30 julho 2011

Roncar incomoda e pode ser um sinal de alerta...

O sono e o prazer ameaçado
Luciano Siqueira

Publicado no Jornal da Besta Fubana 

O sono é tão importante que um médico conceituado do Recife, meu professor de clínica médica na Faculdade de Medicina, é taxativo: nunca vá para a cama cansado, para que tenha um sono realmente reparador. Se o estresse e o cansaço físico lhe perturbam, tome um banho morno, ouça uma boa música e só quando a calmaria lhe envolver o corpo e a mente, vá dormir.

Ele tem razão. Basta conferir a experiência de cada um de nós. Não raro você chega em casa aos pedaços de tanto cansaço e “capota”. No dia seguinte percebe que as horas de sono não lhe serviram tanto quanto desejável.

Pois bem. Saiba agora que quando o sono é perturbado pela apneia – interrupção da respiração – pode causar impotência. Além da queda, o coice!

É o que dizem pesquisadores, que apontam o motivo: reduz a testosterona e dificulta a circulação sanguínea.

A coisa acontece assim. Durante o sono a vítima ronca feito motor de moto várias vezes, a intervalos aleatórios, e a cada ronco sofre paradas respiratórias que oscilam em torno de dez segundos. A cada vez há um ligeiro despertar seguido do retorno ao sono, agora meio na superfície (que descansa menos) ao invés de profundo (realmente reparador). A alternância de interrupções da respiração com sono “de superfície”, que é menos relaxante, predispõe o cidadão a distúrbios cardiovasculares – e a disfunção erétil pode ser um deles.

Em geral o sofredor sequer sabe do que está acontecendo. O que me faz lembrar a manchete publicada no Diário de Pernambuco, reza a lenda em meados dos anos cinquenta do século passado: “Padre viaja com raiva e não sabe”. No caso, o sacerdote tinha sido mordido por um cão doente, arrumou as malas e pegou a estrada. Como não havia telefone celular naquela época, o cachorro foi preso, eliminado – mas não se tinha como avisar ao mensageiro de Deus que poderia estar contaminado...

Pois bem. Quem sofre de apneia nem sempre se dá conta disso – daí a importância de não dormir sozinho, de preferência ter ao lado uma apaixonada e zelosa companheira. Se não, pode ter nível baixo de testosterona, ali na zona do agrião a circulação prejudicada e você não está nem aí. Só com o tempo – e a queixa da parte interessada, claro – é que vai se dar conta de que já não é mais o mesmo.

Se além disso você for obeso, diabético e hipertenso o negócio complica mais ainda.

Por isso, se ao amanhecer você ouvir o comentário “cara, você ronca que incomoda, parece até que engoliu besouro e quase se engasga”, cuide logo de ir ao especialista – em sono e em perda da libido.

Mas, como quase tudo na vida, o progresso científico torna as coisas mais simples. Em geral basta usar uma máscara de dormir, para evitar a apneia, que o problema estará resolvido. Com o cuidado apenas de tirar a masca na hora do vamos ver – porque além de esteticamente feio deve ser também muito incômodo, não é mesmo?

Uma face da violência sexista

Ciência Hoje Online:
Bullying e violência contra a mulher
Pesquisadores dos Estados Unidos apontam relação entre agressões contra colegas na adolescência e contra a parceira na idade adulta. O estudo é comentado na seção ‘Mundo de ciência’ da CH de julho.

. Em tempos em que a agressão (séria) de um garoto de 14 anos contra um de seis em uma tradicional escola do Rio de Janeiro (RJ) ganhou proporções nacionais, o resultado de um novo estudo, publicado no periódico Archives of Pediatrics & Adolescent, tem muito a dizer: a prática da violência do chamado bullying na juventude está associada à violência contra a mulher na fase adulta da vida.
. Os autores foram a três centros de saúde comunitários em Boston (Estados Unidos) e entrevistaram 1.491 homens entre 18 e 35 anos. As questões eram sobre violência contra a parceira no último ano; prática de bullying nos tempos de escola; se ou não havia sido vítima de bullying no passado; exposição à violência doméstica ou comunitária; experiências de abuso físico ou sexual na infância; prática de delinquência (com ou sem violência).
. Do total de entrevistados, 241 (16%) disseram ter cometido violência física ou sexual contra a parceira no ano anterior, sendo que 92 deles frequentemente praticavam bullying contra colegas na escola. Outros 63 faziam isso raramente.
. Leia a matéria na íntegra http://twixar.com/BtotdGp19abb Ilustração: Obra de Grandville, extraída do livro francês ‘Cem provérbios’, de 1845.

A ponta do iceberg na tragédia da Noruega

Do multiculturalismo ao fascismo
No Vermelho, por Eduardo Bomfim

Os atentados ocorridos na Noruega com mais de setenta mortos podem parecer algo casual, mas na realidade refletem uma tendência ao fascismo de parcelas das elites, e do capital financeiro internacional, que vão se descartando de outro discurso por eles elaborado, sintetizado na chamada doutrina do multiculturalismo.

Quando meses atrás o primeiro ministro da Grã Bretanha, David Cameron, e a chanceler alemã, Angela Merkel, anunciaram em entrevista coletiva a morte do multiculturalismo, na verdade o que estava acontecendo era uma inflexão estratégica em relação a essa agenda multicultural global desses quarenta anos de hegemonia neoliberal e da nova ordem mundial.

As teses multiculturalistas reinaram olimpicamente durante toda essa época como argumento para suprimir as fronteiras nacionais e ao mesmo tempo foram difundidas com o objetivo de desarmar, dividir, fragmentar as lutas dos povos e trabalhadores dos Países, objetivando quebrar o espírito de unidade arduamente perseguido ao longo de várias dezenas de anos.

Os exemplos mais emblemáticos de resistência dos povos têm sido as grandes lutas antiimperialistas desde o início do século 20 que enxergam na centralidade da grandeza nacional o elemento decisivo para a conquista da plena soberania, associada, em muitos casos, a projetos de transição para uma sociedade mais avançada, o socialismo.

Esse discurso sobre a extinção das fronteiras, vistas como ultrapassadas, foi disseminado como uma pretensa etapa superior da humanidade, na verdade subordinada a uma maior globalização do capital, que exclui os conceitos históricos e culturais dos Países, proporciona uma grande mobilidade internacional da força de trabalho e o aviltamento da sua remuneração.

E a esse projeto contra as nações e o mundo do trabalho o ideólogo norte-americano Francis Fukuyama adicionou a farsa sobre o “fim da História”.

Porém, a crise sistêmica capitalista, o desemprego generalizado entre as nações do primeiro mundo, os efeitos colaterais das agressões imperiais, como o terrorismo, transformou o multiculturalismo em um estorvo à nova ordem mundial. A criatura já não mais interessa aos seus criadores.

Ressurge assim uma doutrina mais eficaz à hegemonia e à acumulação sôfrega do capital financeiro internacional.

Os atentados na Noruega só revelam a ponta do iceberg. O que estamos presenciando mesmo é a proliferação de organizações neonazistas já disputando parcelas do poder na Europa, enquanto nos EUA avança a direita fundamentalista, a exemplo do Tea Party.

Ambiente propício à luta sindical

Expansão econômica rima com poder reivindicatório
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Revista Algomais 

Em geral é muito difícil combinar capacidade reivindicatória dos sindicatos com a recessão econômica. Conservar o emprego passa a ser questão de vida ou morte. Falta fôlego e ambiente para melhorar salário. Mas quando a economia se expande – como acontece no Brasil -, os trabalhadores descortinam possiblidades e elevam o tom. 

Matéria publicada na Folha de S. Paulo, dias atrás, trouxe uma informação importante sobre o assunto. “Reajustes salariais superam a inflação” é a manchete. No texto, a constatação de que o “aquecimento do mercado de trabalho tem forçado empresas a ceder às pressões de trabalhadores por aumentos salariais acima da inflação, apesar de sinais de que a economia começa a esfriar.”

Assim, 88 sindicatos com data-base nos primeiros seis meses do ano conquistaram reajustes acima da inflação. Em média, o aumento real no primeiro semestre foi de 1,86%, ante 1,53% no mesmo período de 2010.

