Escândalo Master, apuração
e diversionismo – capítulo 1
Enio Lins
JACQUES WAGNER tem um histórico dos mais notáveis da política
brasileira. Carioca de origem judaica, filho de judeus poloneses (Joseph Wagner
e Cypa Perla) que migraram para o Brasil antes da ascensão do Nazismo na
Europa. O jovem Wagner, em 1973, aos 22 anos de idade, deixou a Engenharia
Elétrica na PUC/Rio pelo risco de vida por sua atuação como presidente do
Diretório Acadêmico. Com o apoio dos pais, mudou-se para a Bahia em 1974, e
recomeçou a vida como técnico na indústria petroquímica, em Camaçari.
BAIANO POR ADOÇÃO, Wagner tornou-se presidente do Sindiquímica/BA. Em 1980
participou da fundação do Partido dos Trabalhadores e da CUT, e foi o primeiro
presidente estadual do PT e da CUT na Bahia. Em 1990 elegeu-se deputado
federal, reeleito em 1994 e 1998. Concorreu à prefeitura de Camaçari em 2000 e
a governo da Bahia em 2002, ampliando sua projeção como liderança em todo
Estado, mesmo sem ganhar esses dois pleitos. Em 2003, o Presidente Lula levou-o
para o Ministério do Trabalho. Em 2005 estava como Ministro da Relações
Institucionais, e Secretário Especial do Conselho de Desenvolvimento Econômico e
Social da Presidência da República. Em 2014, a presidenta Dilma o escalou para o
Ministério da Defesa, e depois para a Casa Civil.
JACQUES WAGNER foi o responsável pela derrota histórica do “Carlismo” na
Bahia, processo de renovação iniciado de forma sustentável com sua eleição para
o governo baiano em 2006. Reeleito em 2010, enfrentou desafios de grande monta,
como greves de professores e de policiais. Fez seu sucessor, Rui Costa (eleito
em 2014 e reeleito em 2018), que fez o sucessor, Jerônimo Rodrigues, em 2022.
Uma sequência impactante, pois a força política e eleitoral de Antônio Carlos
Magalhães segue muito forte mesmo depois de sua morte, em 2007. O papel de
Wagner, ao longo dessas quatro décadas, extrapolou o território baiano como
articulador habilíssimo, contribuindo para a relevância do PT no cenário
nacional, e para a preservação do Estado Democrático de Direito.
NÃO É UNANIMIDADE, entretanto. Recebe muitas críticas por ter integrado a
Organização da Juventude Sionista no Brasil e nunca ter revisto esse
posicionamento. Em 19/01/2015, o PSTU divulgou um artigo de Diego Cruz,
intitulado “Sionista toma posse: Jacques Wagner é o novo ministro da Defesa”,
onde desfia as ligações de Wagner com a política israelense contemporânea. Em
7/10/2025, o jornalista e ativista judeu Breno Altman, em postagem no X
(ex-Twitter), detonou o senador Wagner: “Incapaz
de apoiar o presidente Lula na denúncia do genocídio palestino em Gaza,
pusilânime na defesa do regime sionista e odioso contra a resistência
anticolonial”. Em 17/12/2025, o senador Renan Calheiros o
criticou duramente pela aprovação da “Lei da Dosimetria”, mutreta que
beneficiou Jair Bolsonaro e demais golpistas condenados pelo STF.
NO OLHO DO FURAÇÃO por conta das investigações da Polícia Federal sobre as
falcatruas do Banco Master, Jacques Wagner pode ter adquirido nódoa indelével
sobre seu currículo. Ou não. Mas o mais grave é que sua permanência como Líder
do Governo no Senado, depois dos indícios apontados, confunde a opinião
pública, atraindo para si atenções que devem seguir concentradas nos principais
responsáveis pelo escândalo do Banco Master, a saber: Daniel Vorcaro, família
Bolsonaro, Campos Neto. O governo Lula, que identificou e promoveu a apuração
dos crimes do Banco Master, não pode, através de sua liderança no Senado, ou de
outros próceres, permitir ser confundido – por um átimo sequer – com os
bandidos que promoveram esse assalto. Jamais se esqueçam das manipulações
feitas pela famigerada Lava-Jato. Moro, Detantan & cia não foram fato isolado,
nem nunca sofreram punições à altura dos delitos cometidos.
Seguiremos no tema por mais um capítulo. Aguardem
carta.
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