A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
03 novembro 2018
02 novembro 2018
Imagem borrada
“De
fora, vê-se um país cuja democracia está muito ameaçada”
Daniel
Buarque, pesquisador da imagem global do Brasil, alerta para a percepção
negativa em relação a Jair Bolsonaro
Por
Gabriel Bonis, CartaCapital
A
eleição de Jair Bolsonaro provocou reações negativas em grande parte da mídia
internacional. O jornal francês Le Monde definiu
a vitória como a vingança do "brasileiro médio”. O alemão Der Spiegel considerou o ex-capitão uma
ameaça à democracia.
Mas como a imagem do presidente eleito pode afetar o País no exterior? “O presidente é uma figura importantíssima para a imagem internacional de uma nação. Basta ver o quanto a reputação global dos EUA piorou sob Donald Trump. Isso deve afetar o Brasil de forma semelhante. Com a diferença de que o Brasil não tem o poder militar e econômico dos EUA. O Brasil depende muito mais do soft power para poder avançar seus interesses em política externa”, explica Daniel Buarque, doutorando em Relações Internacionais pelo King's College London, onde pesquisa como a percepção internacional do Brasil afeta as relações exteriores.
“É importante ressaltar que imagem não é apenas uma questão de vaidade nacional. A percepção que outros Estados têm do Brasil (e de seu governo) tem grande relevância nas negociações internacionais. O governo de Dilma era muito mal visto por empresas, investidores e o mercado internacional de forma geral. Isso afetou fortemente a atração de capital estrangeiro”, diz o autor do livro “Brazil, um país do presente - A imagem internacional do ‘país do futuro’.”
CartaCapital: Como a eleição de Jair Bolsonaro afetou a imagem internacional do Brasil?
Daniel Buarque: A reação imediata é de que o País se juntou a uma onda de populismo nacionalista em crescimento no mundo. O Brasil tem sido visto como ligado à realidade dos EUA sob Donald Trump, das Filipinas sob Rodrigo Duterte e da Turquia de Recep Erdoğan. De fora, vê-se um país cuja democracia está muito ameaçada. Isso não tem um efeito tão imediato sobre a imagem do Brasil como um todo (os estereótipos tradicionais de praia e de festa, mas não muito sério para trabalho e economia) e até se alinha um pouco à ideia comum no exterior de que se trata de um país politicamente instável e dado a rupturas em seu sistema. No longo prazo, entretanto, o efeito pode ser bem drástico. Isso porque, mesmo sem tratar exatamente da imagem do País, a percepção sobre Bolsonaro no exterior é a pior possível. A mídia estrangeira, analistas, acadêmicos e artistas no exterior se posicionaram de forma praticamente unânime contra ele, descrevendo-o como um populista de extrema-direita capaz de alguns dos comentários mais absurdos saídos da boca de um político.
CC: É possível que a percepção negativa em torno do presidente eleito afete as relações do Brasil com outros países?
DB: Sim. O presidente é uma figura importantíssima para a imagem internacional de um país como o Brasil, e também para as relações internacionais. No caso da imagem, basta ver o quanto a reputação global dos EUA piorou sob Trump. Isso muito provavelmente vai afetar o Brasil de forma semelhante. Com a diferença de que o Brasil não tem poder militar e econômico como os EUA. O Brasil depende muito mais do soft power, da imagem, para poder avançar seus interesses em política externa. Então é provável que a eleição de Bolsonaro atrapalhe o País no exterior. Logo de cara, é só ver como as relações com a Argentina estão se estremecendo depois das declarações de Paulo Guedes contra o Mercosul. Ou se pensarmos no fato de que alguns setores falam em ação contra a Venezuela de Maduro. Isso tudo pesa contra a forma como o Brasil se coloca historicamente em política externa, e pode afetar seu posicionamento. Por outro lado, o perfil populista nacionalista de Bolsonaro pode aproximar o país de outros de perfil semelhante, como os EUA de Trump.
CC: A imagem de um presidente costuma ter impacto relevante na imagem de um país? Como lidar com isso?