E não precisa ir longe. Em 2010, com economia ainda sob os impactos da crise global – apesar de aqui ter sido uma “marolinha” -, as coisas se passaram de outro modo. Conseguir aumento real era um parto a fórceps.

Isso tem a ver com a possibilidade de se ter um crescimento econômico não excludente, efetivamente progressista: com distribuição de renda e valorização do trabalho. E coloca nas mãos dos sindicatos e das centrais sindicais a responsabilidade irrecusável de alevantar com firmeza suas bandeiras de luta.

O papel dos sindicatos na atualidade enseja um crivo entre o sindicalismo imediatista, não raro conciliador e mais dado ao conchavo do que à luta versus o sindicalismo classista, que contempla as pautas imediatas de cada categoria e os rumos da Nação.

Na atual conjuntura econômica e política do País, sindicato que se atém tão somente à pauta econômica imediata está fadado a obter apenas conquistas breves, efêmeras, sem maior consequência.

Já os sindicatos competentes para lutar “em duas trincheiras”, exigindo salário, direitos e condições de trabalho e o mesmo tempo combatendo a política macroeconômica que ainda se funda em metas anti-inflacionárias, superávit primário elevado, altas taxas de juros e cambio sobrevalorizado – estes são classistas, no sentido de que vão além de imediato, pontual e circunstancial e exercitam o papel histórico dos trabalhadores como força motriz da transformação social.

Daí a conjuntura de expansão econômica rimar com poder reivindicatório, e também com a chance de elevação da consciência de classe dos que sobrevivem do seu trabalho.

O tempo e a vida

A dica se sábado é de Alceu Valença: “O tempo/Se dilata como um fio/Cordão, elástico, caminho,/Estrada que nos transporta”.

28 julho 2011

Uma questão tática em minha coluna semanal no portal Vermelho

Mirando 2012, uma variável constante
Luciano Siqueira

Estamos praticamente a um ano do próximo pleito. Em muitos municípios, decisivo na geopolítica de cada estado. Quem está no governo prefere botar o assunto na agenda a partir dos primeiros meses do ano que vem. Quem deseja chegar ao governo já se assanha em especulações e tratativas. Mas o cenário ainda está por se desenhar, são muitos os fatores que o conformarão, entre os quais, por exemplo, o ambiente econômico nacional.

Mas há uma variável a considerar desde agora e sempre, na etapa preparatória – que vai até as Convenções partidárias, em junho – e sobretudo no transcorrer da campanha – de julho ao final de setembro: a correlação de forças.

A disputa pelo poder local envolve múltiplos interesses, explícitos ou não. Move partidos e segmentos sociais mais ou menos organizados. Candidaturas a prefeito ou prefeita necessitam muito mais da seriedade do partido politico, do prestígio e da competência do candidato ou candidata: reunir forças é indispensável, mesmo que inicialmente em condições de inferioridade em relação ao principal adversário.

Um genial político da virada do século XIX ao século XX, Lênin, que liderou a Revolução Russa de 1917, formulou um postulado tático válido em toda e qualquer batalha: unir suas próprias forças, atrair forças suscetíveis de serem atraídas, neutralizar as que não admitem se juntar a nós e isolar o inimigo principal. Vale para as eleições, vale para uma greve por salário e direitos trabalhistas, vale para uma luta no bairro.

Na luta eleitoral, muitas são as nuances disso, determinadas pela realidade concreta, desde a existência de várias candidaturas (e se deve ter o foco do confronto no adversário principal) até a possibilidade de, partindo-se em condições de inferioridade – numa correlação de forças adversa – se inverter a situação no curso da campanha.

Portanto, cenários hipotéticos devem ser considerados desde já, cotejando as forças em presença, a agenda de problemas do município a enfrentar e o conflito de interesses sociais nela contida e assim por diante. E fazer muitas vezes a mesma pergunta: quem pode se unir a quem?

Por outro lado, tanto quanto juntar forças importa evitar ficar à margem da disputa. João Amazonas, em artigo publicado originariamente no jornal A Classe Operária sob o título “Por que o Partido venceu”, comemorativo dos 70 anos de existência ininterrupta do PCdoB, assinalou como uma das condições do êxito alcançado até então a capacidade dos comunistas de jamais se deixarem isolar.

São ensinamentos muito apropriados na atualidade, em que partidos de todos os matizes, o PCdoB dentre eles, almejam disputar prefeituras com candidatura própria.

Bom dia, Cida Pedrosa

O caminho da faca
parte em arco
rumo ao corpo amado
flecha a fera, exposta
à chaga

cruza a dor, o sonho
escuta

zunindo a lâmina
flamejante alcança
artérias e vasos
aquedutos pontes

parte em seta
rumo ao corpo amado
serena ira, ao amor
alcança

desdobra a carne
desnuda a veia
instala certeira
a eternidade

pára qual âncora
dentro do corpo amado
ferina flor, ao corpo
planta

PCdoB reúne militância em Pesqueira

Marisa Gibson, coluna Diário Político (Diário de Pernambuco): Conferência - O PCdoB de Pesqueira realiza amanhã a 12ª Conferência Municipal de olho em 2012, depois de ter obtido mais de 6 mil votos nas eleições para deputado estadual em 2010, com a candidatura do delegado de Polícia Federal Augusto Simões. O encontro promete e quem está sendo esperado para é o delegado federal Protógenes Queiroz, deputado federal pelo PCdoB de São Paulo.

Brasil e China desenvolvem cooperação em energia renovável

 . A cooperação firmada entre o Brasil e a China, por meio do Centro China-Brasil de Mudança Climática e Tecnologias Inovadoras para Energia, poderá resultar em benefícios para o Brasil especialmente na área de energias renováveis, disse o diretor de Tecnologia e Inovação da Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Segen Estefen.
. Ele participou de seminário realizado nesta quarta-feira (27) pelo Centro China-Brasil, na Cidade Universitária, no Rio de Janeiro.
. O Centro China-Brasil é fruto de parceria entre a Coppe e a Universidade de Tsinghua, principal universidade chinesa na área de engenharia. O centro tem por objetivo formular estratégias e ações para subsidiar decisões dos dois governos nas áreas de energia e de meio ambiente.
. Segen Estefen declarou que o Brasil e a China têm características comuns em termos de discussões sobre as emissões de gases poluentes, o que abre um espaço de convergência na atuação dos dois países, “o que é positivo para o Brasil”. Ele destacou que em relação às tecnologias renováveis, sobretudo, em que a China vem exercendo preponderância nos últimos anos, em função do baixo custo de produção, são grandes as oportunidades de transferência de tecnologia para o Brasil, principalmente em torres dos aerogeradores, na parte de energia eólica (dos ventos), e também nos painéis solares, com destaque para o fotovoltaico.
. Leia mais http://twixar.com/i5MvbJDw5cO

Mais flexibilidade nos planos de saúde

. A partir de hoje, mais de 13 milhões de usuários de planos de saúde terão direito de mudar de operadora sem precisar cumprir novos prazos de carência. As operadoras tiveram 90 dias para se adaptar à nova regra estabelecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), informa a Agência Brasil.
. Com a norma, quem se beneficia são os clientes de planos de saúde individual, familiar e coletivo por adesão (contratado por conselhos profissionais, entidades de classe, sindicatos e federações). Esse último grupo representa mais de 5 milhões de usuários. A ANS espera aumentar a concorrência no mercado e melhorar o atendimento ao consumidor.
. Para fazer a portabilidade, o cliente precisa estar com o pagamento das mensalidades em dia. A nova regra permite que ele mude de um plano de abrangência municipal, por exemplo, para outro comcobertura em todo o estado ou nacional. O usuário terá quatro meses a partir do mês de aniversário do contrato para fazer a mudança, e não mais dois meses como era anteriormente.
. A ANS criou também uma portabilidade especial para usuário de plano de saúde que está sob intervenção da agência ou em processo de falência e para quem perdeu direito ao plano por causa da morte do titular. Nesses casos, a portabilidade não está limitada ao mês de aniversário do contrato nem é exigida uma permanência mínima no plano para pedir a mudança.
. A nova norma não vale para planos coletivos contratados por empresas para seus funcionários, os chamados planos empresariais.

A vida ensina os caminhos da unidade

O exemplo de Lula e os desafios da Frente Popular
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Folha 

A Frente Popular em Pernambuco vai bem, obrigado. Aqui e acolá, como é natural, surgem discrepâncias pontuais sem maiores consequências – pelo menos entre os partidos que a compõem. Problemas internos no PT tem lá sua relevância, mas não a ponto de provocarem fissuras no conjunto da coalizão que prossegue vitoriosa tendo como principal referência a obra de governo realizada por Eduardo Campos e aliados.

Fatores de risco, digamos assim, falando em linguagem médica, sempre existirão na proporção exata em que distintas pretensões podem se contrapor, agora ou em médio prazo. Mas muito menores, infinitamente menores, do que desejam os adversários – estes carentes de ideias e poder de fogo.

Daí soar como certo exagero o suposto envolvimento do ex-presidente Lula, quando e sua recente estada em Pernambuco (para receber justas homenagens), na solução de “impasses” na Frente Popular. No interior do PT, talvez. E, reconheça-se, ninguém terá maior autoridade para apelar à unidade na diversidade do que o ex-presidente, que chegou ao governo da Nação e o conduziu por oito anos, com pleno êxito, à testa de coligação ampla e diversificada. Para tanto, bem sabemos, dedicou-se a permanente trabalho de engenharia política, frequentemente complexo e arriscado.

Mas cá na província também temos nossa experiência na matéria. Ao longo de muitos anos e na atualidade. Além das realizações dos primeiros quatro anos, certamente o fator decisivo para a acachapante vitória eleitoral de Eduardo Campos sobre o oponente, outrora campeão de votos, Jarbas Vasconcelos, terá sido a capacidade do governador em ajuntar correntes políticas e líderes de perfis tão diversificados.

E não há nenhum sinal de que as principais lideranças e partidos que aqui se reúnem em torno da liderança do governador e em apoio ao governo Dilma Rousseff venham a se perder no varejo, permitindo que se ponha interesses pessoais ou de grupos acima da causa comum. Ou que dificuldades internas neste ou naquele partido provoquem mudança de rumo.

Sequer as naturais disputas no pleito do ano vindouro, que colocarão em distintos palanques forças do mesmo campo, inclusive em cidades estrategicamente importantes, terão consequências desse porte.

A presença – e o exemplo – de Lula será sempre benéfica. Mas haveremos de contar com as próprias forças, vale dizer, o bom senso, o espírito público e o equilíbrio de cada um, para darmos conta dos nossos desafios.

27 julho 2011

Metalúrgicos na luta contra a desindustrialização

Metalúrgicos em defesa da classe e da nação
Luciano Siqueira

Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

O desenvolvimento do país é antes de tudo assunto de interesse dos trabalhadores. Para hoje e para o futuro. E a indústria continua sendo a ponta de lança da expansão das atividades econômicas em bases sólidas, em parelha com a agropecuária e com o setor de serviços. Daí o crescimento econômico saudável ostentar em seus indicadores um bom desempenho industrial.

Não é exatamente o que ocorre no Brasil hoje. A economia cresce, é verdade. Mas há um risco real de desindustrialização, na esteira da manutenção da orientação macroecômica que implica câmbio sobrevalorizado e juros estratosféricos. O setor industrial brasileiro, assim, perde em competitividade e dá sinais de anemia.

Nesse cenário, tem enorme importância o manifesto lançado pelos sindicatos metalúrgicos, reunidos em São Bernardo, São Paulo, em defesa da produção nacional.

Manifesto importante e oportuno, pois se dá às vésperas do lançamento, pela presidenta Dilma, do Plano de Desenvolvimento de Competitividade — conjunto de medidas de incentivo à indústria.

O crescimento das importações de produtos industrializados 3m contraste com as dificuldades crescentes de exportação de produtos brasileiros enfraquece esse segmento produtivo e leva à perda substancial de postos de trabalho.

Os metalúrgicos destacam corretamente no manifesto que o desenvolvimento industrial foi responsável pela integração de grande parte da população ao consumo, a ampliação da classe média, a urbanização e o crescimento dos demais setores econômicos. E que em contraposição a isso, é preocupante a redução da participação da indústria de transformação no Produto Interno Bruto (PIB).

Os trabalhadores não foram ouvidos durante a feitura do Plano de Desenvolvimento de Competividade e agora reivindicam a formação de um “fórum de negociação tripartite e permanente”, destinado a elaborar iniciativas de fortalecimento da indústria e do emprego.

Corretíssimo. Se os industriais se queixam, com toda razão, é certo que têm sempre a alternativa de realocarem seus investimentos e outro setor ou no mercado de capitais. Já aos trabalhadores resta lutar pelo incremento da produção com valorização do trabalho. E desse modo combinam a defesa dos seus interesses específicos com os da nação como um todo, assumindo uma posição classista.

24 julho 2011

Reduzindo o efeito estufa

Ciência Hoje Online:
Carbono na malha fina
Novo material desenvolvido para capturar carbono em usinas pode ajudar a reduzir a emissão de gases-estufa resultante da queima de combustíveis fósseis. Sua aplicação, no entanto, ainda esbarra em dificuldades práticas.
. As usinas que utilizam a queima de combustíveis fósseis como fonte energética são tidas como grandes vilãs do aquecimento global. Mas, ao mesmo tempo, elas ainda respondem pela maior parte da energia produzida. Como ainda não é possível substituí-las completamente, vale o esforço para diminuir seu impacto nocivo no meio ambiente.
. Um novo material capaz de reter carbono acaba de ser desenvolvido com esse propósito e, embora ainda não tenha sido testado em usinas, já provou seu potencial em experimentos laboratoriais. Os resultados foram publicados na Nature Communications desta semana.
. Criado por químicos da Universidade de Lehigh (Estados Unidos), o material é formado por inúmeros poros – o que lhe confere grande área superficial –, é estável em altas temperaturas, prefere o gás carbônico a outros gases resultantes da combustão e, sobretudo, é capaz de reter grandes quantidades de carbono.
. Além disso, pode ser produzido a baixo custo e sem interferir muito na eficiência da usina – já que consome relativamente pouca energia.
. Leia mais http://twixar.com/woJrY3wKHwFc

Bom dia, Cecília Meireles

Leveza

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.

E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.

Sinais de um novo tempo

No Vermelho:
O outono dos centuriões
Eduardo Bomfim

A nova ordem mundial, cujo início oficioso remonta aos primeiros anos da década de setenta passada nos Estados Unidos e na Europa, muito especialmente na Inglaterra, começa a dar os sinais evidentes de claro esgotamento.

Sob as lideranças do então presidente norte-americano Ronald Reagan e da ex-primeira ministra britânica Margareth Thatcher, durante os anos setenta do século passado, as teses do neoliberalismo assumiram rapidamente a hegemonia mundial como uma doutrina de amplo espectro, que envolvia questões sobre a economia, filosofia, geopolítica, diplomacia etc.

Além dessa ofensiva da maior expansão e concentração do capital global, ocorreu pouco tempo depois, em 1989, a débâcle das primeiras experiências socialistas vitoriosas na humanidade que tinham como referência fundamental a URSS, provocando a extinção da chamada bipolaridade mundial.

O somatório desses grandes episódios históricos, sociais e políticos acarretou a consagração da denominada nova ordem mundial. Mas o primeiro grande fator que possibilitou essa nova configuração planetária deu-se em 1944 nos estertores da segunda guerra mundial.

Foi quando o padrão-ouro como moeda global foi substituído pelo dólar como referência universal na famosa conferência de Bretton Woods. Pode-se dizer que de todas as batalhas em que os Estados Unidos se envolveram durante a segunda guerra essa vitória foi uma das mais significativas, considerando, é claro, o papel de ter sido um dos protagonistas da luta dos aliados contra o nazi-fascismo.

