04 fevereiro 2017

Uma crônica para descontrair

EXIGÊNCIAS DA VIDA MODERNA
Luis Fernando Verissimo

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro. E uma banana pelo potássio. E também uma laranja pela vitamina C.
Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes.
Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.
Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos (que ninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão).
Cada dia uma Aspirina, previne infarto.
Uma taça de vinho tinto também. Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.
Um copo de cerveja, para… não lembro bem para o que, mas faz bem.
O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e tiver um derrame, nem vai perceber.
Todos os dias deve-se comer fibra. Muita, muitíssima fibra. Fibra suficiente para fazer um pulôver.
Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente.
E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada. Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia… E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.
Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fio dental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.
Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você vai passar ali várias horas por dia.
Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito por dia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito.
As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meia hora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e comece a voltar, ou a meia hora vira uma).
E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidar delas quando eu estiver viajando.
Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais por dia para comparar as informações.
Ah! E o sexo! Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina. Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo – e nem estou falando de sexo tântrico.
Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos e espero que você não tenha um bichinho de estimação.
Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmo tempo!
Por exemplo, tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os dentes.
Chame os amigos junto com os seus pais.
Beba o vinho, coma a maçã e a banana junto com a sua mulher… na sua cama.
Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.
Agora tenho que ir.
É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro. E já que vou, levo um jornal… Tchau!
Viva a vida com bom humor!!!

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02 fevereiro 2017

Marisa, presente!

Pesar pela morte de Marisa Letícia, que muito mais do que a esposa de Lula sempre foi militante pelos direitos da classe trabalhadora.

Ousadia tática

Batalha pontual de enorme relevância
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato 

- Por que envolver o PCdoB na eleição das mesas da Câmara e do Senado, se na complexa conjuntura atual não passam de um detalhe?, pergunta-me um companheiro de muitas lutas e comprovada lealdade.
- Justamente porque não se trata de um simples "detalhe", respondo. 
- Em que podem ajudar Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, se ambos são governistas?, ele insiste.
- O essencial, nesse caso, não é se são governistas ou não. Na atual correlação de forças, em ambas as Casas, impossível ter um candidato à presidência oriundo da oposição com chances de vencer. 
E sigo argumentando que o cumprimento do Regimento e o respeito ao exercício da oposição são indispensáveis precisamente neste momento tão adverso. Entre Rodrigo e Eunício e candidatos do "centrão", inspirados nas concepções e práticas de Eduardo Cunha, há uma diferença enorme.
Aliás, João Amazonas sempre nos advertia que em política não se pode colocar sinal de igualdade entre entidades ou personalidades distintas, ainda que do mesmo campo político. Sob pena se nos rendermos a uma compreensão esquemática e mecanicista da luta política, de consequências nefastas.
O fato irrecusável é que as representações de esquerda e progressistas na Câmara e no Senado hoje estão reduzidas a uma aguerrida, mas frágil minoria.
Simplesmente "marcar posição" e protestar nos microfones leva a nada - ou, talvez, a agravar mais ainda a possibilidade de se travar no parlamento, com alguma chance pelo menos de obstrução, a batalha contra as reformas antipopulares e demais proposições regressivas de conquistas e de direitos e lesivas à soberania do país, encetadas por Temer e seu bando.
A posição do PCdoB sobre a eleição das Mesas das duas Casas legislativas é clara: “trata-se de uma batalha importante que a resistência democrática trava, num quadro político de defensiva estratégica e tática, sob uma relação de forças amplamente favorável ao campo conservador.”
São batalhas pontuais, que se inserem no quadro geral da resistência, na qual se impõe a tarefa de “agregar amplas forças sociais, políticas, econômicas, e uni-las numa Ampla Frente Democrática, para o combate sem tréguas o governo golpista.”
Passo ao amigo o texto da nota da direção nacional do PCdoB sobre o assunto. Ele volta à carga, agora sublinhando passagens e considerando meus argumentos. E observa, com perspicácia, que enfim compreende que os comunistas, calejados ao longo da História, de há muito aprenderam a travar a batalha em todas as trincheiras, conforme se apresentam.
- Lembra da eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral criado pela ditadura militar para se perpetuar?
- Lembro, sim.
- Pois não vacilamos – e o objetiva tinha uma dimensão crucial - em derrotar a ditadura mesmo em eleições indiretas porque na ocasião foi a trincheira que se apresentou viável, uma vez inviabilizado o pleito direto.
Grupos à “esquerda” então nos atacaram duramente. É que o primarismo político jamais entenderá isso – mesmo que se beneficie dos resultados depois.

