30 abril 2012

"Garotas da Moda" estréia hoje no CinePE

No Diário de Pernambuco:
Banda de travestis que se diz única no mundo inspira curta-metragem . O tradicional Clube Saboeira, no Centro de Goiana, cidade da Zona da Mata Norte, a 60 quilômetros do Recife, receberia pela primeira vez as Fashion Girls. Era a Noite das Bruxas, o Halloween, e a fotógrafa e cineasta Tuca Siqueira havia sido convidada para acompanhar a apresentação. Antes de a banda subir ao palco, o mestre de cerimônias da festa perguntou qual música elas iriam dublar e dançar. Quis confirmar se não seria I’ll survive, famosa na voz de Gloria Gaynor e de muitos outros ícones do mundo gay, como Edson Cordeiro. E ficou espantado ao vê-las responder que cantariam Single ladies, da diva pop norte-americana Beyoncé.
.Tuca Siqueira se arrependeu de não ter levado a câmera de filmar neste dia. Mas surgia ali a vontade de registrar e transpor para as telas a história de amizade e superação da banda liderada por Menidilson Henrique dos Santos, 30 anos, nome artístico Mendy, também conhecido em Goiana como Negão. O resultado é Garotas da Moda, curta-metragem com 20 minutos de duração, que ganha sua sessão de estreia nesta segunda-feira, às 20h, na 16ª edição do Cine PE - Festival do Audiovisual.
. Meny certamente ficará emocionado ao lado das amigas Cida, 24 anos, Joyce Pamela, 23, e Tasila (sem o erre mesmo!), 24, ao ver a maneira poética e verdadeira como Tuca retratou suas histórias de vida. O combinado foi que eles não veriam o filme antes de ficar pronto, pois todos têm a autocrítica muito aguçada. “Todo dia a gente se vê. A banda é mais uma maneira de estarmos próximas, porque a gente se reúne para ensaiar e jogar conversa fora”, contam as “amigas” inseparáveis.
. Para sobreviver, Meny vende cosméticos e é cabeleireiro. Cida dirige o próprio salão de beleza. Joyce escova cabelos. Meny e Tasila se conhecem desde a infância, passada em Nova Goiana, numa rua de terra batida, em frente a um canavial. Elas criam os próprios figurinos e se inspiram em figuras internacionais como a já citada Beyoncé, além de Shakira e Christina Aguilera, ou nacionais, como a supermodelo Gisele Bündchen e a cantora Joelma, da banda Calipso. “Queremos sempre treinar mais, pois nunca está perfeito”, fala Cida, que desenha, corta e borda as roupas usadas nos shows e ama dançar.
. Meny mora com a mãe, Dona Gloriete, e mais cinco sobrinhos. “Ela não tem nada contra a minha escolha. Diz que a vida é minha, que eu faço o que quiser, desde que não me meta em encrenca”, fala ele, que mantém as unhas sempre pintadas e o megahair bem cuidado. “Se a festa é para público GLS, a gente faz o make (maquiagem). Se não, vai uma coisa mais básica mesmo”, diz Joyce, completando que chega a demorar uma hora e 30 minutos para ficar toda “fechosa”. Ansiosas para ver o curta, comentam que se apresentaram em cidades próximas, como Condado, Itaquitinga e a praia de Ponta de Pedras.
. O preconceito contra os travestis (drag queens) numa cidade que vive do comércio e da cana, mas passa por crescimento econômico com a chegada de fábricas como a da Fiat e de outros investimentos, existe, elas admitem. Mas a população local apoia o grupo. “Eventos, não fazemos muito não. Mas, quando faz, ficamos na boca do povo dois, três dias”, conta Meny, que assim como as outras integrantes adoraria ver o filme no Cine-Teatro Polytheama, construído em 1914. Mas o projetor está quebrado.
. Não deve demorar muito para as Fashion Girls fazerem sucesso “em casa”. Mas, diante da ambiguidade que elas representam, até mesmo a repórter se errou o pronome de tratamento na entrevista, sem saber se deveria se referir às interlocutoras como eles ou elas. A dúvida durou segundos. Pois as Garotas da Moda de Goiana têm a alma mais feminina do que a de muitas “mulheres”. A quinta integrante, que aparece no filme, foi morar em São Paulo em maio do ano passado, sem data para retornar.
Por Tatiana Meira, do Diario de Pernambuco

29 abril 2012

Grande téórico, militante consequente

No Vermelho:
Há 75 anos morreu Antonio Gramsci, pensador e militante
No dia 27 de abril de 1937, aos 46 anos, morria Antonio Gramsci, pensador e revolucionário italiano, um dos fundadores do Partido Comunista e até hoje uma das principais referências do pensamento comunista, marxista e leninista na Europa Ocidental.
. Nascido em Ales, na Sardenha, aos 21 anos Gramsci conseguiu um prêmio para estudar Letras na universidade de Turim. Freqüentou os círculos socialistas e entrou para o Partido Socialista em 1913. Revelou-se um jornalista notável, escrevendo para o "L’ Avanti", órgão oficial do Partido Socialista e para vários jornais socialistas na Itália.
. Em 1919, rompeu com os socialistas e tornou-se co-fundador do Partido Comunista Italiano em 1921, junto com Amadeo Bordiga. Foi editor do jornal comunista “A Nova Ordem”.
. Gramsci era um entusiasta da participação do proletariado na política e defendia a organização da classe trabalhadora nos conselhos de fábrica.
. Em 1922, representa o PCI na reunião da 3ª Internacional, em Moscou. Retorna à Itália depois de ficar dois anos em Moscou e é eleito para uma vaga na Câmara dos Deputados, tornando-se em seguida líder da bancada comunista. Em 8 de novembro de 1926, a polícia fascista prendeu Gramsci e, apesar de sua imunidade parlamentar, permanece encarcerado. Recebeu uma sentença de cinco anos de confinamento e, no ano seguinte, uma sentença de 20 anos de prisão.
. Durante o tempo que passou na prisão, Gramsci escreveu 32 cadernos com reflexões em que expressou seu pensamento político e ideológico, em linguagem cifrada para despistar a repressão. Gramsci atribuía enorme importância à educação política e considerava decisiva a conquista da hegemonia das ideias revolucionárias para a conquista do poder político pela classe operária e seus aliados.
. Os Cadernos foram publicados postumamente com o título de Lettere del Carcere (Cartas do Cárcere, 1947). O conjunto da obra é considerado um dos mais importantes documentos políticos do século 20.

