31 janeiro 2008

Bom dia, Mário Quintana


Os degraus

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
os deuses, por trás das suas máscaras,
ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo.

O sentido das alianças

Coluna semanal no portal Vermelho
Carnaval, preconceito e alianças
Luciano Siqueira

Cá em terras maurícias já é Carnaval desde o primeiro dia do ano. E Carnaval é tempo de botar de lado preconceitos, inibições e extravasar frustrações, sonhos, esperanças. Ao modo de cada um – e há modos para todos os gostos.

Também é tempo de eleição – e, após o Carnaval, caem as máscaras e todos se lançam aos finalmente na tentativa de ajuntar forças e enfrentar a guerra, que nas ruas começa em julho, após as convenções partidárias e tão logo o Tribunal Regional Eleitoral homologue as candidaturas. Aí cada um vai com o que tem e com o que consegue juntar. E toda aliança é benéfica, desde que fundada em compromissos mútuos assumidos perante o povo, devidamente explicitados numa plataforma (ou, como alguns preferem chamar, programa).

Na construção das alianças, se a pedra de toque é a plataforma não cabe nenhum tipo de preconceito. Muitas vezes líderes e partidos que assumiram antes posturas conservadoras, hoje se colocam em favor de proposições avançadas, mesmo que não as assumam em sua inteireza. Mas as apóiam e se dispõem a somar energias na luta para torná-las vitoriosas. É por isso que se diz que não se deve fazer política olhando pelo espelho retrovisor.

Também é preciso considerar que numa coligação partidária cumpre preservar a identidade de cada partido coligado, numa relação de respeito mútuo. Estão juntos, porém diferenciados aos olhos do eleitorado – que os vê unidos em prol da plataforma, mas percebe que se trata de uma união entre diferentes. É como o óleo e a água postos num mesmo recipiente.

A História do Brasil é rica de conquistas populares apoiadas em alianças amplas e heterogêneas. Desde a Insurreição Pernambucana, talvez a primeira experiência de frente ampla em nosso país, que uniu trabalhadores rurais, índios, donos de engenhos e comerciantes e conseguiu expulsar o invasor holandês. Havia claras contradições entre esses segmentos sociais, mas havia também um ideal comum que os impeliu à luta. Por isso venceram.

Outro exemplo recente foi o fim da ditadura militar. Tancredo Neves se elegeu presidente num terreno preparado para perpetuar o regime, o Colégio Eleitoral, numa eleição indireta, derrotando Maluf (candidato dos militares) através de uma ampla frente que incluiu parcelas dos antigos integrantes da situação, que vieram a formar o recém-extinto Partido da Frente Liberal (atual DEM). Sem aquela amplitude a vitória seria impossível e vencer foi decisivo para o início, em 1985, do atual ciclo democrático que vivemos.

Então, entre a alegria geral e os passos do frevo e do maracatu, vale cantar os versos de Pedro Mariano (que Elis Regina imortalizou em bela interpretação): “Com esse que eu vou sambar até cair no chão/Com esse eu vou desabafar na multidão”.

Porque após o Carnaval, será a hora da onça beber água – e de concretizar as alianças, sem preconceito nem sectarismo.

O pleito de Armando

Em entrevista na Rádio CBN, ontem, o deputado Armando Monteiro Neto antecipou o seu desejo de disputar uma das duas vagas ao Senado em 2010.

É muito cedo para o lançamento de candidaturas majoritárias para uma eleição que acontecerá daqui a três anos.

Mas Armando tem o direito de pleitear e reúne condições pessoais para a missão.

30 janeiro 2008

Todo cuidado é pouco

Blog de Jamildo (ex-Blog do JC):
E depois do Carnaval?
Luciano Siqueira

Todo mundo caindo na folia e a gente falando de crise. Paciência, a alegria e a algazarra desses dias, que nos consumirão frustrações e desejos até a quarta-feira de cinzas, infelizmente não são capazes de mudar a realidade. E a realidade é que há, sim, o risco de uma rebordosa após o Carnaval.

De que estamos falando? Das repercussões em território tupiniquim da grave crise que assola a economia norte-americana.

Não custa nada botar as orelhas em pé, depois que o atual presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, avisou que "a crise é grave e atingirá os emergentes". E o nosso homem no Fundo, Paulo Nogueira Batista Jr., por sua vez, alertou que o perigo é "entrar em uma recessão com o sistema financeiro tão fragilizado e vários bancos importantes tão vulneráveis".

Tudo bem, mas a economia brasileira não está a salvo, como assegura o presidente Lula?

De certo modo sim, no sentido de que agora está muito mais preparada para a ressaca vinda do Império do que nos tempos de FHC, como anotou em recente debate Renato Rabelo.
O PIB/2007 previsível de mais de 5%, algo em torno de US$ 1,3 trilhão; o investimento cresceu 13% em relação ao ano anterior; a inflação ficou no patamar de 4,5% dentro da meta estabelecida; superávit primário de 4% do PIB; reservas internacionais próximas a US$ 180 bilhões; expansão da massa real de salários de 5,4%; juros básicos/Selic média de 11,9% no ano que passou; a dívida pública líquida estabeleceu-se em 43% do PIB; a carga tributária esta em 36% do PIB; taxa média de desemprego de 9,2% da População Economicamente Ativa; câmbio em constante valorização, de R$ 1,75 a R$ 1,80 por dólar; investimentos estrangeiros recebidos em torno de US$ 36 bilhões; superávit comercial de cerca de US$ 40 bilhões, apesar a valorização do câmbio, por causa do aquecimento da demanda global (chinesa particularmente) que tem propiciado a elevação dos preços das commodities.

São números animadores. Mas acontece que os efeitos do fim da CPMF, que subtraiu do Orçamento da União 40 bilhões de reais/ano ainda não se fizeram sentir. Estão a caminho. Como a caminho podem estar os impactos dos desacertos dos EUA.

Não é o caso de botar gosto ruim no carnaval de ninguém. Mas de chamar a atenção para o que pode vir depois, isso é. Com a permissão de todos vocês, foliões ou não.
*
PS: Luciano Siqueira é vice-prefeito do Recife pelo PC do B e escreve todas as quartas-feiras no Blog. Com a crise do PT, pode receber um monte de votos da ala insatisfeita com João da Costa, como já comecei a ouvir antes mesmo da definição da UL desta semana.

PCdoB não depende de defecções no PT

A matéria intitulada E surgem sinais de traição, no Diário de Pernambuco, carrega nas tintas quanto à possibilidade de militantes do PT optarem por minha candidatura a prefeito, por insatisfação diante da escolha do secretario João da Costa como candidato do partido.
Evidentes exageros.

Mais ainda, dá a entender que nos planos do PCdoB estaria reservado um peso destacado a essas hipotéticas defecções. Jamais isso foi posto pelo partido, e não séria ético assim proceder.

Minha candidatura está fundada em méritos próprios e na avaliação de que, no cenário que se prenuncia para a disputa, as forças governistas no Recife necessitam de mais de uma candidatura.

A excelente construção que o PCdoB tem feito da minha pré-candidatura independente da situação interna do PT. São dois fenômenos distintos e autônomos.

29 janeiro 2008

O PT e nós

Por caminhos que não cabe a um partido aliado analisar – por se tratar de assunto interno de outro partido – o PT parece ter chegado ontem ao final do processo de definição do seu candidato a prefeito no Recife. Com a desistência da postulação dos deputados Maurício Rands e Pedro Eugênio, restou mesmo o secretário João da Costa.

Esse é o fato novo na sucessão no Recife. A partir de agora o PT pode se apresentar diante dos aliados com uma definição tomada. E a nós outros, os partidos aliados, caberá o diálogo com o PT e entre si encarando a realidade como ela é. Isso quer dizer que logo após o carnaval começam as conversas para valer, a caminho de um afunilamento até meados de maio. Em junho acontecerão as convenções partidárias.

28 janeiro 2008

Bom dia, Ascenso Ferreira

Maracatu

Zabumbas de bombos
estouros de bombas
batoques de ingonos,
cantigas de banzo,
rangir de ganzás...

— Loanda, Loanda, aonde estás?
Loanda, Loanda, aonde estás?

As luzes crescentes
de espelhos luzentes,
colares e pentes,
queixares e dentes de maracajás...

— Loanda, Loanda, aonde estás?
Loanda, Loanda, aonde estás?

A balsa no rio
cai no corrupio,
faz passo macio,
mas toma desvio
que nunca sonhou...
— Loanda, Loanda, aonde estou?
Loanda, Loanda, aonde estou?

Surpresa

Noticia o Valor Econômico hoje que, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2006, os servidores públicos são mais bem remunerados que os empregados em empresas privadas nas três esferas de governo e nos três níveis de escolaridade, com exceção dos funcionários municipais com curso superior. Os funcionários públicos ganham mais, no Brasil, do que os trabalhadores na iniciativa privada.

Será?

Poetas e poemas

A página de poesia INTERPOÉTICA, editada por Cida Pedrosa e Sennor Ramos, anuncia entre outras atualizações uma entrevista exclusiva da escritora Luzilá Gonçalves ao poeta Raimundo de Moraes e fala sobre literatura feminina, sua carreira e a sua relação com as editoras; e uma crônica do escritor Márcio D’Oliveira a poetisa Deborah Brennand. E destaque o poema de Ascenso Ferreira, que transcrevemos como o nosso escolhido de hoje (veja postagem seguinte).

