Exemplos para o mundo, saúde e educação são pilares da Revolução Cubana
Apesar dos ataques do imperialismo, luta de Fidel Castro por uma sociedade humanista e igualitária legou ao mundo sistemas públicos dos mais eficientes nessas áreas
Priscila Lobregatte/Vermelho
É impossível falar de Cuba sem lembrar, com admiração e respeito, do alto nível de desenvolvimento que as áreas de saúde e educação alcançaram após a revolução de 1959, apesar das dificuldades enfrentadas pelo país, perseguido desde que resolveu seguir pelo caminho do socialismo.
Ao celebrar o centenário de Fidel Castro, comemorado em 13 de agosto, é preciso lembrar a dedicação do líder a essas duas áreas, que ele sempre encarou como centrais para o progresso humano e social.
Saúde AF/DF
Assim como todo o país, a saúde de Cuba tem um antes e um depois da chegada ao poder de Fidel e seus companheiros — uma espécie de AF/DF.
Em pronunciamento feito em 2024 e publicado pelo Instituto de Estudos Latino-americanos (Iela) da Universidade Federal de Santa Catarina, Rémi Herrera, pesquisador do Centre National de la Recherche Scientifique e professor da Universidade de Paris 1, lembrou o quadro encontrado pela Revolução. “A situação sanitária antes de 1959 era catastrófica: poucos médicos (1 por mil habitantes), a consulta valia um quinto do salário médio mensal ou um terço do orçamento alimentar mensal, os pobres eram excluídos dos cuidados de saúde”.
Herrera prossegue dizendo que “as taxas de mortalidade infantil e materna eram terrivelmente elevadas, as doenças generalizavam-se entre os trabalhadores rurais (um terço tinha parasitas intestinais ou malária, um sexto tuberculose ou febre tifoide). Antes de 1959, o orçamento da saúde cubana era sacrificado em relação ao da segurança interna”.
O progresso da saúde cubana foi possível devido ao trabalho feito pelo governo revolucionário a partir de três premissas: a saúde como um direito humano, a igualdade e a solidariedade.
Para fazer valer esses princípios, o governo implementou a universalização da saúde pública e gratuita, priorizando a atenção primária, a medicina preventiva e a descentralização de serviços para áreas antes isoladas, a partir de destinação maciça de verbas do orçamento para o setor.
Cuba passou a investir em policlínicas comunitárias, no programa de Médico e Enfermeiro da Família, em campanhas de vacinação e de educação sanitária, formação massiva de profissionais, robustos investimentos em biotecnologia e na indústria farmacêutica.
“No período compreendido entre 1959 e 2010, formaram-se no país mais de 100 mil médicos, dos quais, no final do primeiro trimestre de 2011, encontravam-se em pleno labor 73.025. Desse total, 43.088 são mulheres. São milhares também os formados em Estomatologia, Licenciatura em Medicina, Tecnologia da Saúde. O país conta com 13 universidades médicas e 17 Faculdades de Medicina”, informa José A. de la Osa, ex-docente na Faculdade de Comunicação da Universidade de Havana, em artigo disponível no IEA/USP. Segundo ele, quando ocorreu a revolução, o país contava com cerca de 6 mil médicos, 50% dos quais emigraram para os Estados Unidos.
Outro artigo, publicado por especialistas em Saúde de Cuba no Pan American Journal of Public Health — o principal periódico científico e técnico da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) —, explica que “ao longo dos últimos 58 anos, e apesar das limitações materiais, o SNS (Sistema Nacional de Saúde) tem mantido um aperfeiçoamento contínuo dos seus sistemas e serviços de saúde, o que lhe tem permitido melhorar de maneira sustentada os principais indicadores sanitários do país, algo reconhecido mundialmente”.
Nos anos 1960, os progressos já eram visíveis e se acentuaram na década seguinte, de maneira que nos anos 1980, aponta o pesquisador Rémi Herrera, “Cuba estava no topo dos países socialistas em termos de indicadores de saúde, comparáveis aos da RDA (República Democrática Alemã)”. Durante o “período especial” (a crise enfrentada pelo país entre 1989 e 1991 devido ao fim da União Soviética), disse ainda, “o sistema de saúde, integrado no projeto comunista, resistiu, não foi privatizado e até se desenvolveu”.
Um dos indicadores mais sensíveis da saúde de um país é o de mortalidade infantil. Em 1960, a taxa por 1.000 crianças nascidas vivas era de 37,3; passou para 27,5 em 1975 e, dez anos depois, despencou para 16,5, chegando a 4,5 em 2010. Em 2025, a taxa subiu para 9,9 devido às novas sanções dos Estados Unidos, que causaram severa crise humanitária no país.
Outro diferencial do modelo cubano de saúde é a solidariedade e os convênios internacionais. Entre 1961 a 2020, diz Herrera, “Cuba realizou mais de 600 mil missões médicas em 158 países, mobilizando 326 mil profissionais, que realizaram quase 2 bilhões de consultas, 4,3 milhões de partos, 14,5 milhões de intervenções cirúrgicas, 12 milhões de vacinações infantis”. Soma-se a isso os mais de 60 países dos quatro continentes que assinaram acordos de cooperação médica com Cuba. Um desses convênios, aliás, foi feito com o Brasil para o programa Mais Médicos, entre 2013 e 2018.
Vale lembrar, ainda, outras conquistas emblemáticas do país no campo científico. Cuba foi pioneira na erradicação da poliomielite na América Latina por meio de campanhas de vacinação em massa no início dos anos 1960, assim como o primeiro país do mundo a zerar a transmissão de mãe para filho do HIV e da sífilis em 2015. Também foi a Ilha que criou a primeira vacina eficaz do mundo contra a meningite do tipo B, no final dos anos 1980, e desenvolveu imunoterapias e vacinas terapêuticas inovadoras para o câncer de pulmão avançado.
Na pandemia de Covid-19, Cuba conseguiu um controle inicial eficaz em 2020 devido à forte atenção primária, seguido por um colapso sanitário em meados de 2021 pela variante Delta e escassez de recursos, superado depois com o desenvolvimento de vacinas próprias (como a Abdala e a Soberana 02) e ampla imunização da população.
Como resultado, a taxa de mortalidade de Cuba ficou em torno de 75 óbitos por 100 mil habitantes (cerca de 8,5 mil mortes totais), índice inferior ao de nações severamente impactadas na mesma região, como o Brasil, Peru ou México. No caso dos EUA, um dos países mais ricos do mundo, foram mais de 330 óbitos por 100 mil, ultrapassando 1,1 milhão de mortes.
Em discurso feito no 1º de Maio de 2003, Fidel salientou: “Mais de meio milhão de cubanos cumpriram missões internacionalistas como combatentes, como professores, como técnicos ou como médicos e trabalhadores da saúde. Dezenas de milhares desses últimos prestaram serviços e salvaram a milhões de vidas, ao longo de mais de 40 anos. Atualmente, 3 mil especialistas em Medicina Geral Integral e outros trabalhadores da saúde laboram nos lugares mais recônditos de 18 países do Terceiro Mundo, onde, mediante métodos preventivos e terapêuticos, salvam, a cada ano, a centenas de milhares de vidas. e preservam ou devolvem a saúde a milhões de pessoas, sem cobrar um único centavo por seus serviços”.
Educação exemplar
A educação cubana também é digna de orgulho e está diretamente ligada aos avanços do país na ciência e na saúde. Apenas dois anos após a revolução socialista, uma campanha nacional de alfabetização reduziu, em poucos meses, de 23% para menos de 4% o índice de pessoas que não sabiam ler e escrever, o que conferiu ao país o título de território livre do analfabetismo pela Unesco.
Além disso, conquistou a vitória de ter 100% de suas crianças e adolescentes na escola, garantindo edução gratuita e de qualidade até a universidade.
“O período de 1962 a 1975 marca o trânsito para uma educação, uma escola e uma pedagogia socialistas”, diz Justo Alberto Chavez Rodriguez, pesquisador titular do Ministério da Educação e acadêmico titular da Academia de Ciências de Cuba, em artigo publicado em 2011 na Revista de Estudos Avançados da USP.
Ele explicou que o sucesso da Campanha de Alfabetização “estabeleceu as condições para empreender, imediatamente, o trabalho de elevar o nível da educação dos trabalhadores da cidade e do campo, cujas manifestações mais significativas foram os cursos de educação para adultos, a batalha pela 6ª série e a instauração das faculdades preparatórias que abriram as portas do estudo universitário para os trabalhadores”.
Na sequência, em 1962, foi realizada a reforma universitária, que produziu transformações nos âmbitos acadêmico e social. Entre elas, instituiu um amplo sistema de bolsas gratuitas. “No decorrer dos anos, isso possibilitou que milhares de filhos de operários e camponeses tivessem se convertido nos primeiros profissionais universitários em suas respectivas famílias”, apontou Rodriguez.
Além disso, foi criada uma comissão para a promoção e o desenvolvimento de pesquisa científica nas universidades e em suas dependências. “Pode-se dizer que, durante as décadas de 1960 e 1970, Cuba formou uma significativa quantidade de novos profissionais, entre eles, um bom número de pesquisadores. A partir desse momento, conta-se em Cuba com um potencial científico de alto nível”, agregou.
As conquistas atingidas pelos cientistas cubanos, em sua maioria formados pelas instituições de educação superior, têm sido possíveis especialmente porque a pesquisa foi uma prioridade estatal, até mesmo em momentos de severas limitações econômicas. Para dar continuidade a esse processo, entre 1976 e 1985 foi posto em prática o 1º Aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Educação.
Hoje, mesmo enfrentando limitações ainda mais severas por parte da política genocida estadunidense, Cuba mantém um alto grau de formação humana e intelectual de sua população. O índice de alfabetização é de praticamente 100%, há paridade de gênero na universidade, com vantagem para as mulheres — a taxa é de 1,4 para cada homem — e um forte desenvolvimento na ciência e na saúde, entre outros setores.
Tais resultados refletem o esforço de Fidel e do socialismo cubano de fazer o país avançar cada vez mais na formação humana e na garantia de direitos básicos para sua população. “A revolução considera que a educação deve estar na base de tudo, de todo o esforço revolucionário, e que a função mais importante da revolução é educar”, disse Fidel, em discurso proferido no ato de encerramento do 3º Congresso Nacional dos Conselhos municipais de Educação, em 1962.
As datas que forjaram o Comandante da Revolução Cubana https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/fidel-castro.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário