26 maio 2026

Enio Lins opina

A esperança em Lula lá e o perigo do bolsonarismo lalau
Enio Lins  

PESQUISA DATAFOLHA divulgada sexta-feira (22) mostrou o presidente Lula com 40% das intenções de voto contra 31% do primogênito do Jair, no 1º turno. Noutra simulação, com a substituição do filho Zero-Um pela esposa Zero-Três, Lula tem 41% e Michelle 22%. Segundo o instituto, Lula ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre Flávio B. O estudo, realizado entre 12 e 14 de maio, mostrou, num segundo turno, Lula com 47% e Flavito 43%. No levantamento anterior, estariam empatados com 45%.

ONTEM, A NEXUS/BTG 
divulgou nova pesquisa, quentinha. Cenário 1 para o 1º turno: “Lula (PT) – 40%; Flávio Bolsonaro (PL) – 35%; Ronaldo Caiado (PSD) – 5%; Romeu Zema (Novo) – 4%; Renan Santos (Missão) – 3%; Joaquim Barbosa (DC) – 2%; Augusto Cury (Avante) – 1%; Cabo Daciolo (Mobiliza) – 1%; Nenhum/branco/nulo – 7%”. A enquete, feita depois do escândalo Bolsonaro/Vorcaro, atestou que 86% dos entrevistados tomaram conhecimento da mutreta Dark Horse. Num 2º turno, em três cenários, os resultados apontaram: Lula 47% contra 43% de Flavito; Lula 49% contra 38% de Zema; Lula 46% contra 40% de Caiado. Abstenções ficaram na casa dos 10%, brancos e nulos na faixa de 2% (ambos marcadores oscilando dentro da margem de erro de 3%). Vale registrar a coerência com os resultados do Datafolha de três dias atrás.

EM TERMOS DE INTENÇÃO
 de voto, considerando a similitude entre duas pesquisas distintas – DataFolha e Nexus/BTG – conferindo 31%/35% no primeiro turno, e 43% no segundo turno para o nome representante do bolsonarismo é, simultaneamente, patético e perigoso. Escandaloso. Pela folha corrida familiar, qualquer nome apresentado como herdeiro político de Jair, o presidiário, deveria alcançar, no máximo 0,44%, que é o percentual aproximado referente à população carcerária brasileira. É chocante comprovar que um herdeiro direto da familícia Bolson4ro – envolvida acintosamente com ligações íntimas com milicianos, rachadinhas, imóveis pagos à vista, furto de joias, tentativa de golpe de Estado etc. – domina em torno de 1/3 do eleitorado brasileiro. Esse índice reafirma os gigantescos obstáculos para o Brasil se transformar num país capaz de aproveitar seus próprios potenciais, e libertar-se das amarras herdadas do colonialismo, patrimonialismo e escravismo, que fincaram raízes nesse generoso pedaço de terra desde 1500.

NÃO INDICAM ESSAS 
pesquisas as perspectivas de composição na Câmara e no Senado, mas a história recente tem apresentado resultados em descompasso retrógrado com os resultados auferidos nas eleições presidenciais. Mas não há do que reclamar, muito menos se desestimular. Pois a novidade, desde 1894, é que forças de centro-esquerda e de esquerda se têm mantido competitivas nas eleições presidenciais. O fato novíssimo, em termos históricos, é candidaturas identificadas como esquerda vencendo cinco das nove eleições presidenciais realizadas desde a Redemocratização. Ressalte-se, a bem da verdade, que Fernando Henrique Cardoso, vitorioso em duas eleições presidenciais nesse período, apesar de carimbado como “neoliberal”, nunca foi de direita (pelo contrário, foi um representante dos setores democráticos que lutaram contra a ditadura). Collor, associado à direita, foi eleito e impichado aceitando as regras democráticas. A extrema-direita mais obtusa, golpista, defensora da ditadura militar, ganhou apenas uma eleição, em 2018, mas graças à fraudes jurídicas que afastaram Lula da disputa, somadas à uma facada a favor do “treinado para matar”. As novas pesquisas, entretanto, confirmam que a Democracia segue sob risco de sofrer mais um coice do dark horse miliciano, mesmo encarcerado. É um grande perigo que não pode, nem deve, ser menosprezado. Atacar o bolsonarismo, sem dó nem intervalo, é indispensável gesto de autodefesa democrática.

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Lula ganha pontos e a direita segue dividida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_11.html

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