No entanto para o exercício do imenso poder imperialista que os EUA passaram a exercer até os dias atuais, dois outros fatores foram decisivos: a revolução tecnológica aplicada a um poderoso complexo industrial militar e a gigantesca máquina de inteligência e propaganda ancorada nas indústrias culturais e midiáticas, com tentáculos por todos os continentes.

A tal ponto que hoje em dia a força militar e essa mídia hegemônica global transformaram-se em violentas armas de guerra que vêm sendo usadas de maneira combinada e simultânea.

Mas as agressões militares sistemáticas, a crise econômica mundial com as suas gravíssimas consequências, inclusive na economia norte-americana, vão pondo em cheque os EUA que são cada vez mais repudiados como os centuriões da nova ordem mundial, em um mundo que resiste e em transição para um novo concerto internacional entre os povos e as nações.

23 julho 2011

Lula tem razão

. Apelos de Lula em favor da unidade da Frente Popular apenas reforçam a intenção de nossas principais lideranças.
. Mas são corretos e oportunos.

21 julho 2011

A Globo News e a visão distorcida da história

Eu não queria falar sobre isso, mas... está ficando cada dia mais difícil
por Fernando Neves, via e-mail

Como tem acontecido nesses tempos tão contemporâneos (que após esta frase, já não mais o são), a Globo News MENTE!

Que setores da grande imprensa, comprometidos comercial e (e)ternamente com a cegueira intelectual e a surdez cultural de mesquinhos grupos que ainda detêm a maior parte da renda brasileira, queiram usar os espaços de NOTÍCIA para se autodefender ou autopromover, ainda é possivel entender. Agora, MENTIR sobre a história do Brasil, especificamente no caso da campanha pelas "Diretas Já", como acaba de fazer a comentarista baseada em Londres no programa "Golobo News em Pauta", de hoje à noite, É IMPERDOÁVEL. Atribuir a realização e o sucesso da campanha pelas eleições diretas no Brasil à Rede Globo, PASSA DOS LIMITES e requer uma autocritica URGENTE, para o bem das boas normas empresariais tão atuais no pós 2008 (...e ainda nele).

Até seria aceitável crer que o comentário da senhora "live in London" tenha sido por desconhecimento pessoal, pois, a mesma deixa muito a desejar na desenvoltura e firmeza em sua atividade "sky on line". A liberdade de imprensa, por ela enfatizada, deve ser SEMPRE defendida, porém, anterior as liberdades, "privadas ou corporativas", e até para respaldá-las, deve-se impor a VERDADE HISTÓRICA.

Antes de se arvorar como advogada de defesa de toda a imprensa brasileira "que nunca grampeou o telefone de ninguém", como assim falou, a lady em pauta, para isso escalada(?), deveria ser mais comedida. Faria bem para boa parte da sua adiência não ignóbil. Afinal, os jovens de hoje, verdadeiro alvo destas ações midiáticas, têm instrumentos tecnologicos e uma saudável curiosadade para pesquisar, nos arquivos da grande rede (a livre, internet), a verdade dos fatos. A eles não se enganará tão facilmente, como querem fazer crer os "novos" estrategistas das velhas e acuadas oligarquias, tão saudosas do poder.

PS: Dedico estas linhas aos comentaristas tão contemporâneos quanto os (re)lapsos das sua falas diárias em rádios que deveriam passar a tocar músicas ao invés de trocar notícias e tantos outros assim...

Chico poético

"Vai a onda/Vem a nuvem/"Cai a folha/Quem sopra meu nome?/Raia o dia/Tem sereno/O pai ralha/Meu bem trouxe um perfume?" (A ostra e o vento).

Contra a produção

. Novo aumento da taxa básica de juros sob o pretexto de combate à inflação agrada aos bancos, prejudica o setor produtivo.
. A ameaça de desindustrialização recebe um empurrãozinho a mais.

Gigante em dificuldades

. Pode ser menor do que o previsto;, mas é um baita prejuízo. O banco americano Morgan Stanley teve prejuízo líquido de US$ 588 milhões (US$ 0,38 por ação) no segundo trimestre, revertendo o ganho de US$ 1,578 bilhão (US$ 1,09 por ação) de igual período em 2010, informa o Valor Econômico.
. Apesar da reversão do resultado, o prejuízo do banco veio menor que o previsto por analistas, de perdas de pelo menos US$ 0,60 por ação. O Valor considera resultado líquido o atribuível aos acionistas, que serve de base para o cálculo do pagamento de dividendos pela companhia.

20 julho 2011

Caminhos sinuosos da luta popular

A luta do povo como as ondas do mar
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Revista Algomais

O repórter me faz a mesma pergunta ouvida de um aluno de curso médio: “O povo brasileiro perdeu a vontade de lutar?” Isso porque, segundo ambos, hoje a gente vê pouca passeata, as greves não são tantas e assim por diante, diferente de outros momentos.

Primeiro é preciso anotar que sempre há luta, em vários segmentos sociais e lugares. Conflitos no campo nunca deixaram de existir, tanto que, segundo a Comissão Pastoral da Terra, tem se mantido o índice elevado de mortes de trabalhadores no entrechoque com latifundiários e seus jagunços - 25 assassinatos e 71 pessoas torturadas em 2009. O mesmo se dá com o movimento operário e de funcionários públicos, professores principalmente. Segundo o Valor Econômico (numa edição de outubro passado), o número de categorias cujos trabalhadores cruzaram os braços para alcançar suas reivindicações trabalhistas aumentou 42% entre 2005 e o ano passado, quando foram registradas 516 greves no país - número mais elevado desde as 525 registradas em 2000. Em geral vitoriosas.

Mesmo o movimento estudantil universitário e secundarista, que desde a assunção de Lula à presidência da República conhece fase sem precedentes de acúmulo de conquistas, vendo reivindicações históricas atendidas, não abaixa suas bandeiras e até as torna politicamente mais elevadas. São recorrentes as manifestações patrocinadas pela UNE (União Nacional dos Estudantes) e pela UBES (União Brasileira de Estudantes Secundaristas) contra a política macroenômica, exigindo a queda das taxas de juros como forma de destravar a produção. Ou por 50% dos recursos advindos da exploração do petróleo e do gás da camada do pré-sal para a educação.

É que a luta do povo se desenvolve feito as ondas do mar. Há momentos em que ondas pequenas se somam a outras de porte médio, se sucedem, acumulam volume e ímpeto e se agigantam. Depois se inicia novo ciclo de acúmulo.

Na luta popular e democrática é o que chamamos de período de descenso – quando as lutas praticamente se extinguem, por fraqueza do movimento ou pela ausência de liberdade -; períodos de reanimação e períodos de ascenso.

Onde há contradição, inevitavelmente há luta – surda ou aberta, cumulativa ou explosiva. É uma lei objetiva, que move a História – e também a trajetória do povo brasileiro.

Boa noite, Cida Pedrosa

Ariadne

teus olhos são labirintos
onde nem mesmo
o novelo da minhalma
marca o caminho de volta

UNE autônoma e combativa X críticos tendenciosos

Os ataques à UNE e o elogio da inconsequência
Luciano Siqueira

Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

Não são criticas, simplesmente; são ataques o que se diz da UNE, na grande mídia, pela lavra de articulistas sempre dispostos a rebaixar o movimento social brasileiro e por algumas vozes oriundas da academia, não raro contaminadas por velhos ranços ideológicos. A cada Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), tentam impingir à entidade a pecha de “chapa branca” por haver contado com o apoio material de instituições governamentais para a realização do evento.

Curiosa essa cantilena, pois só se faz contra a UNE (e também contra centrais sindicais de trabalhadores), e nenhum questionamento se direciona quando semelhante apoio é dado a sindicatos e associações patronais. Muito menos em relação a pesadas verbas publicitárias destinadas aos órgãos de imprensa.

Acusa-se indevidamente a UNE de arriar suas bandeiras mais caras e de reduzir o poder de mobilização dos estudantes. Nada mais falso. Basta anotar que o processo preparatório do Congresso realizado em Goiânia, dias atrás, envolveu cerca de um milhão de estudantes em todo o País, que debateram as teses apresentadas pelas correntes politicas presentes participantes.

