Da Vila Euclides, palco das lutas operárias, rumo ao Palácio do Planalto
Largada da campanha Lula presidente realça protagonismo dos trabalhadores, ontem, pelo fim da ditadura, hoje, por uma vitória que assegure soberania ao país e prosperidade ao povo
Editorial do 'Vermelho'
Um público de quarenta mil pessoas, estimado pelos organizadores, encheu de luta e esperança, energia e alegria, o legendário estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, São Paulo, no domingo (16). O passado, o presente e o futuro do país se entrecruzaram num mesmo ambiente. Cenário perfeito para a arrancada da campanha presidencial Lula presidente, Alckmin vice.
O legado dos/as trabalhadores/as à construção não só material, mas política, social e cultural do país, tantas vezes inviabilizado ou distorcido, ganhou foco e luz, no mesmo local em que o sindicalista metalúrgico liderou as grandes greves do ABC, que nos anos 1979 e 1980 fizeram tremer os alicerces da ditadura militar, contra a exploração capitalista e pela democracia.
Quarenta e sete anos depois, lá estava ele novamente, agora de cabelos brancos e a voz já um tanto gasta, mas com vigor o bastante e, sobretudo, com a credibilidade de sobra, para renovar os votos de compromisso pelos interesses da nação e pelos direitos do povo e dos trabalhadores, numa jornada que, se vitoriosa, o investirá da alta responsabilidade de presidir o Brasil pela quarta vez.
Lula falou do passado de lutas do proletariado – repetindo que “ninguém mais ouse de duvidar da capacidade de lutas da classe trabalhadora” –, das realizações de seu governo de reconstrução nacional, que levantou o Brasil do chão diante da bagaceira resultante do governo de destruição da extrema direita, para mirar o futuro. “Este país está devendo a si mesmo se transformar em uma grande nação, e nós vamos fazer deste país uma grande nação. O povo brasileiro não vai aceitar que a mentira vença a verdade.”
Uma imensa bandeira do Brasil erguida pelos punhos de centenas de pessoas já indicava, pelas cores da pátria, a marca desse futuro e o caminho para que o país venha a se tornar forte, próspero e influente: diante das ameaças do imperialismo, a soberania nacional no topo dos compromissos, entrelaçada com a democracia, o desenvolvimento com base em tecnologia avançada e a riqueza produzida direcionada a reduzir as desigualdades, valorizar o trabalho e elevar a qualidade de vida do povo.
O vice-presidente Geraldo Alckmin, que sinaliza na chapa presidencial a frente democrática e popular formada para sustentar a campanha de reeleição do presidente Lula, destacou as fábricas que se ergueram em substituição às que fecharam as portas no governo Bolsonaro e os avanços da Nova Indústria Brasil, com base em tecnologia avançada, e evocou a defesa da terra brasileira, “pátria livre, pátria soberana”, para fechar seu pronunciamento.
O presidente Lula discorreu sobre parte dos principais conteúdos de seu programa de governo em relação ao futuro imediato do país. O compromisso magno com a soberania nacional foi abordado a partir da cobiçada riqueza do subsolo nacional em terras raras e minerais estratégicos. As reservas nacionais desses minerais serão exploradas sob a soberania e os interesses do país. Lula asseverou que é preciso dar um basta ao fato de o país, por exemplo, exportar terras raras em estágio bruto e depois importar produtos industrializados, como celulares, chips e baterias.
“Investir no futuro” é seguir priorizando, ainda com mais força, a educação, com maior acesso às universidades, às escolas profissionais, e garantir escolas de tempo integral por todo o país. É crível que isto é possível para quem expandiu as universidades e as unidades da Rede Federal de Educação Profissional durante os governos Lula e Dilma. “Em cem anos, desde o governo de Nilo Peçanha, foram criadas 143 escolas técnicas, nós já abrimos 600 institutos federais, a caminho de chegar a 800”, disse o presidente.
Garantir paz e segurança ao povo, sobretudo, aos brasileiros e brasileiras que vivem em regiões dominadas pelas facções criminosas é outro pacto que Lula faz com o eleitorado do país. O presidente defende diretriz de segurança pública que concentre a ação do Estado para enfrentar e combater os chefes e financiadores do crime organizado.