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01 fevereiro 2017

No Facebook

ENTRE MINHAS CONVICÇÕES, O BOM DEBATE E A INTOLERÂNCIA 
Aqui e em outros canais de diálogo, inclusive reuniões e debates públicos de que participo, o exercício da crítica e da discordância é sempre muito bem-vindo. Traduz a democracia e a liberdade de discussão por que tanto lutamos. Entretanto, quando ao invés da manifestação consciente, franca e respeitosa alguém utiliza termos depreciativos em relação ao meu Partido, o PCdoB, ou a outras correntes políticas do campo democrático e progressista, ou a mim  ou outras pessoas, me frustro. Quem assim se comporta não viveu a ditadura militar, ou se a viveu o fez alienada e sem perceber as reais implicações da ausência de liberdade. Mostra  absoluto despreparo para a polêmica mutuamente respeitosa e para a construção coletiva das ideias. São pessoas que lamentavelmente navegam na onda de sectarismo e de intolerância que varre o país, sobretudo nas redes sociais, em grande parte semeada pela direita mais extremada. Mas cabe manter a serenidade. Como ensina o adágio popular, "quem sabe o que quer tem que ter a paciência de ouvir o que não quer". Ou ainda como sugeria Ernesto Che Guevara: "Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás."
A tod@s, indiscriminadamente, meu abraço fraternal.

Luciano Siqueira

O PCdoB e as Mesas da Câmara e do Senado

PCdoB: Defender a democracia, fortalecer a resistência
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) reunida nesta segunda-feira (30), em Brasília-DF, debateu sobre o cenário político nacional e aprovou resolução política intitulada "Defender a democracia no Congresso para fortalecer a resistência". 
Para os comunistas, as eleições da mesa diretora no Congresso são batalhas pontuais e o caminho da bancada parlamentar será de resistência ao retrocesso nos direitos sociais, no combate ao golpe e contra às reformas neoliberais do governo ilegítimo.

Segundo o PCdoB, o grande desafio no início deste ano é "agregar amplas forças sociais, políticas, econômicas, e uni-las numa Ampla Frente Democrática, para o combate sem tréguas o governo golpista."

Segue a íntegra da resolução abaixo:

Defender a democracia no Congresso para fortalecer a resistência

O Brasil nas primeiras semanas de 2017, às vésperas da retomada dos trabalhos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário, segue marcado pela irremediável instabilidade política e pela persistente crise institucional, derivadas do golpe parlamentar.

Todavia, desde a virada do ano, o usurpador da cadeira presidencial, Michel Temer, tenta – com o apoio do consórcio político, empresarial, midiático, jurídico que consumou o golpe – dar sobrevida ao governo ilegítimo até 2018. Para isso, procurará dar seguimento em ritmo acelerado, tal como foi no ano passado, à aprovação e à efetivação da agenda ultraliberal do golpe.

Governo golpista quer entregar duas joias cobiçadas pelo “mercado”

Assim, depois da PEC-55 – que acabou com as dotações orçamentárias obrigatórias para a Educação e a Saúde, para assegurar os ganhos astronômicos dos rentistas –, e depois do ataque ao regime de partilha do pré-sal que abriu caminho para a entrega dessa grande riqueza às multinacionais, Temer promete entregar agora duas joias há muito cobiçadas pelo “mercado”: as chamadas Reformas da Previdência e Trabalhista.

Na verdade, são contrarreformas que visam a cortar ou a reduzir direitos dos aposentados e daqueles que irão se aposentar e, do mesmo modo, eliminar ou restringir históricos direitos trabalhistas assegurados pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Mutilação da democracia e recessão econômica

A democracia, já mutilada pelo golpe, continua sendo desfigurada. A repressão policial se abate sobre qualquer iniciativa da luta social em defesa dos direitos. No âmbito dessa ofensiva antidemocrática, o Senado Federal já aprovou emendas constitucionais que, se confirmadas pela Câmara dos Deputados, resultarão na exclusão das minorias no Congresso Nacional e nas demais casas legislativas. Seria extirpar o pluralismo político e partidário, transformando o Congresso num espaço exclusivo de algumas legendas, a maioria conservadora.

Pela parte do acordo já cumprida, banqueiros, grandes empresários e a grande mídia blindam o governo Temer – como se vê na catastrófica crise do sistema prisional – e forjam bons prognósticos, apontando uma luz no fim do túnel, que somente eles enxergam, pois a economia patina na estagnação e a insegurança jurídica e a instabilidade política travam a retomada dos investimentos e da produção.

O desemprego bate recordes e, pela primeira vez em 20 anos, o salário-mínimo será reajustado abaixo da inflação.

Acelera-se, freneticamente, o processo desnacionalização da economia brasileira, quer seja pelos efeitos da recessão, quer seja pelas consequências danosas da Operação Lava Jato sobre as grandes empresas da engenharia nacional.

Novos lances da crise institucional

Citado 43 vezes somente por um diretor da Odebrecht, Temer, se movimenta, freneticamente, em busca da sobrevivência. Diante da vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), com a morte do ministro Teori Zavascki, ele foi forçado a reconhecer a óbvia e humilhante condição de “inapto” para indicar, de imediato, o substituto de Teori. Vai esperar o Supremo escolher o novo relator dos processos da Lava Jato, para depois indicar o nome do novo ministro.

Fica uma vez mais patente a crise institucional, marcada por um Executivo e um Legislativo fracos, com a ascendência de setores do Poder Judiciário, do Ministério Público Federal, que atuaram para a consumação do golpe parlamentar, utilizando seletiva e oportunisticamente a necessária luta contra a corrupção.

Particularmente, o Poder Legislativo é pressionado para abdicar de suas prerrogativas constitucionais, e a se curvar às investidas do Poder Judiciário – como foi o caso, no ano passado, da “invasão” do Senado Federal, por decisão de um juiz de primeira instância, e também dos ataques que a Câmara dos Deputados recebeu por repelir, corretamente, a tentativa de retirar da sociedade direitos, camuflada no chamado Pacote Anticorrupção, elaborado por um grupo de procuradores.

Eleições das mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal

É exatamente no contexto acima descrito de ofensiva do governo golpista contra o Brasil e o povo, de sufocamento crescente da democracia no âmbito das instituições e da sociedade, que se realizarão, nos próximos dias, as eleições das mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

O PCdoB, em debate com sua bancada parlamentar federal, estabeleceu diretrizes que norteiam a tomada de posição e o voto que será pronunciado por suas lideranças, nas duas Casas.

Para o PCdoB, trata-se de uma batalha importante que a resistência democrática trava, num quadro político de defensiva estratégica e tática, sob uma relação de forças amplamente favorável ao campo conservador.

Todavia, mesmo sob essa adversidade, a resistência não pode, nesta disputa, se resvalar para o isolamento, pois isto a imobilizaria.

O golpe expurgou a esquerda do governo federal, do Poder Executivo, mas não pode expulsá-la do Poder Legislativo. Mas é de interesse do governo ilegítimo restringir ao máximo a voz e a atuação dos partidos e parlamentares progressistas. Tal como aconteceu na Câmara dos Deputados durante a presidência do golpista Eduardo Cunha, quando o regimento foi rasgado, as pautas foram impostas, votações foram refeitas casuisticamente e o acesso do povo à Casa foi várias vezes bloqueado.

No Parlamento, espaço institucional que lhe resta, é dever da resistência democrática lutar pelos direitos de representação e atuação, oriundos dos votos do povo. Tais espaços e direitos são para melhor combater e resistir, melhor batalhar pela restauração da democracia.

Neste quadro, é preciso explorar o contencioso que existe na base parlamentar do golpe e se apoiar também na repulsa de setores das bancadas que compõem o Congresso Nacional aos ataques contra as prerrogativas do Poder Legislativo.