O presidente recém-eleito, Daniel Iliescu, líder da chapa Transformar o Sonho em Realidade – encabeçada pela União da Juventude Socialista – obteve consagradora maioria de 75% dos delegados votantes, fruto de uma ampla coalizão, plural e representativa das mais combativas correntes do movimento estudantil universitário – unidas em torno de uma plataforma de lutas avançada, em defesa de um projeto de desenvolvimento nacional que tenha na educação uma dois seus pilares. E renovado compromisso de postura altiva e autônoma do da entidade.

Demais, os críticos da UNE omitem dois dados da realidade: no transcurso do governo Lula, foram muitas, inúmeras, conquistas obtidas pelo movimento estudantil universitário, fruto da legítima pressão e da sensibilidade do governo; e mesmo assim, tendo na presidência da República um aliado, a UNE encabeçou diversas manifestações de rua protestando contra a manutenção da política macroenômica em vigor. E quando do surgimento de denúncias graves de corrupção envolvendo membros do governo, a entidade também foi às ruas exigir a apuração dos fatos e a responsabilização criminal dos envolvidos.

O que não pode, sob hipótese alguma, é a UNE e o movimento estudantil assumirem uma postura “porralouca”, alimentando o protesto cego, estéril e sem sentido.

Os críticos tendenciosos da UNE bem que gostariam – por razões politicas óbvias – que a entidade adotasse o lema “Si hay gobierno, soy contra”, e aderisse ao anarquismo inconsequente.

Compom: samba de uma nota só

. A economia se mantém aquecida? A palavra de ordem é detê-la! Num verdadeiro samba de uma nota só, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve aumentar mais uma vez a taxa básica de juros, preveem os analistas.
. De fato, como bem assinala o Valor Econômico de hoje, os indicadores são positivos: mercado de trabalho aquecido, aumento da renda real, crédito em expansão e arrecadação de impostos em alta.
. Mais: a taxa de desemprego em junho, conforme dados do IBGE divulgados ontem, foi de 6,2%, menor que a de maio deste ano (6,4%) e a de junho de 2010 (7%). O número de ocupados teve uma queda, na margem, mas o rendimento real médio aumentou 4% sobre junho do ano passado.
. É a manutenção de uma política macroeconômica que trava o desenvolvimento do país. Até quando?

19 julho 2011

Emprego em alta

. A informação é da Agência Brasil. O mês de junho registrou a criação de 215.393 empregos, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados hoje (19) pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Foram admitidas 1.781.817 pessoas e demitidas 1.566.424. No mesmo período de 2010, o saldo foi 212 mil empregos e, no mês passado, o saldo foi 252 mil empregos.
. No semestre, o saldo de empregos é 1.414.660, resultado superior ao do primeiro semestre de 2010 (1,63 milhão) e ao do primeiro semestre de 2008 (1,44 milhão). O saldo dos últimos doze meses, de julho de 2010 a junho deste ano, é 2.249.365 empregos. Os dados sofrem ajustes por causa dos empregos declarados ao ministério depois do prazo.

Enio vê o fracasso da seleção brasileira

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

18 julho 2011

Uma crônica bem-humorada para aliviar a cuca

A morte pelo prazer e o prazer de morrer feliz
Luciano Siqueira

Publicado no Jornal da Besta Fubana

Sempre digo que gostaria de ter sobre o meu ataúde, quando dessa partir, escrito num pedaço de cartolina o meu protesto por estar indo, pois viver é antes de tudo um prazer – mesmo nas adversidades.

E morrer por prazer? Quer dizer, bater as botas no auge de uma situação prazerosa? A pergunta assim esquisita, ou fora de hora, faço diante da notícia de que nos EUA um estudo assinala que “sexo pode levar à morte”.

Calma, não se trata de mais uma descoberta daquelas que nos leva a crer que se tudo pode provocar câncer. Viver – mais do que arriscoso, como diria o personagem de Guimarães Rosa –, a julgar pelo volume de fatores de risco que a cada dia se anuncia, é fatal... porque dá câncer! Não, não é isso. Os pesquisadores norte-americanos são mais diretos, associam a morte à satisfação de um dos instintos mais caros ao ser humano: o sexo.

Vejamos. Eles partem do óbvio (“sexo, como qualquer atividade física, pode causar infarto em sedentários”) e recomendam a prática regular de exercícios. Quer dizer, como se trata de uma modalidade de esporte de alto rendimento – o ato sexual envolve todos os músculos do corpo humano -, quem não deseja correr riscos deve estar bem fisicamente.

(Mas atenção: não dá para você dizer à parceira, ou vice-versa, que nem jogador de futebol, “vamos pra cama que estou preparado física, técnica e psicologicamente e prometo ter um bom desempenho”. Faça isso não, porque a vontade some na hora).

Voltando à pesquisa, uma das conclusões é que “explosões repentinas de atividade física (como o orgasmo) aumentam significativamente o risco de um ataque cardíaco”. O que me leva a sugerir que, além da preparação física prévia, os parceiros cuidem de bem realizar a prazerosa atividade em três fases: antes, durante e depois. Sem pressa nem precipitações.

Creio que isso basta. Mas o dr Issa Dahabreh, do Tufts Medical Center, em Boston, com o espírito de porco ianque, vai adiante e adverte: as pessoas são três vezes e meia mais propensas a ter um ataque cardíaco ou uma morte súbita cardíaca quando fazem exercício do que se não fizessem. No entanto, também se apressa a esclarecer que fazer exercício é bom, claro. Mantém você em forma. E não corre risco se fizer as duas coisas não tão próximas uma da outra – o cooper ou a aeróbica e bem-bom na cama.

Porém, na dúvida, creio que é melhor morrer de prazer, se for o caso – e morrer feliz!

Teles testam 'orelhão' com novos serviços

. Está no Valor Econômico de hoje. Com mais de 40 milhões de linhas fixas e 215 milhões de celulares no país, diminuiu muito o uso dos telefones públicos. Também minguaram as receitas das operadoras com esse serviço. O faturamento das concessionárias com a telefonia pública caiu 53% desde 2004, segundo a Anatel.
. A reação de operadoras e fabricantes de "orelhões" foi começar a testar aparelhos com novas funções. Acesso à internet, ligações grátis e até recarga de vale-transporte são algumas delas.
. Em Piracicaba (SP), a Telefônica colocou em funcionamento 2,4 mil "orelhões" nos quais é possível fazer chamadas locais sem pagar. Para isso, o usuário tem de ligar para um número 0800 e ouvir um anúncio. Segundo Gustavo Fonseca, diretor da Telefônica, o volume de chamadas nesses telefones subiu 25%.

Políticos circunstanciais enfraquecem partidos

Marina, Fruet e os limites do troca-troca
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Folha

A ex-senadora Marina Silva deixou o PT e aderiu ao PV para disputar a presidência da República. Dias atrás anunciou a sua saída dos verdes fazendo críticas à forma como funciona o partido e por enquanto permanecerá sem partido até um novo episódio eleitoral, no qual possa se envolver. Agora é o ex-deputado federal Gustavo Fruet, do PSDB do Paraná, que deixa o ninho tucano para filiar-se provavelmente ao PDT, para candidatar-se à prefeitura de Curitiba.

Dois casos emblemáticos pela dimensão política de ambos.

Tudo bem, ninguém é obrigado a permanecer a vida inteira num partido político, se por alguma razão, sobretudo de natureza política ou ideológica, sentir-se desconfortável. A troca de legenda sempre foi e é um fato corriqueiro na vida política do País.

Ruim é quando alguém se transfere de um para o outro para se viabilizar como candidato, sem qualquer consideração de natureza programática. Fica parecendo – e é – um descaso imenso com a responsabilidade de construir partidos sólidos, longevos, programáticos. E um desprezo pela coerência.

Ninguém duvida que Marina chegou ao PV sabendo como sua então nova agremiação funciona. Nem que Fruet pule de galho sem abrir mão de suas convicções neoliberais e anti-esquerda tão exaustivamente defendidas na Câmara dos Deputados até o fim do seu último mandato. Especula-se que na legenda do PDT ele pode até ter o apoio do PT paranaense em suas pretensões no próximo pleito.