. Leia a matéria na íntegra http://goo.gl/SA5cv

Bom dia, Hélio Pellegrino

Aldemir Martins
O Galo
Canto forrado em
carne, e sob as penas,
este carvão que
espreita. E salta em
arco sobre os pulmões
do dia. E bifurca a
manhã com a córnea de
seu bico.

Sinal de alerta

Um em cada quatro professores da educação básica não tem diploma de ensino superior
. Aproximidamente 25% dos professores que trabalham nas escolas de educação básica do país não têm diploma de ensino superior. Eles cursaram apenas até o ensino médio ou o antigo curso normal. Os dados são do Censo Escolar de 2011, divulgado este mês pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), informa a Agência Brasil.
. Apesar de ainda existir um enorme contingente de professores que não passaram pela universidade – eram mais de 530 mil em 2011 – o quadro apresenta melhora. Em 2007, os profissionais de nível médio eram mais de 30% do total, segundo mostra o censo. . Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Roberto Leão, os números são mais um indicativo de que o magistério não é uma carreira atraente.
. “Isso mostra que as pessoas estão indo lecionar como última opção de carreira profissional. Poucos profissionais bem preparados se dedicam ao magistério por vocação, uma vez que a carreira não aponta para uma boa perspectiva de futuro. Os salários são baixo, e as condições de trabalho ruins”, explica.
. A maior proporção de profissionais sem formação de nível superior está na educação infantil. Nas salas de aula da creche e pré-escola, eles são 43,1% do total. Nos primeiros anos do ensino fundamental (1º ao 5º ano), 31,8% não têm diploma universitário, percentual que cai para 15,8% nos anos finais (6° ao 9º ano). No ensino médio, os profissionais sem titulação são minoria: apenas 5,9%.
. Para a presidenta da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza Repulho, é um “grande equívoco pedagógico” colocar os professores menos preparados para atender as crianças mais novas. “No mundo inteiro é exatamente o contrário, quem trabalha na primeira infância tem maior titulação. Quando o professor entra na rede vai para a educação infantil quase como que um 'castigo' porque ela não é considerada importante. Mas, na verdade, se a criança começa bem sua trajetória escolar, as coisas serão bem mais tranquilas lá na frente”, pondera.
. Segundo Cleuza, o nível de formação dos professores varia muito nas redes de ensino do país. Enquanto em algumas cidades quase todos os profissionais passaram pela universidade, em outras regiões o percentual de professores que só têm nível médio é superior à média nacional. “Temos, às vezes, uma concentração maior de professores sem titulação em alguns locais do Brasil, como a Região Norte, por exemplo, onde as distâncias e as dificuldades de acesso impedem que o professor melhore sua formação”, aponta.
. O resumo técnico do Censo Escolar também destaca que em 2010 havia mais de 380 mil profissionais do magistério matriculados em cursos superiores – metade deles estudava pedagogia. Isso seria um indicativo de que há um esforço da categoria para aprimorar sua formação. Mas o presidente da CNTE ainda considera “muito alto” o número de professores sem diploma universitário, especialmente porque nos últimos anos foram ampliados os estímulos para formação de professores nas instituições públicas e privadas de ensino superior.
. Uma das alternativas para quem já atua em sala de aula e quer aprimorar a formação é a modalidade do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para licenciaturas. O programa paga as mensalidades de um curso em faculdade particular e depois da formatura o estudante pode abater sua dívida se trabalhar em escolas da rede pública – cada mês em serviço abate 1% do valor.
. “Os programas são oferecidos, mas as condições não são dadas aos professores para que eles participem. O professor não tem, por exemplo, a dispensa do trabalho nos dias em que ele precisa assistir às aulas. As prefeituras e governos estaduais que deveriam ser os primeiros interessados acabam não estimulando o aprimoramento”, diz Roberto Leão.

Novidade que vem da China

Ciência Hoje Online:
Pesquisa facilitada
Chineses descobrem técnica mais eficiente para produzir camundongos de laboratório geneticamente modificados. O método, que usa uma célula-tronco embrionária em vez de um espermatozoide para fertilizar o óvulo, vai facilitar o estudo de várias doenças.
. Produzir animais geneticamente modificados para experimentos científicos é prática cada vez mais comum em laboratórios de todo o mundo. Mas a forma como isso vem sendo feito ainda deixa muito a desejar: o processo é demorado, e o resultado nem sempre é o que se espera.
. Esses problemas podem estar com os dias contados, graças a um grupo de pesquisadores chineses que conseguiu criar camundongos geneticamente modificados por meio de um método inédito. A novidade foi que eles usaram uma célula-tronco embrionária no lugar de um espermatozoide para fertilizar um óvulo imaturo.
. A descrição do trabalho está na última edição da revista Cell , publicada nesta quinta-feira (26/04). Para entender a estratégia que os pesquisadores usaram, é preciso saber alguns conceitos técnicos.

. As células da maior parte dos animais são classificadas em duas categorias segundo a configuração genética. No caso da espécie humana, por exemplo, as células reprodutivas (espermatozoides e óvulos imaturos) têm 23 cromossomos e são chamadas haploides. Já as demais, que compõem os órgãos e tecidos humanos, carregam 46 cromossomos e, por isso, são classificadas como diploides.
. Leia a matéria na íntegra http://goo.gl/OzOf5

