Celso Pinto de Melo: que engenheiros estamos
formando?
Luciano Siqueira
No artigo
"Estamos formando engenheiros
para um mundo que já não existe?”, publicado no Jornal GGN, Celso Pinto de Melo, reflete comenta a
defasagem entre o modelo de ensino da Engenharia e as rápidas transformações
tecnológicas, produtivas e sociais do século XXI.
Enquanto
os fundamentos das ciências exatas mudam lentamente, as tecnologias e critérios
do mundo real evoluem em ritmo acelerado. Por isso, a Universidade corre o
risco de formação de profissionais com um "mapa mental" ou uma visão industrial ultrapassada.
Tomando como
referência o estatístico Hans Rosling — que demonstrou como as pessoas analisam
problemas modernos com visões de mundo obsoletas —, o autor observa que alunos
que entram hoje na faculdade exercem a profissão até 2060 ou 2070.
Ou seja, tecnologias como gêmeos digitais, inteligência
artificial e manutenção preditiva redefinem o que é possível na
engenharia.
Daí, mais
do que ensinar apenas ferramentas técnicas do momento, a Universidade precisa ensinar o estudante a aprender, já que
nenhuma matriz curricular conseguirá cobrir todas as tecnologias das próximas
quatro décadas.
Nesse sentido, o autor identifica três gargalos críticos
na trajetória de formação: a desconexão entre a teoria abstrata (cálculo,
física e química) e a prática da engenharia; a transição de problemas
acadêmicos "bem formulados" para a bagunça do mundo real, onde os
dados são incompletos, há restrições de custo e as soluções teóricas nem sempre
funcionam na prática; e o "vale da morte", a transição entre o
protótipo de laboratório e a produção em escala industrial, onde por tentativas
se acumula o verdadeiro conhecimento tecnológico.
O Brasil não faz parte do zero e possui exemplos marcantes de liderança e
inovação baseados na integração entre ciência e produção, tais como o setor
aeronáutico (Embraer); a exploração de petróleo em águas profundas (Petrobras)
e o agronegócio e a agricultura tropical.
Entretanto,
o país convive com disparidades: produtores obsoletos e setores de fronteira
tecnológica.
Postas essas questões, o Brasil não precisa escolher
entre formar o engenheiro apenas para a "fábrica do futuro" ou para a
"fábrica do presente". O desafio nacional é formar profissionais
capazes de fazer a transição,
conectando a universidade, o setor produtivo e os centros tecnológicos para
resolver problemas complexos e promover a inovação sustentável no país.
Para ler o artigo clique aqui https://jornalggn.com.br/artigos/estamos-formando-engenheiros-para-um-mundo-que-ja-nao-existe-por-celso-p-de-melo/
Leia
também "Quando o futuro deixa de ser promessa" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/desenvolvimento-soberano.html

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