30 setembro 2026

Dica de leitura

Celso Pinto de Melo: que engenheiros estamos formando?
Luciano Siqueira     

No artigo "Estamos formando engenheiros para um mundo que já não existe?”, publicado no Jornal GGN, Celso Pinto de Melo, reflete comenta a defasagem entre o modelo de ensino da Engenharia e as rápidas transformações tecnológicas, produtivas e sociais do século XXI.

Enquanto os fundamentos das ciências exatas mudam lentamente, as tecnologias e critérios do mundo real evoluem em ritmo acelerado. Por isso, a Universidade corre o risco de formação de profissionais com um "mapa mental" ou uma visão industrial ultrapassada.

Tomando como referência o estatístico Hans Rosling — que demonstrou como as pessoas analisam problemas modernos com visões de mundo obsoletas —, o autor observa que alunos que entram hoje na faculdade exercem a profissão até 2060 ou 2070.

Ou seja, tecnologias como gêmeos digitais, inteligência artificial e manutenção preditiva redefinem o que é possível na engenharia.

Daí, mais do que ensinar apenas ferramentas técnicas do momento, a Universidade precisa ensinar o estudante a aprender, já que nenhuma matriz curricular conseguirá cobrir todas as tecnologias das próximas quatro décadas.

Nesse sentido, o autor identifica três gargalos críticos na trajetória de formação: a desconexão entre a teoria abstrata (cálculo, física e química) e a prática da engenharia; a transição de problemas acadêmicos "bem formulados" para a bagunça do mundo real, onde os dados são incompletos, há restrições de custo e as soluções teóricas nem sempre funcionam na prática; e o "vale da morte", a transição entre o protótipo de laboratório e a produção em escala industrial, onde por tentativas se acumula o verdadeiro conhecimento tecnológico.

O Brasil não faz parte do zero e possui exemplos marcantes de liderança e inovação baseados na integração entre ciência e produção, tais como o setor aeronáutico (Embraer); a exploração de petróleo em águas profundas (Petrobras) e o agronegócio e a agricultura tropical.

Entretanto, o país convive com disparidades: produtores obsoletos e setores de fronteira tecnológica.

Postas essas questões, o Brasil não precisa escolher entre formar o engenheiro apenas para a "fábrica do futuro" ou para a "fábrica do presente". O desafio nacional é formar profissionais capazes de fazer a transição, conectando a universidade, o setor produtivo e os centros tecnológicos para resolver problemas complexos e promover a inovação sustentável no país.

Para ler o artigo clique aqui https://jornalggn.com.br/artigos/estamos-formando-engenheiros-para-um-mundo-que-ja-nao-existe-por-celso-p-de-melo/

Leia também "Quando o futuro deixa de ser promessa" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/desenvolvimento-soberano.html 

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