09 janeiro 2026

Palavra de poeta

Irmão inventado
Donizete Galvão  


Na noite de olhos secos,

um outro repete meus gestos.
Num quarto igual a este,
interroga o branco das paredes.
Se durmo, sonhará ele meu sonho?
Beberemos os dois
a água do mesmo rio?
Meu irmão inventado,
o que eu faço não sei.
Quem me lê é quem me cria.
Espalho cacos de um espelho.
Minha face por inteiro não verei.
Veja você por mim qualquer dia.

[Ilustração: Max Beckmann]

A desumana partilha do tempo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/minha-opiniao_89.htm 

Nenhum comentário: