28 junho 2026

Palavra de poeta

SUTILÍSSIMO ETERNO
César Leal  


Sutilíssimo eterno que habita
minhas saletas interiores
onde trago o tempo guardado
noturno e resignado

sutilíssimo eterno interior
que como um tálamo é
em minha alma limpa e sofrida
como água dormida em pedra

que eterna seiva alimenta
este tempo em mim retido
plumagem livre de flor
forma exata imperecível

sinto-te assim como um trunfo
branda coroa do eterno
além das nuvens, das águas
ouço o teu metal desperto

se existes no ser completo
na cinza móvel das sombras
por que retiras de mim
tudo o que em mim não é pântano?

[Ilustração: Edvard Munch]

Leia também "Em violino fado", poema de José Saramago https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01034304464.html 

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