Dar qualidade superior ao que vem sendo feito, asfixiar o poder financeiro e econômico dos bandidos para desmantelar as organizações criminosas. “Nós vamos libertar o povo das vilas mais pobres, onde tem quadrilha que manda e inferniza a vida das pessoas. Vamos prender todo mundo que acha que é dono de uma favela ou de um bairro pobre”, disse. Caso seja aprovada a PEC da Segurança Pública, o presidente mais uma vez reafirmou que criará o Ministério da Segurança Pública.
A importância elevada da disputa ao governo de São Paulo e o peso desta batalha na eleição presidencial ficou patente no pronunciamento de Fernando Hadad e na referência tanto de Lula quanto de Alkmin em seu apoio. Lula pediu também apoio e voto ao conjunto das candidaturas de sua aliança. “A gente precisa ganhar as eleições e eleger maioria no Congresso Nacional para que a gente possa fazer tudo o que tem que fazer neste país”, afirmou.
Permeou o ato político como um todo a defesa dos direitos das mulheres, o combate ao feminicídio e a todo tipo de violência e preconceitos de que são vítimas. Também se enalteceu o desempenho das mulheres nas múltiplas dimensões da vida do país. Janja da Silva, primeira-dama, discursou sobre esse tema. Benedita da Silva, primeira mulher a governar o Rio de Janeiro, liderança negra, evangélica, fez vigoroso pronunciamento. Também falaram outras três candidatas ao Senado Federal: Marina Silva, Simone Tebet e Gleisi Hoffmann.
Em contraste, com o massivo, simbólico e combativo ato de lançamento da chapa Lula e Alckmin, o evento do candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, se realizou na orla da cidade do Rio de Janeiro, com menos de 9 mil pessoas, sem aliados e esvaziado de lideranças. O que em quantidade, isto sim, era bandeira dos Estados Unidos, estampando o caráter de traição à pátria da candidatura bolsonarista.
No estádio 1º de Maio da Vila Euclides vibrou com força a unidade das forças progressistas com apoio dos demais integrantes do campo patriótico e popular do país.
Os comunistas marcaram presença, com sua combativa militância, várias candidaturas, lideranças dos movimentos, além da presidente licenciada da legenda, Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação; e da presidente interina Nádia Campeão. Ambas se dirigiram ao público do ato.
Luciana disse que foi um “dia histórico”. “É aqui dessa base que Lula virou o maior líder popular da América Latina. E nós estamos aqui, onde sempre estivemos. O PCdoB caminha lado a lado com Luiz Inácio Lula da Silva desde 1989. E nós queremos, cada vez mais, construir essa frente ampla capaz de derrotar a extrema direita no nosso país. Os desafios são enormes, as ameaças são grandes. Ou daremos um salto ainda maior na reconstrução do Brasil, na agenda de desenvolvimento, na agenda da justiça social, na agenda democracia, na agenda da soberania nacional, para que a gente se emancipe e supere a nossa dependência, ou vamos retroceder anos-luz nesse país”, afirmou. “Temos de dizer, em alto e bom som: não somos quintal de ninguém. Queremos o Brasil cada vez mais e forte de desenvolvido. Não aceitaremos nenhum tipo de neocolonialismo”.
Por sua vez, Nádia Campeão disse que o PCdoB se soma às forças da esquerda, progressistas e democráticas, “porque temos muitas missões nessas eleições”. “Temos uma missão importantíssima, que o PCdoB chama muita atenção, que é defender a soberania do Brasil”, alertou. Em mensagem nas redes sociais, Nádia enfatizou que agora a campanha adentra à sua fase oficial e decisiva, “o que requer foco e intensidade, total engajamento e mobilização pela conquista do voto”. “Hoje começa a campanha. Agora é para valer. Dá para usar nome, número. Agora é pedir voto. Pedir voto para Lula, para os nossos candidatos e governador, governadora, senadores”. E conclamou empenho para pedir votos “às nossas candidatas, aos nossos candidatos, do PCdoB”.
Lula sintetizou bem o significado do lançamento de sua candidatura: “Ato histórico em defesa da soberania e da luta dos trabalhadores. O Estádio 1º de Maio lotado mostrou ao mundo que o Brasil tem dono: o povo brasileiro!”
Soberania nacional é o pilar do Programa de governo de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/editorial-do-vermelho_01066033204.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário