23 junho 2026

Enio Lins opina

Escândalo Master, apuração e diversionismo – capítulo 1
Enio Lins   

JACQUES WAGNER tem um histórico dos mais notáveis da política brasileira. Carioca de origem judaica, filho de judeus poloneses (Joseph Wagner e Cypa Perla) que migraram para o Brasil antes da ascensão do Nazismo na Europa. O jovem Wagner, em 1973, aos 22 anos de idade, deixou a Engenharia Elétrica na PUC/Rio pelo risco de vida por sua atuação como presidente do Diretório Acadêmico. Com o apoio dos pais, mudou-se para a Bahia em 1974, e recomeçou a vida como técnico na indústria petroquímica, em Camaçari.

BAIANO POR ADOÇÃO,
 Wagner tornou-se presidente do Sindiquímica/BA. Em 1980 participou da fundação do Partido dos Trabalhadores e da CUT, e foi o primeiro presidente estadual do PT e da CUT na Bahia. Em 1990 elegeu-se deputado federal, reeleito em 1994 e 1998. Concorreu à prefeitura de Camaçari em 2000 e a governo da Bahia em 2002, ampliando sua projeção como liderança em todo Estado, mesmo sem ganhar esses dois pleitos. Em 2003, o Presidente Lula levou-o para o Ministério do Trabalho. Em 2005 estava como Ministro da Relações Institucionais, e Secretário Especial do 
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República. Em 2014, a presidenta Dilma o escalou para o Ministério da Defesa, e depois para a Casa Civil.

JACQUES WAGNER 
foi o responsável pela derrota histórica do “Carlismo” na Bahia, processo de renovação iniciado de forma sustentável com sua eleição para o governo baiano em 2006. Reeleito em 2010, enfrentou desafios de grande monta, como greves de professores e de policiais. Fez seu sucessor, Rui Costa (eleito em 2014 e reeleito em 2018), que fez o sucessor, Jerônimo Rodrigues, em 2022. Uma sequência impactante, pois a força política e eleitoral de Antônio Carlos Magalhães segue muito forte mesmo depois de sua morte, em 2007. O papel de Wagner, ao longo dessas quatro décadas, extrapolou o território baiano como articulador habilíssimo, contribuindo para a relevância do PT no cenário nacional, e para a preservação do Estado Democrático de Direito.

NÃO É UNANIMIDADE, 
entretanto. Recebe muitas críticas por ter integrado a Organização da Juventude Sionista no Brasil e nunca ter revisto esse posicionamento. Em 19/01/2015, o PSTU divulgou um artigo de Diego Cruz, intitulado “Sionista toma posse: Jacques Wagner é o novo ministro da Defesa”, onde desfia as ligações de Wagner com a política israelense contemporânea. Em 7/10/2025, o jornalista e ativista judeu Breno Altman, em postagem no X (ex-Twitter), detonou o senador Wagner: “Incapaz de apoiar o presidente Lula na denúncia do genocídio palestino em Gaza, pusilânime na defesa do regime sionista e odioso contra a resistência anticolonial”. Em 17/12/2025, o senador Renan Calheiros o criticou duramente pela aprovação da “Lei da Dosimetria”, mutreta que beneficiou Jair Bolsonaro e demais golpistas condenados pelo STF.

NO OLHO DO FURAÇÃO
 por conta das investigações da Polícia Federal sobre as falcatruas do Banco Master, Jacques Wagner pode ter adquirido nódoa indelével sobre seu currículo. Ou não. Mas o mais grave é que sua permanência como Líder do Governo no Senado, depois dos indícios apontados, confunde a opinião pública, atraindo para si atenções que devem seguir concentradas nos principais responsáveis pelo escândalo do Banco Master, a saber: Daniel Vorcaro, família Bolsonaro, Campos Neto. O governo Lula, que identificou e promoveu a apuração dos crimes do Banco Master, não pode, através de sua liderança no Senado, ou de outros próceres, permitir ser confundido – por um átimo sequer – com os bandidos que promoveram esse assalto. Jamais se esqueçam das manipulações feitas pela famigerada Lava-Jato. Moro, Detantan & cia não foram fato isolado, nem nunca sofreram punições à altura dos delitos cometidos.

Seguiremos no tema por mais um capítulo. Aguardem carta.

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