Lula denuncia feminicídio e reforça luta das mulheres no 8 de Março
Em pronunciamento nacional, presidente cobra combate ao feminicídio e defende fim da escala 6×1 enquanto mulheres ocupam ruas do país por direitos e igualdade.
Barbara Luz/Vermelho
Na véspera do Dia Internacional das Mulheres, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, utilizou cadeia nacional de rádio e televisão para fazer um pronunciamento marcado pelo alerta diante do avanço da violência de gênero no país e pela defesa de políticas públicas voltadas à proteção e à autonomia das mulheres.
Logo no início do discurso, Lula chamou atenção para o crescimento dos casos de feminicídio no Brasil, que em 2025 chegaram à média de quatro mulheres assassinadas por dia. Para o presidente, a tragédia revela a persistência de uma cultura de violência profundamente enraizada na sociedade brasileira. “A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Cada feminicídio é o resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas, naturalizadas. A maioria esmagadora dessas agressões acontece dentro de casa, no ambiente que deveria ser de proteção”, disse.
O presidente destacou que o endurecimento das penas não tem sido suficiente para conter o problema e afirmou que o país precisa enfrentar a violência contra as mulheres como uma questão pública e coletiva. “Mesmo com o agravamento da pena para o feminicídio, com até 40 anos de prisão para os assassinos, homens continuam agredindo e matando mulheres. Não podemos nos conformar”, acrescentou.
Pacto contra o feminicídio e ações do governo
Ao questionar que tipo de futuro pode existir em um país onde mulheres seguem sendo vítimas cotidianas de violência, Lula reforçou o compromisso do governo com o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio, que reúne ações dos três poderes e prevê medidas de prevenção, proteção e responsabilização dos agressores.
Entre as iniciativas citadas está uma operação nacional coordenada pelo Ministério da Justiça para capturar agressores que descumprem medidas protetivas ou possuem mandados de prisão em aberto. “Para começar, um mutirão do Ministério da Justiça, em parceria com os governos dos estados, para prender mais de 2 mil agressores de mulheres que não podem e não vão continuar em liberdade. E estou avisando: outras operações virão”.
Em seguida, o presidente reforçou que a violência contra mulheres não pode mais ser tratada como assunto doméstico ou privado. “Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher”.
Lula também citou políticas sociais que, segundo ele, contribuem para ampliar a autonomia econômica das mulheres, como o programa Pé-de-Meia, o Gás do Povo, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a distribuição gratuita de absorventes.
Fim da escala 6×1 e novas medidas contra violência digital
Outro ponto do pronunciamento foi a defesa do fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador cumpre seis dias de jornada e tem apenas um de descanso. Para o presidente, a mudança é especialmente importante para as mulheres, que frequentemente acumulam trabalho remunerado e responsabilidades domésticas.
“É preciso avançar no fim da escala 6×1, que obriga a pessoa a trabalhar seis dias por semana e ter um só dia de folga. Está na hora de acabar com isso, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver. Essa é uma pauta da mulher brasileira”.
Lula também anunciou que o governo prepara novas medidas para combater o assédio e a violência no ambiente digital, com a entrada em vigor, no próximo dia 17 de março, do Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes (ECA Digital). “O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar”.
Pronunciamento dialoga com mobilizações do 8M
O discurso do presidente ocorre em um momento de intensa mobilização do movimento feminista no país. Neste 8 de março, mulheres ocupam ruas em diversas cidades brasileiras para denunciar a violência de gênero, exigir igualdade salarial e defender melhores condições de trabalho.
As manifestações também incluem reivindicações como a redução da jornada de trabalho sem redução de salários, o combate ao assédio no ambiente profissional e a implementação da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho, que trata da violência e do assédio no mundo do trabalho.
Convocados por organizações feministas e movimentos sociais, os atos reafirmam que a luta das mulheres segue profundamente ligada à defesa da democracia e à superação das desigualdades sociais. Em diversas cidades, as manifestações também denunciam o avanço da extrema-direita e reforçam o compromisso com a construção de um país mais justo e igualitário.
Em defesa do feminismo emancipacionista e anticapitalista https://vermelho.org.br/coluna/em-defesa-do-feminismo-emancipacionista-e-anticapitalista/

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