Luciana Santos diz que Brasil não vai abrir mão do interesse nacional
Declaração da ministra faz referência à possibilidade de País adotar reciprocidade em relação aos EUA
Priscila Lobregatte/Vermelho
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, falou, nesta sexta-feira (14), sobre a possível reciprocidade do Brasil aos EUA, os impactos do super El Niño e a reativação da Ceitec, empresa pública estratégica e quase extinta por Jair Bolsonaro (PL).
“Por enquanto, estamos buscando ao máximo o diálogo, para que a gente possa ter algum tipo de entendimento. Mas não abriremos mão de qualquer medida que proteja o interesse nacional”, disse sobre a relação com os EUA.
A questão tem sido tratada pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, e pelos ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e da Fazenda, Dario Durigan.
A declaração foi dada durante entrevista à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre. O estado do Rio Grande do Sul foi castigado após as enchentes de 2024 e é um dos mais vulneráveis ao fenômeno natural, motivo pelo qual o tema foi o principal abordado.
De acordo com Luciana, o MCTI tem feito o monitoramento do avanço do El Niño por meio de dados fornecidos pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais).
“Hoje, o Cemaden cobre 1,3 mil municípios e nós vamos, até o fim do ano, completar as estações hidrológicas e meteorológicas para dois mil, o que vai corresponder a 75% das áreas de risco”, anunciou.
Segundo o Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica), dos EUA, que fornece dados a esses órgãos brasileiros, o El Niño pode atingir um recorde histórico de temperatura no Pacífico.
Com isso, a Região Sul temprevisão de chuvas acima da média, com maior risco de inundações a partir de outubro e impactos severos até o início de 2027, enquanto outras partes do país deverão sofrer com a estiagem.
Além disso, a pasta atua em um comitê com outros órgãos e ministérios para enfrentar o evento climático e atuar rapidamente quando necessário. Conforme a ministra, o governo Lula está destinando R$ 1 bilhão para prevenção e socorro, incluindo reservas de alimentos, transporte, saúde e energia.
Com relação ao Ceitec (Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada) — situado em Porto Alegre e único da América Latina a produzir microchips e semicondutores —, Luciana afirmou que o processo de retomada das atividades teve investimentos de mais de R$ 200 milhões somente para a nova planta industrial.
“Atualmente, o Ceitec tem expertise na área de rastreamento animal, de chip veicular e chip para tombamento de patrimônio. Vamos mudar completamente a sua rota tecnológica, de maneira que passe a fazer dispositivos de potência para a transição automotiva e energética. E também haverá uma mudança tecnológica em relação ao insumo utilizado, que passará a ser o carbeto de silício, mais moderno e eficiente. Estou muito otimista”.
Luciana salientou, ainda, que o presidente Lula tem “uma paixão especial pelo Ceitec porque compreende que é uma fábrica estratégica”.
Ao mesmo tempo, ponderou que a continuidade do Ceitec depende de a estatal ser vista como política de Estado — o que, lembrou, pode ser alterado por mudanças de governo e convicções políticas distintas, como aconteceu no período Bolsonaro.
A soberania em destaque https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01847079127.html

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