Governo Lula anuncia iniciativas importantes para
reindustrialização nacional
Presidente enfrenta desafios da
inovação tecnológica, ponto central de um novo projeto nacional de
desenvolvimento
Editorial do 'Vermelho'
O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em
Iperó (SP), na quarta-feira (19), enfatizou a capacidade do Brasil de dominar
tecnologias estratégicas e transformar conhecimento científico em instrumentos
de soberania nacional. Ele acompanhou o início da montagem da seção nuclear do
Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), que integra o
Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).
Também na linha
da soberania tecnológica nacional, na quinta-feira (20), em Natal, Rio Grande
do Norte, Lula anunciou um edital para a aquisição de um supercomputador no
valor estimado em R$ 1 bilhão, parte da estratégia prevista no Plano Brasileiro
de Inteligência Artificial (PBIA), que contribuirá para a expansão do
desenvolvimento da tecnologia no país. O Plano integra a estratégia nacional do
governo para desenvolver, estruturar e incentivar o uso soberano da
inteligência artificial no Brasil, com investimentos de R$ 23 bilhões até 2028,
com mais de R$ 14 bilhões executados nos últimos dois anos.
De acordo com a
ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o supercomputador
colocará o país entre os cinco maiores do mundo em computação de alto
desempenho, uma máquina que permitirá integrar dados de programas do governo,
além de aumentar a eficiência em análises de efeitos do aquecimento global,
como o aumento do nível do mar, a frequência de eventos climáticos extremos e o
impacto na agricultura. Ao supercomputador soma-se a elaboração de uma
linguagem totalmente nacional de inteligência artificial (IA), que
possibilitará à ciência brasileira dar um salto e aumentar ainda mais a
soberania nacional.
No Centro
Industrial Nuclear de Aramar foi apresentado o Reator Multipropósito
Brasileiro, associado à produção nacional de radioisótopos e medicamentos,
mostrando que o domínio da tecnologia nuclear possui aplicações que ultrapassam
a área militar. “O submarino com propulsão nuclear é mais do que um projeto de
defesa: é soberania, ciência, tecnologia e desenvolvimento. É proteger o nosso
território e nossas riquezas, gerar empregos qualificados e abrir oportunidades
para que nossos jovens possam estudar, se formar e construir o futuro aqui”,
afirmou o presidente.
O presidente,
também, defendeu investimentos no enriquecimento de urânio para fins pacíficos,
como na produção de energia. O Brasil ostenta um grande potencial de recursos
minerais de urânio, entre os maiores do mundo, todavia não consegue suprir
sequer a demanda interna. Há, no momento, oportunidade, segundo os
especialistas, para o Brasil superar esse absurdo. Além das necessidades do
país, cresceu a procura no mercado mundial. Mas, semelhante ao caso das terras
raras, em vez de exportar urânio em estado bruto, o Brasil pode exportar urânio
enriquecido, posto que faz parte do seleto grupo de países que domina a
tecnologia de enriquecimento e tem instalações já em atividade.
Ronaldo
Carmona, assessor para assuntos de inovação e política industrial da FINEP,
pesquisador na área de geopolítica, defesa e estratégia, defende a ideia de que
o submarino nuclear amplia a capacidade brasileira de proteger a Amazônia Azul
– área oceânica sob jurisdição brasileira no Oceano Atlântico –, especialmente
seus recursos naturais, além de instalações estratégicas e rotas marítimas.
O aspecto mais
profundo do programa, segundo Carmona, é o domínio de tecnologias críticas. O
Brasil não está simplesmente comprando um submarino pronto: está desenvolvendo
a capacidade de projetar, construir e operar uma plataforma extremamente
complexa. Em sua opinião, “o submarino nuclear vai mudar a qualidade da nossa
capacidade de nos defendermos”.
A Marinha
afirma que o programa fortalece a Base Industrial de Defesa e estimula setores
como eletrônica, mecânica, eletromecânica, química e indústria naval. Em outras
palavras, o submarino funciona como espécie de projeto mobilizador: para construí-lo,
é necessário desenvolver ou qualificar uma cadeia de empresas, engenheiros,
pesquisadores, técnicos e fornecedores.
Diante do país
sob ameaça, alvo de agressões e chantagens do imperialismo estadunidense,
aumentar seu poder dissuasão não se concretiza com retórica. Acelerar a
produção do submarino movido a propulsão nuclear, entre outros projetos, é uma
necessidade que requer urgência.
O Programa de governo
de Lula define que, “cumprindo estritamente o que está definido pela
Constituição, as Forças Armadas atuarão na defesa do território nacional, do
espaço aéreo e do mar territorial”. “A partir de diretrizes dos Poderes da
República, colaborarão na cooperação com organismos multilaterais e na
modernização do complexo industrial e tecnológico da defesa”, destaca.
Esses dois
movimentos do governo Lula confirmam uma concepção de desenvolvimento no qual
ciência e tecnologia ocupam posição estratégica, o domínio nacional de
tecnologias sofisticadas como instrumento de reindustrialização. O Brasil
possui universidades, centros de pesquisa, empresas de engenharia, instituições
militares e uma comunidade científica capazes de participar de projetos
complexos. O problema histórico tem sido transformar esse potencial em uma
política de desenvolvimento.
Essa concepção
é importante para o Brasil enfrentar o desafio de seguir se reconstruindo, com
conhecimento científico, inovação tecnológica e maior agregação de valor à
produção. A reindustrialização precisa estar associada à ciência, à tecnologia,
à digitalização, à inteligência artificial, à energia, à indústria de defesa, à
biotecnologia, à indústria naval e a outros segmentos. Pode-se dizer que esse é
um ponto central de um novo projeto nacional de desenvolvimento, assentado em
novas bases, fundamental para o país e para o povo.
O jornalismo econômico troca o debate plural pelo consenso do mercado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/midia-pro-mercado.html

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