27 janeiro 2008

História: 27 de janeiro de 1881


Nascimento e seus jangadeiros, em periódico da época
Os jangadeiros do Ceará, liderados por Francisco Nascimento, o Dragão do Mar, se recusam a embarcar escravos para o Sul. Ganha força a ala popular-radical da Campanha Abolicionista. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

“Uma nova agenda se impõe no Recife”

. Com esse título, o Jornal do Commercio publica hoje, domingo, entrevista de página inteira em que sou argüido por dois dos mais competentes repórteres de nossa imprensa, Ana Lúcia Andrade e Paulo Sérgio Scarpa. O tema é a sucessão no Recife.
. Um trecho: “JC – Como o senhor vai trabalhar sua candidatura, de modo a ser compreendido como o representante da atual gestão, se o senhor disputar com um candidato defendido pelo prefeito João Paulo? - LUCIANO – Todos somos representantes da gestão João Paulo. Na campanha seremos candidatos. Mas o desafio dos candidatos não é apenas defender a gestão de João Paulo. É enfrentar a nova agenda da cidade. Uma nova agenda que independe do governo. Ela é decorrente de mudanças importantes na economia e na vida social de Pernambuco. Ao encarar a nova agenda, existe uma abordagem técnica e uma política. Não posso antecipar que vou ser diferente dos demais nisso ou naquilo porque ainda não vi nenhum deles discutir essa nova agenda. Nem sei qual a compreensão que eles têm da defesa do nosso governo."
. Outro trecho: “...serei um candidato capaz de defender com competência o projeto vitorioso do governo João Paulo, capaz de enfrentar à altura os problemas da nova agenda, capaz de enfrentar o debate com os adversários, de ter uma relação respeitosa com os concorrentes e de agregar forças políticas e sociais. Por tudo isso, não colocamos em nossa agenda a discussão de retirar candidatura. Minha candidatura está posta como uma necessidade para o conjunto das forças.”
. Se você é assinante do UOL ou do JC, acesse http://jc.uol.com.br/jornal/2008/01/27/not_267743.php. Ou me solicite o texto integral pelo e-mail lucianosiqueira@uol.com.br, que terei o prazer de lhe enviar.

26 janeiro 2008

Política municipal furta-cor

É o que temos dito: a diversidade regional e local é tamanha em nosso país que isso se reflete no desenho das alianças político-partidárias para as eleições municipais. O jornal O estado de São Paulo divulga hoje um levantamento que mostra que, de 16 capitais de Estado, 14 têm os partidos da base do governo como concorrentes entre si.

Assim, se cumprir as intenção de ir Apenas às cidades onde todos estejam juntos desde o primeiro turno, Lula quase não participará da campanha. Na prática, as coisas acontecerão de outro modo e o presidente haverá de encontrar um meio de prestigiar a todos os aliados, como fez na recente campanha para presidente e governador.

História: 26 de janeiro de 1654


A frota holandesa: de volta à Europa
Os holandeses se rendem no Recife, após 8 anos de insurreição conduzida por brasileiros, pois Lisboa fizera as pazes com a Holanda. O domínio português ainda perdurará por quase 2 séculos, mas fica a forte tradição irredentista, sobretudo de Pernambuco. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Bom dia, Glauce Gouveia

Recomeçar

O Carnaval tá chegando.
As fantasias estão à vista
Oportunidade para esconder a tristeza...
Mascarar o choro, pintá-lo de riso!
Colorir as lágrimas, encher de brilho o rosto marcado pela dor.
Enfeitiçar a alma!
Enganá-la com purpurinas que o vento leva...
Distrair-se com alegorias que vêm e vão... como tudo nesta vida!
Quem sabe acreditar na festa como ponto de partida.
E recomeçar...
De novo...

O 18 Brumário e o apoio de João Paulo

De Hermano Cortez sobre nosso artigo O 18 Brumário e as eleições municipais (ver postagens anteriores): Li o 18 Brumário. Ótimo texto. Confesso que tenho dificuldade de compreender o contexto da época, porém a leitura me levou a entender melhor mo que se passa no Recife, ou melhor, me levou a me interessar mais pelo que pode estar por trás de declarações e atitudes dos líderes e dos partidos. Estou entendendo que sua candidatura é uma ótima solução, representa os interesses das classes trabalhadoras e também de todos os democratas da cidade e por isso merece o apoio do prefeito Joao Paulo, que por sua vez não pode lhe apoiar agora porque vocês são de partidos diferentes, mas acho que ele vai se dedicar de corpo e alma à sua campanha se você for ao segundo turno. A partir de agora vou acompanhar cada passo com mais atenção.
*
Hermano amigo, o 18 Brumário é um clássico, a primeira análise de uma conjuntura política dada feita à luz do materialismo histórico procedida exatamente pelo seu fundador teórico, o próprio Marx. Serve para a compreensão da situação política na França de então, e serve como ferramenta para que possamos tentar compreender as situações políticas nas quais estamos inseridos.

Você está certo. João Paulo tem que apoiar um candidato do PT, atém por uma questão de fidelidade partidária. Mas me apoiará firmemente, num hipotético segundo turno, e se sentirá confortável se vencermos o pleito pela confiança que ele tem no PCdoB e em nossa capacidade de dar continuidade ao que estamos fazendo e ao mesmo tempo enfrentarmos a nova agenda da cidade, relacionada com o momento novo de crescimento econômico que Pernambuco começa a viver. (LS).

PSDB faz oposição ao povo

O conhecido jargão da política – “Fazemos oposição ao governo, e não ao país”- decididamente não se aplica ao PSDB. Depois de ter contribuído decisivamente para o fim da CPMF, que retirou do Orçamento governamental 40 bilhões/ano, com graves repercussões sobre as políticas sociais básicas, agora os tucanos entram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade contra uma iniciativa mais do que correta e oportuna do governo: a disponibilização de bolsas do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci).

Os tucanos alegam que existe a possibilidade de as bolsas serem utilizadas como moeda eleitoral nas disputas municipais deste ano.

O programa concede aos participantes bolsas que variam de R$ 100 a R$ 400, com o fim de desenvolver ações comunitárias e propiciar a freqüência em cursos de formação profissional como parte das ações de prevenção da violência criminal urbana.

Para o PSDB a segurança dos cidadãos não pode ser cuidada em ano eleitoral...

PCdoB e PT: respeito mútuo

Quase diariamente somos instados a opinar sobre as dificuldades entre as correntes do PT no Recife. Invariavelmente esclarecemos que para nós do PCdoB é uma espécie de regra de ouro não nos imiscuir nos assuntos internos de partidos aliados. Questão de respeito.

Nesse caso, inclusive, vale anotar que o PCdoB guarda excelentes relações com todas as correntes do PT, sem exceção.

Sob esse prisma devem ser lidas minhas declarações no Diário de Pernambuco de hoje (“Luciano adota cautela”): "Essa é uma questão interna do PT", definiu. Ele, no entanto, fez questão de dizer que se o PT optar por João da Costa será uma boa escolha. "Ele é um companheiro sério e uma pessoa de confiança. Tem, portanto, todas as condições para ser candidato", observou.

De outra parte, ainda na matéria, esclareço mais uma vez que a candidatura do PCdoB não depende da solução adotada pelo PT, “até porque ela não se justifica pelos problemas do PT, mas pela compreensão do cenário da disputa que está se desenhando".

Prossegue a matéria do Diário de Pernambuco: O vice-prefeito argumenta que o campo da esquerda tem que se preparar para encarar as candidaturas da oposição. "Vamos enfrentar um quadro de vários postulantes. Então, acho que entrar na disputa com nomes de perfis diferentes seria mais adequado".

25 janeiro 2008

O olhar de Enio sobre a crise dos EUA

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Lula e a diversidade regional

Na Folha de Pernambuco de hoje (www.folhape.com.br), matéria assinada por Jairo Lima refere a minha compreensão acerca do propósito do presidente Lula de se eximir de comparecer às eleições municipais onde as forças que apóiam o governo – nada menos do que onze legendas partidárias – não estejam unidas em torno de uma única candidatura.

Como digo no texto, o posicionamento do presidente Lula não altera o quadro da sucessão municipal no Recife. Se o presidente diz que quer a união de partidos, sabemos que apóia as outras legendas também. Isso estimula as candidaturas de siglas componentes da sua base de Governo.

O gesto do presidente é importante e deve ser considerado. Mas certamente Lula não desconhece a enorme diversidade regional e intra-regional que caracteriza a sociedade brasileira, e que se reflete nas disputas eleitorais locais. A partir mesmo das capitais e grandes cidades, vê-se que os principais partidos da base de sustentação do governo ensaiam candidaturas concorrentes. É natural e não implica em dispersão definitiva (sobretudo onde a eleição se dará em dois turnos), nem em desavenças sobre o projeto estratégico comum.

Em Pernambuco, por exemplo, o desafio é ultrapassarmos o episódio eleitoral de outubro convivendo respeitosamente com as divergências e disputas locais, mantendo contudo a convergência de propósitos para o pleito de 2010. Aqui nossas forças estão amadurecidas o suficiente para alcançarem êxito nessa empreitada.

Boa tarde, José Martí


Quem vê um monte de espumas

Quem vê um monte de espumas,
é bem meu verso o que vê:
é meu verso um monte, e é
também um leque de plumas.

Meu verso é como um punhal
cujo punho é florescente:
é meu verso uma nascente
que lança água de coral.

Meu verso é de um verde claro
e de um carmim incendido:
meu verso é um cervo ferido
que busca no monte amparo.

Meu verso ao valente agrada:
meu verso, breve e leal,
tem o vigor imortal
do aço de que é feita a espada.

Lição de paciência

"Deixo o tempo lhe mostrar/Nossa historia é mesmo assim"(Ana Carolina -Claridade).

História: 25 de janeiro de 2001

1ª edição do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, Brasil: 20 mil participantes; 4.700 delegados de 117 países, 1.870 jornalistas credenciados, 420 oficinas. De conteúdo antineoliberal, é o contraponto do Fórum "Econômico", dos ricos, em Davos. Em poucos anos, firma-se como referência. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

CTB nasce robusta

A nova central sindical, democrática e classista – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, CTB – nasceu com uma base inicial expressiva: 563 sindicatos.

Defende como bandeiras centrais a reforma agrária, a redução da jornada de trabalho e o desenvolvimento com soberania e valorização do trabalho.

O buraco é mais embaixo

A Agência Brasil noticia que a análise das pesquisas mensais de Emprego e Renda do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para as seis regiões metropolitanas pesquisadas demonstra que mesmo com o aumento de 7,7% nos últimos quatro anos da média de rendimento mensal real dos trabalhadores, ainda não foi possível recuperar as perdas de 2002.

Ou seja: acelerar o crescimento econômico tem um sentido social inequívoco. E á a solução para reduzir essa defasagem apontada pelo IBGE.

24 janeiro 2008

Plataforma de unidade

Coluna semanal no Vermelho www.vermelho.org.br:
O conteúdo das alianças
Luciano Siqueira

Parece simples, mas não é. A plataforma de unidade de partidos que se aliam para a luta eleitoral é tão necessária quanto sujeita a dificuldades e percalços.

