Nenhuma chance (ainda) para
a Paz no Oriente Médio
Enio Lins
RECOMEÇOU A GUERRA que nunca foi interrompida entre EUA/Israel e Irã.
A suposta trégua, assinada pomposamente no Palácio de Versalhes, em Paris, no
dia 17 de junho, nunca passou de um ato circense. Desde que foi anunciada, só
serviu para comparações, mais das vezes sarcásticas, entre o acordo fajuto
rubricado por Trump em 2026, e o tratado histórico que encerrou a I Grande
Guerra Mundial em 1919, assinada no mesmo cenário que representa o que foi a
pompa majestática, absolutista, de Luís XIV de França.
NÃO DUROU UM MÊS a pantomima. Sempre foi uma farsa estadunidense, e o Irã assinou
porque lhe foi útil o embuste, seja porque aliviou, por um lapso de tempo, a
pressão militar direta ianque (de poder de fogo imensamente maior), seja porque
isso lhe rendeu pontos ao apresentar ao mundo sua disposição em firmar
compromisso de paz com inimigos figadais. Afinal, quem se arrisca a se opor aos
interesses israelenses e americanos, inapelavelmente recebe os carimbos de
“radical” e “terrorista”. Mas Israel, a parte mais belicosa das forças em
conflito, como sempre, abjurou qualquer oportunidade de interromper a guerra
infinda que move contra as populações nativas de todo Oriente Médio.
TRUMP DEU UM PASSO pra dentro do “tratado de paz” como coreografia de
ampliação de espaços na mídia e como ação destinada a reduzir as pressões
internas nas proximidades das eleições de meio-mandato, em 3 de novembro.
Washington não fez um “pas de deux” com Telavive, o que poderia ter dado, de
fato, alguma chance à paz, ou pequena trégua real. Mas, apenas 20 dias depois
de assinar pomposamente o cenográfico “Memorando de Islamabad” em Versalhes,
deu um passo pra fora, anunciando dramaticamente que “a trégua acabou!” e, como
sempre, ameaçando acabar com o país persa rapidamente, pois “mil mísseis estão
prontos” para serem lançados em um ataque em larga escala contra alvos
estratégicos e de infraestrutura iraniana. E, ao denunciar o Irã como
responsável por prejudicar a economia mundial ao fechar o Estreito de Ormuz,
Trump anuncia que “tomará conta do Estreito de Ormuz” e que passará a cobrar
taxas pelo tráfego naquela área (prejudicando a economia mundial).
ISRAEL, PRINCIPAL
PROVOCADOR e mantenedor da guerra no Oriente Médio, não foi
signatário do tal “Memorando de Islamabad” e nem participou das negociações
articuladas pelo Paquistão. O Estado israelense, cujo governo segue nas mãos de
Bibi Netanyahu e seus terroristas, jamais interrompeu as ações de agressão
contra as populações originárias da Palestina e vizinhanças. Manteve sua
ofensiva militar no Sul do Líbano, assim como avançou na ocupação crescente e
ilegal das terras da Cisjordânia, assim como seguiu exterminando a população do
Gueto de Gaza. Em verdade, repito: nunca houve trégua, apenas uma tentativa de
Donald Trump em respirar um pouco em meio aos insucessos de seu segundo
mandato, num movimento que interessou a Teerã, pois possibilitou aos iranianos
uma pequena folga junto aos Estados Unidos. Entretanto, os israelenses nunca
fizeram intervalo na matança.
JAMAIS HAVERÁ PAZ no Oriente Médio enquanto Israel mantiver sua velhíssima
política de terror e ocupação ilegal dos territórios que jura ter recebido como
presente de seu deus nacional – divindade que segue autorizando o holocausto
das populações nativas tal como teria sido executado na mítica passagem da
derrubada das muralhas de Jericó, num massacre “abençoado”, tal qual expressado
no Livro de Josué. Evidentemente que o poder israelense só existe pela
cumplicidade de potências como os Estados Unidos (e, no passado recente, a
União Soviética foi fundamental no processo de criação e armamento do Estado de
Israel). Nessa intrincada teia de violências e morte, a Paz (com maiúscula) não
tem – ainda – a menor chance.
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A guerra e a paz, vistas de Teerã https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/ponto-de-vista-do-ira.html

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