13 setembro 2026

Urariano Mota opina

11 de setembro de 1973 ou de 2026?
Do golpe de Pinochet às ofensivas contra o STF e as eleições de 2026, a memória do fascismo reaparece como alerta diante das ameaças à democracia brasileira.
Urariano Mota/Vermelho 
 

A pergunta do título não é retórica. A questão é a continuidade histórica entre o golpe fascista de Pinochet  no Chile em 1973 e os dias de hoje. Se não, vejamos.

Há um golpe de Estado contra a democracia e o Presidente Lula neste momento em marcha.  A expressão mais evidente desse fascismo vivo se encontra com o ministro do stf  andré mendonça. E tão pequeno ele é, que só mesmo em minúsculas, porque o golpista apequena tudo em que mete as mãos. Com apoio da mídia do capital e de esquerdistas sectários dos mais míopes, ele parte para implodir o STF. Mas já antes, ele mostrava quem é. Quando ministro da justiça, ele produzir um dossiê contra mais de 570 servidores federais e estaduais de segurança, identificados como membros do “movimento antifascismo”. Olhem só a natureza do crime dos servidores. Desse ministro não se pode dizer que erra os adversários. andré mendonça teve seus dossiês quando ministrinho da justiça, durante o governo de jair bolsonaro, considerados inconstitucionais pelo STF em 2022. A relatora do processo, ministra Cármen Lúcia, chegou a nivelar a produção do dossiê do ministrinho às atividades realizadas durante a ditadura militar brasileira.

Tampouco se pode falar dele que não seja ousado nem possua doses cavalares de cinismo.  Isso jamais do ministrinho poderá ser falado, pois é seu um tamanho mérito. Há pouco, ordenou que suspeitos de desvios no INSS fossem soltos. Agora, tenta alterar a correlação de forças dentro da Corte para abrir caminho a uma anistia que beneficie envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado! Notem que desse modo ele avança contra provas documentadas de crimes tentados contra as mais altas autoridades.

Ele tenta destruir, por exemplo, uma investigação da Polícia Federal que descobriu cinco indivíduos presos (quatro militares e um policial federal) em conversa de 2022 em um aplicativo de mensagens para matar o presidente Lula. E mais o vice, Geraldo Alckmin  e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Todos seriam assassinados juntos, ou em diferentes oportunidades no mesmo dia, como era feito na ditadura militar. Lula seria envenenado com  “utilização de envenenamento ou uso de [produtos] químicos”. No caso de Moraes, seria usado artefato explosivo. Para matar o presidente Lula, consideraram  a sua vulnerabilidade de saúde e ida frequente a hospitais, com a possibilidade de utilização de envenenamento ou uso de químicos para causar um colapso orgânico.

Agora, andré mendonça tenta matar de outra maneira. Os fascistas mudam a máscara, mas não o objetivo.  Eles são formados, para os quartéis e fora,  todos os dias nas escolas militares até hoje. Aqui, numa imagem tão bem criada pelo gênio do cartunista Ral: 

As escolas militares doutrinam, fazem uma verdadeira Escola com Partido à direita, enquanto escondem a história trágica e o papel destruidor de vidas pela Ordem da ditadura militar. Os colégios militares continuam independentes da democracia do Brasil, como se fossem ilhas inexpugnáveis à civilização.

Daí que voltamos à pergunta do título: 11 de setembro de 1973 ou de 2026? Em 11 de setembro de 1973, livros eram queimados por soldados do exército nas ruas do Chile. Em um país de grandes poetas e tradição humanista, a foto do horror escapou do paradoxo, porque ela se fez coerente com o assassinato do poeta Pablo Neruda pela ditadura. E depois, a imagem de livros no fogo era tão simples e pornográfica, ao mesmo tempo de tamanho didatismo sobre a ideologia fascista no seu carbono Pinochet, que um comentário passaria pelo já visto, ao lembrar e repetir ações de Hitler a Franco, todos ótimos queimadores de escritores, livros e inteligência. 

Agora, as tentativas de andré mendonça para mudar o curso das eleições do Brasil. Esta é a razão pela qual os escritores, jornalistas, professores, intelectuais e militantes socialistas devemos esclarecer o que foi, o que é a ditadura, como história, em continuidade histórica e sua ameaça. Todos temos um trabalho de Sísifo, todos os dias levantando a pedra da memória até o alto, e vê-la cair de novo até o chão. E recomeçar, outra vez e sempre, o trabalho e luta contra o fascismo.

Leia também: A praça ainda é do povo? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02118984853.html

Palavra de poeta

O Poço

Pablo Neruda    

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

[Ilustração: Jean-Michel Basquiat]

Leia também "Madrugada", poema de Ferreira Gullar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_0552917227.html 

12 setembro 2026

Minha opinião

A denúncia e o rumo
Luciano Siqueira 

Correto e necessário que se tenha suspendido o sigilo de todos os inquéritos sob a responsabilidade do ministro André Mendonça, que vinha tratando informações reservadas como instrumento de luta golpista. 

Sim, importa que a nação tome conhecimento das diatribes corruptas envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, candidato a Presidente da República pela extrema direita.

A denúncia da corrupção praticada por agentes públicos tem sentido político, é óbvio. 

Lamentável, por outro lado, que a pouco menos de um mês para as eleições essa querela esteja no centro do noticiário de todas as mídias e pouco se discuta as alternativas de rumo para o país consignadas nas propostas de governo dos dois principais contendores — o presidente Lula e o próprio Flávio Bolsonaro.

Por exemplo, uma das questões que põem em campos diametralmente opostos as duas candidaturas: a soberania nacional. 

Lula a coloca como fio condutor da sua plataforma de governo e tema central da campanha eleitoral. 

Mais do que justo e oportuno, sobretudo quando os EUA, através do seu agressivo e tresloucado presidente, Donald Trump, reacende o conceito imperialista de que a América do Sul seria seu quintal.

Flávio Bolsonaro, aliado subserviente do atual presidente norte-americano, foge do tema como o diabo foge da cruz.

Demais, está mais do que comprovado que esta é uma bandeira de luta que emociona e esclarece o eleitorado. 

Cabe à ampla frente democrática e popular reunida em torno do presidente Lula erguer essa bandeira com redobrado vigor no intuito de delimitar campos e reforçar a possibilidade de vitória nas urnas.

Leia também: Campanha eleitoral no 7 de Setembro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01430611910.html 

Postei nas redes

Quanto mais se investiga, mais se revela o lamaçal onde patina o candidato da extrema direita! A sala 2601 do Edifício Connect Towers, em Águas Claras (DF), reúne a Bravo Grafeno, empresa de capacetes de propriedade do senador Flávio Bolsonaro e mais 16 empresas relacionadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, um dos principais personagens da investigação sobre a fraude nos benefícios previdenciários. 

Gol contra de André Mendonça https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01494046490.html 

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Gol contra de André Mendonça https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01494046490.html 

Dica de leitura

Sentido geopolítico dos minerais críticos

Luciano Siqueira      

 

É o tema rumoroso das terras raras, que, a rigor, está apenas começando e a cada dia revela sua verdadeira dimensão.

Faço anotações breves do artigo "A geopolítica dos minerais críticos e o lugar do Brasil e da América do Sul”, de Raphael Padula, publicado no site Contexto Brasil https://contextobrasil.com.br/a-geopolitica-dos-minerais-criticos-e-o-lugar-do-brasil-e-da-america-do-sul/

Padula considera que a disputa por minerais críticos tem peso estratégico na geopolítica mundial contemporânea. São recursos essenciais para a transição energética (como a produção de baterias para veículos elétricos e tecnologias de energia renovável) e para a transformação digital (incluindo semicondutores, infraestrutura de redes e sistemas de armazenamento de dados).

Daí a competição entre grandes potências, notadamente Estados Unidos e China, com implicações sobre regiões ricas em recursos naturais, como a América do Sul.

O que implica riscos para os países da região, mas também abre janelas de oportunidade estratégica.

Uma das razões para que a China venha ampliando a presença na região, inclusive através de investimentos em infraestrutura logística para facilitar o acesso a esses materiais.

Nesse contexto, o Brasil é identificado como um ator de grande relevância devido às suas expressivas reservas de diversos minerais críticos: nióbio, de que o Brasil detém as maiores reservas e a vasta maioria da produção mundial a grafita natural e “terras raras”, possuindo as segundas maiores reservas mundiais de ambos.

Também o manganês e o níquel, com reservas igualmente significativas.

Nesse contexto, devem compor a estratégia brasileira a diversificação de parceiros, a internalização de tecnologia, a coordenação regional.

Leia também: Soberania e autonomia tecnológica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/estado-soberania-nacional.html

Arte é vida

 

Reynaldo Fonseca