A esperança em Lula lá e o perigo do bolsonarismo
lalau
Enio Lins
PESQUISA
DATAFOLHA divulgada sexta-feira (22) mostrou o presidente
Lula com 40% das intenções de voto contra 31% do primogênito do Jair, no 1º
turno. Noutra simulação, com a substituição do filho Zero-Um pela esposa
Zero-Três, Lula tem 41% e Michelle 22%. Segundo o instituto, Lula ampliou de 3
para 9 pontos a vantagem sobre Flávio B. O estudo, realizado entre 12 e 14 de
maio, mostrou, num segundo turno, Lula com 47% e Flavito 43%. No levantamento
anterior, estariam empatados com 45%.
ONTEM, A NEXUS/BTG divulgou nova pesquisa, quentinha. Cenário 1 para o 1º turno:
“Lula (PT) – 40%; Flávio Bolsonaro (PL) – 35%; Ronaldo Caiado (PSD) – 5%; Romeu
Zema (Novo) – 4%; Renan Santos (Missão) – 3%; Joaquim Barbosa (DC) – 2%;
Augusto Cury (Avante) – 1%; Cabo Daciolo (Mobiliza) – 1%; Nenhum/branco/nulo –
7%”. A enquete, feita depois do escândalo Bolsonaro/Vorcaro, atestou que 86%
dos entrevistados tomaram conhecimento da mutreta Dark Horse. Num 2º turno, em
três cenários, os resultados apontaram: Lula 47% contra 43% de Flavito; Lula
49% contra 38% de Zema; Lula 46% contra 40% de Caiado. Abstenções ficaram na
casa dos 10%, brancos e nulos na faixa de 2% (ambos marcadores oscilando dentro
da margem de erro de 3%). Vale registrar a coerência com os resultados do
Datafolha de três dias atrás.
EM TERMOS DE INTENÇÃO de voto, considerando a similitude entre duas pesquisas
distintas – DataFolha e Nexus/BTG – conferindo 31%/35% no primeiro turno, e 43%
no segundo turno para o nome representante do bolsonarismo é, simultaneamente,
patético e perigoso. Escandaloso. Pela folha corrida familiar, qualquer nome
apresentado como herdeiro político de Jair, o presidiário, deveria alcançar, no
máximo 0,44%, que é o percentual aproximado referente à população carcerária
brasileira. É chocante comprovar que um herdeiro direto da familícia Bolson4ro
– envolvida acintosamente com ligações íntimas com milicianos, rachadinhas,
imóveis pagos à vista, furto de joias, tentativa de golpe de Estado etc. –
domina em torno de 1/3 do eleitorado brasileiro. Esse índice reafirma os
gigantescos obstáculos para o Brasil se transformar num país capaz de
aproveitar seus próprios potenciais, e libertar-se das amarras herdadas do
colonialismo, patrimonialismo e escravismo, que fincaram raízes nesse generoso
pedaço de terra desde 1500.
NÃO INDICAM ESSAS pesquisas as perspectivas de composição na Câmara e no
Senado, mas a história recente tem apresentado resultados em descompasso
retrógrado com os resultados auferidos nas eleições presidenciais. Mas não há
do que reclamar, muito menos se desestimular. Pois a novidade, desde 1894, é
que forças de centro-esquerda e de esquerda se têm mantido competitivas nas
eleições presidenciais. O fato novíssimo, em termos históricos, é candidaturas
identificadas como esquerda vencendo cinco das nove eleições presidenciais
realizadas desde a Redemocratização. Ressalte-se, a bem da verdade, que
Fernando Henrique Cardoso, vitorioso em duas eleições presidenciais nesse
período, apesar de carimbado como “neoliberal”, nunca foi de direita (pelo
contrário, foi um representante dos setores democráticos que lutaram contra a
ditadura). Collor, associado à direita, foi eleito e impichado aceitando as
regras democráticas. A extrema-direita mais obtusa, golpista, defensora da
ditadura militar, ganhou apenas uma eleição, em 2018, mas graças à fraudes
jurídicas que afastaram Lula da disputa, somadas à uma facada a favor do
“treinado para matar”. As novas pesquisas, entretanto, confirmam que a
Democracia segue sob risco de sofrer mais um coice do dark horse miliciano, mesmo encarcerado. É um grande perigo que
não pode, nem deve, ser menosprezado. Atacar o bolsonarismo, sem dó nem
intervalo, é indispensável gesto de autodefesa democrática.
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Lula ganha pontos e a direita segue dividida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_11.html

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