19 agosto 2026

Submarino nuclear em destaque

Lula defende soberania nacional e garante recursos para submarino nuclear
Em visita ao Centro Industrial de Aramar, presidente destacou que soberania nacional exige investimentos concretos e tecnologia própria
Davi Dmolir/Vermelho   
 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou nesta quarta-feira (19) o Centro Industrial Nuclear de Aramar (CINA), em Iperó (SP), e acompanhou o início da montagem da seção nuclear do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (LABGENE). O laboratório consiste em um protótipo em escala real e em terra da planta de propulsão do futuro submarino nuclear Álvaro Alberto.

A etapa marca um avanço concreto do Programa Nuclear da Marinha na consolidação do projeto.

Acompanharam a comitiva o ministro da Defesa, José Múcio; o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Marcos Antonio Amaro; o comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen; e a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovações, Luciana Santos.

Lula pôs a soberania nacional no centro do discurso e prometeu garantir os recursos para concluir o projeto.“Nós vamos arrumar os recursos para que a gente termine de uma vez por todas esse submarino. Um submarino é importante para o Brasil, para a nossa soberania, para o nosso desenvolvimento tecnológico e para gerar emprego”, afirmou o presidente.

Ele criticou a falta de continuidade de projetos estratégicos das Forças Armadas, defendendo tratamento diferenciado para investimentos de defesa. “A gente não tem soberania nacional porque a gente faz discurso. O discurso é só palavra e o adversário às vezes nem escuta. A gente tem que estar preparado para eles saberem que a gente vai ter força para poder dizer não, dizer que vamos competir. O que não pode é ser cabeça baixa a vida inteira”, afirmou. Lula também defendeu o enriquecimento de urânio para fins pacíficos, conforme determina a Constituição, e associou o domínio da tecnologia à capacidade de desenvolver e exportar conhecimento.

A ministra Luciana Santos destacou o caráter estratégico da embarcação. Segundo ela, o submarino nuclear é um “instrumento de dissuasão” e uma “ferramenta importante para protegermos nosso mar em contexto de agravamento de tensões geopolíticas”.

O comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, ressaltou a importância estratégica do programa e a necessidade de continuidade orçamentária. O ministro da Defesa, José Múcio, acompanhou a agenda e reforçou o apoio do governo ao projeto.

O LABGENE funciona como um “submarino em terra” para simular e testar, sob condições controladas de segurança, o reator e os sistemas eletromecânicos integrados antes da instalação definitiva na embarcação. Em plena operação, o reator de 48 megawatts de potência térmica gerará energia equivalente ao consumo de uma cidade de 20 mil habitantes.

O projeto tem caráter dual: capacita a proteção das águas territoriais e habilita o Brasil no desenvolvimento futuro de pequenos reatores modulares de energia elétrica, com benefícios para a medicina e a agricultura.

Aramar reúne infraestrutura que garante a autonomia tecnológica nacional, incluindo o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI), a Usina Piloto de Produção de Hexafluoreto de Urânio (USEXA) e o Laboratório de Materiais Nucleares (LABMAT). O programa conta com aporte da Finep para a produção do gás UF6, usado no enriquecimento do urânio, e de combustíveis para reatores navais.

A formação de pessoal é realizada pelo Centro de Instrução e Adestramento Nuclear (CIANA), enquanto a segurança radiológica é auditada pelo Laboratório Radioecológico (LARE). Ao unir defesa e uso civil, o governo reafirma o domínio nuclear como eixo de desenvolvimento e soberania.

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html

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