29 agosto 2022

Desdobramentos

Debate na Band: entre o que aconteceu de fato e a percepção subjetiva da militância e de segmentos mais atentos da sociedade há sempre uma mediação complexa e conflituosa no jogo das interpretações. Não há como ser diferente. Faz parte da luta pelo voto.

As emoções dão cor à vida https://bit.ly/3n47CDe     

Humor de resistência: Gilmar

 

Gilmar

Janelas abertas para o mundo https://bit.ly/3n47CDe      


Palavra de poeta: Chico de Assis

QUEM SOU EU?

Chico de Assis*
 
Pense no amor
em rarefeitos motes. 
 
Pense no silêncio 
em meio a vales e planícies.
 
Pense no medo
estatelado nas paredes. 
 
Pense no horror
de uma guerra perdida. 
 
Pense na tragédia
de um povo sem norte. 
 
Pense na escuridão 
que nos conduz à morte. 
 
Talvez assim
alguém me encontre.


[Ilustração: Eduardo Patarrão]

*Advogado, jornalista
As muitas cores da vida https://bit.ly/3n47CDe

O que mais interessa

Diante da agressividade, Lula aproveita para falar de suas realizações. Ao questionar o ex-presidente sobre a corrupção na Petrobras no seu governo, o atual presidente talvez esperasse um Lula levando o debate para o chão. Leia mais https://bit.ly/3AxVoZ5

Tiro no pé

Se Bolsonaro se viu compelido a participar do debate da Band na tentativa de sair da sua atual bolha e ampliar apoios no eleitorado certamente se frustrou plenamente.

As emoções dão cor à vida https://bit.ly/3n47CDe     

Investigação necessária

Ação contra empresários bolsonaristas ocorre sem os abusos de Moro e Deltan
Buscas e apreensões nas casas de empresários cabem em necessária coleta inicial para a investigação de fato grave
Janio de Freitas, Folha de S. Paulo

Entre ricos empresários brasileiros, é comum uma capacidade muito especial, algo como um poder magnético, que se ativa com presteza automática sempre que seu portador que se vê em encrenca ou desejoso de novas benesses.

Nos inumeráveis segmentos de atividades, só militares têm capacidade semelhante, até como característica nacional, e talvez pelo entendimento mútuo das duas classes.

A busca policial nas casas de oito integrantes do grupo Empresários & Política desencadeou uma chuva de urgências de desagrado, de início meio encabuladas, em sites, blogs, jornais, TVs e rádios.

Escritas e ditas por colunistas, colaboradores, advogados menos ou mais advocatícios e bolsonaristas não lembráveis. Todos com ressalvas ou críticas à "ordem" do ministro Alexandre de Moraes para a ação policial contra os empresários flagrados em considerações pró-golpe.

"Moraes assumiu um risco alto", "operação controversa da PF", "simples conversa sobre golpe não é crime", "só falas sobre golpes não indicam crimes" —as formas variaram, não a preocupação com a pureza judicial ferida pelo excesso (como dizem os militares) de um ministro do Supremo.

Há mais de dez anos as buscas e apreensões policiais se tornaram comuns. Não por distração, os queixosos de hoje nunca se incomodaram com possíveis nem com óbvias ilegalidades em muitas dessas ações. Até passaram a atrações divertidas em TVs e jornais.

Não se viu uma só vez em que Alexandre Moraes e a PF acusassem de crime os alvos das apreensões. Moraes não deu ordem, apenas a autorização pedida pela PF. Como é praxe legal quando o suspeito é da classe média para cima.

Para baixo, invasões e assassinatos de criminosos, suspeitos e inocentes repetem-se à vontade. Não é simples nem foram só falas sobre golpes, o que faziam os empresários.

Lamentar que o golpe não tenha ocorrido ainda, considerar que o golpe é mil vezes preferível a um governo Lula e discutir a compra de votos de trabalhadores para Bolsonaro, constituem indícios claros de apoio ao golpe, no mínimo, e de provável parte em conspiração.

Confronto direto com o estado democrático de direito, que tem a sua defesa assegurada na legislação e, nela, preliminares de sedição não dispensam investigações. Muito ao contrário, esta é a maneira de conter sem violência desdobramentos antidemocráticos.

"Só falas" podem justificar, sim, investigações. E mais do que isso. Nesse sentido, um exemplo notório é o recente caso de Daniel Silveira.

Esse ex-PM feito deputado não passou de palavras nas ameaças a Alexandre Moraes e ao Supremo. Ainda assim, foi preso, solto com tornozeleira e condenado a 9 anos de prisão.

Bolsonaro comutou a pena, mas a Justiça Eleitoral nega-lhe nova candidatura, em defesa do eleitor e do Congresso. O início comum aos golpes, diferente das sublevações de massa, são palavras.

Para não citar vizinhas sem citar a própria casa: "Única base para decisão de Moraes contra empresários bolsonaristas é reportagem" (Folha, 1ª.pg., sexta - 26.08).

A referência é à reportagem de Guilherme Amado no site Metrópoles, com a transcrição das conversas pró-golpe no grupo de empresários. A base de Moraes, porém, foi outra. Foi a fundamentação da PF ao pedido de autorização para buscas e apreensões nas casas dos citados pelo trabalho jornalístico.

Além disso, na PF e no Supremo correm diversas ações sigilosas sobre ativistas contrários à eleição presidencial e à democracia, havendo apurações associáveis à nova investigação. São empresários ricos financiadores de toda a atividade do bolsonarismo contra a legalidade.

As buscas e apreensões nas casas dos oito empresários, e esperamos que de mais, cabem no reconhecimento como a necessária coleta inicial para a investigação de fato grave. O atual não inclui abusos e trapaças de Moros e Dallagnols. E revela as bordas enrustidas do bolsonarismo.

Veja; Pedir o voto é um ato de cidadania https://bit.ly/3QUTNTT

28 agosto 2022

Olhar atento

— Bolsonaro diz que "cada vez mais o mundo olha para o Brasil".

— Sim, olha com esperança de que Lula vença as eleições.

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