02 outubro 2015

Mídia marrom

O estupro diário do jornalismo

Luis Nassif, no Jornal GGN
Não há nenhum apuro técnico nesse festival de denúncias bancado pela mídia.
Valem-se de um recurso que descrevo em meu livro "O jornalismo dos anos 90", fartamente praticado pela revista Veja.
Juntam-se alguns pontos verdadeiros - porém irrelevantes - e com base neles desenham uma história muito mais ampla, na qual os pontos relevantes são meras suposições, que não vêm acompanhada de fatos.
É o caso da tal "denúncia" do Estadão sobre o lobby junto à Casa Civil para estender os benefícios da redução do IPI às empresas Hyundai e CAOA.
O que diz a matéria do Estadão:
1.      A manchete, parte principal da matéria, aquela em que o rigor jornalístico tem que ser redobrado, afirma que Medida Provisória "teria sido" comprada.
2.      Na  reportagem, fica-se sabendo de que um tal Mauro Marcondes "teria" acertado o pagamento de R$ 4 milhões a alguém do PT. Mas não teria revelado o nome de ninguém que teria recebido a propina
3.      A matéria diz que um dos escritórios repassou R$ 2,4 milhões a um filho de Lula. Assim, parágrafo solto, sem nenhuma informação adicional que corrobore a acusação, sem investigações adicionais nem nada.
4.      Aí aparece alguém no dossiê dizendo que nada foi pago e que era golpe do Mauro Marcondes para desviar dinheiro.
5.      Na sequência, constata-se que, quando percebeu que estava sendo vítima do golpe, a CAOA pulou do barco e também não pagou nada. E o escritório ameaçou divulgar gravações das conversas entre eles.
6.      Por fim, o grande elo perdido: um dos lobista seria Alexandre Paes Santos, supostamente ligado à Erenice Guerra.
Alexandre, ou APS, era ligado à revista Veja, tal qual Carlinhos Cachoeira. Usava a revista para espalhar dossiês contra adversários de seus clientes. Entrou na história sem se saber por que e, dentre todas as ligações dele, supôs-se uma com Erenice, o elo perdido.
No fundo, o que se tem é a história de um espertalhão que tentou passar a perna na CAOA vendendo lobby em favor de uma MP que seria aprovada. Descoberto o golpe, e os desvios de dinheiro, as empresas pularam fora. E ele as chantageou ameaçando com gravações onde elas topavam subornar alguém que só o lobista sabia quem.
A única empresa que acreditou no espertalhão foi o Estadão.
Do Estadão
Empresas negociaram pagamento de até R$ 36 milhões a lobistas para conseguir da Casa Civil um 'ato normativo' que prorrogou incentivos fiscais de R$ 1,3 bilhão
Documentos obtidos pelo Estado indicam que uma medida provisória editada em 2009 pelo governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria sido “comprada” por meio de lobby e de corrupção para favorecer montadoras de veículos. Empresas do setor negociaram pagamentos de até R$ 36 milhões a lobistas para conseguir do Executivo um “ato normativo” que prorrogasse incentivos fiscais de R$ 1,3 bilhão por ano. Mensagens trocadas entre os envolvidos mencionam a oferta de propina a agentes públicos para viabilizar o texto, em vigor até o fim deste ano. 
Para ser publicada, a MP passou pelo crivo da presidente Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil. Anotações de um dos envolvidos no esquema descrevem também uma reunião com o então ministro Gilberto Carvalho para tratar da norma, quatro dias antes de o texto ser editado. Um dos escritórios que atuaram para viabilizar a medida fez repasses de R$ 2,4 milhões a um filho do ex­presidente Lula, o empresário Luís Cláudio Lula da Silva, em 2011, ano em que a MP entrou em vigor.
