03 junho 2026

Palavra de poeta

Madrugada
Ferreira Gullar  

Do fundo de meu quarto, do fundo
de meu corpo
clandestino
ouço (não vejo) ouço
crescer no osso e no músculo da noite
a noite

a noite ocidental obscenamente acesa
sobre meu país dividido em classes

 

[Ilustração: José Portolés]

Leia também: "Mutatis Mutandis", poema de Bartyra Soares https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/palavra-de-poeta_19.html 

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