Curar o quê?
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
“O ChatGPT quebra um galho danado, mas não serve de remédio”, leio em voz alta, de olho na tela do celular.
- Quem disse?, pergunta o amigo
Epaminondas.
- Christian Dunker, respondo com ar de
quem sabe das coisas.
- Quem!?, insiste o amigo meio
que descrente.
- É um especialista no assunto,
respondo com um misto de convicção e dúvida.
Segue o diálogo aqui no café do
shopping.
Retorno ao texto e ficamos sabendo — o
Epaminondas e eu — que se trata de renomado psicanalista, critico sobre o uso
de ferramentas de inteligência artificial como conselheiros e terapeutas.
Obviamente, coisa desse tempo atribulado,
curioso, cibernético e surpreendente em que vivemos.
Robôs das mais diversas qualificações
são chamados a cumprir funções outrora reservadas exclusivamente aos humanos.
(Feito Akihiko
Kondo, um japonês de 41 anos que ficou conhecido no
mundo inteiro ao se casar, em 2018, com um holograma 3D da cantora virtual Hatsune Miku.
Ele tocava numa tecla e de pronto a
imagem aparecia diante dos seus olhos — provavelmente uma bela figura feminina
— com quem conversava sem nenhum risco de atrito ou mal entendido.
Com quase
cinco anos de relacionamento, Kondo caiu em depressão” e se viu “viúvo” quando
a empresa Gatebox, responsável pela tecnologia, desativou o serviço de suporte
ao holograma, impedindo-o de interagir com sua esposa virtual.
Não me interessei pelo desdobramento do
caso, mas creio que o dito cujo terá recorrido à psicanálise, provavelmente via
IA.)
- Pois bem, doutor Christian Dunker,
sobre quem estávamos conversando, será um dos palestrantes do São Paulo
Innovation Week — comento como que mostrando uma falsa intimidade com o
assunto.
Mas o Epaminondas, sábio como sempre,
me corta com a pergunta:
- Sabe quantos craques provavelmente
convocados para a seleção brasileira que disputará a Copa do Mundo jogarão
nesse fim de semana em partidas decisivas na Europa?
E passou a discorrer sobre reta final
da Premier League, assumindo as rédeas de nossa conversa fútil e despretensiosa
em torno de um bom capuccino.
Com a minha concordância, claro!
Se comentar, identifique-se.

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