O roteiro para influenciar as políticas de desoneração do governo e emplacar a MP é descrito em contratos de lobby pactuados antes da edição da norma. Conforme os documentos, a MMC Automotores, subsidiária da Mitsubishi no Brasil, e o Grupo CAOA (fabricante de veículos Hyundai e revendedora das marcas Ford, Hyundai e Subaru) pagariam honorários a um “consórcio” formado pelos escritórios SGR Consultoria Empresarial, do advogado José Ricardo da Silva, e Marcondes & Mautoni Empreendimentos, do empresário Mauro Marcondes Machado, para obter a extensão das benesses fiscais por ao menos cinco anos. Os incentivos expirariam em 31 de dezembro de 2010, caso não fossem prorrogados.
IPI. Os contratos obtidos pelo Estado datam de 11 e 19 de novembro de 2009. No dia 20 daquele mês, o ex­presidente Lula assinou a MP 471, esticando de 2011 até 2015 a política de descontos no IPI de carros produzidos nas três regiões (Norte, Nordeste e Centro­-Oeste). À época, a Ford tinha uma fábrica na Bahia e CAOA e Mitsubishi fábricas em Goiás. A norma corresponde ao que era pleiteado nos documentos. Em março do ano seguinte, o Congresso aprovou o texto, convertendo­o na Lei 12.218/2010. Suspeitas de corrupção para viabilizar a medida provisória surgiram em e­mails trocados por envolvidos no caso.
Uma das mensagens, de 15 de outubro de 2010, diz que houve “acordo para aprovação da MP 471” e que Mauro Marcondes pactuou a entrega de R$ 4 milhões a “pessoas do governo, PT”, mas faltou com o compromisso. Além disso, o texto sugere a participação de “deputados e senadores” nas negociações. Não há, no entanto, menção a nomes dos agentes públicos supostamente envolvidos. 
Acordo. O e­mail diz que a negociação costurada por representantes das empresas de lobby viabilizou a MP 471. O remetente – que se identifica como “Raimundo Lima”, mas cujo verdadeiro nome é mantido sob sigilo – pede que o sócio­fundador da MMC no Brasil, Eduardo Sousa Ramos, interceda junto à CAOA para que ela retome pagamentos.
Diferentemente da representante da Mitsubishi no Brasil, a CAOA teria participado do acerto, mas recuado na hora de fazer pagamentos. Um dos lobistas não teria repassado dinheiro a outros envolvidos.“Este (Mauro Marcondes Machado) vem desviando recursos, os quais não vêm chegando às pessoas devidas (...) Comunico ao senhor do acordo fechado para a aprovação da MP 471, valor este do seu conhecimento. (...) o sr. Mauro Marcondes alega ter entregado a pessoas do atual governo, PT, a quantia de R$ 4 milhões, o qual (sic) não é verdade”, alega.
A mensagem, intitulada “Eduardo Sousa Ramos (confidencial)” foi enviada às 16h54 por “Raimundo” à secretária do executivo da MMC, Lilian Pina, que a repassou a Marcondes meia hora depois. O remetente escreve que, se o dinheiro não fluísse, poderia expor um dossiê e gravações com detalhes das tratativas. “A forma de denúncia a ser utilizada serão as gravações pelas vezes em que estive com Mauro Marcondes, Carlos Alberto e Anuar”, avisa, referindo­se a empresários da CAOA. “Dou até o dia 21 para que me seja repassada a quantia de US$ 1,5 milhão”, ameaça.
Os dois escritórios de consultoria confirmam ter atuado para emplacar a MP 471, mas negam que o trabalho envolvesse lobby ou pagamento de propina.
Ambos são investigados por atuar para as montadoras no esquema de corrupção no Carf. A MMC e a CAOA informam ter contratado a Marcondes & Mautoni, mas negam que o objetivo fosse a “compra” da Medida Provisória. Dono da SGR, José Ricardo era parceiro de negócios do lobista Alexandre Paes dos Santos, ligado à advogada Erenice Guerra, secretária executiva de Dilma na Casa Civil quando a MP foi discutida. Marcondes é vice­presidente da Anfavea, na qual representa a MMC e a CAOA.
PS - Caso de confirme pagamento de R$ 2,4 milhões da Marcondes para o filho de Lula (clique aqui) tem-se, agora, um caso à espera de uma explicação.
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Saldo positivo

Balança comercial fecha setembro com superávit de quase US$ 3 bilhões. Exportações somaram US$ 16,148 bilhões, e importações foram de US$ 13,204 bilhões; superávit no ano é de US$ 10,246 bilhões. 

Desagregação civilizacional

Batalha decisiva

Eduardo Bomfim, no Vermelho www.vermelho.org.br

A globalização financeira consagrou-se na década de 90 passada através da imposição da Nova Ordem mundial e com ela a vitória do neoliberalismo, ou até do ultraliberalismo como um sistema, estruturas de uma governança global.
Durante esse tempo foram várias as crises via processo de concentração, centralização do capital financeiro internacional que é o segmento de classe a nadar com largas braçadas durante todo o tempo de exercício hegemônico talvez inigualável na História contemporânea da civilização humana.
Mas tal como o personagem de Gabriel Garcia Márquez, o ultraliberalismo surgiu como uma anciã centenária recém-nascida cujas debilidades sobre a comunidade das nações, indivíduos, apresentaram-se com inigualáveis traços de decrepitude sistêmica.
Passados os anos de euforia das forças retrógradas do capital rentista, de um conjunto minoritário de setores que surfaram nesse sistema, como a grande mídia oligárquica, além da coerção militar, de inteligência, espionagem comandados pelos Estados Unidos ungidos como armada unipolar mundial, a vida mostrou a face da monstruosidade erigida.
A crise capitalista em 2008 originada de uma orgia especulativa em Wall Street cujos bancos ao invés de criminalizados receberam injeções fabulosas de dólares do contribuinte norte-americano, espalhou-se aos países do 1o mundo, em seguida ao planeta.
De crise em crise, guerras de rapina, a humanidade mergulhou em grave estágio de desagregação civilizacional. A violência social, criminalidade, pobreza, preconceitos difusos, ódios múltiplos disseminaram-se como se fossem as bíblicas 7 pragas do Egito.
Com o Brics iniciou-se uma nova fase em relação à governança mundial em contraponto ao restrito clube das finanças, do poder militar imperial dos EUA.
A ação em curso no Brasil através de forças políticas, grupos econômicos poderosos não pretende consertar equívocos administrativos, econômicos ou institucionais do governo Dilma, mas a capitulação do País aos centros de poder da governança global ultraliberal.
Assim, é essencial a luta política firme mas hábil, flexível, na formação de ampla frente democrática, patriótica em defesa da retomada do desenvolvimento econômico, justiça social, na reafirmação do caminho democrático, da legalidade constitucional, da soberania nacional.
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01 outubro 2015

Prioridades

Com receita estimada em R$ 5,9 bilhões em 2016, a Prefeitura do Recife concentrará investimentos em intervenções urbanísticas e em educação e saúde, conforme a versão da LOA (Lei Orçamentária Anual) enviada à Câmara de Vereadores. É o foco nas prioridades, sem abandonar, contudo, as demais áreas. 

Tudo bem...

Cada partido tem seus critérios e adota o ritmo que bem entende. Especulações sobre candidaturas a prefeito prosperam em mentes férteis. E na mídia sequiosa de novidades. De todo jeito, todas as pretensões são legítimas e quem se sente seguro do apoio popular não pode perder a serenidade. 

Em tempo

Antes tarde do que nunca... A presidenta Dilma faz, enfim, mudanças importantes no ministério, com o olhar centrado nas condições de governabilidade via alteração da correlação de forças no Congresso Nacional. Pode até cometer excessos, mas faz o que devia ter feito há meses. 

Governadores do PSB com Dilma

Equilíbrio nas decisões, em favor do Brasil

Governador Paulo Câmara, no Facebook

A convite da presidente Dilma Rousseff (e em companhia dos governadores da Paraíba, Ricardo Coutinho, e do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg - ambos companheiros de partido, o PSB), estive hoje (ontem) no Palácio do Planalto para uma conversa na qual tratamos de pontos importantes sobre o atual momento do Brasil.
Não se trata aqui de discutir quem apoia ou não a permanência de Dilma na presidência da República. Trata-se, sim, de resolver questões fundamentais para a sobrevivência do país e, por consequência, dos estados. O fato é que os estados não vão sair dessa crise se o Brasil também não sair. Não funcionamos como ilhas isoladas.
O Governo Federal precisa contornar os problemas que acumularam com a atual situação econômica do Brasil, que está derretendo os empregos, corroendo a moeda e elevando demais os preços de tudo.
Deixamos claro que precisamos ter a liberação do crédito internacional para que os estados e municípios possam continuar com as obras e serviços em benefício da população.
Além disso, no caso de Pernambuco, tivemos também o problema da estiagem. Estamos no quinto ano seguido de seca e muitos dos nossos reservatórios entraram em colapso. Pedi a Dilma maior velocidade para conclusão da Adutora e do Ramal do Agreste, obras que distribuirão aos pernambucanos a água da transposição do Rio São Francisco.
A presidente nos pediu apoio em relação às medidas do ajuste fiscal e também à manutenção dos vetos presidenciais a projetos aprovados pelo Congresso Nacional que implicam em aumento dos gastos públicos.
Deixei clara minha posição: vamos continuar a ter equilíbrio nas decisões, deixando sempre em primeiro lugar o bem do Brasil e dos brasileiros. Muitas das propostas que estão listadas na chamada ‘pauta bomba’ podem aprofundar a crise econômica. Vamos sempre avaliar e pensar o melhor para o País, independente de partidos ou alianças.
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