01 abril 2019

Salário mínimo menor


Bolsonaro quer acabar com reajuste do salário mínimo acima da inflação

Equipe econômica quer correção apenas com base no índice de inflação sem considerar a variação do PIB. Proposta irá reduzir reajuste real do salário base e atingir diretamente 70 milhões de brasileiros.
Jornal GGN

O presidente Jair Bolsonaro tem até o dia 15 de abril para entregar ao Congresso Nacional o projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2020. Nesta data, o governo pretende entregar junto a definição da nova regra de reajuste do salário mínimo a partir do ano que vem.
Pela regra atual, da Política de Valorização do Salário Mínimo, em vigor desde 2007, o reajuste do salário mínimo é atualizado com base no resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes mais a inflação do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).
A equipe econômica comandada pelo ministro da Economia Paulo Guedes quer alterar essa regra, fazendo com que o piso salarial passe a ser corrigido apenas pelo INPC, reduzindo assim a atualização do valor salarial a partir dos próximos anos.

O governo argumenta que, desta forma, conseguirá poupar R$ 330 bilhões em dez anos. O valor seria economizado com os benefícios pagos aos aposentados e pensionistas – cada vez que o salário mínimo sobe, o governo precisa atualizar os valores repassados à essa população.
No campo de visão de Bolsonaro e Guedes, o aumento do salário mínimo pressiona as contas públicas, a inflação e contribui para o baixo nível de produtividade da economia.
Mais da metade dos benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) corresponde ao piso do salário mínimo e cerca de 22,5 milhões de pessoas recebem esse valor, representando 65% dos segurados do INSS.
A verdade, porém, é que o tema divide economistas e gestores públicos. O que para um grupo é pontuado como gasto público, para outro significa redistribuição de renda e um mecanismo a mais para aquecer a economia a partir do poder de compra da população.
Em entrevista ao UOL, a professora de economia do Insper Juliana Inhasz, que defende a visão do governo, disse que a regra aplicada para a valorização do salário mínimo não favorece o crescimento econômico.
“A gente tem a impressão que favorece porque ela dá mais poder de compra para quem recebe benefício ou rendimento atrelado ao mínimo. Então, essas pessoas realmente passam a ter ganhos reais. Mas temos um déficit público elevado e, por conta disso, não conseguimos aumentar os investimentos.” Setores que pensam como Inhasz destacam ainda que o aumento do salário acima da inflação em períodos de queda de produtividade são ruins para a economia.
“As empresas não suportam. A ideia é abrir um pouco mão dos direitos e ter mais empregos”, argumentou o professor de economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie Alphaville João Francisco de Aguiar.
A professora de economia da USP Leda Paulani, pensa diferente dos colegas de profissão e pontua que o reajuste do salário mínimo acima da inflação tem efeito positivo não apenas para os trabalhadores e aposentados, mas também para a economia no geral.
“Se multiplicarmos os 20 milhões de aposentados, entre rurais, urbanos e beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), pelo tamanho médio da família brasileira que é de 3,5 pessoas, temos 70 milhões de pessoas beneficiadas com o aumento real do salário mínimo. Isso sem contar os trabalhadores e trabalhadoras que obtiveram ganhos médios de 20% em seus salários”, completa.
Leda lembra ainda que foi a redistribuição de renda que fez o país se tornar objeto de estudo na Programa das Nações Unidas para o desenvolvimento. “Até hoje o Brasil é estudado como um caso de sucesso, fora da curva, por ter conseguido distribuir melhor a renda num curto período, ao contrário de outros programas sociais que demoram mais a apresentar resultados positivos”, disse.
Segundo o Dieese, se não houvesse a política de valorização real, o valor do salário mínimo seria de apenas R$ 573,00 e não de R$ 998,00, como é hoje. Desde que o modelo de apreciação do salário mínimo foi colocado em prática, o piso teve mais de 77% de ganho real, de 2003 até 2017.
A campanha pela valorização do salário mínimo começou em 2004, pela CUT e outras centrais sindicais que chegaram a realizar três marchas em Brasília para pressionar o Executivo e Legislativo.
Finalmente, em 2007, ainda no governo Lula, foi acordada uma política permanente de valorização do salário mínimo. Em 2008 a medida foi adotada e formalizada por lei no governo Dilma Rousseff.
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Visão nacional

