se queimarem os fogos do réveillon até a boca da urna.

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PCdoB: um projeto em movimento pelo Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/walter-sorrentino-opina.html

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