A palavra instigante de Jomard

eNEM de todos exames na INTERPOÉTICAjomard muniz de britto, jmb

Nem as redes sociais mais ativistas
conseguirão escapar das LABAREDAS
de marqueteiros do CAIS às TORRES.
Inimigos de outrora, hoje mui amigos de
todos capitalismos líquidos, sólidos e gasosos.
Nem vem com estéticos protestos que não
vingam nas práxis da politicidade.
Nem embalam nossos criolos corações.
Nem todo cuidado é pouco com as
sen si bi li da des gerando novas
sus ce pti bi li da des. Vexames no eNEM.
Trata-se do fogo irmão diante e dentro das
fogueiras nos abismos de São João.
Nem se relembrem do ídolo João Gilberto
ignorando sabiamente cartilhas cruzadas
por ideologias em lojas de conveniência.
Camaradas camaleônicos? ENEM para todos.
Nem foguetes juninos. Nem traques e truques
contra as minorias rebeldes.
Nem o destino deslindando-se em beleza!
Nem a política reconstruindo-se em justiça
social. Nem mesmo chamando as polícias.
Terapias do nem vem que não veem
dos tempos lógicos para a ilogicidade
par ti dá ria desdobrando-se do NEM ao ENEM.
Nem a Enciclopédia Britânica dissipará
digitalmente demências intelectuárias.
Nem os heterônimos de Fernando Pessoa
reinventados por Zé Paulinho Cavalcanti.
Nem os mistérios de Ofélia Pessoana
transfigurados por Maria Lectícia dos
sabores em saberes. Nem Barthes.
Nem o Prof.de Astrologia Eduardo Maia
deixou de nos advertir pela ausência dos
TT no Britto. Tensões em travessias.
Da tela dos cines às telinhas dos
atentadospoeticos@yahoo.com.br.
Nem tudo vale quanto pesa a dureza
do ser em tempos e nadas.
Recife, arrecife de desejos, maio 2012

Ciência, tempo e vida

Água na fervura de quem já passou dos cinquenta
Luciano Siqueira

Publicado no Jornal da Besta Fubana

Cresci e amadureci ouvindo que a gente é como vinho: quanto mais velho, melhor. Por isso concordei de imediato com um amigo que me disse certa vez que quando a gente passa dos cinquenta atinge a melhor fase da vida, se aproxima do auge da capacidade intelectual e é pena que nem sempre a resistência física dê totalmente pro gasto.

E assim segui até hoje, orgulhoso dos meus cabelos brancos e crente de que – como diria um jogador de futebol – estou em ótimas condições físicas, psicológicas e táticas. Mas eis que leio uma má notícia: nosso cérebro começa a declinar a partir dos quarenta e cinco anos!

É o que afirmam pesquisadores do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (Inserm) francês e da University College de Londres. Eles se baseiam numa série de testes de memória, vocabulário, raciocínio e expressão oral a que foram submetidos 5198 homens e 2192 mulheres de 45 a 70 anos. Isto em 10 anos de acompanhamento médico e realização de exames individuais.

Assim, em 10 anos, o rendimento de raciocínio caiu 3,6% para os homens de 45 a 49 anos, e 9,6% para os de 65 a 70 anos. Já as mulheres tiveram desempenho semelhante: menos 3,6% para o primeiro grupo etário e menos 7,4% para as de 65 a 70 anos.

Se a notícia não me agrada, pior é a recomendação de uma tal Archana Singh-Manoux, coordenadora da equipe francesa: "é importante determinar a idade de início do declínio cognitivo, já que possivelmente é mais eficaz atuar desde o começo, em particular com medicamentos, para mudar a trajetória do envelhecimento".

Medicamento uma droga! Por que não atividade intensa, de preferência em benefício do bem comum? Pois o que mantém a gente vivo – em especial os de cabelos brancos – é justamente o fazer coisas úteis, que de lambujem exigem reflexão e tomada de decisões. Ócio e medicamentos, sei não, só fazem piorar.

Enquanto isso, os autores da pesquisa se engalfinham na determinação da fase exata em que o declínio cognitivo começa, se aos 60 anos ou antes. Que gastem seu tempo nessa polêmica, deixando em paz a turma da chamada boa idade.

Isso mesmo! Pelo menos em minha experiência pessoal e no que me é dado observar nas minhas relações com a população, desmiolado fica apenas quem não tem com que se preocupar.

Na política, as coisas funcionam em moto contínuo, sempre trazendo novos desafios, envolvendo interesses díspares e muitas vezes conflitantes, reclamando apreciação aprofundada e conscienciosa de problemas complexos.

O mesmo se pode dizer dos que batalham duro pelo ganha pão, aos quais não se permite a simples contemplação da vida que passa.

A amiga e o poeta

A sugestão de domingo é da amiga Dani nos versos de Antonio Maria: “Então vamos juntos cantar,/O azul da manhã que nasceu...”.

28 abril 2012

Reformas estruturais com muita luta

A Resolução 72 e as reformas
Luciano Siqueira

Publicado no portal Vermelho

Diz o ministro Guido Mantega que a aprovação da Resolução 72 é “o primeiro passo para a reforma tributária”. Gostaria de assinar embaixo, mas me faltam convicção e confiança. Não que duvide dos bons propósitos do ministro da Fazenda, que ao lado do presidente do Banco Central tem sido artífice, sob o comando da presidenta Dilma, do desmonte gradual da política de juros estratosféricos e dos demais componentes macroeconômicos que ainda travam o pleno desenvolvimento do País.

É que a afirmação do ministro me parece muito exagerada. Reforma tributária é joia rara no Brasil: todos dizem que a desejam, mas cada um que ter a sua. Na prática, o sistema tributário não se reforma, apenas agrega – para o bem ou para o mal – novos dispositivos para resolver problemas pontuais. Como a Resolução 71, que ao consignar a alíquota única de 4% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para produtos importados em operações interestaduais, resolve uma distorção. Estados como Espírito Santo, Santa Catarina e Goiás (porto seco) vinham oferecendo incentivos através de alíquotas diferenciadas do imposto para que produtos importados desembarquem por seus portos. Em consequência, outros estados saiam prejudicados.

Dar um basta nessa “guerra dos portos”, entretanto, está longe do status de reforma. Melhor seria ferir o problema em sua inteireza, assim como em relação a outros óbices ao desenvolvimento. Por exemplo, sem uma redefinição dos termos em que o solo urbano é ocupado e utilizado – matéria de uma reforma urbana -, impossível resolvermos o problema de grandes contingentes populacionais localizados em áreas de risco nas periferias de nossas cidades. A questão de fundo está no acesso à terra, que lhes é interditado.

A cada “desastre natural”, também chamado “calamidade pública”, sucedem-se reportagens espalhafatosas, verdadeiro espetáculo hediondo, na TV e demais mídias, contornando-se, no entanto o âmago da questão. Justamente porque a democratização do solo urbano em favor de uma cidade mais humana contraria interesses poderosos que encontram guarida nos meios de comunicação.

Expediente semelhante se verifica em relação ao sistema educacional brasileiro, igualmente carente de reforma; o injusto padrão vigente da propriedade territorial rural, que encontraria superação se completássemos a reforma agrária; o escandaloso monopólio da comunicação de massas, que obstrui o direito de todos à informação qualificada e multilateral.

