No Valor Econômico:
Câmbio leva empresas a focar o mercado interno
A Nokia, uma das maiores fabricantes de celulares do país, chegou a exportar US$ 1 bilhão em 2005. No primeiro trimestre deste ano, as vendas caíram para US$ 34 milhões. Depois de atender Estados Unidos e Europa, a empresa só vai exportar quando houve excesso de produção. O objetivo é aproveitar a demanda do mercado interno, no qual a participação da Nokia chegou a 29%.
A multinacional finlandesa não é um caso isolado. Depois de dedicar esforços a conquistar clientes no exterior, empresas de setores distintos como Honda, Móveis Carraro e Eliane redirecionaram sua estratégia para o mercado interno. A decisão reflete o câmbio pouco favorável à exportação e uma mudança na demanda interna, que vêm se mostrando aquecida.
A fabricante de revestimentos cerâmicos Eliane pretende reduzir de 45% para 35% o percentual da produção destinada à exportação até o fim do ano. Pela primeira vez desde 1984, a empresa adotará essa estratégia. O objetivo é aproveitar o boom de vendas da construção civil internamente. No primeiro trimestre, as vendas da Eliane no país cresceram 6%.
A quantidade exportada caiu 15% no caso dos automóveis, 13% em têxteis, 5% em móveis e subiu apenas 1,8% em máquinas no acumulado de 12 meses até março de 2007, em relação a igual período do ano anterior, aponta a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex). Já a produção cresceu 3,6% em automóveis, 13% em móveis e 15% para máquinas, segundo o IBGE.
Os fabricantes de tecidos, vestuário e calçados se consideram em um beco sem saída. Pressionados pelo aumento do custo da mão-de-obra, por conta da valorização do real, essas empresas também não encontram alento no mercado interno. Esse tipo de produto ficou "espremido" pelo crescimento das vendas de alimentos e produtos de higiene, favorecidos pela elevação da renda, e de eletrodomésticos, beneficiadas pela expansão do crédito. Sobrou pouco dinheiro no bolso do consumidor para roupas e calçados. A West Coast acredita que a única alternativa é produzir sapatos para exportação em outros países e está procurando opções na América Latina, como a Guatemala, e Ásia.
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