08 julho 2026

Editorial do Vermelho

O traidor da pátria, mais uma vez, foi aos EUA atacar o Brasil
Ao endossar acusações dos EUA contra Brasil, o candidato Flávio Bolsonaro confirma que o entreguismo é a essência do seu programa de governo
Editorial do Vermelho      

O discurso do pré-candidato da extrema direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, no segundo dia da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) na terça-feira (7) sobre o novo tarifaço previsto para ser oficializado em 15 de julho, é mais uma demonstração de que o eixo de sua campanha não está no Brasil. Seu núcleo atua em Whashington, comandado pelo irmão Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo, ambos foragidos da Justiça brasileira.

No discurso de quatro minutos e 50 segundos, ele seguiu a premissa do entreguismo e da subserviência à Casa Branca como principal ponto de seu programa de governo. Ao contrário de mais 300 empresas que enviaram manifestações ao USTR contra o tarifaço, e de dezenas lideranças da indústria e de outros ramos da economia nacional que se pronunciaram nas audiências em defesa dos interesses do Brasil, Flávio Bolsonaro endossou acusações infundadas dos Estados Unidos, meros pretextos para justificar as sobretaxas às exportações brasileiras. Até mesmo grandes empresas estadunidenses se posicionaram contra, argumentando efeitos negativos à cadeia de suprimentos e aos consumidores. Dos 34 brasileiros inscritos na audiência, o bolsonarista foi o único que não condenou as tarifas.

Em essência, ele apoiou o anúncio do USTR sobre a conclusão da “investigação” que analisou o Pix – que havia sido questionado por representantes do Tesouro dos Estados Unidos no primeiro dia da audiência –, o desmatamento, as big techs e a corrupção para sugerir o novo tarifaço ao afirmar que as decisões que teriam motivado a ameaça partiram de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo Lula.

Flávio Bolsonaro chamou de “censura” a regulamentação das big techs, que avançou com o STF definindo regras para a responsabilização das plataformas, e decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de um Projeto de Lei que regula economicamente as grandes empresas de tecnologia que tramita na Câmara dos Deputados. Entre outras finalidades, são decisões em defesa das crianças e adolescentes vítimas da pedofilia e outros crimes, e das mulheres alvejadas pela misoginia. Flávio Bolsonaro defende o Brasil como uma terra sem leis na qual as big techs dos Estados Unidos lucrariam bilhões com a veiculação de conteúdos criminosos, além de promovem ataques à soberania nacional.

O bolsonarista chancelou outra justificativa falsa para os Estados Unidos impor o tarifaço. Se referindo ao governo Lula, disse que “a corrupção é um dos maiores desafios enfrentados pelo povo brasileiro”. “Não há discordância quanto a isso”, afirmou. Vejamos: amigo íntimo do banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, a quem chama de meu ‘irmãozão”, foi agraciado com milhões de reais. Isso está documentado num áudio no qual ele implora essa montanha de dinheiro a Vorcaro. Flávio Bolsonaro esbanja hipocrisia.

Hipocrisia também no trecho no qual defendeu o Pix. Ora, Eduardo Bolsonaro, que o acompanhava na audiência, um dos principais coordenadores da campanha do irmão, em vídeo divulgado propôs abertamente colocar o Pix na mesa de negociatas com os Estados Unidos. Flávio Bolsonaro já havia defendido a proibição de integração do Pix com sistemas de pagamentos “não ocidentais”, argumentando que a medida ajudaria a diminuir as ameaças dos Estados Unidos.

O governo do presidente Lula, por intermédio de uma nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, com exatidão afirmou que o candidato da extrema-direita legitimou as acusações estadunidenses contra o Brasil. Sustentou que, enquanto Flávio Bolsonaro depunha contra as empresas e os trabalhadores brasileiros na audiência, autoridades do governo, juntamente com a diplomacia brasileira, trabalhavam, como já fazem desde julho de 2025, para reverter o tarifaço.

A nota assevera, corretamente: “Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.”

A posição do governo Trump foi expressa pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, ao afirmar que a consolidação da mudança no regime econômico é uma resposta ao diagnóstico de que, por décadas, os Estados Unidos foram “enganados”, anunciando que a “segurança econômica” de seu país é parte integrante da “segurança nacional”. “Os Estados Unidos acolhem seus parceiros e somos mais fortes por causa deles. Mas nossa parceria agora traz consigo expectativas. E, em alguns casos, obrigações não negociáveis”, afirmou.

Trump, em seu primeiro mandato, havia adotado as tarifas para enfrentar os concorrentes dos Estados Unidos – especialmente a China – e agora, em seu segundo mandato, expandiu enormemente a lista de alvos. Outra vertente imperialista dessa política é a hegemonia global do sistema financeiro estadunidense, que deve ser amplamente utilizada como instrumento de estratégia geopolítica, tendo como meta conter, além da China, potências médias, como as do BRICS. A América Latina e o Caribe são os alvos também de ingerências política e militar, como se viu, recentemente, nas eleições da Colômbia e do Peru.

Flávio Bolsonaro, numa atitude evidente de traição nacional, se alinha com essa política imperialista de definição da geopolítica pela diplomacia das ameaças econômicas e militares. Os Bolsonaro se empenharam com júbilo junto ao governo Trump para que o Brasil fosse penalizado pelas sobretaxas. Por isso, seu desempenho da referida audiência foi uma encenação ridícula, como os fatos comprovam.

O gran finale desta encenação mesclou cinismo, subserviência e entreguismo desbragados: “Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar”, implorou. “Vocês têm a chance de ter um presidente não antiamericano como o atual.”  Leia-se: vocês têm a chance de ter um presidente vassalo.

O povo brasileiro teve, diante de seus olhos, mais um episódio que comprova o perigo representado pelo candidato da extrema direita. Cumpre às forças democráticas, populares e patrióticas desmascará-lo sistematicamente como vendilhão da pátria e denunciá-lo como representante de uma base de apoio ao imperialismo, formada por setores das classes dominantes, por conseguinte de monopólios econômicos e financeiros pró-imperialistas, apontando a reeleição de Lula como caminho para livrar o país dessas ameaças neocoloniais e imperialistas.

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"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html 

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