DB: Sim, a imagem do presidente afeta, positiva e negativamente. Os EUA são ótimo exemplo. O ex-presidente Barack Obama era muito respeitado no exterior. Ele melhorou a percepção e a reputação internacional do país após um governo de George W. Bush muito pouco popular no resto do mundo. Trump desfez tudo isso rapidamente. De forma semelhante, no caso do Brasil, o ex-presidente Lula, chamado de "o cara" por Obama, estava muito associado à ascensão brasileira no fim da década passada, com grande popularidade (positiva) internacionalmente. Desde o governo Dilma isso se perdeu um pouco, mas sem necessariamente piorar a imagem do País. No caso de Temer e de Bolsonaro, a tendência é claramente de piora. Nesse contexto, é importante ressaltar que imagem não é apenas uma questão de vaidade nacional. A percepção que outros Estados têm do Brasil (e de seu governo) tem grande relevância nas negociações internacionais do país e nos negócios. O governo de Dilma era muito mal visto por empresas, investidores e o mercado internacional de forma geral. Isso afetou fortemente a atração de capital estrangeiro. Bolsonaro ganhou a eleição impulsionado em parte por um mercado que rejeitava o PT e queria reformas na economia. Assim que ganhou, entretanto, percebe-se uma mudança no tom dos investidores, que não confiam nele, não acham sua retórica positiva, e preferem aguardar. Além disso, imagem também conta para a política externa, para atrair grandes eventos e para negociações internacionais. O Brasil sonha há décadas com um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Se deixar de ser visto como uma democracia estável, esse objetivo fica mais longe.
Mas como a imagem do presidente eleito pode afetar o País no exterior? “O presidente é uma figura importantíssima para a imagem internacional de uma nação. Basta ver o quanto a reputação global dos EUA piorou sob Donald Trump. Isso deve afetar o Brasil de forma semelhante. Com a diferença de que o Brasil não tem o poder militar e econômico dos EUA. O Brasil depende muito mais do soft power para poder avançar seus interesses em política externa”, explica Daniel Buarque, doutorando em Relações Internacionais pelo King's College London, onde pesquisa como a percepção internacional do Brasil afeta as relações exteriores.
“É importante ressaltar que imagem não é apenas uma questão de vaidade nacional. A percepção que outros Estados têm do Brasil (e de seu governo) tem grande relevância nas negociações internacionais. O governo de Dilma era muito mal visto por empresas, investidores e o mercado internacional de forma geral. Isso afetou fortemente a atração de capital estrangeiro”, diz o autor do livro “Brazil, um país do presente - A imagem internacional do ‘país do futuro’.”
CartaCapital: Como a eleição de Jair Bolsonaro afetou a imagem internacional do Brasil?
Daniel Buarque: A reação imediata é de que o País se juntou a uma onda de populismo nacionalista em crescimento no mundo. O Brasil tem sido visto como ligado à realidade dos EUA sob Donald Trump, das Filipinas sob Rodrigo Duterte e da Turquia de Recep Erdoğan. De fora, vê-se um país cuja democracia está muito ameaçada. Isso não tem um efeito tão imediato sobre a imagem do Brasil como um todo (os estereótipos tradicionais de praia e de festa, mas não muito sério para trabalho e economia) e até se alinha um pouco à ideia comum no exterior de que se trata de um país politicamente instável e dado a rupturas em seu sistema. No longo prazo, entretanto, o efeito pode ser bem drástico. Isso porque, mesmo sem tratar exatamente da imagem do País, a percepção sobre Bolsonaro no exterior é a pior possível. A mídia estrangeira, analistas, acadêmicos e artistas no exterior se posicionaram de forma praticamente unânime contra ele, descrevendo-o como um populista de extrema-direita capaz de alguns dos comentários mais absurdos saídos da boca de um político.
CC: É possível que a percepção negativa em torno do presidente eleito afete as relações do Brasil com outros países?
DB: Sim. O presidente é uma figura importantíssima para a imagem internacional de um país como o Brasil, e também para as relações internacionais. No caso da imagem, basta ver o quanto a reputação global dos EUA piorou sob Trump. Isso muito provavelmente vai afetar o Brasil de forma semelhante. Com a diferença de que o Brasil não tem poder militar e econômico como os EUA. O Brasil depende muito mais do soft power, da imagem, para poder avançar seus interesses em política externa. Então é provável que a eleição de Bolsonaro atrapalhe o País no exterior. Logo de cara, é só ver como as relações com a Argentina estão se estremecendo depois das declarações de Paulo Guedes contra o Mercosul. Ou se pensarmos no fato de que alguns setores falam em ação contra a Venezuela de Maduro. Isso tudo pesa contra a forma como o Brasil se coloca historicamente em política externa, e pode afetar seu posicionamento. Por outro lado, o perfil populista nacionalista de Bolsonaro pode aproximar o país de outros de perfil semelhante, como os EUA de Trump.
CC: A imagem de um presidente costuma ter impacto relevante na imagem de um país? Como lidar com isso?
DB: Sim, a imagem do presidente afeta, positiva e negativamente. Os EUA são ótimo exemplo. O ex-presidente Barack Obama era muito respeitado no exterior. Ele melhorou a percepção e a reputação internacional do país após um governo de George W. Bush muito pouco popular no resto do mundo. Trump desfez tudo isso rapidamente. De forma semelhante, no caso do Brasil, o ex-presidente Lula, chamado de "o cara" por Obama, estava muito associado à ascensão brasileira no fim da década passada, com grande popularidade (positiva) internacionalmente. Desde o governo Dilma isso se perdeu um pouco, mas sem necessariamente piorar a imagem do País. No caso de Temer e de Bolsonaro, a tendência é claramente de piora. Nesse contexto, é importante ressaltar que imagem não é apenas uma questão de vaidade nacional. A percepção que outros Estados têm do Brasil (e de seu governo) tem grande relevância nas negociações internacionais do país e nos negócios. O governo de Dilma era muito mal visto por empresas, investidores e o mercado internacional de forma geral. Isso afetou fortemente a atração de capital estrangeiro. Bolsonaro ganhou a eleição impulsionado em parte por um mercado que rejeitava o PT e queria reformas na economia. Assim que ganhou, entretanto, percebe-se uma mudança no tom dos investidores, que não confiam nele, não acham sua retórica positiva, e preferem aguardar. Além disso, imagem também conta para a política externa, para atrair grandes eventos e para negociações internacionais. O Brasil sonha há décadas com um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Se deixar de ser visto como uma democracia estável, esse objetivo fica mais longe.
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Tirando a máscara
Alguém
precisa perguntar a Moro sobre constrangimento
Jornal GGN
Sergio Moro
aceitou o cargo de ministro da Justiça do governo Bolsonaro, nesta quinta (1º),
como se fosse um "jovem
recebendo um diploma". Emitiu uma nota oficial justificando
a escolha pessoal e afirmou nela que só irá se manifestar, novamente, em uma
futura coletiva de imprensa. Alguém precisa perguntar à estrela da Lava Jato,
na oportunidade, se ele não se sente constrangido.
Moro,
certa vez, disse à imprensa que o crime de caixa 2 é o pior que corrupção
passiva ou ativa, em sua opinião, pois se trata de uma violência à democracia.
Afirmou isso dentro do contexto da escalada contra o PT, que teria lançado mão
deste artifício para se perpetuar no comando do País.
Nem
uma palavra foi dita por Moro, entretanto, desde que a Folha de S. Paulo surgiu
com o escândalo do caixa 2 no WhatsApp. Por conta das suspeitas, a campanha de
Bolsonaro já é investigada e será julgada pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Moro, com seu ideal de implantar uma agenda anticorrupção e contra o crime
organizado, correu para a raia de Bolsonaro APESAR das suspeitas de caixa 2. A
investigação por caixa 2 não seria, no mínimo, um constrangimento?
Também
seria apesar dos ideais de Bolsonaro que o juiz que condenou Lula teria aderido
a um governo de extrema-direita?
