24 agosto 2026

Editorial do 'Vermelho'

Governo Lula anuncia iniciativas importantes para reindustrialização nacional
Presidente enfrenta desafios da inovação tecnológica, ponto central de um novo projeto nacional de desenvolvimento
Editorial do 'Vermelho'    

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), na quarta-feira (19), enfatizou a capacidade do Brasil de dominar tecnologias estratégicas e transformar conhecimento científico em instrumentos de soberania nacional. Ele acompanhou o início da montagem da seção nuclear do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), que integra o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).

Também na linha da soberania tecnológica nacional, na quinta-feira (20), em Natal, Rio Grande do Norte, Lula anunciou um edital para a aquisição de um supercomputador no valor estimado em R$ 1 bilhão, parte da estratégia prevista no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que contribuirá para a expansão do desenvolvimento da tecnologia no país. O Plano integra a estratégia nacional do governo para desenvolver, estruturar e incentivar o uso soberano da inteligência artificial no Brasil, com investimentos de R$ 23 bilhões até 2028, com mais de R$ 14 bilhões executados nos últimos dois anos.

De acordo com a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o supercomputador colocará o país entre os cinco maiores do mundo em computação de alto desempenho, uma máquina que permitirá integrar dados de programas do governo, além de aumentar a eficiência em análises de efeitos do aquecimento global, como o aumento do nível do mar, a frequência de eventos climáticos extremos e o impacto na agricultura. Ao supercomputador soma-se a elaboração de uma linguagem totalmente nacional de inteligência artificial (IA), que possibilitará à ciência brasileira dar um salto e aumentar ainda mais a soberania nacional.

No Centro Industrial Nuclear de Aramar foi apresentado o Reator Multipropósito Brasileiro, associado à produção nacional de radioisótopos e medicamentos, mostrando que o domínio da tecnologia nuclear possui aplicações que ultrapassam a área militar. “O submarino com propulsão nuclear é mais do que um projeto de defesa: é soberania, ciência, tecnologia e desenvolvimento. É proteger o nosso território e nossas riquezas, gerar empregos qualificados e abrir oportunidades para que nossos jovens possam estudar, se formar e construir o futuro aqui”, afirmou o presidente.

O presidente, também, defendeu investimentos no enriquecimento de urânio para fins pacíficos, como na produção de energia. O Brasil ostenta um grande potencial de recursos minerais de urânio, entre os maiores do mundo, todavia não consegue suprir sequer a demanda interna. Há, no momento, oportunidade, segundo os especialistas, para o Brasil superar esse absurdo. Além das necessidades do país, cresceu a procura no mercado mundial. Mas, semelhante ao caso das terras raras, em vez de exportar urânio em estado bruto, o Brasil pode exportar urânio enriquecido, posto que faz parte do seleto grupo de países que domina a tecnologia de enriquecimento e tem instalações já em atividade.

Ronaldo Carmona, assessor para assuntos de inovação e política industrial da FINEP, pesquisador na área de geopolítica, defesa e estratégia, defende a ideia de que o submarino nuclear amplia a capacidade brasileira de proteger a Amazônia Azul – área oceânica sob jurisdição brasileira no Oceano Atlântico –, especialmente seus recursos naturais, além de instalações estratégicas e rotas marítimas.

O aspecto mais profundo do programa, segundo Carmona, é o domínio de tecnologias críticas. O Brasil não está simplesmente comprando um submarino pronto: está desenvolvendo a capacidade de projetar, construir e operar uma plataforma extremamente complexa. Em sua opinião, “o submarino nuclear vai mudar a qualidade da nossa capacidade de nos defendermos”.

A Marinha afirma que o programa fortalece a Base Industrial de Defesa e estimula setores como eletrônica, mecânica, eletromecânica, química e indústria naval. Em outras palavras, o submarino funciona como espécie de projeto mobilizador: para construí-lo, é necessário desenvolver ou qualificar uma cadeia de empresas, engenheiros, pesquisadores, técnicos e fornecedores.

Diante do país sob ameaça, alvo de agressões e chantagens do imperialismo estadunidense, aumentar seu poder dissuasão não se concretiza com retórica. Acelerar a produção do submarino movido a propulsão nuclear, entre outros projetos, é uma necessidade que requer urgência.

Programa de governo de Lula define que, “cumprindo estritamente o que está definido pela Constituição, as Forças Armadas atuarão na defesa do território nacional, do espaço aéreo e do mar territorial”. “A partir de diretrizes dos Poderes da República, colaborarão na cooperação com organismos multilaterais e na modernização do complexo industrial e tecnológico da defesa”, destaca.

Esses dois movimentos do governo Lula confirmam uma concepção de desenvolvimento no qual ciência e tecnologia ocupam posição estratégica, o domínio nacional de tecnologias sofisticadas como instrumento de reindustrialização. O Brasil possui universidades, centros de pesquisa, empresas de engenharia, instituições militares e uma comunidade científica capazes de participar de projetos complexos. O problema histórico tem sido transformar esse potencial em uma política de desenvolvimento.

Essa concepção é importante para o Brasil enfrentar o desafio de seguir se reconstruindo, com conhecimento científico, inovação tecnológica e maior agregação de valor à produção. A reindustrialização precisa estar associada à ciência, à tecnologia, à digitalização, à inteligência artificial, à energia, à indústria de defesa, à biotecnologia, à indústria naval e a outros segmentos. Pode-se dizer que esse é um ponto central de um novo projeto nacional de desenvolvimento, assentado em novas bases, fundamental para o país e para o povo.

O jornalismo econômico troca o debate plural pelo consenso do mercado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/midia-pro-mercado.html

Nenhum comentário: