30 novembro 2025

Minha opinião

É a correlação de forças, ora!
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65 

Verdade que da promulgação da Constituição, em 1988, aos dias que correm muito aconteceu — tanto através de PECs, como por operações infraconstitucionais. 

Temos um Estado dito de direito democrático, porém disfuncional. 

Em período recente, precisamente durante a desastrosa gestão do ex-presidente hoje prisioneiro Jair Bolsonaro, poderes discricionários foram adotados favorecendo deputados e senadores no manuseio de recursos do Orçamento.

São as chamadas PIX, criadas pela Emenda Constitucional nº 105/2019, que permite a execução direta de recursos para estados e municípios, sem a obrigatoriedade de convênios com a União, de uma automaticidade suspeita. 

Isto como componente de uma instabilidade no equilíbrio entre os chamados três poderes da República. O Executivo perdeu temporariamente força relativa. 

Verdade, porém em última instância em função da correlação de forças real expressa na composição das duas Casas parlamentares; estampando o contraste entre o programa do governo e a maioria parlamentar posicionada contra. 

Analistas de diversas espécies e convergente superficialidade parecem esquecer que cerca de 4/5 dos deputados federais se elegeu apoiando o candidato derrotado, Bolsonaro.

Governar nessas circunstâncias não é simples, obviamente. Demanda imensa flexibilidade e predisposição a negociar cada matéria importante fazendo concessões quase espúrias. 

Esta é a variável que se apresenta no tempo presente — a correlação de forças —, que dificulta a prática do que se convenciona chamar "presidencialismo de coalizão", mas não o extingue.

O campo de forças democrático e progressista, na hipótese da reeleição do presidente Lula, terá que alcançar maioria parlamentar absolutamente necessária à governabilidade.

Não é fácil, mas pode ser possível. Veremos.

[Qual a sua opinião?]

Leia também - Paulo Nogueira Batista Jr.: "Pluto-, clepto- e kakistocracia"  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/paulo-nogueira-batista-jr-opina.html 

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