Ataque de Milei ao Brasil aumenta isolamento de
Flávio Bolsonaro
Presidente argentino desrespeitou o povo brasileiro
e as instituições da República, atuando como linha auxiliar de Trump nas
agressões à soberania do país
Editorial do 'Vermelho'
A presença do presidente da Argentina, Javier Milei, na esvaziada convenção do Partido Liberal (PL) teve efeito contrário ao esperado pela candidatura de extrema direita de Flávio Bolsonaro. Ele atacou as instituições brasileiras e, de forma pessoal e institucional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Milei mirou em Lula e no STF, mas acertou, em cheio, a candidatura de seu anfitrião.
Conforme manifestação do Ministério das Relações Exteriores, o episódio
é lamentável e inédito, destacando que não há precedentes de um chefe de Estado
estrangeiro em território nacional assacar insultos contra as instituições e o
povo brasileiro.
O embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, foi chamado de volta
a Brasília para consultas. E o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi,
recebeu uma manifestação formal de protesto do governo brasileiro. Houve também
manifestações de repúdio de juristas e magistrados. No Congresso Nacional,
parlamentares protocolaram um projeto para declarar Milei persona non
grata no Brasil.
Segundo o jornal argentino La Nación, “dezenas de
diplomatas, ex-funcionários e especialistas em relações internacionais, tanto
da ativa quanto aposentados, de ambos os países, não têm dúvidas de que a maior
crise diplomática do último meio século entre Argentina e Brasil acaba de ser
desencadeada”. O jornal Clarin disse “o conflito rompe uma
tradição histórica de dar prioridade ao bom relacionamento”.
A atitude de Milei se insere na atmosfera criada pelo governo dos
Estados Unidos com as causas alegadas para o tarifaço de Donald Trump, aberta
ingerências em decisões das instituições democráticas do país, e ataques a
autoridades, além da recente ameaça ao processo eleitoral brasileiro com a
tentativa de Washington de enviar representantes para questionar a integridade
das urnas eletrônicas.
Outra ação de Trump contra o Brasil foi a prorrogação, por mais um ano,
da chamada “emergência nacional”, declarada contra o Brasil, mantendo em vigor
a “ordem executiva”, lei que autoriza o presidente estadunidense a adotar
medidas econômicas em situações consideradas de emergência, que não requer
aprovação do Congresso. O documento classifica o Brasil como uma ameaça
“incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à
economia dos Estados Unidos.
O presidente da Argentina contou com essa cobertura para disparar sua
metralhadora giratória, na verdade um espetáculo de fanfarronice. Ele também
aspira ser uma espécie de vice-rei da América do Sul, o principal protagonista
da extrema direita na região. Suas diatribes vêm de sua ideologia, mas a
cobertura de Trump é determinante.
Milei repetiu a verborragia neofascista do secretário de Estados dos
Estados Unidos, Marco Rubio, que liderou a “Reunião Ministerial sobre o
Ressurgimento do Terrorismo Político”, organizada pelo governo Trump no dia 16
de julho de 2026, em Washington, reunindo representantes de mais de 60 países
para debater e coordenar ações contra o que ele classificou como “terrorismo
político de extrema-esquerda”.
O pano de fundo é a chamada nova estratégia de segurança nacional de Trump,
centrada no lema America First (os Estados Unidos em primeiro
lugar) e na retomada da Doutrina Monroe, no combate rígido à imigração e na
pressão sobre a alegada influência da China no Hemisfério Ocidental.
Ou seja: quem não se curvar a Washington é classificado como
“comunista”, o inimigo a ser combativo e destruído, manobra para tentar
encobrir o receituário neocolonial e reciclar os ditames do neoliberalismo.
Obviamente que não é possível impor essa agenda num ambiente regido pela
democracia. Daí o projeto de instituir governos autoritários para impor esse
receituário com mão de ferro.
Flávio Bolsonaro é o principal responsável por essa pantomima de Milei.
O governador paulista Tarcísio de Freitas é corresponsável. O presidente
argentino esteve com ele no Palácio dos Bandeirantes para receber a Ordem do
Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo estado de São Paulo. Outra
manifestação de extrema direita se deu com a mensagem do genocida Benjamin
Netanyahu, que enviou um vídeo apoiando a candidatura de Flávio Bolsonaro.
As dificuldades do candidato da extrema-direita para ganhar votos da
direita não bolsonarista, e mesmo de setores intermediários entre a sua
candidatura e a de Lula, aumentaram. A ampla repercussão negativa da
performance do bufão Milei se soma ao seu isolamento político, decorrência de
sua lista de escândalos de corrupção e envolvimento com o crime organizado,
além do vergonhoso conluio com o governo Trump para sabotar a economia e a
democracia do Brasil.
A atitude de Milei é mais uma evidência de que reeleger o presidente
Lula é decisivo para a defesa para a defesa da pátria e do futuro do povo
brasileiro. De grande relevância também à causa da democracia e da soberania
nacional dos países da América Latina e Caribe.
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Leia também: "A soberania
nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html

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