O mesmo ocorre com a reforma política. Uma falsa unanimidade, eternamente torpedeada pelos grandes partidos que não a desejam e quando a abordam parcialmente o fazem com sentido antidemocrático.

Por enquanto, saudemos as boas intenções do ministro Mantega, porém renovando nossa percepção de que é preciso mobilizar uma verdadeira vontade nacional para que essas reformas se concretizem.

Dica de poeta

A dica de sábado é de Renato Teixeira: “Os melhores amigos/Não trazem dentro da boca/Palavras fingidas ou falsas histórias.”

História: 28 de abril de 1982

Condenada à prisão perpétua em Israel Lâmia Maruf Hassan, brasileira de origem palestina, 22 anos, acusada sem provas de cumplicidade numa ação armada. Cresce o clamor no Brasil e no mundo pela libertação da jovem. (Vermelho www.vermelho.org.br).

Fator de elevação da consciência social

Em favor do livro e da leitura
Luciano Siqueira

Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

Como ainda se faz muito pouco, o que se fará agora deve ser saudado como muito. Serão investidos R$ 373 milhões pelo Ministério da Cultura (MinC) no Plano Nacional do Livro e da Leitura (PNLL) para esse ano. Na pauta, a construção e a revitalização de bibliotecas; a contratação de agentes de leitura e a realização de feiras e festivais de literatura.

O fato é que o brasileiro lê pouco, considerando-se o tamanho da população e fazendo-se o cotejamento com outros países mundo afora, inclusive nossos irmãos sul-americanos, como argentinos e chilenos. Dados da última rodada da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, recém-divulgados, indicam que 75% dos brasileiros nunca frequentaram uma biblioteca.


Bem sabemos que há fatores multicausais para isso. Desde o grau de escolaridade ao advento da linguagem do vídeo pelos canais convencionais de TV e através da internet. E, óbvio, também pesa – e de modo marcante – a precariedade das políticas públicas nesse sentido, nos três níveis federativos.

O Ministério da Cultura deseja contribuir para que se firme em nosso País “uma boa e vasta literatura, e uma competente e ampla rede editorial e de divulgação.”

Literatura de qualidade temos. Recife mesmo é um dos principais polos editoriais do Brasil pelo volume de títulos publicados anualmente, ainda que em tiragens diminutas, mas a distribuição do que aqui se produz é precaríssima. Possui apenas duas bibliotecas públicas municipais e uma estadual, motivo de frustração deste que lhes escreve, vice-prefeito por oito anos, que não faz capaz de viabilizar uma alteração nesse panorama.

Depois, vereador por pouco mais de um ano, consegui aprovar a Lei de Incentivo à Cultura do Livro e da Leitura, que tem no seu bojo o Plano Recifense do Livro e da Leitura, que caminha a passos lentos.

Imagine, então bibliotecas em municípios do interior: raríssimas. E assim mesmo limitadas em seu acervo, em geral convertidas em meros depósitos de livros.

Há alguns anos, a convite do Partido Comunista de Portugal, visitei vários conselhos e freguesias para conhecer experiências de governo local. Chamou-me a atenção quantidade de bibliotecas existes e o fato de funcionarem como espaços de convivência – vivos, intensamente frequentados, modernos, explorando as diversas mídias como meio de fortalecer o bom hábito da leitura e a valorização do livro.

Que a iniciativa atual do Ministério da Cultura, ainda tímida, seja o fio condutor de um esforço amplo, envolvendo as mais diversas instituições e segmentos da sociedade, em favor da cultura do livro e da leitura. E, desse modo, em prol da formação de uma consciência social avançada.

Para além da questão habitacional

Reforma urbana para abrigar quem vive nas ruas
Luciano Siqueira

Publicado no portal Brasil 247

Em editorial, a Folha de S. Paulo registra que na capital paulista aumenta número de pessoas vivendo nas ruas e em áreas inadequadas, apesar do crescimento da economia e do emprego.

Mas fixemo-nos na questão da moradia. Segundo a prefeitura, de 2009 a 2011 a quantidade de moradores de rua na maior cidade do país passou de 13.666 para 14.478. Uma piora de 6%.

Mais: no município de São Paulo, de um total de 11,2 milhões de habitantes, 1,3 milhão mora em áreas de ocupação que não superaram o status de favela. Ou seja: carentes de infraestrutura e de satisfatórias condições econômicas e de lazer.

Há um Plano Municipal de Habitação (PMH) de São Paulo, datado de 2010, segundo o qual aproximadamente 800 mil famílias vivem em áreas precárias. E que intervenções de infraestrutura e regularização fundiária solucionariam o problema.

Acrescente-se a isso o fato de que cerca de 290 mil imóveis se encontram desabitados o que seria mais do que suficiente para atender todas as pessoas que vivem nessas áreas de risco. Cobrando-se o IPTU progressivo – um instrumento consignado no Estatuto das Cidades – sobre esses imóveis desocupados, se poderia abrir caminho para adiante, via desapropriação por interesse social, dar eles a condição de acolherem parte substancial da população desabrigada ou submetida a condições inóspitas de moradia. 

Porém o buraco é mais embaixo, ou seja, trata-se da ocupação e uso do solo urbano – desigual, injusta, distorcida, sujeita à especulação por parte do capital imobiliário. Essa equação só se resolve através da gestão democrática do território, que o poder local pode e deve realizar desde que movido por convicção, compromisso com a maioria e coragem política. O Estatuto da Cidade (lei 10.257 de 10 de julho de 2001) contém um conjunto de dispositivos apropriados para tanto, associado à determinações do Plano Diretor.

Problemas postos na ordem do dia como a compatibilização do desenvolvimento econômico com a preervação ambiental; a localização da população de baixa renda em áreas dotadas de infraestrutura e não ocupação de áreas de mangues, encostas de morros e zonas alagáveis são contemplados pelo Estatuto da Cidade. Além disso, o Estatuto estipula que as prefeituras adotem a sustentabilidade ambiental como diretriz para o planejamento urbano e a realização de estudos de impactos urbanísticos para grandes obras, a exemplo de shopping centers, grandes casas de espetáculo, etc. A despeito desses atributos, no dia a dia da administração local tem sido essa Lei tão relegada quanto o próprio Plano Diretor, recém-atualizado. É assim na esmagadora maioria das cidades país afora.

Em outras palavras, o cenário de nossas cidades, a exemplo da capital de São Paulo, reclama a realização de uma reforma urbana que democratize a ocupação do território e viabilize condições de sobrevivência digna para seus habitantes.

Enio vê a queda dos juros bancários

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Uma justa homenagem

Hoje a Câmara Municipal concede o título de Cidadão de Petrolina ao camarada João Gondim. Não pude comparecer, como desejava. Enviei mensagem abaixo:
Gondim, guerreiro do povo!
Queridos camaradas do PCdoB:

Ao outorgar o título de Cidadão de Petrolina ao nosso querido camarada e amigo João Gondim, a Câmara Municipal pratica um gesto que enche de orgulho e alegria os militantes e amigos do PCdoB.

João Gondim ostenta larga trajetória militante, testado nas mais diversas circunstâncias da luta – inclusive nos cárceres da ditadura militar. Sempre aliando bravura e simplicidade; coragem pessoal e doçura; consciência socialista e invulgar sensibilidade para perceber nas pequenas coisas da vida o significado maior de nossa existência. Um exemplar guerreiro do povo!

Gostaria muito de estar com vocês neste momento – o que não me está sendo possível, infelizmente. Gostaria de estar aí, ao lado de Luci, para compartilhar com vocês e com João Gondim, Mana, filhos, irmãos e amigos, esse instante de rara felicidade.

João Gondim encarna a simplicidade e a modéstia do militante revolucionário convicto e despojado. Expressa através de sua fala mansa e de suas atitudes solidárias o que há de melhor no sertanejo – o que há de mais rico em nosso povo. Imagino que não se sinta à vontade de paletó e gravata, alvo de todas as atenções e homenagens... Mas creio que esteja orgulhoso sim; e até envaidecido porque bem sei que recebe o título de Cidadão de Petrolina como uma homenagem que vai além do imenso homem e militante que é, pois que o recebe como uma homenagem ao nosso glorioso Partido Comunista do Brasil!

Com um abraço carinhoso,

Luciano Siqueira

Maldita inibição!

O respeito e a timidez
Luciano Siqueira
Publicado no Blog da revista Algomais
 
Rubem Braga frequentava um café em São Paulo, no início dos anos quarenta, onde observava, posto num canto, a vender passagens de ônibus interurbanos, nada menos que o grande Artur Friedenreich, um dos maiores artilheiros do São Paulo e da seleção brasileira. Tinha vontade de lhe dirigir a palavra, mas jamais teve a coragem. Por respeito – registra numa de suas crônicas. Seria como quebrar o encanto de uma admiração que nutrira por aquele homem, ao longo de mais de uma década, e vê-lo naquela situação, relegado a um ofício outrora inaceitável para um ídolo do futebol.

Não só por respeito, mas principalmente por timidez, o autor dessas linhas viveu situações semelhantes.

No início dos anos sessenta, ainda adolescente, portador de uma mensagem do tio e meio-pai Paulo Rosas ao sociólogo e antropólogo Gilberto Freyre, foi recebido na sala de visitas da casa-grande do engenho Apipucos (sede da atual Fundação Gilberto Freyre), ele em animada conversa com o poeta Renato Carneiro Campos. Feita a entrega, um resmungo de agradecimento como resposta e o coração acelerado pela oportunidade jamais imaginada de estar frente a frente com o autor de Grande & Senzala.

Faltou coragem para perguntar algo, ensaiar uma observação qualquer.

Cena semelhante se repetiria alguns anos após, no Instituto de Ciências do Homem (hoje Centro de Filosofia e Ciências Humanas) da Universidade Federal de Pernambuco.

Nutria admiração quase reverencial pelo diretor, professor José Antônio Gonsalves de Mello Neto, autor de Tempo dos Flamengos e outros estudos igualmente marcantes sobre o período holandês em Pernambuco. Diante daquele homem sóbrio, invariavelmente solene no seu terno branco de linho diagonal e porte aristocrático, nada mais do que “um bom dia”. Como abordá-lo, tão distante e inacessível?

A chance surgiu quando o diretor flagrou no livro de ponto a assinatura de todos os funcionários administrativos antecipadas numa segunda feira como se houvessem trabalhado até a sexta. Menos a do jovem datilógrafo, chamado à sala do diretor.

- Por que o senhor não assinou o livro de ponto antecipadamente, como seus colegas?

- Porque hoje ainda é segunda feira, professor.

- Não lhe convidaram a assinar?

- Não, professor, ninguém me convidou.

- Pode ir, então.

Leitor precoce de obras clássicas, apaixonado pela História, muito teria a perguntar – tanto a Freyre como a Gonsalves de Mello. Maldita inibição!

Foram-se as oportunidades, ficou a timidez – que persiste até hoje, incurável. Um traço de personalidade só atenuado pela militância política, pois o dever de agir em favor de uma causa impele a arrostar toda sorte de obstáculos. Inclusive a timidez pessoal.

Velho Mundo numa sinuca de bico

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
Europa na encruzilhada


Todos nós sabemos que a política é um permanente jogo de movimentos. O que diferencia um partido situacionista de outro com objetivo transformador é a perspectiva. Um, atua tendo em vista o permanente movimento, o outro, peleja observando sempre o horizonte mais largo estabelecido em seu programa estratégico.

As atuais eleições na França são uma dessas batalhas em que se está decidindo algo mais que uma mera rotina institucional porque acontece em meio a uma crise econômica estrutural do capitalismo onde a busca por novos rumos para a Europa vem se defrontando com uma forte resistência de natureza conservadora.

Esse confronto se desenvolve por toda a União Europeia, mas atinge a sua dramaticidade em Países que são polos econômicos capitalistas mais desenvolvidos mesmo que a luta social esteja atingindo estágios radicais em elos mais débeis como são os casos de Portugal, Grécia, Espanha etc.

É fato inquestionável que os trabalhadores e demais segmentos sociais que compõem a Comunidade Europeia estão demonstrando sinais de que não estão mais suportando o peso da crise que estão jogando sobre as suas costas, um fardo resultante do intenso processo de concentração e centralização do capital financeiro internacional.

Mas os partidos no poder que sustentam as políticas neoliberais ortodoxas na Europa estão exaurindo as suas forças em consequência dos resultados econômicos e sociais negativos que atingem as mais variadas camadas assalariadas levando as nações a uma grave recessão.

Caso persistam as atuais orientações econômicas e institucionais as elites políticas francesas estarão investindo em um tremendo incêndio social e é óbvio que vai se esgotando, mesmo para o sistema, o papel de lideranças como Sarkozy.

Por outro lado a sociedade ainda não vislumbrou uma alternativa real e concreta aos atuais grupos dominantes mesmo com o soerguimento de uma esquerda mais aguerrida.
Já o Partido Socialista pelos seus antecedentes e o candidato Hollande representam infelizmente uma alternativa centrista, previsível e requentada possibilitando com isso alguma chance ao atual e medíocre presidente francês.

De qualquer maneira crescerá o voto útil contra Sarkozy no segundo turno das eleições e haverá um grande aumento da insubordinação social ao projeto neoliberal que vem sendo aplicado na França, com desdobramentos políticos para o resto do continente.

Bom dia, Carlos Pena Filho

Soneto da busca

Eu quase te busquei entre os bambus
para o encontro campestre de janeiro
porém, arisca que és, logo supus
que há muito já compunhas fevereiro.

Dispersei-me na curva como a luz
do sol que agora estanca-se no outeiro
e assim também, meu sonho se reduz
de encontro ao obstáculo primeiro.

Avançada no tempo, te perdeste
sobre o verde capim, atrás do arbusto
que nasceu para esconder de mim teu busto.

Avançada no tempo, te esqueceste
como esqueço o caminho onde não vou
e a face que na rua não passou.

24 abril 2012

Contra a violência sexista

Mais eficácia para uma lei justa
Luciano Siqueira

Para o Blog da Folha

Semana passada a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito sobre a violência contra a mulher realizou audiência pública no Recife. Ouviu representantes de órgãos governamentais e da sociedade civil. Em destaque, dentre outros aspectos relevantes do problema, a eficácia da Lei Maria da Penha.

Mais do que oportuno. Sobretudo pela decisão recente do Superior Tribunal Federal quanto à aplicabilidade da Lei até mesmo sem que a vítima preste queixa – um nó que afinal está sendo desatado. A carga de opressão e de insegurança é tamanha, nas relações de gênero, que muitas mulheres agredidas por seus companheiros terminam por não oferecer a denúncia, seja por receio de represálias, seja mesmo por ainda desejarem a companhia do agressor iludida quanto à possibilidade de que este venha a mudar o comportamento. Um fator de impunidade.

A decisão do STF veio em resposta à provocação da Procuradoria-Geral da República, inicialmente referente a agressões leves, que não resultam em incapacidade ou perigo de morte – e que já não pressupõem representação formal por parte da vítima.

Ocorre que comumente os juízes, antes de iniciar a ação contra o agressor, solicitam que a mulher agredida manifeste formalmente a vontade de processá-lo. Mas com o pronunciamento do STF, a partir do momento em que a mulher, ou uma terceira pessoa, apresenta a denúncia o processo prossegue, mesmo que a vítima venha a desistir da ação. Antes disso, segundo estatísticas divulgadas por instituições judiciais, proximamente 50% das mulheres que prestam queixa terminam por desistir do processo, pressionadas por familiares ou simplesmente por temor.

Tudo bem. Mas é necessário anotar que a eficácia da Lei ou, melhor dizendo, a redução drástica dos índices de violência sexista demanda muito mais do que o aperfeiçoamento da legislação vigente; reclama uma consciência social avançada na qual se insira a luta pela igualdade de gênero. Para tanto, muita luta tem que acontecer, seja fazendo permear a questão de gênero nos movimentos sociais e na esfera política e institucional, seja através de persistente e fundamentada batalha de ideias. A opressão de gênero tem raízes culturais e ideológicas profundas, que não se removem facilmente. E precisa ser enfrentada pelas mulheres e pela outra metade da população, nós outros do gênero masculino igualmente conscientes e militantes pela emancipação da mulher na sociedade.

22 abril 2012

Apelo sentido

A sugestão de domingo é do amigo Honório, na voz de Gal Costa: “Ah, se eu fosse você/Eu voltava pra mim/Voltava sim”.

Dilma & Lula

Na Folha de S. Paulo:
Apoio a Dilma bate recorde, mas eleitor quer Lula em 2014
. Pesquisa Datafolha mostra que governo é aprovado por 64% dos eleitores; sobe otimismo em relação à economia
. Com aprovação de 64% dos brasileiros, Dilma Rousseff bateu mais um recorde de popularidade, mostra levantamento do Datafolha.
. É a mais alta taxa obtida por um presidente com 15 meses de mandato. Só 5% consideram que seu governo seja ruim ou péssimo.

História: 22 de abril de 1500

A frota de Cabral chega à costa da BA. Começa a conquista portuguesa. Começa também, pelo sim e pelo não, a saga - feita de sofrimento e alegria, lutas, conquistas e derrotas, realizações e sonhos - daquele que é hoje o povo brasileiro. (Vermelho www.vermelho.org.br).

Neruda em fim de noite

Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Tortuosas veredas da convergência

Todos os caminhos podem dar na unidade
Luciano Siqueira

Publicado no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

Nem precisa ir longe, basta uma olhada rápida na multifacética cena política municipal de Pernambuco. Cada lugar tem o seu modus faciendi, o seu tempo e o seu cenário próprio. Mas em todos onde as coisas já caminham para uma definição ou sinalizam nessa direção, a flexibilidade é a tônica – da parte da força hegemônica, da parte dos coprotagonistas.

Vale para as forças que se perfilam na base de sustentação dos governos Eduardo e Dilma, vale para as forças de oposição. Inclusive em municípios onde há, por razões locais, uma mescla de legendas que divergem em plano estadual ou nacional, mas se aglutinam em torno de um projeto comum.

Flexibilidade é obviamente o inverso da rigidez. Comporta a hipótese principal e outras hipóteses, pois seguro morreu de velho e em política nunca se deve trabalhar apenas com uma alternativa, cabe sempre considerar saídas se as coisas não se concretizarem a contento e em tempo hábil.

Não é uma tese, e sim a observação empírica que tem se firmado ao longo dos anos com clareza inequívoca. Mas no meio do caminho da flexibilidade tem um elemento a considerar: a correlação de forças. Considerar as forças em presença e suas potencialidades de evolução – tanto na situação como na oposição -, e a possibilidade de deslocamento de parcelas significativas do eleitorado é imprescindível. O líder do movimento que marcou a História da Humanidade a partir do início do século XX, a Revolução Russa, Lenin, dizia que a alma da política é a tática e a essência da tática está na correlação de forças.

Se assim é, ponto para a combinação da firmeza de propósitos com a flexibilidade tática. Errado pensar, por exemplo, que o caminho para a unidade da Frente Popular no Recife se restringe a uma única e irrecusável vereda. Depende da busca real de entendimento, em tempo hábil. Depende da abertura de todos os atores a ouvir as razões de cada um e considera-las em princípio legítimas. Depende da busca efetiva da união em torno de um projeto político e administrativo atualizado.

O comentário me parece oportuno nesse período que antecede o momento em que efetivamente os partidos haverão de se reunir para firmarem compromissos e estabelecerem o entendimento. Oportuno inclusive para conferir a todas as conjecturas, mesmo as menos prováveis, a legitimidade decorrente do direito à voz própria de cada partícipe.

Na Frente Popular, a tendência natural é a aglutinação de forças em torno do nome que o PT venha a indicar, mas pode surgir outra alternativa tática. Na oposição, pelo menos pelo que se lê nas folhas, tanto pode se formar um bloco único como um misto de duas ou três candidaturas. Nenhuma das soluções tirará pedaço de ninguém e todas serão submetidas a quem define o resultado final, o eleitor. Logo de primeira ou em dois turnos.

Capital x trabalho no canteiro de obras

Do site www.lucianosiqueira.com.br
Trabalhador de Suape tem direitos desrespeitados

Distorções salariais, demissões por justa causa sem provimento legal e cerceamento de sindicatos até casos de abuso como ameaças que o Movimento dos Porteiros está sofrendo por vigilantes armados. As denúncias foram feitas na audiência pública sobre as condições de trabalho dos profissionais do Complexo Portuário de Suape, realizada na Assembleia Legislativa pela Comissão de Meio Ambiente nesta quarta (18). A iniciativa foi do vice-presidente do colegiado, deputado Luciano Siqueira, do PCdoB.

De acordo com o parlamentar, o Poder Legislativo deve se posicionar a favor de um modelo de desenvolvimento para o Estado que distribua renda e valorize o trabalho, ou seja, assegure aos trabalhadores condições adequadas, cumprimento das leis trabalhistas e salários justos. Siqueira afirmou que recebe denúncias de que em Suape nenhum desses fatores têm sido cumpridos.

O dirigente regional da Federação Interestadual dos Metalúrgicos, Moacir Paulino, relatou problemas dos funcionários do Estaleiro Atlântico Sul. Segundo ele, a carga horária é de 12 horas por dia de domingo a domingo, a alimentação fornecida não é de boa qualidade e a pressão para produzir com rapidez é enorme. Além disso, os profissionais trabalham confinados dentro de estruturas de ferro sem ventilação, o que tem causado diversos danos à saúde da categoria, sobretudo de respiração.

Moacir Paulino destacou que dois trabalhadores morreram no estaleiro em 2011. Um teria sido atingido por uma chapa de aço que pendeu e o esmagou e o outro teria caído do último andar de um navio, uma altura de mais de sete metros. Ainda de acordo com ele, a diferença salarial entre os pernambucanos e os funcionários de fora é imensa. Enquanto um soldador local ganha cerca de mil e duzentos reais, o outro chega a receber cinco mil.

O procurador do Trabalho do Ministério Público do Estado, Leonardo Osório de Mendonça, disse que órgão está investigando as duas mortes e, inclusive, convocou o Estaleiro para assinar um termo de ajustamento de conduta. Mas a empresa se negou a cumprir a determinação.

O secretário estadual do Trabalho, Antônio Carlos Maranhão, salientou que no dia 27 deste mês, o Governo começa uma atividade para implementar a agenda pernambucana de segurança do trabalho. Nenhum representante de Suape esteve no encontro. (L.R.)
Com informações da ALEPE

21 abril 2012

Boa noite, Manuel Bandeira

A estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

Página gloriosa do povo brasileiro

Guerrilha do Araguaia: 40 anos depois, uma tentativa de encontro com a História

Por Jana Sá*

Durante mais de 500 anos, a história oficial brasileira procurou ofuscar as lutas populares. A sociedade via, assim, a sua própria história com os olhos das classes dominantes. Aqueles que ousavam desafiar o estado atual dos acontecimentos, ou seja, os subversores de cada época, se não venciam, passavam à posteridade como bandidos, enquanto a auréola de herói contornava a fronte dos defensores da lei e da ordem.

Uma tentativa de apagar os vestígios que as classes populares e os opositores vão deixando ao longo de suas experiências de resistência e de luta, num esforço contínuo de exclusão da atuação desses sujeitos na história.

Contudo, apesar da disritmia entre a informação dos acontecimentos e a compreensão histórica do processo, há o momento em que se quebra o monopólio do discurso oficial, e a opinião pública passa a conhecer e discutir os fatos revelados. Dá-se lugar à História que não é escrita apenas para a justificação e a glorificação das classes dominantes, a ótica das classes populares. Procura-se desvendar o passado e contribuir para libertação e não servidão dos homens.

Tal é o caso da inclusão da Guerrilha do Araguaia nos currículos escolares de História. A proposta encaminhada esta semana ao Conselho Nacional de Educação (CNE) da Câmara dos Deputados pretende manter viva a memória de parte de uma história em que as classes populares não foram meras expectadoras dos fatos, mas produtoras dos acontecimentos. Manter viva a memória dos horrores da perseguição política, da tortura, das mortes, dos desaparecimentos, pois é este o primeiro passo para garantir que tais fatos não mais ocorram.

Movimento armado de contestação política ao Regime Militar, concebido, planejado, organizado e dirigido pelo Partido Comunista do Brasil, entre os anos de 1966 e 1975, no sul do Pará, a Guerrilha do Araguaia completou, no último dia 12, 40 anos, e é hoje evocada sempre que se trata de passar a limpo a história do país.

A inserção da guerrilha na História visa demonstrar que muitos, como o meu pai, o norte-rio-grandense Glênio Sá, insurgiram-se contra a intolerância política que se abateu sobre nosso país e pagaram um alto preço para que pudéssemos hoje desfrutar das liberdades políticas e individuais, embora a luta por democracia e liberdade seja uma jornada infinita.