Começa que nem sempre é valorizada por todos os parceiros. Para alguns, é quase como uma obrigação formal, um documento cujo destino é a gaveta. Basta a perspectiva do êxito eleitoral e um bom acordo em torno de interesses comuns de curto prazo. Para outros, não; a plataforma conta, seja para balizar compromissos para com o povo e entre os partidos coligados, seja para definir o foco do discurso. E, por conseguinte, orientar a propaganda.

E não valem apenas proclamações gerais. Importa ferir problemas estruturais combinados com os que emergem da insatisfação e das expectativas do eleitorado. E considerar as peculiaridades locais. O centro da proposta para Caruaru certamente é bem diferente da proposta para Caxias do Sul ou para Mossoró.

Aí entra outro diferencial. Onde nossas forças estão na oposição, a crítica ao governo atual e o anúncio do que pretendemos fazer é o que conta. Tentamos ser a novidade do pleito, na posição mais o menos confortável de quem promete fazer diferente. A idéia da mudança é, em geral, bem acolhida.

Mas onde já somos governo, a exigência é maior. É preciso defender o projeto político-administrativo em curso, acenando com a continuidade do quem vem dando certo; e ao mesmo tempo aduzindo propostas novas. Caso do Recife, por exemplo. São expressivas as realizações de duas gestões consecutivas. Nas políticas sociais básicas, nas intervenções urbanísticas de sentido estrutural, na democratização da gestão, na inserção do governo municipal na luta geral por um projeto nacional e democrático de desenvolvimento. Porém será necessário avançar muito mais ainda, enfrentando uma nova agenda relacionada com o novo ciclo de crescimento econômico que se inicia no estado, puxado por grandes empreendimentos estruturantes da economia local, com rebatimento importante sobre a vida na Região Metropolitana da qual o Recife é a cidade-pólo.

Por isso, cá na província, uma variável irrecusável da costura das alianças partidárias é a construção da plataforma eleitoral comum. Para que a unidade política tenha consistência necessária.

Conduta cautelosa

Se antes, num ambiente internacional considerado favorável, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já se caracterizava pela excessiva cautela na administração da Selic, ontem não poderia dar outra: a manteve em 11,25%. Por unanimidade.

A justificativa, razoável, no caso, é a conjuntura macroeconômica mundial e o risco de pressões inflacionárias.

Ainda bem que a ministra Dilma, na apresentação do balanço do PAC, antes de ontem, afirmou que a aceleração do crescimento é a nossa maior vacina contra as turbulências internacionais.

Bom dia, Guilherme de Almeida

Nós

Nessa tua janela, solitário,
entre as grades douradas da gaiola,
teu amigo de exílio, teu canário
canta, e eu sei que esse canto te consola.

E, lá na rua, o povo tumultuário
ouvindo o canto que daqui se evola
crê que é o nosso romance extraordinário
que naquela canção se desenrola.

Mas, cedo ou tarde, encontrarás, um dia
calado e frio, na gaiola fria,
o teu canário que cantava tanto.

E eu chorarei. Teu pobre confidente
ensinou-me a chorar tão docemente,
que todo mundo pensará que eu canto.

23 janeiro 2008

Mais sobre A mosca e o elefante

. No Blog da Folha hoje, uma referência ao nosso artigo A mosca e o elefante. O título da postagem de Natália Kozmhinsky carrega nas tintas: Luciano Siqueira ataca a oposição.
. Veja http://www.blogdafolha.com.br/

Lição de desencontro

"Tire o seu sorriso do caminho/Que eu quero passar com a minha dor" (Nelson Cavaquinho - A flor e o espinho).

João Paulo faz o que deve

Pergunta recorrente e que nos últimos dias tem aumentado de intensidade: "Por que João Paulo não indica você como candidato a prefeito?” Alguns ainda acrescentam a opinião de que estaria havendo uma “injustiça” por não ser o vice-prefeito o escolhido.

Nossa resposta tem sido sempre a mesma: João Paulo faz o que deve.

É legítimo que o PT apresente candidato a prefeito no Recife e é absolutamente correto que o prefeito João Paulo se empenhe na escolha do candidato e na futura campanha do seu partido. Até por uma questão de fidelidade partidária.

De outra parte, mesmo conservando a opinião de que se deva apresentar apenas um nome representativo das forças governistas, desde o primeiro turno, ele tem dado múltiplas e inequívocas demonstrações públicas de respeito à tese das múltiplas candidaturas, defendida pelo PCdoB e por outros partidos aliados. E não alterou um milímetro sequer sua conduta sempre fraterna e solidária para com o PCdoB e o seu vice-prefeito.

Portanto, não há nenhum tipo de “injustiça” praticada pelo prefeito.

Quanto à nossa pré-candidatura, continua progredindo a passos seguros e sem qualquer atrito ou desencontro com o PT e o prefeito.

No conjunto, as forças aglutinadas em torno dos governos Lula, Eduardo Campos e João Paulo reúnem condições de vencer o pleito no Recife – desde que saibam manter o bom entendimento entre si.

Déficit de moradias

No Blog de Jamildo:
O PAC e a questão habitacional
Por Luciano Siqueira

Inquestionáveis méritos à parte, em especial o de recolocar o desenvolvimento numa posição de destaque na agenda do país, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) não deixa de ser uma tentativa de recuperar o tempo perdido.

Ou seja: procura saldar uma dívida acumulada em quase três décadas de semi-estagnação da economia.

Ainda não representa, o PAC, uma resposta aos desafios atuais.

Daí porque o balanço de um ano do Programa, apresentado ontem pelo governo, permite a um só tempo regozijo e preocupação.

Regozijo porque houve uma sensível redução do atraso das obras e ações. O percentual de iniciativas com cronograma adequado subiu para 86% em dezembro de 2007, contra 80% em agosto (quando foi divulgado o segundo quadrimestre do programa).

As ações com ritmo que exigem atenção aumentaram de 10% (agosto) para 12% (dezembro). Aquelas em situação "preocupante" foram reduzidas de 10% para 2%.

Mas os motivos para preocupação estão fundados em duas questões mais do que relevantes.
A primeira, a dificuldade processual de dar celeridade ao conjunto dos procedimentos. Aí pesam entraves de natureza jurídico-formal, a ineficiência da máquina, a inércia devida aos vícios da burocracia estatal e mesmo modos de gestão que ainda deixam a desejar.

A segunda está no fato de que os investimentos em habitação, embora um notável avançado em relação aos governos passados, estão ainda muito distante de atenderem as demandas acumuladas.

A carência de habitação, nesse sentido, é emblemática. O déficit habitacional diminuiu em termos relativos, mas aumentou em números absolutos, entre 2000 e 2005: passou de pouco mais de seis milhões de moradias para 7,9 milhões de unidades, correspondendo a uma queda relativa de 16% para 14,9% - conforme o estudo intitulado "Déficit Habitacional no Brasil 2005", realizado pela Fundação João Pinheiro em parceria com a Secretaria Nacional de Habitação, do Ministério das Cidades.

O que atinge em cheio a população mais pobre: 88% do déficit se situa na faixa das famílias cuja renda é de até três salários mínimos.

Moral da história: o PAC é benfazejo, mas precisamos avançar muito – e rápido – para enfrentar o drama habitacional do país.
PS: Luciano Siqueira é vice-prefeito do Recife pelo PC do B e escreve todas às quartas-feiras no Blog

História: 23 de janeiro de 1914


Barricadasertaneja
Revolta de Juazeiro (CE). Vitória dos sertanejos sob liderança do pe Cícero e de Floro Bartolomeu contra a polícia do Ceará. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Eleição e luta de idéias

De Audísio Costa sobre o artigo A mosca e o elefante (ver abaixo postagem anterior):
É natural as críticas feitas pela oposição, em especial no período pré e eleitoral. Vender uma imagem negativa de um governo cuja hegemonia defende os interesses da classe trabalhadora é natural para que as forças conservadores consigam enganar os menos avisados. O processo de transformação social ocorre ao longo do tempo. Portanto envolverá várias gestões, nas diferentes esferas de governo.

Não é por acaso que as notícias positivas do governo Lula sempre vêm juntas de uma sobre tragédia ou algo extremamente absurdo. Tal visa minimizar a atenção para o feito uma vez que o absurdo tem maior ação sobre a mente, tanto do ponto vista visual quanto emotivo. Desta forma fica difícil perceber-se dos avanços promovidos pelo governo.

Um exemplo recente é que as notícias sobre o crescimento econômico e social do país só foram mostradas, de forma sutil, no centro das festas natalinas. Ora, neste período as atenções são preferencialmente voltadas par estes festejos e ações de solidariedade cristã. Logo o aspecto político do crescimento econômico e social não podem assim serem considerados pela população que passou todo o ano vendo e ouvindo a mídia dizer que o país não cresce.

A discussão de natureza ideológica não interessa às forças conservadoras. Elas sobrevivem graças à alienação política de grande massa da população e seu poder econômico. Vencida a primeira , isto é, elevando a consciência política da população, em especial da classe trabalhadora, o poder econômico por si só não tem condições de dar sustentação à burguesia no poder.

Portanto camarada Luciano Siqueira estejamos prevenidos para o que vem nestas eleições municipais. Será "chumbo grosso" durante toda fase pré e eleitoral. A questão essencial é de natureza ideológica, sociedade socialista versos capitalista, mas o que vamos ver, infelizmente, é o debate puramente administrativo.

22 janeiro 2008

Compreensão e paciência

Toda instituição tem a sua cultura própria e, eventualmente, problemas internos que necessita solucionar antes de interagir externamente em plenitude. Vale, em certas circunstâncias, para partidos políticos.

No caso do PT do Recife, são públicas as dificuldades – que geram ansiedades em alguns aliados em razão do momento pré-eleitoral. Entretanto, há que se acreditar na possibilidade de um entendimento entre os petistas, até porque as lideranças diretamente envolvidas têm em comum, além da tradição de militância no partido, experiência acumulada e compreensão do papel decisivo que cabe ao PT no embate de outubro.

Aos partidos aliados, que não podem nem devem se intrometer nos assuntos internos do PT cabe paciência e tolerância. A pressa, nesse caso, em nada ajuda.

Contágio televisivo

De Carlúcio Castanha, metalúrgico, sindicalista e militante do PT:
. Estava internado no Hospital Português para tratar da minha cardiopatia quando fui infectado com o vírus da febre amarela.
. Um absurdo! Sabem como adquiri o vírus? Pasmem! Me contaminei assistindo o noticiário da TV Globo. Fiquei com febre amarela pela telinha da TV Globo.
. Meus camaradas! Levanta-te! A Rede Globo passou do limite da manipulação da informação. Sua campanha está deixando a população de algumas regiões do País em pânico. Tem gente em Goiás que se vacinou duas vezes na mesma semana e teve choque anafilático. Isso é crime! A Globo está fabricando calamidade! Isto é liberdade de expressão? Pode?
. Vamos dar um basta nesta brincadeira antes que seja tarde!
. Como a TV Globo está exagerando muito, por exemplo: passou três dias anunciando que aumentou para 5 o número de mortes por febre amarela, fica vulnerável à desmoralização. E o carnaval é uma boa ocasião para o escárnio. Proponho um bloco da febre amarela, todo mundo pintado de amarelo, vestido de amarelo cantando uma adaptação daquela marchinha que foi propaganda das casas José Araújo há dez anos atrás:

Davanira! É ela
Você pode pegar febre amarela
Toda vez que você liga a TV
A rede globo vai picar você com ela

.Vamos à luta! É guerra ideológica pura.
Na foto, Carlúcio entre o prefeito e o vice-prefeito, seus grandes amigos.

21 janeiro 2008

Crime e castigo

Boa notícia veiculada hoje pela Agência Brasil. Só este ano 437 pessoas deixaram o cargo por irregularidades cometidas no exercício de suas funções. Ou seja: sob o governo Lula, em que os órgãos investigativos – no caso a Corregedoria Geral da União - têm liberdade e autonomia, o uso do cargo para obter vantagens pessoais ou para terceiros e improbidade administrativa dá em perda de poder e posterior processo judicial.

Do total, 386 foram casos de demissão, 22 de destituições de cargo e 29 de cassações de aposentadorias. A CGU informou ainda que, desde 2003, 1.622 agentes públicos foram expulsos, sendo 1.421 demissões, 108 destituições de cargos de confiança e 93 cassações de aposentadorias.

História: 21 de janeiro de 1984

Ocupação do MST, vista por Sebastião Salgado
Encontro nacional de 4 dias em Cascavel, PR, funda o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), que terá notável presença nas lutas sociais dos anos 90. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Lição de vida

"Fundamental é mesmo o amor é impossível ser feliz sozinho" (Tom Jobim - Wave).

Redução da jornada e tributação progressiva

O lançamento hoje, em São Paulo, do abaixo-assinado de apoio à redução da jornada de trabalho sem redução de salários é uma iniciativa oportuna. No momento em que o crescimento econômico dá sinais de avanço, faz-se necessário reduzir a carga dos trabalhadores e ampliar oportunidades de ocupação para reduzir o desemprego.

Também é oportuno o manifesto pela mudança da estrutura tributária brasileira, fundada no princípio da progressividade (quem ganha menos paga menos, quem ganha mais paga mais) e com a adoção de propostas como o IGF (Imposto sobre Grandes Fortunas), entre outras que serão apresentadas.

Bom dia, Rosangela Maria Ferraz Dutra


Onça coração

Fala meu corpo línguas ligeiras
Transparece na gata doméstica
a onça desgarrada,
fugida da selva.
Onça pintada, unhas feitas.
Perfeitamente entregue a devaneios.

Loucura límpida e desejada.
Louça e fogão.

Aécio sabe jogar

Se há algo que não de pode cobrar do governador de Minas Gerais, o tucano Aécio Neves, é habilidade política – que tem de sobra, ao estilo do avô, Tancredo Neves. Diante do anúncio de prévias para a escolha do candidato do PSDB à presidência da República, em 2010, antecipa-se ao afirmar: 1) que se dispõe a apoiar qualquer outro nome do partido que esteja em melhores condições; 2) que esta muito cedo para tratar do assunto.

Na verdade, uma aliança Aécio-Serra (governador de São Paulo) pode se converter num trunfo importante da oposição na sucessão de Lula. Do lado de cá é bom que ninguém subestime isso.

20 janeiro 2008

Lula, Cuba e a geopolítica mundial

A diferença, 40 anos depois
Sérgio Augusto Silveira*
sergioaugusto_s@yahoo.com.br

Vale uma avaliação da macropolítica, saindo um pouco do clima sucessório municipal. Essa macro é, neste momento, o lance mais ousado que está sendo praticado pela política externa brasileira, permitindo-nos notar a diferença enorme face a conjuntura de 40 anos atrás, marcada pela edição do Ato Institucional nº 5. Refiro-me a decisão do Governo brasileiro em desconhecer, ousadamente, o interesse imperial norte-americano e anunciar investimentos, em diversas áreas, somando nada menos que um bilhão de dólares na economia de Cuba.

Trata-se de gesto ousado porque, escancaradamente, afasta do caminho, sem pedir licença, o bloqueio econômico e diplomático americano contra a República Socialista de Cuba, cuja economia, por causa desse isolamento, tornou-se esquálida ao longo destes 49 anos de regime anti-capitalista. As únicas iniciativas anteriores para furar o bloqueio foram alguns gestos de membros da Comunidade Econômica Européia, a exemplo da Espanha que instalou, através do grupo Meliá, unidades hoteleiras para fins turísticos na ilha do herói libertário José Martí.

Essa passo importante dado pelo Governo brasileiro não tem nada de anti-capitalista, anti-Estados Unidos. Atende, sim, uma exigência estrutural deste sistema econômico, que é a sua necessidade de expansão e ingresso nas áreas, digamos, ainda virgens de investimentos pesados por parte de empresas privadas e estatais. Um deles, para exemplificar, será o ingresso da Petrobrás, com milhões de dólares, para explorar um campo petrolífero cubano, que de há muito sabe-se de sua existência.

Preocupado com o fantasma horrendo da recessão em seu arraial, os Estados Unidos – hoje com a atenção voltada para as eleições primárias para a sucessão de George Bush e temerosos com os sinais já mostrando a recessão econômica – não cometeram o menor gesto ou palavra para sair, como ocorreu em vezes anteriores, em defesa do bloqueio para isolar a experiência socialista cubana. O presidente Luiz Inácio da Silva se fez presente na ilha, diante das câmeras, microfones e jornais de todo o mundo, e não foi alvo da cara feia do império americano. Este, de resto, já deve ter compreendido que trata-se de uma investida do capital, como saída para a inclusão de Cuba neste contexto de avanço e desenvolvimento material do continente.

Realmente, uma diferença importantíssima está aí, revelando que as relações do gigante do norte com a América Latina, não são mais as mesmas que nos tempos do presidente democrata John Kennedy, um promotor do bloqueio. Agora, o que prevalece é a confiança nos vizinhos. Para isso, os anos de crescimento da economia brasileira dão o exemplo. E seus frutos se espalham, inclusive na direção da República Socialista do presidente Fidel Castro, necessitada de muito capital.
* jornalista

19 janeiro 2008

Tuberculose em foco

. Na Ciência Hoje On-line, Jerry Carvalho Borges, em sua coluna Por dentro das células, analisa a evolução da tuberculose como grave problema de saúde coletiva.
. “A grande maioria de nós que usufruímos dos confortos da vida moderna certamente terá dificuldades para imaginar a presença em nosso meio de doenças como a tuberculose, uma enfermidade associada com um período histórico anterior ao desenvolvimento de boa parte dos medicamentos”, diz ele.
. Após fazer referências científicas sobre a natureza da enfermidade e seu padrão de evolução, ele afirma que “a esperança para o combate a tuberculose situa-se na expectativa da descoberta de algum medicamento ou vacina mais efetivos ou de um tratamento mais curto. Porém, essas pesquisas necessitam de investimento financeiro e a tuberculose, apesar de responsável por um número tão grande de mortes, ainda é diagnosticada com um método originado em 1890, prevenida por uma vacina pouco efetiva e tratada por medicamentos criados na década de 1960.” . E arremata alertando para o fato de que “a grande maioria das pessoas infectadas pelo bacilo de Koch é pobre e, por isso, desassistida. Devemos, porém, nos lembrar que elas têm o mesmo direto de cidadãos como nós e que a disseminação de doenças como a tuberculose pode gerar uma bomba de efeito retardado, que futuramente afetará a todos de forma igual e indistinta. Afinal, você daria crédito a alguém que, alguns anos atrás, falasse sobre os riscos de epidemias de dengue e da febre amarela?”
. Confira a matéria na íntegra http://cienciahoje.uol.com.br/109805
Na foto, A criança doente, tela de 1885 do norueguês Edvard Munch (1863-1944), retrata sua irmã Sophie, que morrera de tuberculose aos 15 anos.

Camomila sem fonte...

Na Folha de Pernambuco de hoje, matéria intitulada Luciano Siqueira recomenda “chá de camomila” e assinada por Renata Gondim transcreve parte de nossa postagem de ontem Recife: carnaval e camomila.

A transcrição é cuidadosa, embora não faça referência à fonte, ou seja, ao nosso blog.

18 janeiro 2008

Recife: camomila e carnaval

Abra as páginas dos jornais de hoje e você verá, mais uma vez, no campo das forças políticas que no Recife fazem parte da grande coalizão que apóia os governos Lula, Eduardo Campos e João Paulo, lances de um imbróglio preocupante.

Não envolve a todos, é verdade. Situa-se particularmente no interior do PT, o principal partido no governo municipal, a legenda a que pertence a maior liderança política da cidade, o prefeito João Paulo. Mas inquieta os aliados.

Há questões internas ao PT sobre as quais jamais opinarei. Essa é uma regra de ouro do PCdoB, não se intrometer em assuntos internos de partidos aliados. Porém o que acontece no âmbito do PT provavelmente tem a ver com algo mais amplo, que é a transição que se opera em nosso campo de forças – transição iniciada em 2000, com as expressivas vitórias obtidas no Recife e em Olinda e impulsionada pela vitória de Eduardo Campos em 2006, na qual antigos e novos atores (lideranças e partidos) são chamados a ocupar novos papéis na cena política.

Transição, do ponto de vista teórico, é uma categoria dialética. Que se expressa na vida ora de maneira morna, quase latente e lenta; ora de forma acirrada, conturbada. Na essência é um processo conflitante, em que o novo (ainda não consolidado) substitui o velho (que resiste).

Por tudo isso, é preciso transitar nesse processo com muita serenidade, equilíbrio e bom senso. Nem que se tenha que recorrer ao chá de camomila (melhor do que lexotan, que pode gerar dependência). E fazer do Carnaval um instante de saudável confraternização.

História: 18 de janeiro de 1928

Quadro da cena da escadaria, seqüência mais célebre do filme
Estréia na URSS o filme Encouraçado Potenkin, de Sergei Eisenstein. Mudo, relata uma rebelião de marinheiros na Revolução de 1905. Mudo, é para muitos a obra-prima do cinema mundial. No Brasil, permanece proibido durante a dutadura. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Construção em alta

. Tradicionalmente este é um bom indicador de aquecimento ou de retração das atividades econômicas.
. Os fabricantes de materiais de construção registraram em 2007 o maior crescimento das últimas duas décadas. A Abramat, associação que representa o setor, informa que o faturamento da indústria avançou 15,5%, superando os R$ 73 bilhões. "Não víamos uma expansão como esta desde a década de 80. O setor está entrando em um novo patamar", afirma Melvyn Fox, presidente da entidade.
. O avanço foi puxado pelo segmento imobiliário, em especial o residencial. De acordo com a Abramat, em 2008 o setor deve ter um patamar de crescimento semelhante ao deste ano, caso as obras do PAC avancem de fato.
. Falta acrescentar o rebatimento dessa expansão sobre o mercado de trabalho. O setor é um dos que mais empregam mão de obra.

Lição de leveza

“A felicidade é como a gota/De orvalho numa pétala de flor” (Vinícius de Moares e Antonio Carlos Jobim – A felicidade).

Bom sinal

Ainda é insuficiente, claro, para atender a demanda reprimida. Mas o dado é significativo. O governo anuncia que foram criados 1,6 milhão de postos de trabalho em 2007, 31,6% a mais que em 2006 e recorde desde a criação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Vejamos seja a tendência prospera.

Elogio suspeito

The Economist opina que a economia brasileira está "bem posicionada" para enfrentar os reflexos da crise de crédito dos Estados Unidos, mas não imune ao que possa acontecer ao resto do mundo. Sublinha pontos favoráveis ao Brasil, como a expansão da demanda doméstica, a maior integração aos mercados globais e a menor vulnerabilidade aos mercados externos.

Parece verdade. Mas desconfie. The Economist, revista britânica, é a principal publicação do grande capital financeiro no mundo. Durante a última campanha presidencial no Brasil, divulgou em editorial criticando Alckmin, candidato do PSDB, por ter abandonado a bandeira da privatização das estatais estratégicas ao desenvolvimento do país.

Elogio de inimigo deixa a gente de orelha em pé...

A promessa e a prática

De Odimariles sobre o 18 Brumário (confira abaixo postagens anteriores): Em relação a minha opinião sobre 18 Brumário, queria esclarecer que não li ainda a Obra, mas gostaria de dizer algumas coisas sobre esta parte do texto: "O comentário é oportuno, agora que se iniciam praticamente em todo o país conversações entre lideranças e partidos tendo em vista a batalha eleitoral que se avizinha. Vale particularmente para os partidos à esquerda, chamados a intervir no cenário mediante postura ampla e flexível, ousada e hábil.”

A estes partidos? E de resto a todas as forças que tenham um mínimo de maturidade? Não se dispensa, em cada município, a análise concreta da correlação de forças atual e de fatores que poderão alterá-la adiante; a fixação de objetivos claros e viáveis; e a definição de um roteiro político e eleitoral realista?

Esse é o nó que atravessa a minha garganta, "a fixação de roteiros... "é de certa forma viável nesse período pré- eleitoral, minha preocupação entretanto é mantê-los! O italiano diz assim: "Tra il dire ed il fare cè in mezzo il mare” (entre o dizer e o fazer existe o oceano no meio) estou sendo pessimista?
Não, estou sendo realista. Os fatos me têm demonstrado que é assim.
O que você acha?
*
Você tem razão, Odi, quando observa uma defasagem, senão um desacordo mesmo, entre o que se diz e o que efetivamente se faz, na experiência de muitos partidos políticos. E de políticos individualmente.

Às vezes isso ocorre em decorrência de dificuldades reais, de obstáculos objetivos que se interpõem entre a vontade e a possibilidade fazer. Um exemplo trivial. Em nossos primeiros quatros anos da gestão de João Paulo, não tivemos condições de dar o tratamento que desejávamos às nossas praças; neste segundo governo, sim: e já recuperamos mais de cem praças da cidade.

O mais grave, entretanto, é a incoerência, são as chamadas promessas vãs. Ou seja, a enorme distância entre certos “roteiros” prometidos (meramente demagógicos) e a prática.

Que fazer? Penso que o crivo do povo é a solução , ainda que saibamos que isso passo por longo e tortuoso aprendizado – que em nosso país, em pouco mais de cem anos de República, tem sido, esse aprendizado, torpedeado pelos longos lapsos de autoritarismo.

Mas sou otimista. Estamos avançando e vamos avançar muito – entre perdas e ganhos, entre decepções e bons exemplos. (LS).

Bom dia, Joaquim Cardozo


Foto: Jean Paul Nacivet


Chuva de caju

Com te chamas, pequena chuva inconstante e breve?
Como te chamas, dize, chuva simples e leve.
Tereza? Maria?
Entra, invade a casa, molha o chão.
Molha a mesa e os livros.
Sei de onde vens, sei por onde andaste.
Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos.
Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas,
Onde os coqueiros se aprumam nos baldes dos viveiros
E em noites de lua cheia passam rondando os maruins.
Lama viva, espírito do ar noturno do mangue.
Invade a casa, molha o chão.
Muito me agrada a tua companhia.
Porque eu te quero muito bem, doce chuva.
Quer te chames Tereza ou Maria.

17 janeiro 2008

Recife: força, tempo e juízo

A Folha de Pernambuco de hoje publica matéria assinada por Juliana Albuquerque, da Agência Nordeste, intitulada Vice-prefeito do Recife confirma candidatura, que traduz com fidelidade a entrevista que concedi ontem nos estúdios da Rádio Folha aos repórteres Ricardo Dantas Barreto e Jota Batista. Vale a transcrição:

RECIFE – O vice-prefeito do Recife e pré-candidato à sucessão municipal, Luciano Siqueira (PCdoB), pretende manter firme a posição de lançar-se ao pleito, mesmo que a opinião de grande parte das forças de esquerda - inclusive do prefeito do Recife, João Paulo (PT) - seja a de ter apenas um postulante. Siqueira descartou que o chefe do executivo municipal tenha conversado com ele sobre a existência de um plano B, que seria apoiar a candidatura do vice-prefeito, caso o postulante preferido de João Paulo, o secretário de Planejamento Participativo João da Costa, não seja escolhido pelos integrantes do PT. “Sinceramente não há sinal nesse sentido”, declarou o comunista em entrevista concedida à Rádio Folha FM 96,7.

O postulante colocou-se como “solução, e não problema”, para os partidos governistas, e afirmou que quer ser “um candidato de chegada e não de partida”. “Se eu começar com 5%, sendo um candidato que não tem indicação de Lula, do (governador) Eduardo Campos (PSB), de João Paulo, já estaria muito bom”, frisou. O vice-prefeito ressaltou que apesar da oposição já ter indicado alguns pré-candidatos - como o deputado federal Raul Jungmann (PPS) e o ex-governador de Pernambuco, Mendonça Filho (DEM) – as forças situacionistas ainda têm tempo para lançar um ou mais postulantes. “Não estamos perdendo tempo. Quem tem força precisa ter juízo, e se tiver juízo não precisa ter pressa”, reforçou.

O pré-candidato disse que participa, a quase trinta anos, de discussões sobre a escolha de candidatos que representam as forças de esquerda, e que, em todas, a definição nunca aconteceu antes do Carnaval. Siqueira citou uma frase do ex-presidente Tancredo Neves para exemplificar a paciência que os partidos governistas precisam ter na condução do processo sucessório: “Se quiser construir algo consistente, fique rouco de tanto ouvir”.

Luciano defendeu o nome do também pré-candidato João da Costa (PT), e enfatizou que o fato das forças de esquerda lançarem candidatos do PCdoB e do PT não significará ruptura entre as siglas. “A relação entre os partidos é de convergência política, seremos concorrentes e não adversários. Não temos dúvidas de que caso formos para o 2º turno (representando o campo da esquerda) teremos o apoio do PT e a recíproca é verdadeira”, apostou.

O postulante comunista disse que, ainda hoje, a sua agenda administrativa será refeita, para que ele tenha mais tempo de conversar com os líderes dos partidos aliados. “Tenho cuidado de organizar a agenda para que não atrapalhe minha tarefa administrativa. Até hoje à tarde, ela estará sendo refeita e vou ter condições de conversar muito”, revelou.

Siqueira afirmou que está preparado para disputar as eleições e administrar a cidade do Recife, caso vença o pleito. O vice-prefeito enfatizou a importância dos candidatos à Prefeitura da Capital discutirem e apontarem soluções articuladas para os problemas da Região Metropolitana do Recife (RMR). “A eleição vai trazer à tona os problemas mais emergentes de cidades, como Jaboatão dos Guararapes e Olinda, e é interesse também de quem disputa as eleições no Recife”, ratificou.

O comunista elogiou a sensibilidade do governador Eduardo Campos (PSB) e do ex-governador Mendonça Filho (DEM), em relação aos problemas da RMR, mas fez críticas ao senador e ex-governador do Estado, Jarbas Vasconcelos (PMDB), afirmando que “ele se omitiu de fazer a boa articulação metropolitana”.

Oposição sem discurso

Coluna semanal no Vermelho:
A mosca e o elefante
Luciano Siqueira

A imagem é de Lênin, em acirrada polêmica sobre os rumos da luta revolucionária em fins do século XIX, criticando oponentes por tentarem transformar uma questão pequena e secundária no centro do debate. “Querem transformar a mosca num elefante!”, dizia.

É o que começa a acontecer nesse período pré-eleitoral, quando a polêmica em torno dos problemas municipais se inicia e tende a ganhar corpo após o Carnaval. Há casos em que a expressão do dirigente revolucionário russo se aplica. Como no Recife, em que pré-candidatos do DEM (ex-PFL) e do PPS se revezam na tentativa de generalizarem eventuais deficiências da atual gestão do prefeito João Paulo no intuito de passarem a impressão de que o governo é um fracasso.

Outro dia, por exemplo, um deles se queixava de que o ensino no Recife é uma lástima, argüindo com dados do MEC a respeito do ensino médio e se esquecendo de que cabe ao Estado, e não ao Município, a responsabilidade pela educação nessa faixa. Pior: descuidando do fato de que as deficiências apontadas são precisamente parte da herança deixada pelo governo passado, comandado pelos críticos de agora.

Jamais se investiu tanto em educação básica no Recife como agora, desde que Miguel Arraes, no início dos anos sessenta se apoiou numa rede informal de clubes sociais e esportivos, igrejas, ligas de dominó e outros para combater o analfabetismo e levar às escolas centenas de milhares de crianças então condenadas ao obscurantismo. Natural que aqui e acolá, hoje, tendo ampliado expressivamente a rede, a ponto de termos contratado, por concurso, cerca de dois mil e setecentos novos professores e mais de quatrocentos técnicos administrativos para suprimirem a nova demanda, se encontre deficiências numa ou noutra escola.

Aí vem o oposicionista e mete o pau tentando aumentar artificialmente o tamanho do problema e generalizá-lo.

Melhor seria que os que se nos opõem hoje mirassem suas críticas à nossa concepção de governo, às opções estratégicas que fizemos, ao exame dos investimentos físicos realizados, ao modo como abordamos os problemas estruturais da cidade, à prática democrática participativa instaurada, que envolve os mais diversos segmentos da sociedade.

Melhor seria, mas assim não é e nem será. Porque no embate de idéias sobre questões essenciais como essas, a direita leva flagrante desvantagem. Daí a tentativa de fazerem da mosca um elefante e, quem sabe, confundir a população.

Do lado de cá, cumpre elevar o nível do debate e centrá-lo no essencial; sem fugir entretanto de nenhuma das questões setoriais ou particulares que porventura venham à tona.

História: 17 de janeiro de 1961

PatriceLumumba em poster cubano
Assassinado no Congo o herói da independência da África Patrice Lumumba, a mando do coronel Mobuto, supostamente ao tentar fugir da prisão. Mobuto mergulhará o país na ditadura até 1997. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Lição de paciência

“Vou sofrendo sem dizer nada a ninguém/A razão dá-se a quem tem” (Noel Rosa - A Razão Dá-se a quem tem).

Recife: tempo e processo

Natural a ansiedade de alguns que nos perguntam acerca dos passos atuais e seguintes na construção da candidatura do PCdoB à Prefeitura do Recife. Alguns chegam a cobrar o anúncio de que a candidatura seria irreversível, a nomeação de uma coordenação e uma definição antecipada de pontos do chamado programa a ser sustentado pelo candidato.

É preciso compreender em que momento do processo pré-eleitoral nos encontramos no Recife – que a rigor agora e que se inicia, tendo em conta o começo das tratativas entre partidos e lideranças políticas. O momento é de incrementar o diálogo e, ao mesmo tempo, ampliar e dinamizar a discussão na base da sociedade.

Depois, cabe enxergar as coisas como processo, em fases distintas que devem ser consideradas, cada uma com suas tarefas específicas.

Afirmações categóricas sugeririam, neste instante, intransigência – uma atitude que não combina com o diálogo. Precipitar medidas estruturadoras de campanha, idem: o carro estaria adiante dos bois.

Pela experiência acumulada e por uma compreensão precisa do atual cenário, bem sabemos por onde e como caminhar. Mas é preciso caminhar a passos seguros e compartilhados com os aliados e a crescente gama de apoiadores que espontaneamente vai se formando em torno da proposta.

E tem o meio-interregno do Carnaval, que ninguém é de ferro. E todo cuidado é pouco para na atravessar o samba – quer dizer, para não quebrar a harmonia do frevo e do maracatu.

Moedas fortes?

. Com a crise norte-americana, já tem analista dizendo que o real (Brasil), o peso (Chile) e o sol (Peru) deixaram de ser moedas frágeis.
. Isto por que diferentemente do que ocorria em outras crises econômicas, as moedas latino-americanas subiram com força nas últimas semanas, em contraste com a queda do dólar ladeira abaixo.
. A explicação estaria nos superávits que esses países conseguiram. Será?

Alô, alô

A telefonia móvel cresce cada vez mais rapidamente no Brasil. O Jornal do Brasil de hoje informa que o número de telefones celulares no Brasil chegou perto de 121 milhões de aparelhos no ano passado, com um crescimento de 21,07% em relação a 2006. A maior proporção está em Brasília - 1,14 celular por habitante. Representante das operadoras de celular estima que o crescimento este ano será de 10% a 12%.

16 janeiro 2008

Ousadia necessária

De Audísio Costa sobre o 18 Brumário (conferir abaixo outras postagens): É correto que as conjunturas políticas pré- eleitorais são complexas e exigem uma análise profunda de um conjunto de variáveis para que se tenha perfeita noção das conseqüências futuras do ato da decisão.

Na verdade uma determinação política de se colocar em disputa projetos políticos de interesse da sociedade deve superar os interesses pessoais e partidários. Como conseqüência, na análise das variáveis temos que valorizar o desejo da população pela construção de uma sociedade na perspectiva de atender aos anseios da maioria da população e não de grupos econômicos, que se propõem a financiar as campanhas. Este é um grande desafio a se considerar na atual conjuntura, considerando que nossa sociedade é estruturalmente capitalista, portanto injusta, geradora de miséria e com grande influencia do poder econômico no processo eleitoral.

Se o projeto atende aos interesses do povo e como tal é colocado, de forma transparente e dialogando constantemente a população, teremos a noção exata do compromisso popular no aperfeiçoamento da proposta e compromisso de luta em sua defesa. Como conseqüência deste processo ver-se-á a inclusão daqueles que lutam por uma nova sociedade engajados de forma efetiva e afetiva na defesa do projeto, que assim coletivamente construído, passa a ser de todos e não de alguém ou de algum grupo.

Ser ousado é preciso. Defender a utopia é vital.

História: 16 de janeiro de 1970

O jornalista e dirigente comunista Mário Alves, do PCBR, 47 anos, é trucidado pelo DOI-Codi do Rio, com rara brutalidade. A causa da morte é hemorragia provocada por empalamento com um cassetete. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Duas coisas distintas

Volto ao tema porque ele é relevante. Ressurgiu na entrevista ao vivo na Rádio Folha, hoje pela manhã, quando fui argüido por Jota Batista e Ricardo Dantas Barreto; está nas declarações do deputado Armando Neto e em outra matérias.

Há uma orientação geral do PCdoB de disputar as eleições para prefeito nas capitais, e não uma determinação. Ou seja: depende das condições políticas, entre as quais a necessidade de um conjunto de forças e não apenas o propósito dos comunistas.

É o caso do Recife, conforme avaliamos.

Provavelmente não será o caso de Fortaleza, por exemplo.

Opinar faz bem



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A força do que se diz

Blog de Jamildo (exBlog do JC):
O sentido das palavras
Luciano Siqueira

O carnaval do Recife e de Olinda foi durante muito tempo, e ainda é, uma oportunidade de reencontro dos amigos e militantes do movimento estudantil da chamada geração meia oito. Muitos, por força de suas opções profissionais e de vida, estão espalhados pelo país.

Nosso encontro foi efusivo:

- Aí, homem, como anda a nossa luta?

- A luta continua, como a gente sempre diz. E você, menina, o tempo passa e continua assim, recauchutada.

Vaidosa, ela retribuiu com um abraço afetuoso e saiu toda fogosa atrás da bandinha de frevo. Não demorou muito, retornou brava:

- Que história é essa de recauchutada, cara! Acabei de saber que recauchutado é pneu velho.

- Não é isso, menina. Eu quis dizer que você continua linda de verdade. Acredite.

O incidente fez lembrar uma frase muitas vezes repetida por Miguel Arraes em nossas numerosas conversas desde que ele retornou do exílio: “O tempo passa e parece que as palavras perdem o sentido. A gente tem que dizer as coisas com muito cuidado para ser compreendido.”

De fato. Não basta a intenção, importa os termos em que se a traduz. Para evitar mal-entendidos que podem ser desastrosos. Caso agora do período pré-eleitoral. Papel aceita tudo e os jornais estão cheios de declarações que é preciso ler nas entrelinhas, pois às vezes a mesma pessoa diz coisas diferentes de um dia para o outro. Fica difícil para o leigo. Tem que fazer parte do mundo da política para entender.

Outro caso é o da economia. Saiu a CPMF e desde então autoridades governamentais e parlamentares aliados se revezam no disse não disse sobre o aumento das alíquotas do imposto sobre o lucro líquido (a CSLL) e sobre as operações financeiras (IOF), cobrados junto aos bancos – matéria de iniciativa do Executivo que tramitará no Congresso no reinício dos trabalhos legislativos. Ao que alguns, insinuando sintonia com o Palácio do Planalto, procuram contrapor com a possibilidade de reedição da CPMF com outra roupagem; e se deparam com declarações em sentido contrário advindas da mesma base governista.

Realmente as palavras terminam perdendo o seu sentido e adquirindo feição furta-cor. Todo cuidado é pouco – para não perder as amizades e para evitar erros políticos.

15 janeiro 2008

Sem risco de crise de energia

. Agora é o diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Haroldo Lima (ex-deputado federal pelo PCdoB da Bahia em cinco mandatos consecutivos) que descarta a possibilidade de um racionamento de energia no país.
. Haroldo Lima explica que a produção elétrica brasileira é baseada na fonte hídrica e complementada pela energia térmica. A parte hídrica funciona com base nos reservatórios que, em anos de pouca chuva, correm o risco de atingirem níveis baixos. O diretor-geral da ANP lembrou que, quando houve o "apagão" de energia no Brasil, em 2001, os reservatórios chegaram a 21% do seu nível médio.
. Atualmente, os reservatórios atingem 46% de nível médio. “Ou seja, nós estamos hoje com os reservatórios em média mais do que o dobro do ano de 2001, quando houve o 'apagão'. Por conseguinte, não podemos ficar agora criando um temor excessivo, semeando um pânico no meio da população, que não teria razão de ser”, garantiu ele em entrevista à Agência Brasil.
. Para Haroldo, outro dado importante é que o país conta com linhas de transmissão suficientes para exportar a disponibilidade de produção elétrica do Centro/Sul do país para as áreas onde falta energia, como o Nordeste. “Não tinha linhas de transmissão àquela época que fizessem essa transferência. Por isso, nós fomos levados ao 'apagão'. Hoje já temos”, afirmou.O diretor-geral da ANP reiterou que, mesmo com a diminuição considerável nos reservatórios, “nós temos, de qualquer maneira, linhas de transmissão com mais do que o dobro da capacidade anterior. E, por conseguinte, o risco do 'apagão', como o próprio presidente [da República, Luiz Inácio Lula da Silva] diz, é um boato disseminado com propósitos não muito positivos”. '

Boa tarde, Cida Pedrosa

o caminho da faca

parte em arco
rumo ao corpo amado
flecha a fera, exposta
à chaga

cruza a dor, o sonho
escuta

zunindo a lâmina
flamejante alcança
artérias e vasos
aquedutos pontes

parte em seta
rumo ao corpo amado
serena ira, ao amor
alcança

desdobra a carne
desnuda a veia
instala certeira
a eternidade

pára qual âncora
dentro do corpo amado
ferina flor, ao corpo
planta

Leitura indispensável

De Roberto Menezes sobre O 18 Brumário (ver abaixo postagens anteriores): O 18 Brumário é um dos meus livros preferidos do velho (e sempre novo) Karl Marx.

Seu artigo retoma a lucidez da análise de Marx para esclarecer o processo político-eleitoral que se desenvolve agora em todo o Brasil, sobretudo aqui na região metropolitana do Recife.

Veio na hora certa pra nós, os antigos, e pra geração mais jovem. Esta deveria, a partir do seu artigo, procurar ler com urgência o 18 Brumário.

Lição de vida

"E é tão bonito quando a gente sente/Que nunca está sozinho por mais que pense estar" (Gonzaguinha - Caminhos do coração).

Nova pauta de riscos

. Empresas multinacionais cada vez mais sofisticadas no trabalho de prospecção e planejamento. É a ciência a serviço do lucro.
. A Gazeta Mercantil noticia hoje que temas como envelhecimento de consumidores e da força de trabalho, desastres ecológicos de conseqüências imprevisíveis, campanhas de consumidores contra empresas que não respeitam o meio ambiente passam a primeiro plano na pauta dos mais sérios riscos para a perenidade de grandes, dividindo espaço com questões tradicionais, como falta de energia, inflação e aspectos regulatórios.
. Assim procedem grandes corporações globais dos setores automobilístico, financeiro, farmacêutico, de gestão de recursos, seguros, óleo e gás, bens de consumo, serviços públicos, telecomunicações e biotecnologia.
. A informação é de um estudo realizado pela Ernst & Young, em parceria com a consultoria Oxford Analytica, sobre os maiores perigos para as companhias nos próximos cinco anos.
. O levantamento também relaciona a incapacidade de acompanhar o ritmo de crescimento de mercados emergentes, entre eles o Brasil, como um dos principais riscos à competitividade e sobrevivência das transnacionais.

Provincianismo e teoria científica

De José Amaro Santos da Silva sobre O 18 Brumário (ver abaixo postagem anterior): É muito oportuno o comentário em torno de "O 18 Brumário e as eleições municipais". O político quando bem intencionado e tem apreço por sua cidade, mesmo quando de adoção, procura dar oportunidades de leitura, de conhecimentos a quem tem pretensões políticas, mas não tem o alcance e a compreensão filosófica do que venha a ser e ter responsabilidades em conduzir destinos políticos e administrativos de uma polis.

Em verdade, alguns políticos da província e que encarnam este espírito conforme o mundo que lhe rodeia, subestimam o poder de criatividade e da capacidade de articulação estratégica daqueles que são apontados como visionários ou aventureiros, pois os provincianos se consideram donos de votos, como se no seio da população que vota, não haja vontade própria.

Imaginam que as pessoas continuam como massa de manobras conforme os ideais daqueles que promoveram o golpe político-militar no Brasil e que se sustentaram por algum tempo quando anularam, temporariamente, os valores daqueles que decidem os seus próprios destinos pelo voto.

Dos atuais postulantes a candidato à Prefeitura do Recife, divisamos alguns que foram tocados por aqueles princípios de provincianismo e que estiveram direta ou indiretamente vinculados àqueles ideais do golpismo político no Brasil. Há até aqueles que se diziam comunistas para angariar simpatias e votos daqueles que tinham esperança em ver um país emancipado e justo para com todos os compatriotas, mas na hora de mostrar ações positivas renegaram até suas vinculações com o Partidão.

Sem o que apresentar como soluções permanentes para o governo de uma cidade, mascaram-se como personagens populares, travestidos através de cores sedutoras, em busca daqueles que ainda se encontram na condição de massa de manobra. Eis suas táticas, suas estratégias...

Existem os que lhes foi dito que o termo candidato vem da terminologia de anjo, de cândido, e assim, se apresentam, virando os olhinhos nas fotos bem cuidadas e coloridas, no afã de alcançar votos daqueles que não enxergam um palmo diante dos seus narizes.

Existe ainda aquele que tendo obtido a confiança do eleitorado consciente, por vezes consecutivas, imagina que os tempos em que se manobravam as massas ainda existe. Nada mais falso e demodée

Vamos aguardar as definições nesse universo político quando vão surgindo os postulantes à Prefeitura do Recife, para que tenhamos mais argumentos para podermos desmascarar alguns e para melhor ilustramos nossa opinião.

Tudo a seu tempo

Os jornalistas não cometem nenhum crime ao especularem sobre hipotéticas candidaturas a vice-prefeito. Livre pensar é só pensar, diria Millor Fernandes. Mas é evidente que isso significa colocar o carro adiante dos bois. Como se pode discutir vice antes da cabeça de chapa estar confirmada?

Depois, a composição da chapa majoritária é uma dentre diversas variáveis a considerar na costura das alianças político-eleitorais. Outra importante é a composição de chapas de vereadores.

Por isso, especular não ofende. Mas será bom cuidar de cada coisa no seu devido tempo.

14 janeiro 2008

Caos também na Agricultura

Veja na Folha de Pernambuco de hoje a entrevista do secretário estadual de Agricultura, Ângelo Ferreira, concedida ao repórter Ed Ruas. Homem sério, comedido, não resiste a dizer o que encontrou em sua pasta como herança do governo Jarbas Vasconcelos-Mendonça Filho: o caos.

Entre outras preciosidades encontradas, exemplo de má administração, o risco de devolver quase R$ 15 milhões em recursos destinados ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em virtude de irregularidades em diversas obras.

Ou seja: também na Agricultura se constata que o governo anterior era quase virtual, vivia de muita propaganda e pouca ação.

Confira www.folhape.com./br.

Antes tarde do que nunca

Em entrevista na Folha de S. Paulo de hoje, a presidente da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), Solange Paiva Vieira, disse que o governo vai punir empresas por atrasos e cancelamentos de vôos. As punições serão o cancelamento de autorizações de vôo e da venda de bilhetes.

As empresas aéreas nos tratam com costumeiro desprezo e nada acontece. Finalmente a ANAC toma a iniciativa.

A pergunta é: por que demorou tanto?

Lição de entrega

"Já lhe dei meu corpo/Minha alegria/Já estanquei meu sangue/Quando fervia" (Chico Buarque - Gota d'água).

História: 14 de janeiro de 1938

Desenho de Eugênio Hirsch para a capa do livro Cangaceiros e fanáticos
Ataque da polícia e do exército aos remanescentes dos fiéis do Caldeirão em Pau de Colher, BA. Os sertanejos, sob a liderança de Quinzeiro, decidem morrer lutando. Mais de 400 mortos. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

Palavra empenhada

. Quando um governante – no caso, o presidente da República – faz uma declaração categórica acerca de uma questão sobre a qual pairam dúvidas, certamente está muito seguro do que diz.
. Lula assegurou na manhã de hoje no programa de rádio Café com o Presidente que o Brasil não corre o risco de sofrer um apagão elétrico como o que enfrentou em 2001. “A questão energética vive de boatos”, afirmou Lula em seu programa de rádio. “Todo dia tem boatos de que vai acontecer isso, vai acontecer aquilo. O dado concreto é que o Brasil está seguro de que não haverá apagão e de que não faltará energia para dar sustentabilidade ao crescimento que nós queremos ter”, acrescentou.
. Ele se fia nas medidas adotadas pelo Ministério de Minas e Energia para garantir a normalidade do abastecimento em 2008 e em 2009. Dentre as medidas anunciadas, o imediato funcionamento de seis usinas térmicas a óleo no Sudeste para não comprometer os reservatórios da região em virtude das transferências de energia que estão sendo feitas para o Nordeste e o funcionamento, na segunda semana de fevereiro, de um gasoduto no Espírito Santo que permitirá o fornecimento de 5 milhões de metros cúbicos diários de gás para o Rio de Janeiro.

Consumo popular em alta

Empresas fabricantes de eletrodomésticos das marcas Brastemp e Cônsul, Dako e GE tomam medidas destinadas a manter a produção para atender à demanda de reposição de estoque por parte do varejo. Cancelam férias de funcionários, adiam a parada de máquinas para manutenção e contrata mais funcionários temporários.

O significativo aumento das vendas estimuladas pelo crédito accessível e pelo aumento da massa salarial leva ao incremento da produção da chamada linha branca, com destaque para os refrigeradores.

Em outras palavras: cresce o consumo popular na esteira do aquecimento da economia.

Financiamento público necessário

Segundo O Estado de São Paulo de hoje, um em cada 7 dos parlamentares que decidirão se aprovam a elevação da CSLL, dos bancos de 9% para 15% teve parte dos gastos de campanha financiada pelo setor em 2002 e 2006. São 24 senadores e 64 deputados.

Natural que os bancos pressionem esses parlamentares para que votem contra a medida.

O financiamento público de campanha, um dos principais pontos de uma reforma política de sentido democrático, evitara esse tipo de constrangimento.

