O pomo da discórdia
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Óbvio que o senador
Flávio Bolsonaro (PL) sofre um tremendo tombo e muitas escoriações em sua
pretensa pré-candidatura à presidência da República.
Quanto mais nega ou
tenta enganar a propósito de suas relações promíscuas com o banqueiro
presidiário Daniel Vorcaro, mais se enfraquece, amarga dissensões em sua base
social e política — sistema financeiro, agro, grandes denominações evangélicas,
extrema direita e centro conservador.
Natural que do lado
de cá da ponta — o campo popular e progressista articulado em torno do
presidente Lula — se explore o desastre do chamado filho 01 do ex-presidente
encarcerado Bolsonaro.
Mas não está aí o
leito principal do embate. É preciso avançar na afirmação das próprias
proposições, sobretudo brandindo temas que a um só tempo nos distingue na
extrema direita e contribui para a elevação do nível de consciência política do
povo.
A afirmação da ética
e o combate à corrupção — a experiência tem comprovado — têm a sua importância,
mas não está aí o pomo da discórdia.
Tampouco a exaltação
dos feitos do governo no que tange a políticas sociais compensatórias: Bolsa
Família, Minha Casa, Minha Vida, Pé de Meia, etc. — que geram gratidão, mas não
necessariamente consciência política.
É preciso
relacioná-las com proposições de natureza estratégica — reformas estruturais,
afirmação da soberania nacional — assim como a denúncia dos maiores inimigos da
nação e do povo: a elite financeira, o agro exportador, os monopólios
varejistas, o complexo midiático neoliberal dominante.
É possível num
ambiente de correlação de forças muito difícil? Sim, tanto quanto necessário e
indispensável.
Em outras palavras,
o "economicismo" governamental não basta; é preciso demarcar campos e
incutir consciência política e clareza de objetivos.
Isto a partir mesmo
do discurso do presidente Lula e da contribuição própria do PCdoB e segmentos
de esquerda mais avançados — seja na chamada campanha eleitoral corpo a corpo,
no contato direto com os trabalhadores e o povo; seja no bom uso da comunicação
digital.
E é perfeitamente
possível combinar o exercício da unidade da frente ampla com a afirmação da
marca própria de cada corrente política. Feito o óleo e a água: juntos, porém
distinguíveis a olho nu.
*Texto
da minha coiluna semanal no portal ‘Vermelho’
[Imagem produzida em IA]
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