08 julho 2026

Palavra de poeta

Invernáculo
Paulo Leminski   

Esta língua não é minha,
qualquer um percebe.
Quem sabe maldigo mentiras,
vai ver que só minto verdades.
Assim me falo, eu, mínima,
quem sabe, eu sinto, mal sabe.
Esta não é minha língua.
A língua que eu falo trava
uma canção longínqua,
a voz, além, nem palavra.
O dialeto que se usa
à margem esquerda da frase,
eis a fala que me lusa,
eu, meio, eu dentro, eu, quase.

 

[Ilustração: João Câmara] 

"Leitura do não escrito" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-palavra.html   

 


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