R$ 61 milhões de Vorcaro a Flávio Bolsonaro. Master e extrema-direita, tudo a ver!
Impõe-se rigorosa apuração sobre as transações entre Flávio Bolsonaro e o “irmãozão” criminoso Vorcaro que somam milhões de dólares. CPI do Master, Já!
Editorial do 'Vermelho'
O peixe morre pela boca, segundo o ditado. É o caso do pré-candidato a presidente da República Flávio Bolsonaro, que confirmou, em mensagem de áudio para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, tenebrosas transações envolvendo R$ 134 milhões, cerca de US$ 24 milhões, segundo relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), alegadamente para bancar o filme Dark Horse, sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro estava cobrando Vorcaro, porque, desse valor, foram liberados, entre fevereiro e maio de 2025, R$ 61 milhões. A Go Up Entertainment, produtora do filme, negou o recebimento de repasses de verba de Vorcaro para o projeto. Karina Ferreira da Gama, sócia-administradora da empresa, disse que a produtora só tem investimentos estrangeiros, sem ligação com o ex-banqueiro.
O deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, que teria intermediado o apoio de Vorcaro, contradisse Flávio Bolsonaro ao negar qualquer participação financeira de Vorcaro na produção. Um pouco depois, Frias emitiu nova versão, contraditória e confusa, tentando dar cobertura a Flávio Bolsonaro.
Assim que o áudio foi divulgado, Flávio Bolsonaro disse que era “mentira” o financiamento de Vorcaro, mas depois, em nota oficial e entrevista, validou o teor da gravação e das mensagens. Mas minimizou sua relação com o ex-banqueiro, atitude que não se sustenta.
A mensagem, enviada um dia antes da prisão de Vorcaro na primeira fase da Operação Compliance Zero, em 17 de novembro de 2025 – no dia seguinte o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master –, trouxe à tona, pelas próprias palavras de Flávio Bolsonaro, como o caso Master e a extrema direita são irmãos carnais, inclusive ao tratar o ex-banqueiro como “meu irmão” e mesmo “irmãozão”. Em outra mensagem, essa escrita, o pré-candidato disse: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.”
O mesmo tratamento ocorreu em mensagens de Vorcaro descrevendo o presidente do Partido Progressistas (PP), senador Ciro Nogueira, aliado do bolsonarismo, como “um dos meus grandes amigos de vida”, referindo-se a propostas defendidas pelo senador que poderiam beneficiar o esquema do Banco Master. O desdobramento do caso revelou também mais acusações de gangsterismo com a prisão do pai do ex-banqueiro, Henrique Vorcaro, suspeito de bancar uma espécie de milícia privada que intimidava e espionava adversários.
Uma parte dos R$ 61 milhões veio da Entre Investimentos, empresa ligada a Vorcaro e suspeita de operar para o crime organizado e lavagem de dinheiro. O grosso do montante teria sido depositado num fundo administrado nos Estados Unidos por Paulo Calixto, advogado do irmão de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde o ano passado.
Uma pergunta que se impõe: por que o dinheiro não foi direto para a produtora do filme, pois a versão de Flávio Bolsonaro é de que há um contrato? A Polícia Federal já investiga se essa grande soma foi, na verdade, usada para financiar as conspirações de Eduardo Bolsonaro contra o Brasil, a exemplo do “tarifaço” imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O envolvimento do bolsonarismo com a família Vorcaro remonta às doações de campanha eleitoral de 2022. Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro – apontado pela Polícia Federal como seu principal operador financeiro, também preso –, doou a campanha de Jair Bolsonaro R$ 3 milhões.
Tarcísio de Freitas, que seria eleito governador de São Paulo, recebeu R$ 2 milhões. Os repasses, trazidos a público pela Operação Compliance Zero, mostram também que Henrique Vorcaro destinou R$ 1 milhão ao diretório estadual do Partido Novo em Minas Gerais, legenda do pré-candidato a presidente Romeu Zema, com fortes ligações com o bolsonarismo.
O caso envolve também Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central indicado pelo então presidente Jair Bolsonaro – que, em 2022, votou vestindo a camisa amarela da Seleção Brasileira, símbolo de apoio ao bolsonarismo –, avalista da expansão das operações do Banco Master, com suspeitas de facilidades dadas a operações de Vorcaro.
Há ainda o caso da Rioprevidência, que no governo bolsonarista de Claudio Castro alocou cerca de R$ 2,6 bilhões em ativos do grupo no Banco Master. Ibaneis Rocha, ex-governador do Distrito Federal, também da tropa de choque de Bolsonaro, diretamente envolvido na operação de tentativa de “salvamento” do Master, que acarretou bilhões de reais de prejuízo ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Os deputados Pedro Uczai, líder do PT na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali, líder do PCdoB, e Tarcísio Mota, líder do PSOL, apresentaram à Procuradoria Geral da República e à Polícia Federal uma notícia-fato com pedido de instauração de inquérito e representação pela prisão preventiva de Flávio Bolsonaro. Os três partidos também anunciaram que pedirão a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso.
Todas essas indicações são imperativamente necessárias. Assim como a mobilização dos movimentos e das entidades do povo e dos trabalhadores, exigindo a apuração rigorosa, pois os milhões que Bolsonaro filho arrancou do ex-banqueiro mafioso indicam que o revelado até aqui é apenas a ponta de um iceberg.
Estes fatos gravíssimos certamente impactarão no debate eleitoral, mais uma oportunidade para desmascarar o que e quem Flávio Bolsonaro representa. É preciso revelar a fundo a verdadeira face do pré-candidato e de seus aliados, mostrando a dimensão de mais um crime que deve ser investigado com rigor para desbaratar o clã e deixar nítido o caráter embusteiro de sua candidatura. A máscara de patriota já caiu, quando Flávio Bolsonaro se revelou o que sempre foi, traidor da pátria. Agora, quando vem à público suas súplicas a um banqueiro mafioso, ele se vê despido da fantasia de moralista. “As rachadinhas” eram apenas tostões diante dos milhões do “BolsoMaster”.
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