13 janeiro 2008

Boa tarde, Mário Quintana

Volpi

Eu ouço música

Eu ouço música como quem apanha chuva:
resignado
e triste
de saber que existe um mundo
do Outro Mundo...

Eu ouço música como quem está morto
e sente

um profundo desconforto
de me verem ainda neste mundo de cá...

Perdoai,
maestros,
meu estranho ar!

Eu ouço música como um anjo doente
que não pode voar.

Lição de amizade

"Amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito,/Mesmo que o tempo e a distância digam não, mesmo esquecendo a canção.../O que importa é ouvir... a voz que vem do coração." (Milton Nascimento e Fernando Brandt - Canção da América).

Orientação & necessidade

A Folha de Pernambuco de hoje publica extensa reportagem assinada por Paula Perrelli acerca dos desafios do PT, e em particular do prefeito João Paulo, na construção da vitória no pleito de outubro.

Bom texto, apoiado em informações apuradas com rigor jornalístico.

No que se refere à pré-candidatura desse amigo de vocês a prefeito, a repórter faz referência à orientação da direção nacional do PCdoB, que pretende apresentar candidaturas próprias na maioria das capitais. Esse é apenas uma variável, não a decisiva. A orientação é clara: apresentar candidato da legenda do Partido onde for politicamente viável. Vale dizer: onde for necessário para o conjunto das forças aliadas.

No caso do Recife, vai se tornando a cada dia mais evidente essa necessidade.

História: 13 de janeiro de 1825


Tela de Murillo La Greca
Fuzilado Frei Caneca, revolucionário republicano, herói da Confederação do Equador. O império autocrático sentenciou-o à forca (morte degradante), mas ele termina fuzilado por não se encontrar no Recife um carrasco, preso ou escravo, que aceitasse enforcá-lo. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

12 janeiro 2008

Iniciativa ousada

O governo do Estado anuncia a convocação 5.775 pessoas para o Plano Territorial de Qualificação, com o fito de preparar mão de obra qualificada para atender a demanda gerada pelos grandes empreendimentos estruturantes de nossa economia, localizados principalmente no Complexo Portuário de Suape.

No total, o propósito é capacitar 50 mil pessoas durante todo este ano.

Uma iniciativa arrojada e sintonizada com novo ciclo de crescimento econômico que se inicia em Pernambuco.

11 janeiro 2008

Lição de respeito

"Porque gado a gente marca/Tange, ferra, engorda e mata/Mas com gente é diferente..." (Geraldo Vandré e Theo Brandão - Disparada).

Niemeyer: lição de vida


. O Vermelho transcreve um belo artigo de Oscar Niemeyer publicado na edição desta sexta-feira (11/1) da Folha de S.Paulo – uma verdadeira lição de vida.
. Arquiteto fala de seu aniversário de 100 anos, do memorial em homenagem a Luís Carlos Prestes e defende que não basta louvar o passado. ''O importante é continuar essa luta por um mundo melhor'', diz.
. Clique aqui e leia o artigo na íntegra http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=30873

O espírito de Tancredo

Nada mal aprender com os outros, mesmo quando se trata de um político de perfil conservador. Como Tancredo Neves, que teve presença marcante na vida política brasileira por décadas, sempre numa postura centrista. Toda vez, entretanto, que esteve aliado com forças de esquerda, comportou-se com elevado espírito público e exemplar lealdade.

Bom que baixasse entre nós, no Recife, nos dias que correm, o espírito de Tancredo. Para inspirar todos os envolvidos na cena política a um bom, sincero e construtivo diálogo. Sem sectarismos nem preconceitos.

Em momentos assim, ensina Tancredo que se deve, se possível, ficar rouco de tanto ouvir...

Bom dia, Carlos Drummond de Andrade

Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Quem deve pagar pelo fim da CPMF?

Que os ricos paguem pelo fim da CPMF
Wagner Gomes*

No momento em que o governo federal adota e anuncia medidas para compensar o fim da CPMF, que deve retirar cerca de R$ 40 bilhões do orçamento da União para 2008, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) vem a público manifestar as seguintes opiniões:

1- Os ricos e não os pobres devem pagar a conta da CPMF
2- São inaceitáveis medidas que venham a comprometer o reajuste do funcionalismo e as novas contratações indispensáveis para reaparelhar e fortalecer o Estado nacional.
3- Os investimentos associados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), bem como as despesas sociais, devem ser preservados e ampliados.
4- As medidas anunciadas pelo governo que elevam a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) dos bancos e instituem o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as remessas de lucros e dividendos das transnacionais merecem todo apoio da classe trabalhadora e do movimento sindical.
5- É hora de reduzir substancialmente o superávit primário, que em 2007 consumiu mais de 100 bilhões de reais, usando os recursos poupados para financiar o déficit provocado pelo fim do CPMF e aumentar gastos e investimentos públicos.
6- Chegou também a hora de regulamentar o Imposto sobre Grandes Fortunas, aumentar a taxação sobre heranças, assim como sobre remessas de lucros e dividendos.
7- É preciso unir e mobilizar a classe trabalhadora e o conjunto do sindicalismo nacional na luta contra o corte nos gastos e investimentos públicos, pelo fim do superávit primário e por uma reforma tributária progressiva e socialmente justa.

Não podemos esquecer que quem lutou com unhas e dentes contra o tributo sobre transações financeiras foram os banqueiros e grandes capitalistas, representados por entidades como a Fiesp (Federação da Indústria de São Paulo) e a Febraban (Federação Nacional dos Bancos). Promoveram panfletagens, atos públicos e até um show bilionário sem público na capital paulista contra a CPMF. Contaram com a cumplicidade e os votos do PSDB e DEM no Senado.

As entidades filiadas à CTB devem realizar campanhas de mobilização e conscientização nos Estados, junto às suas bases e ao povo, denunciando e desmascarando os senadores que subtraíram R$ 40 bilhões da saúde e dos gastos e investimentos públicos, defendendo o fortalecimento do Estado e do Sistema Único de Saúde (SUS), a ampliação dos gastos e investimentos públicos e mudanças na política econômica.

A CTB, através do seu presidente, subscreve o abaixo assinado intitulado "Por uma reforma tributária justa", lançado por personalidades democráticas e lideranças dos movimentos sociais, e apóia ativamente a mobilização do funcionalismo público federal em defesa dos seus direitos e do cumprimento de acordos já negociados.
* Presidente Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

História: 11 de janeiro de 1849

Painel de Cícero Dias PE (detalhe)
Revolucionários praieiros, na fase da Guerra das Matas no sul de PE, sob comando de Pedro Ivo, tomam o engenho de Camorim, cujo senhor planeja atacá-los. A guerrilha continua por 2 anos. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

10 janeiro 2008

Opiniões sensatas

No Jornal do Commercio de hoje, na matéria relativa ao encontro do prefeito João Paulo com a direção do PCdoB, registro de duas opiniões sensatas.

De João Paulo sobre a tese das múltiplas candidaturas sustentada pelo PCdoB: “O PCdoB tem uma avaliação política e acha que é fundamental, para o contexto, termos mais de uma candidatura. Mas me reconhece como coordenador do processo sucessório e concorda que, independente de termos candidaturas separadas, essas candidaturas deverão representar mais ou menos um mesmo projeto de esquerda”.

De Alanir Cardoso, presidente estadual do PCdoB: “João Paulo defende um nome único, mas tem abertura para examinarmos essa questão. Entendemos que ele terá papel importante de conduzir a sucessão, com uma ou mais candidaturas, pela liderança que tem no Recife e sobre nossas forças. Liderança que não é caída do céu. Temos grande afinidade de pensamento e o que buscamos é manter o Recife governado pelas forças do nosso campo”, justificou.

Diálogo do prefeito com um partido aliado que lhe é leal, mas conserva a independência política.
Compreensão de que a unidade no plano estratégico comporta discrepâncias táticas, que devem ser respeitadas mutuamente de maneira madura e conseqüente.

O complexo jogo da política

Coluna semanal no portal Vermelho:
O 18 Brumário e as eleições municipais
Luciano Siqueira

Seria muito útil a todos os que de modo direto ou indireto tomam parte nas gestões preparatórias do pleito de outubro a leitura do 18 Brumário de Luis Bonaparte, a primeira análise de uma situação política determinada (a da França) escrita à luz do materialismo histórico, justamente pelo seu fundador teórico, Karl Marx, entre dezembro de 1851 a março de 1852.

Passados 156 anos, a obra continua atual e útil a marxistas e a não-marxistas. Para que compreendam que o processo político não se dá tão somente a base da vontade subjetiva dos atores envolvidos. Há variáveis outras, de ordem objetiva, em certa medida determinantes do comportamento subjetivo deste ou daquele líder, e mesmo dos partidos políticos, relacionadas com os interesses de classe ou de segmentos de classe em presença.

Por isso a política não é um simples jogo de damas; é de xadrez, mais complexo. Via de regra não basta a uma determinada corrente política ter força acumulada, é preciso que tenha também juízo para exercer essa força – e exercê-la pelo convencimento, pela conquista de adesões conscientes; para que adiante, uma vez instalada a luta aberta, possa reunir descortino, vontade e emoção, ingredientes indispensáveis à conquista da vitória.

Por aí se entende os muitos exemplos em que uma corrente menos robusta logra êxito na aglutinação de aliados partidários e sociais o suficiente para virar o jogo. Daí se dizer, após o desenlace da peleja, que o resultado final foi surpreendente. É que o inesperado brota dessa coisa fascinante que conjuga a um só tempo ciência e arte, que é a tática política.

O comentário é oportuno, agora que se iniciam praticamente em todo o país conversações entre lideranças e partidos tendo em vista a batalha eleitoral que se avizinha. Vale particularmente para os partidos à esquerda, chamados a intervir no cenário mediante postura ampla e flexível, ousada e hábil.

A estes partidos – e de resto a todas as forças que tenham um mínimo de maturidade – não se dispensa, em cada município, a análise concreta da correlação de forças atual e de fatores que poderão alterá-la adiante; a fixação de objetivos claros e viáveis; e a definição de um roteiro político e eleitoral realista.

Mera digressão teórica? Nada disso. Basta olhar em torno e examinar os acontecimentos para perceber que o dito acima casa com a realidade em movimento.