Perplexidade
Abraham
B. Sicsu
Vinte três dias nos
interiores do país. As serras capixabas, o sul de Minas, o interior paulista.
Regiões belas, paisagens marcantes, contato com a natureza. O trem de Belo
Horizonte a Cariacica, a história da mineração e seus legados.
Interessantíssimo, 14 horas vendo de perto o legado que o ciclo da mineração
nos deixou. Evidentemente que poluição também faz falta e São Paulo, Rio e
Brasília entraram no roteiro.
Período em que nos
isolamos, em que procuramos não estar em contato contínuo com as notícias, com
o que vinha ocorrendo no mundo e no Brasil. Algumas manchetes nos chegam, mas
passam quase desapercebidas.
Voltei à realidade,
começo a me informar com mais detalhes do que vem ocorrendo. O que mudou neste
quase mês fora?
O susto é grande.
Parece que se está em outro ambiente, em outro mundo. E, o mais grave, tudo
parece ter piorado.
Uma refinaria que não
refina petróleo com dívidas bilionárias junto ao erário público, um filme de
uma produtora que nunca produziu nada, com orçamento jamais visto no país, o
entrelaçar entre as elites políticas e econômicas desmascaram os casos de
corrupção no país.
Maio muda o cenário
econômico e político. Denúncias do envolvimento da família do ex-presidente com
o Banco Máster escancaram o podre nas relações que imperavam no centro do
poder. Corrupção, preocupação de todos, é explicitada.
Produzir um filme com
suporte empresarial de milhões não se faz do nada. Interesses políticos e
econômicos são motivação e causa estranheza possíveis desvios de rumos dos
recursos, facilmente constatáveis.
Contratos
milionários, difíceis de justificar, surgem e são recebidos com naturalidade.
Não bastassem os acordos de consultoria de bancas advocatícias com o Máster,
empresas de marqueteiro do governo passado, faturou cerca de 100 milhões de
reais junto a Ministérios, enquanto ele ainda era assessor da presidência.
Locações de navios
luxuosíssimos na COP 30, difíceis de serem justificadas. E o Cavalinho Negro
levanta suspeita de financiamento indireto para fujões que denigrem a imagem da
nação. É corrupção para todo o lado.
Pensemos um pouco o
mundo e a geopolítica. Nessa, o Bufão Estridente não pode ser esquecido. A
Ucrânia continua em guerra, o Conselho da Paz para a reconstrução de Gaza não
sai do lugar, a política agressiva daquele senhor tem resultados pífios e não
avança.
Toda semana o senhor semi-imperador,
anuncia o fim próximo da guerra com o Irã, não acontece, o bloqueio da
navegação eleva o preço do petróleo e causa inflação e desespero
internacional. Na Venezuela fez intervenção,
mas esqueceu totalmente a busca da democracia, manteve o mesmo regime, agora
podendo explorar os ricos recursos naturais em benefício de suas empresas.
Não conseguindo
resultados palpáveis, volta sua artilharia para Cuba.
Cínico, se arvora de
salvador da população da ilha, ilha que não o ameaça, que tem sofrido muito com
um bloqueio insano que lhe traz transtornos insuportáveis.
Resgata fatos de
trinta anos, fatos que tem justificativa nas relações internacionais quando há
efetivamente invasão deliberada de território, para ameaçar uma invasão, uma
captura de um líder que tem história, que é muito querido junto à sua
população. O bloqueio que gera uma crise humanitária se aprofunda e falta
energia e alimentação.
A única
justificativa, não aceitável, mas possível, para essa loucura, é a queda
abrupta de sua popularidade interna, com uma desaprovação de mais de 60%, com
uma inflação crescente, com preços de combustíveis que beiram o insuportável.
Uma maneira de desviar o focar nos problemas domésticos com possível “vitória”
internacional irrelevante para os americanos, tentando vender a imagem de um
super-herói que domina o mundo. O confronto virou a estratégia.
Volto-me para outro
lado. Ver o meu Estado. Maio sai o ranking de Progresso Social de 2026. Estamos
na dramática posição de Décimo Sexto colocado no que tange a desenvolvimento
social e qualidade de vida. Ficamos
abaixo da média nacional. Pior que Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte e
Ceará. Recife fica com o quinto lugar de pior capital. Enfim, nada
alvissareiro.
Como diria o
personagem de Jô Soares, “aqui não fico, volto para o exílio.” No meu caso,
escolho as Serras Capixabas.
[Ilustração: Luciano Pinheiro]
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Celso Pinto de Melo: "Um país que não falava português" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/raizes-do-brasil.html

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