O que de melhor se podia esperar do debate era a discussão dos projetos de nação dispares que os dois candidatos defendem, os diferentes planos de governo. Tal não aconteceu por duas razões: primeira, a excessiva troca de farpas entre ambos, em alguns momentos até em termos agressivos; segunda, porque a sistemática do debate impede uma exposição mais ampla do pensamento de cada um. O tempo destinado a perguntas e respostas é muito reduzido.
No início, muito ofensivo e esgrimindo o tema da ética e do combate à corrupção, Alckmin pareceu se sair melhor. Não exatamente pelo conteúdo, mas pela forma mais segura, enquanto Lula se mostrou um tanto atingido pelas menções a rumorosos casos de irregularidades atribuídos a ministros e dirigentes do PT. Nos blocos seguintes, no entanto, os contendores se igualaram – com ligeira vantagem para Lula.
Alckmin cometeu três erros importantes. O primeiro foi insistir excessivamente no tema da ética, tornando-se repetitivo. O segundo, que pode lhe ser muito prejudicial, foi adotar uma postura algo arrogante. O terceiro foi aceitar discutir as diferenças entre os governos Lula e FHC.
Lula chegou a provocar Alckmin cobrando a ausência de FHC na campanha e mesmo ali o ambiente da TV. “Ele não está aqui porque atrapalha?”, perguntou o presidente.
O presidente Lula aparentou cansaço e, no início, excessivo nervosismo. Mesmo quando conseguiu ir à contra-ofensiva não soube desenvolver a argumentação a contento.
A opinião de quem está envolvido na luta com um dos lados sempre é passiva de influências subjetivas. Mas esse amigo de vocês não se omite de dizer que avalia que Lula perdeu o debate no primeiro bloco, e venceu nos três seguintes por pequena margem. Foi quando a discussão correu no leito da política propriamente dita e o presidente procurou falar mais diretamente ao povo, contrastando, em termos de imagem, com Alckmin, que usou argumentos às vezes incompreensíveis pelo grande público.
Agora, como se sabe, o debate vale por si mesmo – sobretudo como o público telespectador recebeu a imagem de cada candidato – e também pelas repercussões de mídia a partir do dia seguinte. Dificilmente o noticiário será favorável a Lula. se pelo menos os analistas considerarem a hipótese do empate já será lucro.
Certamente uma constatação será unânime: a de que a campanha do segundo turno começou ontem, com o debate da Band.
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5 comentários:
Sua análise é certa, o debate foi quase empate, mas Lula levou pequena vantagem, também concordo, poois foi mais povão e adversário ficou com jeito de elite.
Rinaldo
Sr.Luciano, gostei do debate porque Lula foi mais simples e argumentou as coisas com direção ao povo e o Alckmin foi muito agressivo e o povo não gosta disso.
Saudações pela sua votaçãoara senador,que foi muito boa.
Maria José
Luciano Siqueira:
Parabéns pelo equilíbrio de sua análise e também paabéns pela grande votação para o senador.
Fernando Lins
gostei do debate. pois lula relamente esteve nervoso no primeiro bloco, mais começou nesse bloco demonstrando que tem na cabeça, todos os números de seu governo que é muito superior ao dos tucanos(8anos)que pra classe mais informada e elitizada que é o maior público que viu o debate, acho que surpreendeu muitos desses eleitores, pois muitos estão votando pela primeira vez, para presidente e nunca tiveram a oportuniade de ver lula debater(apesar que já o vi melhor em debates)
Esse terceiro comentário, cujo autor(a) não assinou, o publicamos pedindo que da próxima vez se identifique.
Grato,
Luciano
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