09 julho 2026

Enio Lins opina

Quando um país, por sua seleção, lava a alma do mundo
Enio Lins    

DISTANCIADO DO FUTEBOL, nem ouso arriscar comentários sobre os porquês da eliminação do Brasil na copa 2026, nem sobre qual seleção – dentre os times que seguem na disputa – seria favorita para levar a taça da FIFA neste ano. Mas o humor, como sempre, está batendo um bolão, isto é líquido e certo. Só tem gol de placa.

NÓS DO BRASIL ESTAMOS 
em primeiro lugar no quesito humor. Tiramos onda sobre nossa própria desclassificação e conseguimos superar até as gozações argentinas (marcadas por eternos ressentimento e racismo dos hermanos y vecinos). Deixo de lado, por enquanto, os tons soturnos das avaliações brasileiras sobre a derrocada sistemática do escrete canarinho. Fica essa pauta para depois, pois terei de ler mais quem estuda de verdade essa temática, pois dela me afastei há 56 anos, quando do alto de meus 13 anos reconheci não enxergar graça no ludopédio, apesar de vibrar com belos gols, dribles estilo Garrincha e, naturalmente, todos os lances do inimitável Pelé, que tive a honra de vê-lo jogar e fazer um gol na partida de inauguração do Estádio Rei Pelé, em Maceió.

SIDNEY WANDERLEY,
 craque da poesia e da crônica satírica, dentre outros talentos, foi o primeiro a sacar a melhor das troças sobre o sonho desfeito da sexta taça. Comentando sobre o tema, ele enviou uma mensagem, via Zap, ainda no domingão fatídico, logo depois da remada norueguesa: “Somos hexa sim! Hexa não campeões: 2006, 2010, 2014, 2018, 2026”. Esse veio de puro ouro, posteriormente, foi garimpado por outras tantas mentes brilhantes, como o cartunista Aroeira (desenhando seis cruzes substituindo as cinco estrelas oficiais sobre o escudo da CBF) e o humorista Hélio de La Peña, em sua coluna nas versões instagramáveis do UOL, postada na segunda-feira, dia 6, cravando o neologismo “Hexaperdeões”. Gols olímpicos.

MAS O QUE LAVOU A ALMA 
brasileira, e de um montão de outras nações mundo afora, foi a eliminação, e por goleada, da seleção dos Estados Unidos. Nada contra os atletas ianques, pois são profissionais como todos os demais. Mas tudo contra o autocrata e oligarca Donald Trump, atual inquilino da Casa Branca, por sua tentativa de aparelhar a Copa 2026. O pistoleiro-presidente fez de tudo para manipular o torneio como um trunfo pessoal em mais uma ação arrogante, agressiva e supremacista. O galegão do veneno da Casa Branca jogou pesado – desleal como sempre, em tudo – na performance intimidadora como anfitrião. Excedeu-se em estupidezes, desde as suas características demonstrações de força contra os mais frágeis, constrangendo turistas e atletas, até manietando a FIFA (campeã mundial em pusilanimidade e subserviência). O episódio da anulação do cartão vermelho que fez por merecer o craque americano Folarin Balogun, mantendo-o ilegitimamente em campo na partida contra a Bélgica, foi algo acintoso e vergonhoso.

PODE A BÉLGICA 
até perder a próxima partida, voando da competição. Mas voará alto, honrada e invejada por ter dado ao mundo a lição mais importante nesta Copa 2026: desmontou Trump, metendo-lhe 4x1 com força, vencendo a petulância, o desrespeito, a manipulação e intimidação do oligarca da Casa Branca. Desmoralizou-o em seu esforço antidesportista e autoritário, destruindo o que seria usado pelo dito cujo como peça de marketing: algum resultado semelhante aos maiores êxitos da seleção estadunidense, a saber: em 2002, a 8ª posição; e em 1930, um surpreendente terceiro lugar. Zero bala. Acabou o sonho trumpista. The end. A seleção belga ganhou a Taça do Mundo da Democracia e da Liberdade. Na bola, na técnica, no peito, na paz, vingou milhões e milhões de vítimas das violências do desgoverno Donald Trump. A Bélgica, para o mundo, em 2026, é o Jesse Owens de 1936.

VAMOS ADIANTE: 
agora é só achar graça pelo resto da Copa 2026.

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O futebol é um sopro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/dramatica-copa-do-mundo.html 

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