Essa movimentação, na ótica do PCdoB, se impõe para tentar assegurar condições mínimas de atuação à minoria parlamentar que compõe a resistência democrática que passa pelo respeito aos ritos, ao regimento e à pluralidade partidária do parlamento.

Não há pacto com o golpismo, nem conciliação, como dissemina a grande mídia, para deliberadamente fomentar a cizânia no seio da resistência.

Estamos, e assim prosseguiremos, como desde a primeira hora, com os pés na trincheira da resistência. A bancada do PCdoB mantém sua conduta resoluta de combate ao golpe, às contrarreformas neoliberais.

O voto do PCdoB será um voto público, transparente, pontual a uma candidatura que, pelas circunstâncias da disputa, seja contingenciada a se comprometer com o respeito à atuação das bancadas das minorias, com o regimento das Casas, com a defesa do Poder Legislativo. O PCdoB apresenta, também, à mesa do diálogo a defesa do pluralismo político contra a exclusão das minorias do parlamento, por uma reforma política democrática.

O objetivo, portanto, é arrancar do campo adversário, que não é coeso, quaisquer brechas que sejam, para que a esquerda possa atuar com alguma condição. Conquistas ainda que pequenas criam melhores condições para se enfrentar as contrarreformas neoliberais.

A prática revolucionária ensina que êxitos, mesmo que modestos, em duras circunstâncias que emergem de grandes derrotas, não podem ser menosprezados.

Por isto, o PCdoB considera que, nesta batalha, marcar posição não é melhor caminho.

Com base nesta ótica, o PCdoB tem dialogado com os partidos e parlamentares que compõem o campo democrático e popular, e respeitado as diferenças de opinião que há sobre a questão.

Contudo, regido pela leitura política que faz deste episódio, o Partido se movimenta com independência e tem conversado com setores mais amplos, entre os quais, o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia que sobre as questões pertinentes à eleição da Mesa tem tido abertura para se comprometer com as diretrizes acima enumeradas.

No Senado Federal, o Partido tem se movimentado com os mesmos parâmetros e tem feito semelhante diálogo com a resistência democrática e, também, com o senador Eunício de Oliveira.

Fora, Temer e Diretas Já

Como foi destacado, embora tenha a importância assinalada, as eleições da mesa das duas Casas tratam-se de batalhas pontuais.

Eventuais divergências que venham a persistir em relação a esse tema não podem ser artificial e maleficamente utilizadas, por quem que seja, para afastar a esquerda brasileira da grande tarefa que a desafia neste início de 2017. Arregimentar, agregar amplas forças sociais, políticas, econômicas, e uni-las numa Ampla Frente Democrática, para o combate sem tréguas o governo golpista.

Para o PCdoB, essa Frente será constituída em torno de um conjunto de bandeiras cujo eixo é Fora, Temer, por eleições diretas para presidente; defesa da democracia, contra o Estado de exceção; defesa dos interesses do Brasil e dos direitos do povo, contra as antirreformas neoliberais.

Brasília, 30 de janeiro de 2017.
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil – PcdoB

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Tudo pelo lucro

Futebol, negócio e paixão
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Ora, amigos – diria Nelson Rodrigues -, é “óbvio ululante” que o futebol hoje é um grande negócio!
Sim, além de um negócio que movimenta trilhões, em transações suspeitas ou não, há muito trata a paixão espontânea dos torcedores apenas como variável mercadológica.
No capitalismo, tudo termina virando mercadoria – como ensina Marx em “O Capital” -, inclusive a paixão de cada um pelo seu clube favorito.
Assim, esse grande negócio se enquadra nas condições impostas pela globalização como hoje se apresenta.
E é disso que se trata na polêmica gerada pela mudança de escudo da Juventus, de Turim. O que me leva a associar a minha insatisfação quanto à profusão de logomarcas nas camisas dos nossos times.
Tenho o hábito de trazer para o neto Pedro camisas de times de expressão em lugares que visito, em viagens dentro e fora do país. Em Belém, por exemplo, rodei muito para encontrar uma do Clube do Remo com apenas dois anúncios publicitários se superpondo ao escudo. Do Payssandu não encontrei uma sequer.
O mesmo me ocorreu em Santiago do Chile, onde a muito custo achei uma camisa do Colo Colo e em Lisboa, meio que esquecida num canto em loja de shopping, uma “camisola” do Bemfica parcialmente livre de propaganda.
O chamado marketing esportivo impõe a muitas logomarcas nas camisas, calções e até meiões, fontes de renda extra para os clubes convertidos em empresas, ou quase.
Creio que pela primeira vez em que tomei conhecimento desse expediente foi através de reportagem da extinta Manchete Esportiva, que exibia fotos de um dos times da França – o Lion, se não me engano – com a logomarca das canetas Bic. Um espanto, na ocasião: como se permitia que o sagrado uniforme do nosso time poderia ser maculado com propaganda comercial!
O fato é que com o correr dos anos e com conversão do futebol num poderoso segmento da economia do entretenimento, vale tudo para recuperar os milhões investidos.
Vale até mudar o escudo do time, para amoldá-lo à moderna comunicação visual. Como faz agora, pela nona ou décima vez, a Juventus, da Itália.
Com uma novidade, sob protestos de boa parte dos torcedores, que se sentem lesados por não terem sido consultados: no lugar do escudo, um logo formado por duas letras “j”.
Argumentam os insatisfeitos que as cores e o escudo do time são símbolos sagrados, que tocam fundo no imaginário da multidão de adeptos e, portanto, devem ser venerados, jamais corrompidos.
Mas prevalece a decisão do grupo empresarial proprietário do time.
E daqui da província, sinto-me solidário com os revoltados torcedores da “juve”, embora não alimente nenhuma simpatia pelo time do Turim.
Afinal, se a globalização em termos de redistribuição de unidades produtivas e do fluxo de informações e de capitais é fato inexorável, que pelo menos se respeite a emoção de quem gosta de ver a bola rolar no que antigamente se chamava “tapete verde”, hoje dito solo da arena multiuso...

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Contradições e desafios

Duas pedras no caminho
Luciano Siqueira

Na luta política, dois erros crassos são recorrentes: a leitura “voluntarista” da realidade e o desrespeito a opções discrepantes adotadas por aliados.

Em consequência, ocorrem derrotas e se fragilizam as possibilidades de recuperação do terreno perdido.

É o que acontece na atual fase de vacas magras que atinge duramente as forças políticas de esquerda e do campo progressista.

Ora, se sofremos uma derrota histórica e de cunho estratégico — um ciclo de transformações que durava 12 anos foi interrompido —, do que menos se precisa nesse instante é de arroubos hegemonistas, bravatas e presunção de verdade absoluta.

A recomposição das forças momentaneamente derrotadas há que acontecer no curso da resistência ao golpe institucional e às políticas regressivas; e implica compreensão exata da correlação de forças real e, portanto, percepção aguda do que é possível, no sentido da acumulação de forças para uma contraofensiva futura.

É o que traduz a aspiração a uma ampla frente de defesa da democracia, de direitos e conquistas ameaçados e da retomada do crescimento econômico em bases soberanas, com valorização do trabalho e inserção social.

Proposições e “fórmulas” experimentadas na conjuntura anterior não cabem na realidade atual.
Forças que exerceram, com méritos, papel destacado podem ou não cumprir desempenho semelhante agora. É a roda da vida – e da luta política.

O fato é que, com o impeachment da presidenta Dilma, um ciclo foi interrompido e outro ciclo, de natureza diametralmente oposta tem lugar.

Compreender o que se passa é indispensável. Abertura, flexibilidade e, sobretudo, respeito às opiniões das demais correntes políticas do campo progressista são pressupostos do bom diálogo, efetivamente produtivo.

Em nada ajuda a postura de metralhadora giratória, destinada a atingir indiscriminadamente adversários e aliados.

Muito menos ajuda rotular este ou aquele partido, grupo ou personalidade. Vale a posição de cada um em relação a agenda atual e, com base nela, a busca de pontos de convergência que se superponham a divergências circunstanciais.

Às correntes políticas de matiz popular cabe, nesse sentido, uma responsabilidade estratégica, em razão do papel histórico que têm a cumprir.

E na História não há registro de transformações sociais de envergadura sem a conjugação de forças heterogêneas e sem alianças tão avançadas quanto possíveis.

Fora disso, resta a inconsequência.


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