A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
21 maio 2013
Conselho poético
A terça-feira é de Cecília Meireles: “Não te aflijas com a
pétala que voa:/também é ser, deixar de ser assim.”
Bom dia, Aline Gallina
Penetrável
Ela soma o ar da janela.
Tropeça na mão direita a cada 20 segundos.
O dia cinza reflete em seu corpo
sujo.
Dois bólides gigantes que se movem
no rosto —
Precisa escondê-los hoje
— caem para debaixo da cama.
Não guarda mais o segredo das cartas antigas,
eis a caixa da caixa!
Onde vive, morta para dormir
no necessário.
A paçoca de papel e capim, sua —
melhor amiga — do peito.
De quantas chamas é feito o dia?
24 goles ásperos e a cortina para
cada lado do ombro.
Perde as pontas dos dedos em cada passado.
Imprime a sombra no rosto, pois
a lua fere quando sorri.
Ela soma o ar da janela.
Tropeça na mão direita a cada 20 segundos.
O dia cinza reflete em seu corpo
sujo.
Dois bólides gigantes que se movem
no rosto —
Precisa escondê-los hoje
— caem para debaixo da cama.
Não guarda mais o segredo das cartas antigas,
eis a caixa da caixa!
Onde vive, morta para dormir
no necessário.
A paçoca de papel e capim, sua —
melhor amiga — do peito.
De quantas chamas é feito o dia?
24 goles ásperos e a cortina para
cada lado do ombro.
Perde as pontas dos dedos em cada passado.
Imprime a sombra no rosto, pois
a lua fere quando sorri.
No foco da PEC das domésticas
No Vermelho:
Em entrevista, ministra do TST diz “eu não sou Joaquim Barbosa”
A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Delaíde Miranda Arantes em entrevista concedida a revista Isto É, publicada neste sábado (19), contou sobre sua atuação no ministério e também que se desfiliou do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) seguindo orientação da lei da magistratura para ocupar o cargo. Na sua juventude Delaíde trabalhou em lavouras e foi empregada doméstica. Agora, como ministra do TST, é figura-chave nas discussões da PEC das domésticas. Leia a entrevista http://migre.me/eE7bh
Em entrevista, ministra do TST diz “eu não sou Joaquim Barbosa”
A ministra do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Delaíde Miranda Arantes em entrevista concedida a revista Isto É, publicada neste sábado (19), contou sobre sua atuação no ministério e também que se desfiliou do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) seguindo orientação da lei da magistratura para ocupar o cargo. Na sua juventude Delaíde trabalhou em lavouras e foi empregada doméstica. Agora, como ministra do TST, é figura-chave nas discussões da PEC das domésticas. Leia a entrevista http://migre.me/eE7bh
20 maio 2013
Explorando, mas preservando a caatinga
Por meio de chamada pública anunciada pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento
Florestal (FNDF), do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), e pelo Fundo Clima, do
Ministério do Meio Ambiente, agricultores familiares de assentamentos
localizados em região de Caatinga, interessados em obter renda explorando produtos
extraídos desse tipo de vegetação, terão apoio de técnicos especializados em
manejo florestal. Serão ministradas técnicas que proporcionam a extração dos
profutos de modo sustentável, sem destruir o bioma. São oferecidas vagas para agentes
de assistência técnica e extensão rural serem treinados nesse manejo.
Ciência brasileira
Pesquisa com endereço certo
Luciano Siqueira
Luciano Siqueira
Publicado no Blog da revista
Algomais e no Jornal da Besta Fubana
A ciência
brasileira à procura de solução para nossos problemas cotidianos. Exemplo
emblemático: pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz desenvolvem um meio de inocularem
o mosquito transmissor da dengue – o Aedes Aegypti – com a bactéria Wolbachia, que ao entrar no
corpo do inseto bloqueia a reprodução do vírus da dengue. Semelhante
experiência é feita por cientistas na Austrália, China, Indonésia e Vietnã.
Funciona assim: quando o
mosquito inoculado suga o sangue de alguém com dengue, o vírus entra no corpo
do inseto, mas não consegue se reproduzir e morre.
Qual o alcance disso em
cidades como as nossas, que tiveram historicamente a ocupação do território
feita de modo desordenado e em que a infraestrutura sempre esteve longe de
responder às demandas decorrentes do rápido crescimento populacional? Ainda é
cedo para se obter a resposta. A expectativa é de que a técnica comece a
mostrar sua eficácia em localidades para que, posteriormente, se teste a sua
eficácia em larga escala.
Tomara. Pois assim
estaremos enfrentando com êxito um grave problema de saúde pública que afeta
milhões de brasileiros.
Mais ainda, porque teremos
a confirmação dos benefícios da pesquisa científica orientada para a solução
dos nossos problemas. Isto vale para os desafios da área da saúde, vale também
para as mais sofisticadas esferas da ciência e da tecnologia, como a tecnologia
da informação, a química fina e nanotecnologia.
Certa vez, em visita ao Centro de Ciências Exatas e da
Natureza da Universidade federal de Pernambuco, ouvi o relato de cientistas
pernambucanos que saíram frustrados de uma audiência com um então ministro da
era FHC que, instado a alargar os programas de apoio à pesquisa em nossas
Universidades, simplesmente recomendou que se fizesse um inventário dos
pesquisadores brasileiros interessados que ele os enviaria a Harvard e outras
Universidades estrangeiras. Para solucionar nossas necessidades, o governo
compra os produtos da pesquisa realizada nos EUA e na Europa, afirmara o
ministro.
