Quando um país, por sua
seleção, lava a alma do mundo
Enio Lins
DISTANCIADO DO
FUTEBOL, nem ouso arriscar comentários sobre os porquês da
eliminação do Brasil na copa 2026, nem sobre qual seleção – dentre os times que
seguem na disputa – seria favorita para levar a taça da FIFA neste ano. Mas o
humor, como sempre, está batendo um bolão, isto é líquido e certo. Só tem gol de
placa.
NÓS DO BRASIL
ESTAMOS em primeiro lugar no quesito humor. Tiramos onda
sobre nossa própria desclassificação e conseguimos superar até as gozações
argentinas (marcadas por eternos ressentimento e racismo dos hermanos y
vecinos). Deixo de lado, por enquanto, os tons soturnos das avaliações
brasileiras sobre a derrocada sistemática do escrete canarinho. Fica essa pauta
para depois, pois terei de ler mais quem estuda de verdade essa temática, pois
dela me afastei há 56 anos, quando do alto de meus 13 anos reconheci não
enxergar graça no ludopédio, apesar de vibrar com belos gols, dribles estilo
Garrincha e, naturalmente, todos os lances do inimitável Pelé, que tive a honra
de vê-lo jogar e fazer um gol na partida de inauguração do Estádio Rei Pelé, em
Maceió.
SIDNEY WANDERLEY, craque da poesia e da crônica satírica, dentre outros
talentos, foi o primeiro a sacar a melhor das troças sobre o sonho desfeito da
sexta taça. Comentando sobre o tema, ele enviou uma mensagem, via Zap, ainda no
domingão fatídico, logo depois da remada norueguesa: “Somos hexa sim!
Hexa não campeões: 2006, 2010, 2014, 2018, 2026”. Esse veio de puro ouro, posteriormente, foi garimpado
por outras tantas mentes brilhantes, como o cartunista Aroeira (desenhando seis
cruzes substituindo as cinco estrelas oficiais sobre o escudo da CBF) e o
humorista Hélio de La Peña, em sua coluna nas versões instagramáveis do UOL,
postada na segunda-feira, dia 6, cravando o neologismo “Hexaperdeões”. Gols olímpicos.
MAS O QUE LAVOU A
ALMA brasileira, e de um montão de outras nações mundo
afora, foi a eliminação, e por goleada, da seleção dos Estados Unidos. Nada
contra os atletas ianques, pois são profissionais como todos os demais. Mas
tudo contra o autocrata e oligarca Donald Trump, atual inquilino da Casa
Branca, por sua tentativa de aparelhar a Copa 2026. O pistoleiro-presidente fez
de tudo para manipular o torneio como um trunfo pessoal em mais uma ação
arrogante, agressiva e supremacista. O galegão do veneno da Casa Branca jogou
pesado – desleal como sempre, em tudo – na performance intimidadora como
anfitrião. Excedeu-se em estupidezes, desde as suas características
demonstrações de força contra os mais frágeis, constrangendo turistas e
atletas, até manietando a FIFA (campeã mundial em pusilanimidade e
subserviência). O episódio da anulação do cartão vermelho que fez por merecer o
craque americano Folarin Balogun, mantendo-o ilegitimamente em campo na partida
contra a Bélgica, foi algo acintoso e vergonhoso.
PODE A BÉLGICA até perder a próxima partida, voando da competição. Mas voará
alto, honrada e invejada por ter dado ao mundo a lição mais importante nesta
Copa 2026: desmontou Trump, metendo-lhe 4x1 com força, vencendo a petulância, o
desrespeito, a manipulação e intimidação do oligarca da Casa Branca.
Desmoralizou-o em seu esforço antidesportista e autoritário, destruindo o que
seria usado pelo dito cujo como peça de marketing: algum resultado semelhante
aos maiores êxitos da seleção estadunidense, a saber: em 2002, a 8ª posição; e
em 1930, um surpreendente terceiro lugar. Zero bala. Acabou o sonho trumpista.
The end. A seleção belga ganhou a Taça do Mundo da Democracia e da Liberdade.
Na bola, na técnica, no peito, na paz, vingou milhões e milhões de vítimas das
violências do desgoverno Donald Trump. A Bélgica, para o mundo, em 2026, é o
Jesse Owens de 1936.
VAMOS ADIANTE: agora é só achar graça pelo resto da Copa 2026.
Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que
possamos publicá-lo
O futebol é um sopro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/dramatica-copa-do-mundo.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário