Trump tenta impor pedágio em Ormuz e transforma rota em negócio dos EUA
Anúncio de taxa de 20% sobre cargas que cruzam o estreito aprofunda escalada contra o Irã e é denunciado como pirataria por desafiar normas internacionais
Lucas Toth/Vermelho
A guerra imperialista contra o Irã ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (14), quando Donald Trump anunciou que pretende cobrar uma taxa de 20% sobre todas as cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz.
A medida acompanha a retomada do bloqueio naval contra o Irã e a tentativa de Washington de se autoproclamar “guardião” de uma das mais importantes rotas marítimas do planeta, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.
A proposta foi recebida com indignação por governos, especialistas e organismos internacionais.
Trump afirmou que os Estados Unidos passarão a ser conhecidos como “o guardião do Estreito de Ormuz” e que, por uma questão de “justiça”, deverão ser “reembolsados” pelos custos de garantir a segurança da navegação.
Segundo o presidente norte-americano, a cobrança de 20% sobre todas as cargas transportadas serviria para custear as operações militares e de patrulhamento realizadas na região.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a iniciativa como pirataria. A Organização Marítima Internacional (IMO) reiterou que não existe base legal para a cobrança de taxas pela simples passagem em estreitos utilizados pela navegação internacional.
Até mesmo Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, havia declarado semanas atrás que nenhum país tem o direito de impor pedágios em hidrovias internacionais. A Casa Branca agora contradiz sua própria posição para tentar transformar presença militar em fonte de arrecadação.
O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que Trump está correto ao dizer que quem garante a segurança da navegação deveria ser compensado, mas lembrou que essa função sempre foi exercida pelo próprio Irã.
“Vinte por cento é, obviamente, muito. Seremos justos”, declarou. Teerã também denunciou a medida como uma tentativa de extorsão econômica e reafirmou que não reconhecerá qualquer autoridade norte-americana sobre o estreito.
O anúncio ocorre em meio à continuidade da guerra desencadeada pela escalada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Nesta terça-feira (14), forças norte-americanas voltaram a bombardear Bandar Abbas, Kish, Qeshm e Abu Musa. Em resposta, o Irã manteve ataques contra instalações militares dos EUA no Kuwait, Bahrein e Jordânia. A tensão já afeta a navegação comercial e impulsiona uma nova alta dos preços internacionais do petróleo.
Se a medida sair do papel, o alvo não será apenas o Irã. China, Índia, Japão, países europeus e os próprios exportadores árabes dependem de Ormuz para transportar energia e mercadorias.
Ao reivindicar o direito de taxar uma das principais artérias do comércio mundial, Washington amplia seu confronto com Teerã e abre uma disputa com grande parte da comunidade internacional.
O que Trump apresenta como “segurança” é visto por seus críticos como uma tentativa de converter poder militar em instrumento de cobrança sobre o restante do mundo.
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