Esses exemplos se dão no justo momento em que se debate, pela enésima vez, a reforma política. E que volta à tona a falsa solução cartorial para a fidelidade partidária, em detrimento da adoção de um mecanismo mais consistente que induza candidatos e eleitores a se pautarem pelos programas partidários. Refiro-me a instituto da lista partidária preordenada para a disputa por cargos legislativos. Cada partido apresenta seu programa e sua lista, em ordem decrescente, de modo que o eleitor sabe que vota em tal legenda podendo fazer deputados os candidatos por ela indicados. Programa e indivíduos unidos pelo dever da coerência. Eleitor mais consciente, sabendo claramente o sentido de sua escolha. Candidatos com compromissos claros com determinadas ideias e propostas, de modo que deixando o partido perdem o mandato e são substituídos pelo próximo da lista.

Tem país onde o eleitor vota duas vezes: na legenda e em um nome da lista, de modo que pode alterar a ordem sugerida pelo partido. Uma solução mais flexível, que poderia ser adotada aqui.

Desse modo, os limites ao troca-troca são de ordem política – em última instância, o crivo do próprio eleitorado.

Bom negócio para os de fora

. A crise que assola os centros do capitalismo faz com que empresas multinacionais instaladaas no Brasil remetam parte significativa do que aqui lucram para suas pátrias de origem.
. O estadão de hoje noticia isso: Acompanhando o movimento geral de atração de capitais pelo Brasil, as multinacionais do País estão enviando maciçamente recursos de suas filiais para as matrizes. De janeiro a maio, eles já somam US$ 16,5 bi, mais de cinco vezes o registrado em igual período de 2010.

17 julho 2011

Agressão à vida

. Está no Diário de Pernambuco de hoje. Em metade dos municípios brasileiros há registros de denúncias de exploração sexual de crianças e adolescentes.
. Isso conforme levantamento feito em maio pela Secretaria de Direitos Humanos (Sedh) da Presidência da República.
. As regiões Sudeste e Nordeste concentram 64% dos municípios de onde partiram ligações para o Disque 100, número nacional por meio do qual é possível fazer, anonimamente, denúncias de abusos sexuais de crianças e adolescentes.

Bom dia, Manuel Bandeira

O impossível carinho

Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
Quero apenas contar-te a minha ternura
Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
Eu te pudesse repor
- Eu soubesse repor -
No coração despedaçado
As mais puras alegrias de tua infância!

Maioria que veio das urnas

. Questiona-se com frequência a existência de um “rolo compressor” na Assembleia Legislativa, onde o governo sempre vence as votações.
. Mas é bom rever os mapas eleitorais. A maioria absoluta, folgada e consistente alcançada pela base governista veio das urnas.
. Então, é melhor reclamar do eleitor...

UNE de luta, isso sim!

. A cada novo Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) ressurge na grande mídia a calúnia de que a entidade teria se convertido em “chapa branca”, por aceitar o patrocínio, no evento, de empresas estatais como a Petrobras.
. E também porque não estaria protestando contra o governo.
. Ora, se desde Lula o governo federal se postou como aliado do movimento estudantil, concretizando grande parte das reivindicações históricas dos estudantes, como a entidade organizaria protestos? Só se fosse “porra louca”, inconsequente, imatura.
. Assim mesmo, a mesma mídia praticamente silencia quando a UNE realiza protestos contra a política macroeconômica, reclamando da política de juros altos, de câmbio sobrevalorizado e da ausência de mecanismos efetivos de controle do fluxo de capitais – que prejudicam a produção e tornam nossa economia vulnerável á especulação externa.
. Não negar apoio quando o governo acerta e protestar quando o governo erra é sinal de elevada consciência política.

Twitter que nos ajuda

. Interessante reportagem do Jornal do Commercio de hoje sobre o uso que polítjcos fazem do Twitter. Inclusive esse amigo de vocês.
. Antes de tudo, para mim, um canal de contato direto com as pessoas.
. Também uma preciosa fonte de informação.
. E um exercício de concisão: uma ideia em 140 caracteres.

Faces de uma mesma moeda

A sugestão de domingo é da amiga Vilma: “Sábio é quem transforma o gosto amargo da saudade no prazer das boas lembranças.”

Submarino para a paz

. Dilma está certa ao dizer que a construção de submarinos pelo Brasil vem em favor da defesa nacional, capaz de garantir ambiente pacífico no nosso País e garantir a segurança das nossas riquezas.
. Uma iniciativa de soberania.

16 julho 2011

Razões para FIAT em Goiana

Blog de Jamildo:
Antônio Carlos Maranhão defende fábrica da Fiat fora de Suape

Antônio Carlos Maranhão, responsável pela Secretaria de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo do governo Eduardo Campos, é um entusiasta da relocação do projeto da montadora da Fiat do porto de Suape para a cidade de Goiana, na Mata Norte.

"Tudo que se puder fazer fora de Suape será bom hoje", observa.

Além do problema de logística para o futuro, uma questão de planejamento estratégico do Estado se impõe. "Desconcentração é tudo no estágio em que estamos hoje em dia".

Antônio Carlos Maranhão chama a atenção para o equilíbrio que se terá no futuro com várias frentes de crescimento e não apenas Suape. Além do porto de Suape, os demais pólos de crescimento citados são a cidade da Copa, em São Lourenço da Mata, além do novo pólo na Mata Norte, com a confirmação da ida da Fiat. "Os três projetos podem ser interligados com um arco metropolitano. A Fiat em Goiana representa o terceiro ponto deste arco", defende.

Responsável pelo treinamento dos trabalhadores que estão chegando para os grandes projetos estruturadores em Suape, com a ajuda do Senai, que já dirigiu, o secretário diz que pessoal não será problema em Goiana. Há escolas técnicas que estão sendo ampliadas pelo governo do Estado.

Compasso de espera - A Fiat, de acordo com informações de bastidores, continua analisando os dados referentes à nova proposta do governo do Estado, mas diz que não tem uma decisão ainda tomada nem tem pressa.

Segundo a empresa, o desenho do projeto da fábrica continua sendo tocado, independentemente da localização. O projeto pode mesmo ser transplantado, desde que haja vantagens econômicas

No que toca ao novo local, uma das preocupações foi saber se havia pessoal para trabalhar e se eles eram treináveis.

Já o projeto do carro a ser fabricado aqui continua sendo desenhado, em um projeto paralelo. Será um modelo voltado para o mercado além de 2020. A primeira unidade está prevista para sair da fábrica em janeiro de 2014.

"Será um choque tecnológico na nossa indústria. Vamos fazer o carro do futuro", acredita Antônio Carlos Maranhão.

Luciana no Congresso da UNE

Folha de Pernambuco:
Reforma - Presidente nacional do PCdoB em exercício a deputada federal Luciana Santos representou, ontem, a sigla em debate sobre Reforma Política no 57º Congresso da UNE, em Goiânia. A comunista defendeu a liberdade partidária, a livre escolha do eleitor e mostrou-se contra a extinção das coligações proporcionais.

Vodeopoemas em destaque no Festival de Garanhuns

Lilith pela ótica de 25 mulheres
Jornal do Commercio, por Eugênia Bezerra

Entre as histórias de Angélica e Zenaide, há um número considerável de figuras femininas. Todas envolvidas de alguma maneira com o projeto Olhares sobre Lilith. No início, o grupo era formado pela autora Cida Pedrosa e as 26 personagens do livro As filhas de Lilith – ilustrado por Tereza Costa Rêgo e com projeto gráfico de Jaíne Cintra. A elas se juntam 25 cineastas que criaram curtas com as personagens de Cida, em um projeto que tem curadoria de Tuca Siqueira e Alice Gouveia. Todas estarão representadas hoje, às 15h, no lançamento de Olhares sobre Lilith, no Sesc Garanhuns. Às 16h, começa uma mesa-redonda com de Cida Pedrosa, algumas cineastas e o escritor Marcelino Freire – que assina o prólogo do projeto.

