Faz escuro mas eu canto
Carlos Alberto Marinho*/Jornal O Poder
Como disse o poeta Thiago de Melo, “faz escuro, mas eu canto”. Foi sob esse espírito que evoquei a minha casa, adquirida há cerca de 46 anos no SHO, aprimorada, preservada e cuidadosamente conservada ao longo de toda essa trajetória. Escrevi textos sofridos sobre suas fechaduras, suas portas e suas janelas, em um canto triste e, ao mesmo tempo, resistente, diante da ausência de reconhecimento, pelos órgãos de preservação, do esforço exemplar empreendido para manter a salvo esse patrimônio e a história que ele abriga.
Entretanto
Apesar da escuridão a que ainda me vejo submetido, continuo a cantar. Canto não apenas pela casa e por sua memória, mas também pelo reconhecimento que recebo daqueles que me cercam, observam e admiram a dedicação, a perseverança e o compromisso com a preservação. Se o reconhecimento oficial tarda, permanece vivo o reconhecimento humano, cotidiano e sincero — e é nele que encontro a força para seguir cantando.
*Carlos Marinho é médico e morador de Olinda desde sempre.
NR - Carlos comprou uma casa em ruínas, há muitas décadas, restaurou com esmero. O imóvel foi elogiado nacionalmente e apontado pelo Iphan como referência para cidades históricas. Agora, coincidentemente após criticar as gestões Lupércio/ Mirella, que estão devastando a cidade histórica, vem enfrentando a má vontade absurda do órgão municipal que controla o patrimônio histórico. Uma pena que, enquanto casarões desabam por descuido, quem zela seja alvo de perseguições. Ao médico, a solidariedade de O Poder.
[Imagem: Dudo Gomes]
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