Ainda bem hoje não há, no Brasil, ambiente para tamanho
equívoco. Na busca de um caminho próprio para o desenvolvimento nacional,
gradativamente o governo federal destina mais recursos à pesquisa científica,
na compreensão correta de que este é um fator decisivo para a superação dos
entraves ao desenvolvimento e para a afirmação de nossa soberania.
Por isso devemos saudar essa pesquisa desenvolvida no âmbito
da Fiocruz como extremamente positiva, exemplar de uma linha de investigação
consentânea com as demandas nacionais. Leia mais sobre ciência,
arte, humor, política, economia e
cultura clicando aqui http://migre.me/dUHJr
Grávida em aviso prévio
Reforço ao direito da
mulher ao trabalho. sexta-feira última, a presidenta Dilma Rousseff sancionou
lei que assegura estabilidade no emprego a gestantes que cumprem aviso prévio.
A lei publicada no Diário Oficial da União
estabelece que a estabilidade será garantida também em casos de aviso prévio
indenizado, quando a funcionária recebe o salário referente ao período, mas não
é obrigada a comparecer ao serviço.
Pânico e falta de descortino
O debate sobre a maioridade penal e suas falácias
Luiz Flávio Gomes, na Carta Maior
Uma primeira falácia, bastante
difundida em tempos de desespero coletivo, desespero real e, ao mesmo tempo,
imaginário (por força da influência midiática), é a seguinte: diferentemente do
que muitos andam noticiando (equivocadamente), a maioria absoluta dos países
preveem a responsabilidade penal do adulto a partir dos 18 anos. No que diz
respeito à responsabilidade penal do jovem, a maioria dos países adotam a idade
de 12, 13 ou 14 anos.
A responsabilidade “penal” do jovem, no Brasil, começa aos 12 anos. Reduzir a idade da maioridade penal (18 anos) para 16 anos significa equiparar um jovem ao adulto. A irracionalidade da proposta só não é superior ao desespero da sociedade brasileira, que está exausta de tanta delinquência e de tanta violência. Seu sentimento de impotência é altíssimo. O desequilíbrio emocional é patente. Não vendo perspectiva para adotar uma decisão racional (todas as crianças e adolescentes dentro da escola, dos 6 aos 17 anos, das 8 às 18h), parte-se para o irracional. A sociedade, em regra, “prefere uma atuação irreflexiva que uma espera sensata” (Dobelli).
A falácia de que a repressão é a solução continua em voga. Mas enquanto não aprendermos aproveitar os bons momentos econômicos (como este que estamos vivendo – 7ª economia mundial) para lutarmos por educação de qualidade nas escolas, nenhuma evolução significativa (do país como um todo) podemos esperar. Enquanto não buscarmos educação nas escolas, efetiva e intensa, para as crianças e adolescentes, os jovens irão, nas ruas, "treinando" para o crime assim como para a boa produção da nossa fábrica de carnes e ossos regados a sangue.
Estamos acostumados a chorar tragédias e lutar muito pouco pelo óbvio, que consiste em tirar todas as crianças e adolescentes das ruas, colocando-os nas escolas. Se você prefere usar o hoje para desfrutar do consumismo, use o amanhã para refletir e agir para que possamos construir um Brasil forte e maduro.
Se já contássemos com maioridade social, cultural, emocional e racional, seguramente não estaríamos discutindo a menoridade penal.
Não caia no erro lógico da omissão, consolidado pelo Movimento de Maio de 1968 (na França) numa belíssima frase que dizia: “Se você não forma parte da solução, é parte do problema”. Se você não voltar seus olhos para a solução correta dos nossos problemas, você quase que automaticamente (por ação ou omissão) é parte deles.
Luiz Flávio Gomes, na Carta Maior
A responsabilidade “penal” do jovem, no Brasil, começa aos 12 anos. Reduzir a idade da maioridade penal (18 anos) para 16 anos significa equiparar um jovem ao adulto. A irracionalidade da proposta só não é superior ao desespero da sociedade brasileira, que está exausta de tanta delinquência e de tanta violência. Seu sentimento de impotência é altíssimo. O desequilíbrio emocional é patente. Não vendo perspectiva para adotar uma decisão racional (todas as crianças e adolescentes dentro da escola, dos 6 aos 17 anos, das 8 às 18h), parte-se para o irracional. A sociedade, em regra, “prefere uma atuação irreflexiva que uma espera sensata” (Dobelli).
A falácia de que a repressão é a solução continua em voga. Mas enquanto não aprendermos aproveitar os bons momentos econômicos (como este que estamos vivendo – 7ª economia mundial) para lutarmos por educação de qualidade nas escolas, nenhuma evolução significativa (do país como um todo) podemos esperar. Enquanto não buscarmos educação nas escolas, efetiva e intensa, para as crianças e adolescentes, os jovens irão, nas ruas, "treinando" para o crime assim como para a boa produção da nossa fábrica de carnes e ossos regados a sangue.
Estamos acostumados a chorar tragédias e lutar muito pouco pelo óbvio, que consiste em tirar todas as crianças e adolescentes das ruas, colocando-os nas escolas. Se você prefere usar o hoje para desfrutar do consumismo, use o amanhã para refletir e agir para que possamos construir um Brasil forte e maduro.
Se já contássemos com maioridade social, cultural, emocional e racional, seguramente não estaríamos discutindo a menoridade penal.
Não caia no erro lógico da omissão, consolidado pelo Movimento de Maio de 1968 (na França) numa belíssima frase que dizia: “Se você não forma parte da solução, é parte do problema”. Se você não voltar seus olhos para a solução correta dos nossos problemas, você quase que automaticamente (por ação ou omissão) é parte deles.
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