No Brasil, 72% das empresas que adotaram escala 5×2 tiveram aumento de receita
Modelo já é usado por 67% dos trabalhadores com carteira assinada e 44% dos empregadores relataram melhoria no cumprimento de prazos, segundo relatório do Ministério do Trabalho
Pricila Lobregatte/Vermelho
Uma nova pesquisa sobre o regime de trabalho no Brasil reforça que a choradeira do patronato contra os impactos negativos do fim da escala 6×1 não se sustenta em dados da própria realidade do país. Atualmente, 66,8% dos vínculos trabalhistas (29,7 milhões de trabalhadores) já cumprem o modelo 5×2. Essa redução foi acompanhada pelo aumento direto sobre as receitas em 72% das empresas que a adotaram.
É o que revela o relatório “O futuro do trabalho no Brasil: viabilidade e impactos da redução da jornada e fim da escala 6×1”, elaborado pela Subsecretaria de Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O levantamento reúne dados do eSocial e de pesquisa de produtividade da Fundação Getulio Vargas (FGV).
De acordo com o estudo, o impacto da adoção dessa escala sobre a folha de pagamento foi de apenas de 4,7%, com uma variação entre 1,6% a 10,5% para setores como alimentos e transporte aeroviários. Segundo o MTE, esse custo é considerado “perfeitamente absorvível pelas empresas, visto que é amplamente compensado por ganhos de produtividade e pela redução de custos indiretos, como rotatividade (turnover) e absenteísmo”.
Nesse sentido, vale destacar que o relatório ainda indica que 44% das empresas relataram melhoria significativa no cumprimento de prazos operacionais.
Segundo o MTE, isso demonstra que “a modernização da jornada não é um custo, mas um investimento estratégico na sustentabilidade do negócio e na saúde da força de trabalho brasileira”.
Espaço natural de transição
O relatório também indica que apesar de 74% dos vínculos com carteira assinada (37,2 milhões de pessoas) serem formalmente contratados para o teto de 44 horas semanais, nem todos esses empregados cumprem efetivamente seis dias de trabalho. Para o MTE, isso sinaliza “um espaço natural de transição para modelos mais flexíveis”.
Além dos ganhos para a classe trabalhadora e do baixo impacto para o empresariado, o cenário atual da economia favorece a redução dos dias trabalhados, na avaliação do ministro do MTE, Luiz Marinho. “Nesse exato momento, a economia brasileira está pronta para suportar 40 horas semanais. É uma escala possível e coerente com o que a sociedade está pedindo”, explicou o titular da pasta em audiência pública dedicada ao tema, realizada na terça-feira (10) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Autora do Projeto de Lei 67/25 (estabelece que a duração da jornada não poderá exceder 40 horas semanais e ao menos dois dias semanais de repouso, sem redução salarial), a deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS) diz que a proposta “nasceu justamente da urgência histórica de avançarmos nessa luta por uma jornada de trabalho que garanta dignidade, saúde e qualidade de vida”. Ela concorda que a medida é “viável e madura”. A matéria deverá ser votada na próxima semana na Comissão do Trabalho da Câmara.
A disputa em torno da escala 6×1 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/escala-6x1.html

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