Flávio Dino: só o projeto nacional garante os direitos dos brasileiros. Em debate promovido pelo Clube de Engenharia, o governador Fávio Dino (PCdoB), do Maranhão, falou sobre a questão nacional e o desenvolvimento brasileiro. Para Dino, o Brasil precisa criar condições de para o bem estar dos brasileiros e, para tanto, é preciso que o país tenha um projeto nacional soberano. O governador falou ainda sobre reforma da previdência, soberania nacional, democracia e outros temas da atualidade.Leia aqui https://bit.ly/2CNX2sx

Desastroso

‘Bolsonaro afirmou que “bem antes” do final do seu mandato tomará a decisão sobre se vai transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, como prometeu durante a campanha.’ [Titubeia, mas não deixa de contrariar os povos árabes. Desastrosamente.]

História revivida


Caminhadas, manifestações, aulas-públicas e atividades culturais foram realizadas em várias cidades do país para marcar os 55 anos do golpe de 1964 e para homenagear as vítimas da ditadura militar que dele resultou. Leia mais https://bit.ly/2VgZ5MU

Nunca mais


Em nota, PCdoB, PDT, PT, PSB, PSOL e PCB condenam a louvação de Jair Bolsonaro ao golpe e à ditadura militar de 1964. Os partidos não aceitam a tentativa de negar a supressão das liberdades e direitos, bem como a perseguição política contra opositores, com inúmeros casos de prisão, tortura, desaparecimento e morte. A nota expressa apoio aos atos em defesa da democracia e do estado de direito, assim como reafirma o compromisso de continuar lutando contra os retrocessos promovidos pelo governo. Leia mais https://bit.ly/2HQ740G

Em queda


No rádio, desgaste e resistência
Luciano Siqueira

Mesmo com a multiplicidade e a sofisticação das mídias, continuo ouvinte do rádio. E creio que parcela expressiva da população também — embora eu não tenha em mãos dados estatísticos sobre o assunto. 
Até emissoras que nos boletins do Ibope aparecem com "traço" de audiência têm seu nicho. Sempre que entrevistado por uma delas, alguém comenta que me ouviu.
Então, agora que com pouco mais de dois meses de governo o capitão Bolsonaro amarga corrosão progressiva dos seus índices pessoais de popularidade e de aprovação de sua gestão, o rádio cumpre o seu papel.
No rádio, ouço logo cedo o lamento de comentaristas econômicos quanto à incapacidade do presidente da República negociar apoio parlamentar para a reforma da Previdência.
O Mercado, dizem, anda exasperado. Há uma tendência de queda do índice Bovespa e de aumento progressivo do dólar; investidores estrangeiros, que se mostravam animados a voltar a investir no Brasil, se retraem. 
Diante de tanta incerteza, os chamados capitais de risco se manterão equidistantes, comentam.
Ou seja, o Mercado elegeu um presidente compromissado com as altas esferas do rentismo que não está se mostrando capaz de entregar a encomenda.
De passagem, vale anotar que as tresloucadas postagens do capitão presidente e seus filhos diletos no Twitter não são sendo suficientes para convencer a maioria. Tanto que há dias vem sendo anunciada nova mudança na equipe de comunicação do Planalto, justamente para tentar o desgaste, sobretudo nos grandes centros urbanos, a partir de São Paulo.
Quando o "inimigo" se embaraça, cá do campo das forças oposicionistas cabe atenção, bom senso e sagacidade. Para lhe impor derrotas parciais que, num processo cumulativo, possam contribuir para uma alteração futura da correlação de forças.
A aprovação pela Câmara dos Deputados, por ampla maioria, da emenda constitucional que restringe a quase zero o controle do Executivo sobre a execução do Orçamento Geral da União — em tese uma ideia discutível — se constitui em derrota expressiva do governo.
Agora, numa combinação entre a resistência no parlamento e a luta na base da sociedade, urge erguer com firmeza e argumentação compreensível pela maioria as bandeiras da defesa da Previdência Social pública e da Educação pública de qualidade, ambas ameaçadas pelo governo.
Em outras palavras, trata-se da luta de ideias em todos os níveis, tendo como vetor a resistência de democrática e a construção de uma vontade oposicionista a mais ampla possível, no parlamento, nos salões, nas redes, no rádio e nas ruas.
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O olhar de Pedro Caldas sobre a cidade (11)

Pedro Caldas