O evento tem entrada gratuita (os filmes são recomendados para maiores de 18 anos). Os 26 curtas serão exibidos em uma videoinstalação. “O projeto está próximo de uma sala de exibição. Mas como tenta estabelecer esta ligação entre literatura e audiovisual, no mesmo local você tem um espaço de exposição dos livros. Você oferece a possibilidade das pessoas lerem os poemas, tem uma gravação de Cida e logo em seguida elas assistem aos filmes, que são uma leitura das cineastas”, afirma a cineasta Tuca Siqueira, que é a coordenadora geral do projeto.

A escolha por este formato de exibição ressalta as múltiplas possibilidades de interpretação das histórias destas mulheres (com a visão da autora, a das cineastas e a do próprio público colocadas lado a lado). Os curtas também têm linguagens cinematográficas variadas como animação, videoarte, etc.

A videoinstalação pode ser visitada mesmo após 21º Festival de Inverno de Garanhuns (até 6/8). O projeto foi realizado com apoio do Funcultura e parceria do Sesc para as montagens e circulação. Há exibições agendadas em cidades como Arcoverde, Pesqueira, Buíque, Recife (em outubro, Triunfo (no encerramento do festival de cinema da cidade) e São Paulo (em novembro, na Balada Literária).

Crise global e ataque especulativo


No Vermelho, por Eduardo Bomfim
Delírio especulativo

A crise econômica internacional continua em seu itinerário pela Europa fazendo novas vítimas entre as nações do velho continente. Desta vez os países atingidos são a Espanha e a Itália que sofreram delirantes ataques do capital especulativo internacional.

Assim, além da Grécia, Irlanda e Portugal, se acercam do abismo duas outras economias que não podem ser consideradas como periféricas da zona do Euro. Ao contrário, as duas se encontram entre as cinco maiores potências econômicas da Europa.

Esses novos ataques especulativos contra a Espanha e a Itália envolvem uma população somada de mais de cem milhões de habitantes e duas complexas sociedades industrializadas europeias.

Isso sem falar que foi rebaixada ainda mais a nota da dívida soberana da Irlanda. Esse País entrou em uma zona de turbulência desenfreada, uma espécie de cúmulo-nimbo das finanças, provocada pelo capital rentista.

Por outro lado a aproximação de uma moratória da estratosférica dívida norte-americana é cada vez mais real devido ao limite do endividamento público dos Estados Unidos que está chegando perto do seu teto constitucional.

Mesmo que a possibilidade do calote americano possa ser relativizada em decorrência do dólar como moeda padrão universal, o que é pertinente, e, por conseguinte, o governo dos Estados Unidos resolva inundar a economia internacional com sua moeda, em um nível bem maior do que já se encontra, aprofundando mais ainda a atual crise econômica internacional do capitalismo, a desmoralização generalizada da nova ordem mundial atingirá gravíssima dimensão.

Mas apesar dessa crise global que já atinge em cheio os Estados Unidos, o Japão e a Europa, lançando ao desemprego centenas de milhões de pessoas em todo o mundo, a grande mídia hegemônica nacional tergiversa sobre a gravidade da situação através de recorrentes manchetes diversionistas.

Assim, o governo brasileiro precisa adotar urgentes medidas que sustem a sobrevalorização do Real, que impeça os ataques do capital especulativo, reduza as taxas de juros em órbita e prepare as condições objetivas para um vigoroso fortalecimento industrial e do mercado interno.

Se iniciativas corajosas forem tomadas sem hesitações, a nação, os trabalhadores, o povo brasileiro em geral poderão emergir desse quadro internacional de bancarrota sistêmica em novas e favoráveis condições históricas ao desenvolvimento econômico e de avanços na justiça social.

Poetas sabem das coisas

A dica de sábado é de Monsueto e Arnaldo Passos: “Mora na filosofia/Pra que rimar amor e dor...”.

15 julho 2011

Minha coluna semanal no portal Vermelho

Instrumento (pouco usado) de reforma urbana
Luciano Siqueira


Há leis que “pegam” e leis que “não pegam”, costuma-se dizer na tentativa de distinguir diplomas legais sintonizados com a realidade concreta de outros que não passam de mera abstração.

Mas para que uma lei “pegue” não basta corresponder a necessidades e anseios da sociedade ou de sua maior parte. É preciso condições políticas, em geral remetidas à correlação de forças entre classes ou setores de classes de interesses contraditórios ou diametralmente opostos.

No último dia 10 fez uma década de vigência o Estatuto da Cidade - Lei nº 10.257 -, que tem tudo para “pegar” – ou quase tudo. Põe nas mãos dos governantes um conjunto de instrumentos destinados à gestão urbanística e financeira do território de nossas cidades, em consonância com a norma constitucional que assegura que “a propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor”. No dizer de Raquel Rolnik, o “Estatuto da Cidade é uma caixa de ferramentas e o Plano Diretor é a chave para abrir a caixa” - um instrumento apto a promover o pleno desenvolvimento da função social da cidade, mediante a democratização da gestão pública; a solução do conflito fundiário; o combate à especulação imobiliária e a sustentabilidade econômica, social e ambiental dos espaços urbanos.

Mas a “caixa de ferramentas” tem permanecido quase que permanentemente fechada. E não se trata apenas de desconhecimento pela maioria dos gestores municipais, que também tratam a “chave”, ou seja, o Plano Diretor, apenas como uma obrigação formal. E vão adiante à base da intuição, do improviso, quando não a mercê das pressões externas, sobretudo do capital imobiliário que tanto ocupa espaços cada vez mais extensos – condenando a população mais pobre à chamada “expulsão branca”, tangida para áreas periféricas de não cidade -, além da verticalização excessiva, que leva à mobilidade urbana ao colapso.

É possível administrar os interesses do capital imobiliário sem que necessariamente colidam frontalmente com as necessidades e os direitos da maioria da população, desde que se ponham em prática, por exemplo, dispositivos destinados à regularização de áreas informais (favelas) como o usucapião especial; ao combate à especulação imobiliária mediante controle privado de terrenos ociosos, com o parcelamento, edificação ou utilização compulsórios, o IPTU progressivo no tempo e a desapropriação com pagamento em títulos da dívida pública. Também são bons exemplos a outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso, que possibilita que o município estabeleça determinado coeficiente de aproveitamento dos terrenos a partir de cujo limite o direito de construir excedente deve ser adquirido do poder público; as operações urbanas consorciadas, que ensejam intervenções articuladas entre o poder público e a iniciativa privada, etc.

Em suma, o Estatuto da Cidade (em combinação com o Plano Diretor) é uma arma a ser utilizada para a Reforma Urbana. Desde que governantes progressistas a utilizem e especialmente que o movimento popular e democrático assim exijam.

Potencial da energia eólica no Brasil

Ciência Hoje Online:
Bons ventos evitarão calor e fome?
. A seção de economia dos jornais sempre traz pistas importantes sobre as grandes questões ambientais e seus futuros desdobramentos. Ali, deparei-me recentemente com uma notícia discreta, quase acanhada, mas prenhe de significados, que lamentavelmente não recortei. Era algo como “estão em andamento no Brasil novos projetos de parques eólicos com produção elétrica total equivalente a uma Belo Monte”.
. Assim como os parques eólicos já implantados e em operação, esses projetos têm financiamento privado, nacional e estrangeiro, e licenciamento rápido, instalação idem. Sem polêmica, sem estupro das regras de licenciamento, sem malabarismos arriscados com o meu, o seu, o nosso dinheiro. E com baixa emissão de carbono, metano e outros gases de efeito estufa. Parece interessante, não? Curioso isso ser tão pouco comentado.
. Procurando só um pouquinho, achei uma estimativa do potencial eólico brasileiro de cerca de 140 gigawatts, segundo o Atlas Eólico Brasileiro, publicado pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica da Eletrobrás.
. Leia a matéria na íntegra http://migre.me/5h9Ow

13 julho 2011

Meu artigo semanal no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

Na política nada é estranho
Luciano Siqueira

Na verdade, é na vida que nada deve ser visto com preconceito – tudo é a expressão da condição humana. Karl Marx mesmo escreveu que “nada do que é humano me é estranho”.

