29 maio 2026

Palavra de Lula

Lula reage à decisão dos EUA sobre facções e defende a soberania do Brasil
Presidente critica ingerência norte-americana e destaca que combate ao crime organizado exige cooperação técnica, não soluções unilaterais que ignoram a autonomia brasileira
Davi Molinari/Vermelho   

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, anunciada na quinta-feira (28), gerou uma reação firme do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (29). Durante evento de anúncio de investimentos da Petrobras em Laranjeiras, Sergipe, o chefe do Executivo brasileiro classificou a medida como uma ingerência externa desnecessária. Ao defender a postura do país, Lula foi enfático: “Nós não aceitamos ser tratados como moleque. Nós não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta. Eu trato um país pequeno com o mesmo respeito que eu trato a China, com o mesmo respeito que eu trato a Rússia, com o mesmo respeito que eu trato os Estados Unidos”.

O presidente pontuou que, embora o Estado brasileiro reconheça o impacto devastador dessas facções nas comunidades periféricas, o tratamento jurídico deve observar as leis nacionais. Sobre o tema, declarou: “Eles são terroristas para as comunidades brasileiras, para a sociedade brasileira, para o povo da periferia desse país. Eles são terroristas porque eles incomodam as famílias, eles incomodam o bairro, eles incomodam a cidade, eles roubam o direito do povo de viver livremente”. Lula destacou que o governo tem buscado aprovar leis antifacção e fortalecido a inteligência federal, sublinhando que a solução definitiva depende de uma estrutura de segurança pública robusta, e não de pressões externas que ignoram o rito democrático.

Durante o discurso, o presidente questionou a eficácia da medida norte-americana e a hipocrisia de setores que pedem intervenção estrangeira, criticando duramente a articulação política do clã Bolsonaro: “Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria, dos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”. O governo brasileiro ressaltou que já havia entregue propostas concretas de cooperação aos EUA, incluindo informações sobre lavagem de dinheiro em solo norte-americano, como no estado de Delaware. Nesse sentido, Lula cobrou reciprocidade: “Se quiserem combater o crime organizado, não precisa pedir ajuda para ninguém. Quer combater o crime organizado? Me entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública alerta para a decisão dos EUA

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em nota oficial, manifestou preocupação com o modo como a temática foi capturada pela disputa eleitoral. Para o FBSP, a medida anunciada por Washington é uma decisão soberana dos EUA, mas lamentável sob a ótica estratégica brasileira. A entidade alertou que o apoio à medida por parte de setores políticos demonstra uma visão reducionista, descolada da necessidade de ações complexas contra a lavagem de dinheiro, o uso de criptoativos e o controle de setores como o de fintechs e bets, que são as verdadeiras veias financeiras do crime organizado moderno. O Fórum reforçou que o Brasil e os EUA possuem um histórico consolidado de cooperação policial que deve ser mantido, porém, sem abrir mão das prerrogativas soberanas do país na condu ção de sua política de segurança. Em nota oficial, o governo brasileiro enfatiza que o Brasil defende uma postura de equilíbrio diplomático baseada no respeito à integridade territorial.

Ao encerrar sua fala, Lula reiterou que o combate ao crime organizado é uma prioridade do seu mandato e que a cooperação internacional é bem-vinda quando pautada na reciprocidade, descartando qualquer tentativa de tratar o Estado brasileiro como submisso a agendas alheias.

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