A proposta que está em discussão na Câmara dos Deputados representa, assim, uma tentativa de não permitir que a destruição da história de homens e mulheres que se destacaram ao longo de suas trajetórias de vida se complete.

Buscar no passado o que nele foi esquecido e abafado, ou seja, as personagens e os episódios que foram sufocados e colocados nas notas de rodapé da história oficial é indispensável para reconstrução da memória histórica e uma dívida do Estado com a Sociedade.
*Jana Sá é jornalista e filha do guerrilheiro do Araguaia Glênio Sá

Nossa ciência de cada dia

Física no cotidiano
Em sua coluna de abril, Adilson de Oliveira explica conceitos físicos por trás de fenômenos e objetos muito presentes na nossa vida e mostra como a ciência está inserida no nosso dia a dia.
. O nascer do Sol é um dos mais belos espetáculos da natureza. Nas grandes cidades, infelizmente, ele passa despercebido, não somente devido à correria do dia a dia, mas também devido ao fato de que os altos prédios e a poluição acabam ocultando-o.
. Quem sai cedo de casa eventualmente tem a chance de ver esse fenômeno. Talvez muitos de nós já tenhamos observado a rápida transição que ocorre no amanhecer. Parece que, em um instante, tudo está escuro e, minutos depois, o Sol domina o ambiente.
. A grande influência do Sol sobre nós fez com que ele fosse considerado uma divindade em muitas culturas. A sua luz e o seu calor são essenciais para a manutenção da vida na Terra.
. Leia a matéria na íntegra http://migre.me/8LNzN

Mundo em transição

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
O fim de um ciclo

As recorrentes crises estruturais do capitalismo muito especialmente os grandes ciclos inaugurados em 1929 demonstram sobejamente o caráter maligno desse sistema mas também indicam, paradoxalmente, a sua força ao sobreviver aos seus terremotos intestinos e às tentativas de se superar a sua natureza brutal.

Na sua capacidade mutante de reinventar-se após cada tormenta ele gera novas formas econômicas mantendo a sua essência de acumulação de riquezas através da exploração da força de trabalho assalariada.

Nos tempos atuais assistimos a manifestações dramáticas de mais uma dessas crises, mas em um estágio extremamente sofisticado e complexo do sistema que superou patamares de concentração e centralização do monopólio da riqueza em dimensão global.

O fenômeno da governança global é uma das principais armas de poder da atual etapa hegemônica do capital financeiro internacional porque representa um modelo superior de controle político com características autoritárias e ao mesmo tempo sutis.

Com a capacidade de exercer o governo global através de métodos violentos utilizando-se de todos os instrumentos possíveis, inclusive invasões armadas sob a batuta imperial norte-americana, desconstruído meticulosamente o princípio da autodeterminação das nações.
Para a consecução dos seus interesses apropriou-se dos organismos mundiais criados no pós-guerra que tinham como objetivo uma ordem jurídica internacional depois da onda nazifascista de 1939 a 1945.

Essa hegemonia no interior desses organismos forjou regras, tratados, legislações, acordos econômicos, uniformizando o Direito, a economia, os valores, comportamentos, cultura, em escala planetária, fabricando artificialmente consensos, destruindo identidades regionais, garantias individuais fundamentais, restringindo, apequenando os governos nacionais.

Fortaleceu essa ditadura ideológica através do complexo midiático internacional ditando pontos de vista uniformes sobre os acontecimentos políticos, sociais e até, pasme-se, sobre fenômenos naturais.

Mas a atual tragédia do capitalismo desnudou o modelo de gestão planetária, suas consequências criminosas, reintroduzindo com vigor as lutas populares de sentido universal, a atualidade da questão nacional como aspecto central da emancipação social. E traduz especialmente o fim de um ciclo Histórico através de uma crise de civilização sem precedentes.

Mantém a hegemonia quem sabe. E pode

Hegemonia implica irrecusáveis responsabilidades
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Folha e no Portal Vermelho

Na luta política hegemonias se constroem, se conservam ou se perdem. Depende da competência da corrente política que a alcança. Porque nada é simples, a começar da correta compreensão dos múltiplos fatores que numa dada conjuntura propiciam a posição mais saliente em relação a aliados e adversários.

Antes de tudo é preciso entender que a hegemonia não se exerce com referência no próprio umbigo. Nem nos limites estéreis da estreiteza e do sectarismo. Quanto mais ampla e plural a conjugação de forças, mais consistente e respeitada a hegemonia. A satisfação desmedida dos próprios interesses em detrimento do conjunto coligado é o atalho mais fácil ao auto isolamento, cuja resultante inevitável, em médio prazo, é a perda da hegemonia conquistada.

Essa digressão faz sentido neste instante da cena política em que se aproximam da reta final – as convenções partidárias de junho – as démarches destinadas a celebrar ou desfazer alianças tendo como fulcro a composição de chapas majoritárias e, de modo acessório, mas igualmente importante, a montagem das chapas proporcionais. O partido que tem em certa medida as rédeas do processo – nos casos em que um deles detém a hegemonia no conjunto da coalizão – há que assumir responsabilidades irrecusáveis.

Para se credenciar à liderança de uma empreitada que se pretende vitoriosa, o partido hegemônico há que se apresentar unido, coeso, tendo às mãos uma proposta programática e tática passível de aceitação pelos aliados. A divisão interna, quando ocorre, reclama solução adequada e em tempo hábil, sob pena de gerar inseguranças e desencontros de tal monta que possam ameaçar o resultado final da peleja.

Demais, cumpre observar que os parceiros, cada um a seu modo, são detentores de propostas e intenções a serem consideradas quando da finalização das tratativas. Ainda que o tempo hábil tenha sido porventura encurtado, atenção redobrada a essa variável é necessária para evitar dissenções que enfraqueçam a capacidade combativa em favor do projeto comum.

Registra-se um caso emblemático em um dos municípios mais importantes de Pernambuco, pouco mais de uma década atrás, em que o líder da coligação posta imaginando-se suficientemente fortalecido para dispensar apoios supostamente desprezíveis, chegou a aconselhar um aliado a disputar isoladamente. Isto feito, a derrota se deu pelos exatos votos obtidos pelo aliado recusado!

Também emblemáticas são as disputas em que o acirramento de contradições intestinas concorreu decisivamente para a vitória do adversário, que terminou beneficiado pelos reflexos, no eleitorado, da desunião do oponente.

São lições da vida – que aprende quem quer. E pode.