Comentarista
da CBN em temas jurídicos, Wálter Maierovitch fez um comentário nesse sentido
em sua última participação na rádio, após Moro ter aceitado o Ministério da
Justiça e Segurança Pública. Ele indagou: "Como que você pode trabalhar
para uma pessoa dessa? Como pode ser subordinado de uma pessoa dessa
[Bolsonaro]? Será que ele [Bolsonaro] representa o Moro?"
E
explicou o que "representa" Bolsonaro: discurso de ódio contra
minorias, idolatria em relação ao regime militar e a torturadores como
Brilhante Ustra, planos de dar às polícias licença para matar, flerte forte com
a pena de morte e armamento da população. Ameaças de forçar exílio ou prisão de
opositores e críticos. Ataques à liberdades individuais e à imprensa.
Será
que isso tudo representa Moro? Nada disso nem o caixa 2 geram uma pontinha que
seja de constragimento? É um pergunta para o juiz responder.
Nas
redes sociais, a primeira-dama da Lava Jato, Rosângela Moro, já deu sua
opinião.
Depois
da vitória de Bolsonaro, ela escreveu no Instagram que estava "feliz"
porque o Brasil está "sob nova direção". No dia 26 de outubro,
publicou: "Eu não tenho medo de mudança. (...) Precisamos de liderança que
não faça loteamento de cargos. Pessoas certas nos lugares certos. (...) O que
cada um faz da sua vida privada e suas escolhas sexuais e religiosas não nos
dizem respeito. Eu poderia ir embora daqui, mas não quero. Eu quero mudança."
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Descobrindo a pólvora
‘CNI reclama que a indústria não pode ficar atrelada a um ministério que está mais preocupado em arrecadar impostos e administrar contas públicas’ [Industriais começam a “cair na real” diante dos primeiros passos do novo presidente da República].
01 novembro 2018
Ensaios iniciais
A lógica
macroeconômica de Paulo Guedes
Luis Nassif,
Jornal GGN
Vamos a um
pequeno balanço das primeiras medidas econômicas anunciadas pela equipe de
Bolsonaro. Não devem ser interpretadas como definitivas, dado o grau de
confusão inicial. Haverá ainda trombadas até que consolidem cargos,
responsabilidades e decisões.
A junção de Agricultura e Meio Ambiente
Um desastre
já alertado pelo próprio agronegócio. Qualquer evidência de desrespeito ao meio
ambiente fechará os mercados europeus aos grãos brasileiros.
O superministério da Fazenda
Gestores
experientes controlam estruturas gigantes descentralizando a gestão e
reforçando a coordenação através de conselhos e follow up.
Gestores
novatos pensam como burocratas de governo, que julgam que o tamanho de sua
influência deve ser medido pela quantidade de setores que controlam
diretamente.
Esperava-se
que depois da revolução da Toyota, nos anos 90, a gestão pública brasileira
tivesse se vacinado contra essas megalomanias.
Delfim Neto
tinha controle absoluto sobre todas as áreas econômicas do governo Médici, sem
precisar comandar cada Ministério. Fernando Collor montou dois Superministérios
com esse mesmo desenho, entregando-os a pessoas totalmente despreparadas – a
Ministra da Economia Zélia Cardoso de Melo e João Santana, sem nenhuma
experiência nem de governo nem de gestão.
A lógica de Paulo Guedes
Duas
observações preliminares:
1.
Uma boa
gestão econômica depende não apenas de bons diagnósticos, mas da capacidade
política e administrativa de gestão.
2.
Paulo Guedes
não é Zélia. É muito mais preparado e muito mais temerário.
3.
A estratégia
que está desenhando, pelas primeiras afirmações que fez, rompe com o tal tripé
econômico – que vem amarrando a economia brasileira desde a gestão Marcílio
Marques Moreira, no governo Collor, passando por FHC, Lula e Zëlia. O tripé
consiste em juros altos, câmbio baixo e aperto fiscal, uma fórmula que ajudou
na desindustrialização precoce da economia brasileira.
Guedes
propõe uma revolução:
1.
Tira do
Banco Central a responsabilidade única de combate à inflação. Com isso, reduz a
influência das metas inflacionárias – o mais potente instrumento criado para
sustentar taxas de juros estratosféricas. O único efeito inflacionário das
metas fiscais consistia em atrair muitos dólares de fora, o que levava a uma
apreciação do câmbio que segurava a inflação e matava a competitividade da
economia.
2.
Além de
tirar das metas inflacionárias a responsabilidade de único instrumento contra a
inflação, Guedes acena com a volta da banca cambial suja – ou seja, com
definição de tetos e pisos. Pelas primeiras declarações, aposta em um real
desvalorizado, com o dólar bem acima dos R$ 4,00. O primeiro efeito do câmbio
desvalorizado será devolver a competitividade à produção interna. Se houver uma
boa resposta da economia, Guedes acena com a possibilidade de redução tributária
nas empresas.
3.
O segundo
efeito será valorizar as reservas em dólares do Banco Central, permitindo
vender parte deles e reduzir a dívida bruta.
4.
A maneira de
atuar seria conceder independência funcional ao Banco Central, mas a
responsabilidade de cumprir as determinações emanadas da Fazenda em relação à
banda cambial e à política monetária. Pode criar uma situação oposta à de hoje,
na qual se tem um Banco Central juridicamente dependente, mas atuando como dono
absoluto das políticas monetária e cambial.
Por aí se
entende sua afirmação de pretender “salvar a indústria apesar dos industriais”.
São ideias
iniciais, sujeitas a chuvas e trovoadas.
Mas tem
lógica.
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Bandeiras erguidas
Imagem: Foca Foto
Estamos atentos, estamos vivos
Luciano Siqueira
Tal como na canção, 'apesar dos
castigos/Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos/Pra nos
socorrer...’
Novo tempo de resistência.
Em muitas dimensões: ha muito que
cuidar para compreender o que se passou e lutar melhor mirando novas vitórias
que haverão de vir.
Cuidar da análise cuidadosa da situação
concreta: a nova correlação de forças inicialmente é francamente adversa.
Cabem passos sensatos, aguerridos mais
comedidos, do tamanho das pernas.
Ir mais abaixo e mais a fundo para
elucidar a realidade e se vincular às grandes massas desguarnecidas de
esperança e de esclarecimento. A maioria votou contra seus próprios interesses
sem disso ter consciência.
Conviver com a disputa precipitada e insana
por uma hegemonia que se quer hereditária, mas está em aberto.
Quem se unirá com quem em favor de quê?
Não haverá escapatória à margem de uma ampla frente em torno de bandeiras
consistentes e associadas às necessidades e aspirações da maioria.
Aos comunistas, parcialmente
vitoriosos, porém amargando a contingência negativa da cláusula de barreira, o
desafio de considerar todas as variáveis que concorrem para redução da sua base
eleitoral — com muita paciência e clarividência autocrítica.
Avançar é necessário e é possível.
Mas não há possibilidades de bem
explorar as posições conquistadas e recuperar terreno onde as coisas não foram
bem subestimando a luta de ideias. Qualificar o debate é necessário.
O golpe agora se institucionaliza
através do voto. Se tentará impor o modelo ultra liberal às custas da redução
de direitos e da ampliação da exclusão de milhões do sistema produtivo.
Se aprofundará o realinhamento externo,
agora francamente a mercê dos ditames norte-americanos.
Se tentará criminalizar a oposição
democrática e os movimentos sociais.
Por isso, como indica o PCdoB, a
resistência é agora em todas as esferas da vida política e social do país: no Congresso Nacional, nas
Assembleias Legislativa e Câmaras Municipais, nos movimentos sociais, as organizações
da classe trabalhadora, segmentos do empresariado, o universo acadêmico, a
intelectualidade, os artistas, o mundo jurídico, setores religiosos, e
inclusive para os integrantes de instituições da República, os governadores e
os prefeitos do campo democrático.
Estamos atentos e
vivos e a luta segue.
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