Isso vale para o cotidiano da política, talvez mais de que para qualquer outra esfera da vida. Daí a necessidade da abertura, da paciência e mesmo da compaixão – essa atitude que permite compreender as razões e as circunstâncias do outro.

Quando eleito presidente da República, Tancredo Neves recebeu uma delegação de pernambucanos formada por Miguel Arraes, Marcos Freire, Oswaldo Lima Filho, Cid Sampaio, Sérgio Guerra e eu, para dialogar a propósito do governo em formação. Num dado instante, ao mencionar um pleito de certo modo absurdo que ouvira de um interlocutor de outro estado, um dos nossos ensaiou uma observação ríspida em solidariedade ao presidente, logo interrompida pelo próprio: “Meus amigos, se quisermos construir coisas sólidas, não podemos achar nada estranho.”

Com essa observação Tancredo nos ensinava a ouvir sem preconceitos. “Nada estranho” significa que o portador de uma proposta exótica ou inconveniente há que ser compreendido, ainda que suas pretensões não sejam aceitáveis.

Viveremos agora a construção dos projetos eleitorais em cada um dos cento e oitenta e sete municípios de Pernambuco, convivendo com correntes políticas, lideranças e grupos de opiniões e motivações díspares, mesmo quando abrigados numa mesma coligação partidária. O ponto de partida é justamente esse: saber ouvir, procurar compreender, aceitar ou dissuadir, conforme o caso; e buscar, conscienciosamente, o consenso possível.

Muitas vezes pelo simples fato de que alguém foi ouvido, sem que suas propostas tenham sido repelidas antecipadamente – salvo quando “indecentes” -, abre-se um canal de diálogo que se desdobra em aliança e, na ação conjunta, mediante aprendizado mútuo, um novo patamar de compreensão da realidade e de intenções é alcançado.

A vida tem demonstrado isso, sobejamente – aqui e alhures – embora muita gente prefira “esquecer” quando diante de uma nova rodada de conversações ou de um novo episódio eleitoral. E termina perdendo a oportunidade de compreender que, tal como diz sabiamente nosso povo, o mundo dá muitas voltas – e a política também. Basta retroagir uma década na consulta aos jornais locais para verificar que não raro adversários ferrenhos de ontem se converteram em aliados hoje, sem que a travessia tenha ferido nenhum princípio ético nem ultrapassado os limites da coerência. É que a realidade está em permanente mutação e é preciso compreender com descortino, abertura e flexibilidade novos posicionamentos entre alguns que antes se contrapunham frontalmente.

E assim caminha a Humanidade, pois a vida é complexa e é preciso ir adiante no que é justo, oportuno e viável. Sem amarras nem sectarismos.

12 julho 2011

História: 10 de julho de 1839

Rebelião dos 18 escravos da barca Laura Segunda, na costa do CE, contra a fome e os maus-tratos. Dominam a embarcação, encalham-na e tentam a fuga. Presos, 6 serão enforcados. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).

11 julho 2011

Boa noite, Carlos Drummond de Andrade

Além da Terra, Além do Céu

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.

Entre a oficina e o consultório médico

Carro pra que te quero?
Luciano Siqueira

Publicado no Jornal da Besta Fubana

Todos nós conhecemos aquele tipo que concentra todas os seus desejos no carro do ano, mesmo sem o poder aquisitivo para tanto, que trata a sua fubica com mais carinho do que à mulher amada. A comparação não é feliz, mas é a crua realidade. Tanto que jingles nas rádios e comerciais na TV reforçam essa atitude, digamos, rebaixada do ser humano envolto na areia movediça da sociedade de consumo.

Isso acontece aqui e em toda parte. Nos EUA, por exemplo, foi divulgada uma pesquisa patrocinada pela da Rede de Saúde do Homem e pela Abott, que revela que a maioria dos homens considera mais fácil cuidar do carro do que da própria saúde. Nada menos do que 70% dos 501 homens entre 45-65 anos entrevistados pensam assim.

Aí a gente fica sem saber se o problema é de descaso com a própria saúde ou de amor excessivo ao objeto de consumo. Na dúvida, crave nas duas alternativas.

A segunda é até compreensível, no caso dos homens norte-americanos, onde tudo se consome sem o crivo da necessidade básica, às custas do resto do mundo. Pelo menos a população incluída no mercado, tirante os mais de 30 milhões de excluídos (segundo se divulga).

Mas não cuidar da saúde é coisa de gente pouco esclarecida, não é mesmo? Aliás, não é a primeira vez que me dou conta de que a tal “população culta e educada” que frequenta o imaginário de nós outros periféricos nem sempre corresponde à realidade. Quando vice-prefeito do Recife, participei ao lado do prefeito João Paulo e do nosso secretário de Saneamento, Antonio Miranda, de uma conversa com técnicos alemães que nos apresentaram tecnologias avançadas na revitalização de recursos hídricos. A certa altura, um deles, após explicar como haviam recuperado o rio Reno da poluição, arrematou: “Mas foi necessário um imenso esforço de educação ambiental junto à população!”

Epa! Então a população alemã não havia até então assimilado a necessidade de preservar o ambiente?

De outra feita, em Paris, fotografei (e guardo em meu arquivo pessoal) a Praça Pigale, nas proximidades do Moulin Rouge, absolutamente enfestada de lixo – isso a umas 4 da tarde! Sinal de que para os franceses nem sempre cabe o rótulo de população “esclarecida”.

Por isso esse caso dos americanos que cuidam mais dos seus carros do que de si mesmo já não me surpreende tanto. Nem aos próprios – ou seja, às autoridades da área da saúde. Daí deflagrarem uma campanha com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre as questões relacionadas à saúde do homem, incentivando exames periódicos para checar regulamente testículos, próstata, colesterol, testosterona e pressão arterial.

Bem que o slogan da campanha podia ser “O caminho da oficina passa pelo consultório médico”.

Quem perde e ganha na crise global

No Vermelho, por Eduardo Bomfim
Os ricos da crise

A Grécia mergulhou no precipício e Portugal com a espada nas costas caminha na mesma direção aguardando a sua vez. Esse é o panorama das economias de grande parte das nações europeias assaltadas pelo capital financeiro internacional, na fila dos condenados esperando a execução iminente.

O mundo tem sido jogado em uma aventura enlouquecida em consequência da ganância inerente ao capital em sua voracidade sem freios e própria do seu caráter que de tempos em tempos mergulha os Países em tragédias, muito particularmente as massas assalariadas, a juventude, os aposentados etc.

Essa crise atual, iniciada em 2008, também tem sido um momento de decadência da nova ordem neoliberal que reinou absoluta, apesar da tenaz resistência dos povos, nas últimas quatro décadas nos Estados Unidos e na Europa, determinando os rumos da economia global.

No Brasil as orientações da nova ordem mundial e sua doutrina neoliberal foram implantadas muito especialmente durante os dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seus efeitos ainda não desapareceram de todo, até porque, embora haja um novo contexto de multipolaridade econômica mundial, elas ainda ditam os rumos globais.

Atualmente os dois motores principais que mantêm a hegemonia das linhas da nova ordem mundial, além das estratégias econômicas dos centros decisórios capitalistas nos EUA e na Europa, têm sido a força militar e a poderosa máquina midiática global com ramificações em todos os Países.

O poder de fogo bélico e da mídia global têm sido ao longo dessas décadas impostas às nações e aos povos como verdadeiras armas de guerra, e assim precisam ser compreendidas, objetivando o domínio e a subordinação das sociedades. Ao ponto de terem erigido um tipo de civilização regressiva, ultra-individualista e reacionária e que hoje se encontra em crise geral.

Portanto a resistência contra essa ordem imperial hegemônica, mesmo em gravíssima crise, sempre tem combinando a luta de ideias com a defesa da soberania das nações, algumas delas agredidas violentamente através de ofensivas militares e midiática combinadas e ao mesmo tempo.

Mas nessa aldeia global em tenebrosa crise, enquanto o desemprego mundial já atingiu a casa de 211,5 milhões de trabalhadores, as grandes fortunas do planeta, uma ínfima minoria da população, aumentaram em quase 10% o fastio da opulência em meio a esses tempos danados.